quinta-feira, 22 de maio de 2014

A idade?

Quando na passada semana nos encontrávamos em Setúbal na fila para o ferry que nos levaria a Tróia, e uma colega estava a ser importunada por um vendedor de óculos de sol e relógios, uma espécie de “Canal Street com pernas”; eu aproximei-me e ela aproveitou a minha presença resolvendo inventar que eu era o seu marido. O dito vendedor soltou uma franca gargalhada acompanhada do comentário:
- Este velho de certeza que não é o seu marido.
Eu bem sei que tenho mais doze anos do que ela mas mesmo assim senti ganas de o mandar para bem longe dali ao mesmo tempo que pensava:
- Olha este com a mania que é estrela…
E tivesse eu quaisquer tendências depressivas e a coisa tomaria proporções de catástrofe no meu “sótão” e uma convulsão nos “macaquinhos” pois nessa mesma semana e quando comprava o bilhete para entrar no Mosteiro de Alcobaça, a funcionária, que nem olhou para mim e se encontrava em amena cavaqueira com a sua colega das limpezas, me perguntou:
- O senhor não tem mais de 65 anos, pois não?
Resolvi atacar:
- Se não estivesse a olhar para a sua colega e tivesse olhado para mim teria poupado essa pergunta ridícula.
Ela não se fica:
- Há pessoas que parecem mais novas do que realmente são.
E eu já a soprar:
- Nem sei se é pior que me chame velho ou Lili Caneças…
Ela ataca de novo com a arma mais poderosa e habitual dos funcionários da sua classe, o sistema informático:
- O sistema não me deixa anular um bilhete e eu tenho sempre de perguntar estas coisas.
E eu que odeio este atirar de culpas para cima da informática resolvo pôr-lhe uma coroa de flores sobre a campa:
- Se não estivesse a falar com esta senhora e se dignasse olhar para mim saberia que eu não tenho 65 anos e não empatava a sua colega, que o altar-mor e as teias de aranha de cor negra que enfeitam os vidros bem necessitam que ela as vá lá limpar.
Paguei, peguei no bilhete, fui ver o mosteiro e saí de lá de cabeça erguida, como o faz a selecção.
Mas mesmo não dando parte fraca nestas situações, o que é certo é que acabei por revisitar o espelho com mais atenção à procura de rugas, da curvatura generosa da barriga, dos cabelos e da barba branca…
Estive mais atento aos ais que se soltam instintivamente durante o acto matinal de calçar as meias, analisei melhor aquele movimento difícil quando preciso de apanhar algo que caiu ao chão, o levantar do sofá no fim do serão, o regresso à posição vertical depois de escovar os dentes…
E conclui sem margem para dúvidas e de forma perfeitamente isenta, que estou melhor do que nunca, não podendo ser mais nada a não ser a inveja, aquilo que move os “desgraçados” dos vendedores de óculos rasca em Setúbal e de entradas para o Mosteiro de Alcobaça.
Primeiro porque a idade está na mente e na quantidade de coisas que ainda temos para cumprir por inspiração da vontade. Velho é aquele que acha que já fez tudo e que lhe restam muito poucas coisas por fazer, e eu, confesso-vos aqui e agora, sinto-me a começar, tendo um infinito de coisas por fazer e a noção de que cumpri apenas uma parte muito pequena dos sonhos que vivem colados a mim.
Depois, mesmo falando do físico, não trocava esta por nenhuma outra idade e não consigo encontrar foto nos meus álbuns em que esteja melhor do que estou hoje.
E não me venham com essa história da ida ao oftalmologista porque as minhas lentes estão revistas e adequadas à visão.
Está bem, de vez em quando solto uns ais quando me levanto mas isso também não tem importância nenhuma pois aproveito a deixa e sigo para a frente a cantar:
- Ai, ai, ai, ai, ai, ai… Puerto Rico.
E assim, a cantar, previno as rugas e a depressão. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

As viagens e os dias

A saída de Lisboa ao princípio da tarde com o GPS a apontar para o Porto e essa estimativa associada ao desejo de chegar cedo…
Auto-estrada A8, A17 e uma chuva anormal para um mês de Maio que já teve tanto sol de primavera…
Leiria, o rádio na Antena 1, um ruído estranho de metal sobre o asfalto e o carro a parecer ter vida própria numa espécie de emancipação e desprezo pela minha autoridade sobre o volante e os pedais…
Encosto na berma, ligo os quatro piscas e nem preciso olhar para os pneus, basta abrir a porta e aí está… tresanda a borracha queimada: um pneu está desfeito.
Praguejo as palavras do costume enquanto visto o colete reflector amarelo, que até nem me assenta mal, e me transforma de repente numa figura algures entre o avô do “Bob, o Construtor” e um genérico manhoso dos “Village People”.
Busco o triângulo mais ao jeito de Indiana Jones, pois nos três anos de convívio com esta viatura nunca tive oportunidade de aprender que o mesmo habita na porta da bagageira dentro de um compartimento onde já algumas vezes bati com a cabeça.
Ligo para a assistência em viagem, passa o carro de apoio das Auto-estradas do Oeste que me coloca a mim e ao carro entre cones de cor laranja, e fico a saber pelo simpático colaborador que o meu carro tem nas rodas uma porca especial, anti-roubo, e de que algures na viatura estará uma chave única e intransmissível para a poder abrir.
Novidade total.
Há três anos que viajo na companhia de uma porca especial e não sabia. Mantendo-me pela área dos suínos sempre posso dizer que são “secretos” os detalhes deste carro e de que é leve como as “plumas” o meu interesse por estas coisas da mecânica.
Menos mal que há um colega que via telemóvel me indica com sofisticadíssimos desenhos sonoros, o mapa do tesouro, e a chave aparece mesmo a tempo de o simpático senhor do reboque me mudar o pneu enquanto falamos do Benfica.
Sigo então a essa vertiginosa velocidade de 80 quilómetros por hora, com o objectivo apenas de chegar, atento a detalhes do caminho que antes nunca vira, indiferente aos impropérios que os camionistas terão atirado sobre a minha auto-estima enquanto me ultrapassavam e… chegando ao Porto, exactamente seis horas depois de ter partido de Lisboa.
Eu não sei se há dias que são como as viagens, ou se é o inverso, e são as viagens que são como os dias em que algo rebenta e as prioridades mudam tornando a pressa quase desprezível perante o acto de chegar, de conseguir algo.
Com essa enorme vantagem: com mais tempo não há detalhe fantástico do caminho que escape ao nosso olhar.
Entretanto já cheguei a Lisboa com pneus novos e cumprindo hoje os legais e habituais 120 quilómetros por hora. Não tivesse eu parado em Fátima para rezar e nada haveria para contar sobre a viagem.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Romaria

O sol intenso do meio-dia parece empenhado em fazer “murchar” as cores garridas das bandeiras de papel que o povo esticou em cordas pelas fachadas da aldeia.
Lá no cimo, no campanário; o galo metálico, despojado de vontade própria e ao jeito de tanta gente, entrega-se ao vento, e por este, e por mais nada, toma rumo e posição.
Ao lado, num avantajado ninho tecido pacientemente com paus do campo, uma cegonha entrega o bico aos congéneres pequenos dos seus filhos que a esperavam, recolhendo o alimento que um dia os fará crescer e voar, dominando os céus; indiferentes por agora às badaladas do sino que ali mesmo em baixo sinaliza a hora da fé dos Homens.
Há gente, bombos e outros instrumentos de banda filarmónica espalhados pelas sombras das casas que têm rodapés de onde nascem pequenas roseiras. E o riso da festa ecoa pelos baixios que antecedem as searas já loiras do trigo, misturando-se mais além com o fumo do lume já aceso para roubar às bifanas e às sardinhas, os aromas respectivos que já se espalham e se sentem no ar.
O interior da igreja é uma bênção fresca neste dia quente; e por ali, há andores de muitos e indecifráveis Santos e devoções, todos decorados com fitas, cera de promessas e muitas, muitas flores.
O povo ao redor dos altares murmura Ave-Marias como se algum segredo contasse, esquecendo-se de prolongar a oração dos lábios para o olhar, no instante em que entra algum forasteiro, e é tudo menos “católico”, o jeito de censura que os olhos manifestam conter.
Sorrio.
Soam foguetes, a banda agrupa no alinho que solta uma marcha afinada, há pétalas e papelinhos a voar das janelas decoradas com colchas de seda em tons garridos. No chão há o cheiro das ervas trazidas do campo que “choram” a sua identidade ao ritmo do insistente e massacrante passo dos Homens nas duas filas que ladeiam a procissão.
O povo ajoelha ao passar dos andores, e é como se Deus estivesse ali no cimo daqueles móveis altares adornados de ricas flores, e a marchar ao compasso da caixa e do bombo.
Estará Deus muito mais no íntimo de todos os que por ali estão, ajoelhados ou não, sujeitos ou não ao olhar ácido das “beatas” criaturas; e estará, estou eu certo disso, no cimo do velho campanário, na cegonha que a beijos celebra e insufla vida em cada um dos seus filhos.
Eu não tardarei a partir, seguindo ainda e sempre na cumplicidade do sol do meio-dia, entretidos que estão os Homens no seu esmerado louvor a Deus.
Na estrada, o carro passo junto à seara de trigo, e o mesmo vento que alinha o galo do campanário, faz nascer ondas amarelas debruadas a papoilas. As ondas que me abraçam na partida e que parecem dizer-me adeus.

sábado, 17 de maio de 2014

E tudo a Troika levou?

Hoje é o dia.
A Troika “foi-se” e por inspiração do Dr. Passos Coelho, eu deveria estar a celebrar um novo 25 de Abril; segundo o Dr. Paulo Portas, eu deveria sentir a alegria do povo que grita “liberdade” por entre o heróico defenestrar do Miguel de Vasconcelos na manhã de 1 de Dezembro de 1640.
Mas não fosse eu andar distraído e já ter posto no frio alguma garrafa de “Moet Chandon” para consumir ao jeito de cravos vermelhos em versão burguesa, a Senhora Dra. Helena Vaz, Directora de Serviços do IRS, encarregou-se de me enviar ontem uma missiva demasiado explicita em relação aos motivos de folguedo que me assistem.
Numa acção bipolar e esquizofrénica, o Estado Português consegue dar-me oficialmente o estatuto de rico, ao mesmo tempo que me empobrece, definitivamente.
Solteiro e sem filhos, sou condenado a “amamentar” o Estado com um “Coeficiente Conjugal 1” que me leva logo 48% do que ganho, o que sendo pouco ainda me obriga a uma sobretaxa extraordinária de 3,5%. Tudo somado e apesar de mês a mês eu receber menos de 50% do ordenado, a referida Senhora Directora mandou-me assim uma factura jeitosa que perfaz o valor de 3.842,47 €.
Fiquei tão feliz…
Tudo isto por entre a sensação de me sentir com sorte pois há muitos que nem 50 cêntimos conseguem ter para comprar pão.
Tudo isto apenas para pagar as dívidas derivadas dos luxos e da má gestão porque o Estado Social agoniza diariamente e os nossos benefícios, e os benefícios dos mais vulneráveis que eu nunca me negaria a suportar; diminuem de forma inversamente proporcional às “sobretaxas” com que nos carregam.
Motivos para celebrar?
Não tenho nem nunca tive.
A ressurreição dos políticos, sei-o há muito, assenta invariavelmente na crucificação indecente do povo. A cruz que nos pedem para colocar nos boletins de voto, é simbolicamente igual à que nos oferecem todos os dias, que carregamos aos ombros e que nos faz tropeçar e cair de dor.
Somos o “churrasco” do seu banquete celebrado em números e cartazes de propaganda.
A Troika?
Objectivamente, o mal de Portugal nunca foi nem será a Troika. Entre a saloia abastança “BPénica” do Cavaquismo, a beatice caridosa do Guterrismo, o fugidio e carreirista percurso do Barrosismo, o novo-riquismo Armani despesista de Sócrates, e este pseudo rigor rural nacionalista Joana de Vasconcelos, de Passos e Portas; os males de Portugal são os políticos todos.
Os credores apenas aproveitaram a sua oportunidade para ganhar mais algum dinheiro deitando a mão a este circo em que eu sou involuntariamente um dos patrocinadores.
Assim…
Celebrar o 17 de Maio?
Não me “lixem”.
A vossa sorte é não haver janelas suficientes para vos atirar a todos.
Vocês é que são a “Troika”.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Perder

Gosto de perder-me, muito mais do que perder.
Perco-me no instante de uma paixão porque instintivamente deixo de ser eu e passo a ser muito maior por impulso dos abraços, dos beijos, das palavras de amor, dos instantes perfeitos em que a alma se eleva até ao sonho e eu sinto prazer.
Perco-me no olhar, nos gestos e no discurso simples e puro de uma criança, o tudo que me devolve assim aos dias em que eu também fui criança. E depois, quando “acordo”, sinto que me perdi no menos que era antes para passar a ser um adulto muito melhor.
Perco-me num abraço e no beijo dos meus pais, esses tácteis insuflares de amor que me acrescentam vida.
Perco-me no campo por entre os aromas todos, o generoso canto dos pássaros, a liberdade que o meu olhar conquista para lá dos horizontes, mesmo aqueles que às vezes parecem impossíveis. E perco-me no pobre que era para passar a ser dono do mundo.
Perco-me à mesa dos amigos, no riso das anedotas por entre os abraços, nas cumplicidades por sobre esse mesmo riso e também por sobre a dor. E perco-me tantas vezes para deixar nascer um “eu” muito mais feliz.
Perco-me e sou infinitamente melhor nos instantes em que sinto a fé.
Perco-me numa viagem, na vertigem de uma obra de arte, numa música, numa canção, na poesia, num livro, num filme, na voz de Amália, num copo de tinto, num pedaço de pão-de-rala, numa sopa de tomate, num café com gelo numa praia a olhar o mar…
Perco-me no racional que sou quando festejo aos saltos um golo do Benfica, meu eterno amor, no calor da emoção da imensa Luz e num abraço com o meu irmão.
E às vezes também acontece perder, na vida, em tudo e também no futebol, onde se perdem jogos, campeonatos e taças.
Mas o que é isso de perder comparado com o prazer de me perder?  

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Os Euros e as birras na asfixia da minha terra

A escola primária para onde eu entrei em 1972, a “Escola Masculina” que a liberdade entretanto transformou em “Escola Nº 1”, será em princípio encerrada no próximo ano, juntamente com a sua congénere número dois que nessa altura era a “Escola Feminina”.
Ambos os edifícios são no centro de Vila Viçosa e ao que parece têm todas as condições para poderem continuar a assegurar a formação do primeiro ciclo das crianças da terra, mas, diz a rádio local, há que cortar nas despesas com funcionários.
As crianças transitarão assim para o edifício da Escola do Segundo Ciclo, na periferia da Vila, com os alunos que actualmente frequentam esta escola, a serem transferidos para a Escola Secundária.
Não importa se há dois edifícios que vão perder a sua utilidade, sendo transportados automaticamente e por estatuto para o “panteão” de monos e espaços devolutos e abandonados, o “punhal” que vai matando o centro histórico, despovoado em favor do “novo-riquismo Socrático” e dos seus apalaçados espaços ao estilo de Ceausescu.
O riso solto das crianças no recreio desaparece deixando o eco da memória a fazer companhia aos “velhos” que vão sobrevivendo por entre as ruínas.
Não importa a comodidade dos pais e das crianças relativamente à logística do transporte de e para a escola.
Não importa se as crianças deixarão de ter o seu espaço próprio onde coabitam com os da sua idade para “galgarem” degraus e se irem “dissolver” por entre adolescentes e jovens.
Ninguém terá tido em conta que há milhares de desempregados no concelho e que há formas inteligentes de os pôr a trabalhar e lhes dar um salário digno, muito possivelmente com os custos associados a esta mudança e à adaptação dos espaços.
A não ser que sentem as crianças de seis anos com os pés suspensos e a abanar do alto das cadeiras onde até agora se sentam os de doze…
Nada disso importa no contexto actual “Passista” e “Troikiano” perante a “escravatura” cega que põe os orçamentos no sacro altar das decisões por entre uma mixórdia de birras e amuos entre “poderes” que reduzem os cidadãos a meros cromos trocados num jogo que tem de tudo, e tem sobretudo muita falta de respeito.
Falo assim por inspiração da razão e também da emoção de quem verá morrer, sem qualquer justificação lógica, um dos espaços onde passei os anos mais felizes da minha existência.
Bem sei que restará a memória da oliveira que foi o meu primeiro avião no recreio onde imaginávamos tudo e até o universo por debaixo dos nossos pés, ficará o cheiro da terra húmida enquanto jogávamos ao berlinde, o som do rodopiar do pião no pátio de laje…
Mas não é suficiente.
E tudo em troca de algo que me parece ultrapassável com jeito e com boa vontade.
Virão agora os anónimos, e os com nome, dizer que não sei do que falo, que eles é que sabem o que contém a “massa” e que nem sequer habito já em Vila Viçosa, numa oferta feita à minha pessoa daquele espartilho de inspiração salazarista de maior ou menor legitimidade de opinião, no contexto do exercício de uma estranha democracia.
Pois… já estou habituado. Mas não me calo.
E vejam lá se ainda vão a tempo de travar isto.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Os dias, as dores e a fé

Tenho na mão a caneca com o café que todas as manhãs me perfuma a cozinha e que serve de complemento ao duche tépido na ajuda ao meu despertar.
Estou à janela e aprecio o sol a brilhar sobre a manhã, que assim e sem qualquer laivo de timidez, é prenúncio de um dia assumidamente de Maio, este mês que fez desabrochar milhões de pequeníssimas flores coloridas nos campos que estão agora entre mim e o azul do Atlântico.
O telefone soará em breve com doces palavras de amor… e há dias que nascem como este, com a aparência de perfeitos.
Mas estou nervoso, vejo as horas que sinto aproximarem-se vertiginosamente das oito; e sei que por aí, as palavras, o som do riso… e a vida toda de uma amiga, estarão adormecidos e à mercê das mãos certeiras e do bisturi que a trarão de volta aos dias felizes.
As dores que os dias guardam em si são as nossas e são as dos amigos, que é como se também fossem nossas.
É dia 13 de Maio, recordo-me dos peregrinos de Fátima com quem me cruzei na estrada na manhã do último domingo, em particular daquele homem sentado na berma e amparado por um outro, que respondeu com um sorriso e um acenar feliz, ao levantar da mão que lhe dirigi em jeito de um breve olá com alguma dose de alento.
Aqui, olhando o mar e com o perfume do meu generoso café matinal, sou eu hoje que repouso na berma de um dia que anseio termine com as melhores notícias.
Rezo uma Ave-Maria…
É benefício da fé esta arte de saber colher a esperança por entre as difíceis dores trazidas pelo tempo.
Desço, entro no carro e percorro os poucos quilómetros até ao trabalho a ouvir “A Canção da Terra”, de Gustav Mahler.
Por sobre a música coloco Ave-Marias, leio as palavras de amor que entretanto chegaram e bebo da esperança que me faz sorrir.
Ao fim da manhã chegaram as notícias: estão vivas e de saúde as palavras e as gargalhadas…
Há dias que nascem com a aparência de perfeitos e que acabam por sê-lo.
Acreditar dá sempre uma ajuda.