terça-feira, 9 de julho de 2013

Aparências e mentiras nos cartazes da ilusão

A manhã da Invicta está definitivamente quente e alinhada com este verão que atacou forte e não vale mesmo a pena procurar o fresco de uma brisa que nos possa livrar desta espécie de sauna em que estamos metidos.
Ainda a saborear o efeito inicial do ar condicionado do carro, que faz tanto barulho na “afinação” rápida entre a temperatura existente e a ambicionada que mais parece um motor avariado, paro numa passadeira para que uma senhora possa cruzar a rua.
Vistosa no vestir e no calçar, e muito lenta no passo, quase que sou tentado a acreditar que se trata de uma modelo que em acto de reivindicação tomou a via pública e a converteu em passerelle.
Eu bem sei que uma vez em Nova Iorque tive o Wim Wenders parado no seu descapotável a dar-me passagem no que foi uma das grandes surpresas e emoções da minha vida, mas daí converter as passadeiras em locais para operacionalizar desfiles de moda na esperança de que um realizador de cinema, um agente de casting, ou quiçá mesmo, um incauto idoso, nos possam adoptar e converter em estrelas, é algo abusivo.
Seja como for, a dita “vamp” ou Estrela Órfã oferece-me a oportunidade de olhar atentamente para um cartaz de Luis Filipe Menezes na sua campanha para a presidência da Câmara do Porto. E confirmo: não tem o logótipo do seu partido.
Em Oeiras, Moita Flores fez o mesmo.
E assim, com a “Modelo” ou “Miss Aliados”, e o Menezes, tenho à minha frente e num mesmo olhar, duas faces de uma farsa com a ilusão e a aparência como argumentos.
Haverá poucas coisas que me tirarão do sério com a mesma eficácia dos ajustes feitos à história de cada um nesse pecado novo-rico de fazer alinhar uma conta bancária recentemente aumentada com um passado recheado de brasões.
Tal como a Madredeus Pureza Teixeira da Cunha que o Herman José inventou para a Ana Bola no Humor de Perdição, e que mais não era do que a Marisol, filha da Maximiana e da Merdaleja, um terra nos antípodas de Cascais, há muita gente que mata os verdadeiros avós, quantas vezes gente honesta e recomendável, pondo por cima deles e das cómodas recentemente compradas em antiquários e leilões, um antepassado virtual que combateu com D. Sebastião em Alcácer Quibir ou uma amiga íntima da D. Leonor (a Tia Nônô, tá a ver?) que a ajudou a criar as Misericórdias.
Conheço uma pessoa que fez isto com tanto rigor que já se convenceu ele próprio da mentira que criou e que inclusive se ofende quando o confrontamos com a sua verdade.
Verdadeiramente nobre é o assumir de uma herança de verdade e os Homens são o conjunto de valores de carácter que neles se concretizam.
A mentira é sempre uma ofensa ao interlocutor no sentido de que é uma manifesta desvalorização da sua inteligência.
Mesmo a mentira por omissão e mesmo esta mentira que de forma absolutamente perversa já se assumiu que é legitima no jogo político.
Dizia-me há dias um amigo ligado à política que os eleitores se esquecem rapidamente dos erros dos políticos (deve ser deste principio que se alimenta o Sócrates) o que associado às constantes mentiras de que somos vítimas mostra que um eleitor para um político nada mais é do que um “burro” amnésico.
Interessante esta perspectiva e também a de ver os políticos a matarem os partidos ao mesmo tempo que afirmam querer enobrecer a presença destes no contexto do regime democrático.
Bem prega Frei Tomás…
Depois do bamboleio à minha frente, a “Miss” lá passou finalmente e eu segui o meu caminho.
Quem me dera que o Menezes não passe…

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O clero, a nobreza, o povo e... os incompetentes que nos "lixam"


No passado mais recente, uma das raras boas notícias que me chegou foi a nomeação de D. Manuel Clemente como Patriarca de Lisboa.
Admiro-o há muito como homem e como Pastor e creio muito sinceramente que a sua nomeação representará uma enorme mais-valia para a Igreja Portuguesa. Tenho a legitima expectativa de que será um verdadeiro passo em frente de encontro à própria essência da Igreja e também da intervenção que a nível social se nos exige como Católicos.
Na tarde tórrida de domingo, sentei-me em frente ao televisor no fresco da minha sala de Vila Viçosa para acompanhar a missa da entronização do novo Patriarca, directamente da Igreja dos Jerónimos. 
Apesar da transmissão estar um pouco como o país, com problemas técnicos, ainda consegui visionar o Portugal que literalmente se colocou aos pés de D. Manuel Clemente e do seu cadeirão colocado no centro do altar mor, numa impensável e bipolar exibição da mediocridade no interior de um templo mandado construir por D. Manuel I em acção de graças pela glória de Portugal na descoberta do caminho marítimo para a Índia.
A glória passada versus as misérias do presente ou esse aparente irreversível fado de Portugal.
Do lado direito do Patriarca, a Monarquia representada pelos Duques de Bragança, sentados num banco comum que obrigou a Duquesa a colocar os joelhos no chão após a comunhão.
Do lado esquerdo, a República com o presidente e a mulher sentados em cadeirões especiais em lugar de destaque. E com almofadinhas.
Nos bancos desse mesmo lado, a Presidente do Parlamento, o Primeiro-Ministro e alguns Ministros entre os quais o ex, futuro, irrevogável demissionário ou actual Ministro Paulo Portas.
Apesar da má transmissão ainda conseguimos ver Paulo Portas a bater no peito em sinal de arrependimento pelos seus pecados, a paz selada num aperto de mão entre Passos Coelho e Portas, o "ouvi-nos Senhor" do apelo de todos quando a Oração dos Fiéis pediu lucidez e espirito de serviço para os políticos e o beijo na boca dado pelo Presidente à sua Mulher que revelou o facto de ele ter tanto jeito para a oscular assim como para comer Bolo-rei.
E lá ao longe, a abanar-se na asfixia da tarde quente, o povo contribuinte...
A nação, ao jeito de Piquenicão do Continente no Terreiro do Paço (desta vez sem Tony Carreira) veio mostrar-se ao Patriarca, verdadeira exposição de miséria e da hipocrisia.
Não sei o que terá pensado D. Manuel Clemente perante tão triste país à sua frente, mas suspeito que tenha ficado cansado só de pensar o hercúleo trabalho que o espera para colocar aquela gente minimamente alinhada com os valores da fé, da paz, da liberdade e da verdade.
Que Deus o ajude.

domingo, 7 de julho de 2013

A Cúmplice do Sol

Soa sempre a uma infinita saudade, o triste dobrar dos sinos que sentimos tão demasiado próximo sempre que a morte nos convoca a entrar no Castelo pelas Portas de Estremoz.
A rua estreita amplia o toque metálico e fá-lo acertar com os nossos passos arrastados em direcção à Senhora da Conceição, atrás de quem os Calipolenses fazem questão de se devolver à terra.
É Alentejo e verão, o sol queima nesta manhã de domingo quando entre muros e pedra, um mar de branco cruzamos no jardim que entre muralhas é guardião das memórias do meu “povo”.
O sol reuniu a sua máxima intensidade e está aqui presente como todos nós para um brevíssimo adeus à D. Catarina, uma grande amiga, uma generosa cúmplice do sol que tantas vezes nos ofereceu “luz” aos sorrisos dos nossos dias passados.
No dia 5 de Julho de 1981, fez na passada sexta-feira 32 anos, eu cumpri o meu 15º aniversário. Era domingo e nós vivíamos em casa a dupla tristeza da partida em apenas 12 dias dos meus avós maternos, a Avó Francisca no dia 21 de Junho e o avô Joaquim que tinha sido sepultado na véspera.
A D. Catarina convidou-me para lanchar, como aliás tantas vezes acontecia, colocou sobre um pequeno bolo, as velas do bolo de aniversário da festa que em Março tinha preparado ao filho da mesma idade, o meu inseparável amigo Manuel. E com ela e com o meu amigo, os três juntos e a cantar os parabéns, eu tive uma festa na tarde dos meus 15 anos.
Não foi em vão que falei em sol.
Ontem reuni alguns amigos para que entre conversas e muito riso, eu pudesse celebrar os meus 47 anos. O Rui preparou o bolo de aniversário mais bonito e fantástico que alguma vez já tive, mas na tarde, no cantar dos parabéns e por sobre o partir do bolo, reinou uma saudade imensa nascida da notícia que a manhã triste me trouxera por SMS: “Já partiu”.
Os afectos sobrepõem-se sempre à perfeição de tudo e de todos os momentos.
Na noite quente de Vila Viçosa com muita gente sentada à porta buscando o fresco que insistia em não chegar, no velório, encontro na Igreja de Santo António, o Manuel, o Paulo Geadas e o João Paulo. Há muitos anos que não estávamos juntos.
Tal como antes debaixo da laranjeira em frente à sua casa na Praça, de onde tantas vezes nos chamava para um Sumol, uma broa ou um “Sameiro”, a D. Catarina congregou-nos na sua partida para um serão diferente.
Rezámos juntos, cumprimentámo-nos, conversámos, sentimos a amizade que o tempo e a distância não destruirão nunca, a amizade nascida desta herança e cumplicidade do sol, a amizade que perpetuará entre nós, eterna nos corações de todos, a D. Catarina, definitivamente uma das mulheres mais generosas que a vida me ofereceu conhecer. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Auto-retrato

Sou do campo mais do que de qualquer outro lugar. Cúmplice das searas, das estevas, do olival e dos sobreiros, filho de Vila Viçosa, não só uma terra, muito mais… uma pátria e um orgulho.
Mas também amo o mar… e Lisboa, maga, mestra de encanto, rainha do Tejo, mulher nascida assim na forma de uma cidade perfeita.
Com o pretexto de um café, sou viciado na presença dos amigos. Com eles se me solta a voz, e a alma, então escancarada, dita a verdade de todas as palavras.
E como eu amo as palavras…todas. As das conversas e as que nasceram para ser eternas, as escritas.
E às vezes na roda destes amigos, aceso o riso pelo atear do copo de um bom tinto lusitano, nasce a anedota, o trocadilho e a boa piada, o non-sense que quase sempre puxa à gargalhada.
Republicano, pacifista, democrata, optimista, ambientalista, acérrimo defensor da liberdade… acredito seriamente que o diálogo e o assumir da igualdade de direitos entre todos os Homens, são as únicas vias para um dia podermos chegar à paz.
Boticário, adoro o que faço e todos os dias sinto orgulho por poder ser indutor de melhor saúde e mais sinceros sorrisos nascidos nos rostos de quem sofre.
Emociono-me com o fado, a poesia, Pessoa e Sophia, uma peça de teatro ou um livro, Yourcenar, Oscar Wilde, Eça, o trinar da guitarra, Amália, o canto-chão nascido das vozes do meu povo e o adufe das Beiras tocado ao ritmo de um coração que bate.
O meu coração…
Tenho o vício da paixão e da adrenalina dos seus beijos. Sou romântico, não travo os suspiros apaixonados, escrevo infinitas cartas de amor e adoro o namoro feito dos pequenos detalhes que se dão.
Querem ver-me feliz?
Ofereçam-me um bilhete e por uma viagem façam-me sonhar.
E tratar dos sonhos é o que faço sempre que conduzo de encontro ao mar. O Atlântico ali pelas bandas do Guincho, com Cascais na retaguarda e o olhar preso na Roca, é um refúgio secreto, o meu cúmplice nas lágrimas e nas mais importantes decisões.
Detesto a mentira, causadora de um sofrimento maior do que o de qualquer verdade por mais dura que ela seja.
Tenho medo do sofrimento e da perda de autonomia, mais do que da morte e tento não desperdiçar nem um segundo dessa bênção que nos é dada por Deus: a vida.
E pela fé me deixo ir tentando sempre ser maior, não cedendo jamais à tentação de camuflar a verdade do que sou por mais “diferente” ou incómoda que ela seja. Com fé, acredito que somos nós que construímos o nosso próprio destino seguindo este rumo da coerência com o nosso ser.
Vibro mais do que nunca quando grito “golo”, e na Luz me abraço ao meu irmão no festejar das vitórias do nosso grande e eterno Benfica.
Sou teimoso e por vezes casmurro. Tentem lá mudar-me um plano? Irão por certo ver o que é um homem à beira de um grandíssimo ataque de nervos.
Com migas, açorda, sopa de tomate, sopa de cação, enchidos, esparregado, sardinhas, cozido à Portuguesa, feijão com mogango, melancia, cerejas, uvas, bitoque, leitão, lampreia, ovos moles, chocolate, queijo, sericá, pastéis de Belém, filhós, farturas, bolos fintos e muito pão… aconchego o meu estômago que não é nada de se ficar por dietas.
E mais…
Sei de cor os vencedores dos Festivais da Canção e da Eurovisão, sou fã das letras do Ary, fixo com facilidade todas as letras de canções mesmo as mais “pimba”, tenho a paranóia de comprar camisas e acho que tenho sempre muito poucas, a minha cor favorita é o azul, nunca entro para um avião com o pé esquerdo mas digo sempre não ser supersticioso, canto no duche e no meu top estão o “Sol de Inverno” da Simone e “O anzol” dos Rádio Macau, gosto de dançar, já não consigo imaginar o meu rosto sem barba, vou ao ginásio por prescrição médica, tenho a paranóia da pontualidade e não gosto de quem convive bem com os seus atrasos, detesto o formalismo excessivo e bacoco, abomino a gente que se faz passar por sonsa, um microfone ligado inspira-me na conversa, passo os serões ao lado do i-pad, já vi milhares de vezes o “Clube dos poetas mortos”, a “Música no coração” e “Quatro casamentos e um funeral”, gosto da Meryl Streep e das canções do Rui Veloso surpreendendo-me sempre com as letras e as rimas do Carlos Tê, nunca me abstenho nas eleições, sou alérgico à militância em partidos políticos, dizem que tenho boa memória e jeito para contar histórias, sou um bom confidente para amigos e amigas, adoro flores do campo e cravos e rosas vermelhas, vou todos os anos a Fátima e comovo-me sempre com o adeus, as longas viagens de carro sem rádio e sem música são sempre uma boa oportunidade para reflectir e me inspirar, adoro passear no campo e nunca resisto a puxar do coxo e a beber água em todas as fontes…
E bebo do amor maior do universo nesse mágico instante nascido de um beijo da minha mãe que me sorri como ninguém, a cada chegada, na coerência e na bênção de continuar todos os dias a insuflar-me vida.
Jamais alguém me saberá amar tanto assim.
Tudo isto vi de mim e da vida, numa manhã quente de Julho, frente ao espelho e no dia em que o imparável contador dos anos me faz atingir a fantástica marca de 47.
Com orgulho e sem depressão.
Um forte abraço para todos e até… todos os dias no Pomar das Laranjeiras.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A interminável saga dos Sempre-em-pé

O imponente Mosteiro de Alcobaça não é definitivamente o melhor local para celebrar os amores e perpetuar os votos de matrimónio dos Pedros de Portugal.
Desde logo estão ali sepultados D. Pedro e D. Inês de Castro, a rainha que o foi depois de ter sido morta com o patrocínio de D. Afonso IV dando origem ao mais trágico dos amores registados na também muito trágica História de Portugal.
Mais recentemente foi ali que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas celebraram o último dos Conselhos de Ministros informais, aquele que terá contribuído para o divórcio consumado ontem e que colocou fim a um atribulado matrimónio de apenas dois anos.
Não gosto de Pedro Passos Coelho e não gosto especialmente de Paulo Portas.
Juntos, casados, até diria que só se estragava uma casa, mas o pior é que juntos estragaram todas as nossas casas.
Oriundos das juventudes partidárias, muito dados aos esquemas mais do que aos estudos e à palavra mais do que à acção, estas duas criaturas têm como prioridade a gestão das suas carreiras e o perpetuar do seu sucesso político, nem que isso seja construído sobre as cinzas do povo esmagado pela força da austeridade que a incompetência deles e dos seus antecessores foi agudizando.
Em nome de uma estabilidade bacoca, obrigaram-nos juntos a pagar um bilhete muito caro e ao preço da vida, apregoando uma travessia de um mar revolto, e chegados aqui, não sabendo manobrar o navio, não foram eles que o abandonaram, mas foram eles que abriram as portas para nos “descarregar” em alto mar e sem o recurso das balsas nos podermos afundar mais depressa.
Eles continuarão ao leme do dito a fazerem o que afinal só sabem fazer. Irão em breve ancorar o navio na campanha eleitoral mais próxima, e de cartazes, comícios e palavras de ordem, comporão o canto da sereia que puxará mais uns quantos para bordo.
Depois do que fizeram ao povo nos últimos dois anos e depois do espectáculo degradante dos dois últimos dias, se fossem sérios desapareceriam eclipsando-se das nossas vistas.
Mas não. Continuarão a esgrimir argumentos na praça pública numa zanga ao estilo de comadres ou de “bichas” à porta do Trumps enquanto o desemprego vai subindo ao ritmo dos juros da dívida Portuguesa e o Seguro afina o discurso para depois das eleições nos vir pedir mais austeridade por conta da responsabilidade que em Portugal morre sempre solteira.
E o povo, estranhamente, há muito assimilou esta estúpida ideia de que o melhor político é aquele que mente melhor e mais facilmente leva ao engano, num estranho convívio pacífico com a mediocridade.
Entretanto, a mãezinha Portas estará já a preparar uma ida à televisão para apregoar algum livro que ensine a fazer ovos mexidos com farinheira e de passagem comover-se perante a elevada honestidade do seu filho, ele, o sem escrúpulos, aquele que pela facilidade com que muda de “cama” só pode ser rotulado de algo que tenha a ver com vida fácil e a mais velha profissão do mundo.
E Passos?
O mais africano dos Primeiros-Ministros, o homem de Massamá, chamará a sua Laura para vir apregoar o conceito de família nas águas quentes da Manta Rota.
E se não ganharem eleições, em breve estarão num canal de televisão perto de si a comentar a actualidade dos outros que se seguirão e que no fundo são iguais a eles.
É preciso romper o ciclo da mediocridade e é necessário e saudável que toda esta gente saia e depressa.
A continuação de Portugal assim o exige mais do que nunca.

terça-feira, 2 de julho de 2013

O dia do meio

Num ano comum como este de 2013, hoje dia 2 de Julho é precisamente o dia que marca o meio do ano. Até hoje já vivemos 182 dias em 2013 e para lá da meia-noite de hoje temos pela frente mais 182.
Poderemos dizer que num ano com 365 dias, este é um dia ao jeito do fiambre numa gulosa sandes nascida do encosto entre as duas metades de um bom pão.
O meio de 2013 é relevante e não só pelo facto de podermos considerar que se o Vítor Gaspar e o Paulo Portas prometeram a Passos Coelho ficar no governo durante metade de 2013, terem cumprido a promessa de forma rigorosa, sendo talvez esta a única promessa / previsão que não falharam durante o mandato do governo.
É que o dia do meio de um determinado ano poderá sempre ser o último dia de um mau governo.
Mas esqueçamos para já a politica desejando que São Bernardino Realino, São Processo e São Martiniano, os Santos do dia e cujos nomes parecem ter sido escolhidos a dedo, iluminem o caminho das “soluções” governativas, essas “irrealistas” perspectivas que duvido nos possam aliviar deste “processo” ao jeito de “martírio” em que temos estado envolvidos, as acções destes “meninos” que hoje num episódio sórdido expuseram ao ridículo a República Portuguesa, de uma forma verdadeiramente inqualificável.
Importante mesmo é pensarmos que quando amanhã o sol nascer, já entrámos em contagem decrescente para nova ingestão de uma dúzia de passas de uva na companhia do fogo-de-artifício e de mais ou menos carnaval de fim-de-ano.
E por aqui avança o sentido de urgência.
Ou nos despachamos ou ainda nos arriscamos a falhar os nossos compromissos para connosco em 2013 (no fundo aqueles que mais importam), esses sonhos todos que jurámos cumprir.
Já fizemos todas as declarações de amor que o coração nos “impõe”?
Já construímos e veiculámos as palavras ditadas pelo mais certo sentir da alma?
Já gargalhámos na roda dos amigos em conversas iluminadas por um café, um refresco ou um copo de um bom tinto?
Já usámos os beijos, os abraços e todos os gestos para dar verdade ao nosso sentir?
Já sorrimos, comemos, bebemos, pulámos, gritámos, rimos, viajámos, cantámos, barafustámos, reclamámos, brincámos, trabalhámos, ajudámos… tanto quanto queríamos?
O tempo voa e urge ser feliz.
Mesmo! (Como bem gosta de reforçar um indispensável e muito especial amigo).
E o sol intenso deste verão será sempre um bom pretexto para que possamos pôr a vida em dia… com os sonhos.  

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Uma socorrista diplomada numa cirurgia de alto risco

Sempre que assistimos à defesa do treinador de futebol pelo presidente de um clube que depois o dispensa na semana imediatamente a seguir, até achamos alguma graça.
É futebol e é acessório às nossas vidas.
Quando a estratégia e a auto-proclamada reputação de um governo passa pela manutenção de um Homem, Ministro das Finanças e segunda figura do governo, rotulado como indispensável, Homem que depois amanhece mas já não anoitece na cadeira do seu ministério, aí já não achamos gracinha nenhuma.
É o país e é a nossa vida.
O que é verdade hoje sabemos que poderá deixar de o ser num futuro muito próximo, mas assim, desta forma, alguém nos andou deliberadamente a enganar exigindo-nos a sustentação de um tratamento de luxo que é afinal, agora comprovadamente, um placebo e dos maus, daqueles que não curam mas provocam muita diarreia.
E quem se segue?
Uma mulher que fez curriculum na direcção de empresas públicas onde o deficit de mérito é compensado pela filiação partidária, uma gestora que tem o nome manchado por ter convivido com aplicações de risco na REFER numa comprovada irresponsabilidade na gestão dos bens públicos, uma Secretária de Estado do Tesouro sobre quem recaem sérias suspeitas de que recentemente mentiu no Parlamento.
O doente está pior: o deficit do primeiro trimestre é vergonhosamente alto, o desemprego não pára de subir… e para o operar de coração aberto, em cirurgia de risco, Passos Coelho chamou uma socorrista daquelas que fizeram o curso pela internet e até se ajeitam a fazer uns pensos.
A coisa até pode correr bem?
É melhor falarem com a Maria Cavaco Silva e auscultar a sensibilidade da Senhora de Fátima pois estamos claramente em territórios de milagre.
Acho que a brincadeira ultrapassou os limites do suportável, e é altura dos “boys” e das “girls”, os transgénicos doutores e super engenheiros, obras-primas e mestras das universidades incubadoras que dispensam o saber e se alimentam da bacoca e vã glória dos títulos, os papagaios de gravata azul e de fácil e estéril verborreia, os amnésicos irresponsáveis, a gente sem história e implicada no homicídio da história que surgirá dos nossos dias do futuro, os incapazes e impotentes pela disfunção testicular que desviou os órgãos do seu sítio nessa tão típica e anormal patologia que caracteriza os imbecis e os mais fracos…
…irem todos dar uma grande volta.
Mas vão mesmo todos, por favor.