sábado, 31 de maio de 2014

Um passeio com “Cara de Mel”

Só a dona da pequena mercearia onde eu antes comprava os iogurtes para o pequeno-almoço parece ter resistido à “cirurgia plástica” que mudou a face da Rua da Escola Politécnica, em Lisboa.
Até os empregados da Cister já não são os mesmos que antes comentavam connosco as notícias do jornal durante os pequenos-almoços de domingo que pegavam sempre com a hora do almoço, e onde tinha sempre lugar cativo o saudoso José Medeiros Ferreira. Mantém-se na “velha” pastelaria a memória do Eça, e num esforço grande da minha memória, ainda consigo ouvir o eco das nossas gargalhadas quando comentávamos as proezas vocais da funcionária que nos vendia as peúgas na Poli, o pronto-a-vestir quase em frente à Imprensa Nacional; criatura que insistia em “arfar” salmos, dado que era ela dotada de tanto jeito para cantar como eu de arte para fazer ponto de cruz.
É tarde de sexta-feira e eu vou à missa das 18.30 horas na Capela de Monserrate, às Amoreiras. Há sol, há chuva lilás dos jacarandás e eu não resisto a um passeio lento e ao sabor das memórias por sobre as calçadas minhas cúmplices na minha chegada a Lisboa há precisamente 30 anos.
Deixo o carro no Camões e faço o rendilhado caminho pelo Bairro Alto que me faz sair na esquina da Rua D. Pedro V com a Rua da Rosa, ali junto à Pensão Londres e à Padaria São Roque, que tinha dos melhores Pães de Deus de Lisboa, uma tentação no meu regresso a casa depois de subir pelo Elevador da Glória.
Faltam-me as tascas, o talho, o lugar da fruta que cheirava a morangos maduros por esta altura…
E quando chego ao Jardim do Príncipe Real, falta-me o Professor Agostinho da Silva por ali sentado num banco, nunca se negando a um fantástico e sonoro “Bom dia”.
Agora há turistas aos milhares, lojas de design, um grupo de rapazes Espanhóis em comemoração de uma despedida de solteiro que se esquecem de que nós Portugueses, ao contrário deles que nunca nos percebem, entendemos todo o tipo de asneiras que eles soltam em Castelhano…
A rapariga que passou também estava claramente a pedi-las.
E ninguém dos que por ali estão poderá imaginar o que foi aquela rua aquando das explosões das bombas das FP-25 na Casa de Macau e na Associação dos Proprietários Lisbonenses. Para mim que tinha acabado de chegar do Alentejo, juro que teve ares de guerra mundial.
Espreito para o Jardim Botânico e não dispenso olhar a casa da minha velha cantina onde fui submetido a cinco anos de tortura com solha frita e um peixe amarelado decorado com molho de tomate.
Nunca pensei que um dia teria saudades, assim a olhar para lá.
Continuo calmamente, bebo o tal café na Cister e chego depois ao Rato e às Amoreiras.
Na missa por alma do Fábio, o padre fala da necessidade de ser alegre e acho-lhe graça quando aplica a expressão “Cara de Vinagre” como algo que nenhum católico deverá ser portador.
Os anjos recrutados pelo Céu falam-nos às vezes ao fim da tarde. E dão-nos bons conselhos.
Já corre uma brisa fresca quando faço o caminho de volta e por isso acelero o passo, não deixando porém de sentir saudades de um rissol quente comido na cafetaria ao lado do Fidalgo quando nos preparávamos para dar um salto a qualquer um dos bares do Bairro Alto que abriram portas com a liberdade para nos dar esse prazer supremo do alinhamento da vida com as vontades mais puras expressas pela alma.
O privilégio de nunca ter de negar o verdadeiro amor que se sente.
É quase Santo António e os homens penduram agora balões coloridos enquanto os turistas parecem alucinados na ânsia de registar tudo em fotografia.
Eu chego ao carro a sorrir e com uma despudorada “Cara de Mel”.
Afinal matei as saudades de tanta gente, das ruas e sobretudo de mim, nos anos passados num percurso único sem o qual eu não seria eu.
Saio do parque com o carro e desço a Rua do Alecrim olhando o Tejo e a outra margem; e juro a mim próprio: quando algures a morte me oferecer asas, raro será o dia em que não virei até aqui a matar saudades de Lisboa ao fim da tarde.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Vida e liberdade

A terra é muito mais de quem a pisa descalço, do que de quem a assinala como sua na formalidade de escrituras notariais, delimitando-a com cercas, grades e marcos…
O amor é usufruto de quem deseja, de quem beija e de quem abraça; muito mais do que de quem segue todas as regras e modelos, e se auto-escraviza “atando-se” aos grilhões das convenções…
O mar é muito mais do pescador que lhe beija as ondas todos os dias no instante de puxar as redes, do que de quem o atravessa veloz no conforto de uma aeronave que bate recordes…
O sonho é muito mais daquele que quer do que daquele que pode…
A vitória é daquele que corre para chegar à meta e nunca daquele que vive sentado na meta, confortável e feliz, vendo passar o tempo no cronómetro que não lhe oferece quaisquer desafios…
A poesia é sempre do poeta, é daquele que escuta as palavras que lhe são segredadas pela sua própria alma, e nunca daquele que consegue comprar todas as palavras que um dia foram ditas e escritas por todos os poetas do universo…
A fé é património daquele que espera e nunca daquele que acredita já ter chegado…
O canto e a música são de quem os sente…
São os olhos que agarram o sol e se fazem donos de um poente…
O riso é gratuito e é de quem o faz de verdade…
E a vida…
Sempre, mas sempre…
É daquele que sabe dizer sim e não, tornando-se fiel à sua liberdade.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Os pés

Há doenças raras que tornam as pessoas super especiais.
É um rapaz único e raro que brinca hoje à minha frente enquanto estou na sala de espera de um hospital. Há espaço e o pai ensina-o a caminhar começando pelo princípio: a forma correcta de colocar os pés.
A criança que terá uns três anos já dá os primeiros passos, e procura-me com o olhar e o sorriso na hora de os celebrar abraçado ao pai que a cada pequeno conjunto de passos lhe oferece um beijo.
Percebo que esta criança vai um dia caminhar sozinha e feliz, percebo-o na sua alegria, no amor que a envolve e também, e muito, na perseverança do pai.
Sinto-me pequeno perante tanto amor assim à solta à minha volta nesses instantes em que aquilo a que tantas vezes chamamos problemas adquire o estatuto de ridículos pedaços de quase nada.
Não tarda a que o rapaz siga para a consulta montado agora no carrinho onde descansa, e eu faço-lhe adeus.
Juro que sei que ele vai andar.
Estou em Coimbra e a Universidade atribuiu hoje o título de Doutor Honoris Causa ao Dr. António Arnaut, o mestre que criou em Portugal o Serviço Nacional de Saúde.
No discurso de aceitação, o jurista de Coimbra, por entre muitas palavras sábias, refere as suas origens na Cumieira, uma aldeia da zona de Penela e uma terra onde segundo ele “havia muito poucos sapatos, mas havia pés e por isso se caminhava”.
E nós para podermos caminhar, precisamos muito mais dos pés do que dos sapatos.
Um mesmo dia, e os pés e os passos a virem ter comigo algures à beira do Mondego.
E duas lições na velha Coimbra…
O amor faz-nos caminhar por sobre tudo e por sobre todas as adversidades.
Podem tirar-nos os sapatos todos que mesmo assim não nos conseguirão deter. Caminharemos descalços… e sabendo que mesmo descalços, também conseguimos dar pontapés, na pouca sorte e nos imbecis que nos descalçam.
Quem é que ousa dizer que os dias mais simples não falam connosco?

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O castelo e a poesia

É certo. Não é forçoso que saíamos de nós para que se solte a poesia.
Dentro de mim há um castelo imenso que é guardião de um tesouro maior, a memória; essa mesma que se espraia sem amarras na varanda do pensamento, num cortejar permanente com os sonhos que se libertam das vontades da minha alma.
E nestes dias assim tristes de uma chuva que corporiza a traição do sol à primavera, eu sento-me aqui sozinho; sem palavras, sons ou outros sinais de gente… e fechando os olhos espreito para mim, vendo pelas frestas e guaritas abertas na fria e racional consciência, esse doce namoro de memórias e sonhos.
O passado entrelaçado ao futuro, os dois libertando “açúcar” sobre o presente.
Um privilégio só meu mas com tanto… com tudo de ti.
Juro-te, um dia far-se-ão curtos os caminhos para o tanto que os percorreremos juntos, serra acima; conhecendo de cor os detalhes das veredas, das árvores, das ribeiras e das flores que são bênção de cada uma das quatro estações.
Juro-te, existirá um dia em que, por tê-lo colado ao meu, não sentirei saudades do teu olhar; o dia em que os lábios acudirão de imediato ao primeiro e ainda breve impulso de um beijo.
Juro-te, chegará esse dia em que as minhas mãos cessarão a espera com gosto a eternidade, segurando as tuas por entre o aroma das estevas, o ouro das giestas e o inédito toque lilás que oferece ao campo o rosmaninho.
Juro-te…
Existirão dias e dias que calarão este mito de sermos de uma só tarde, amantes de um fugaz anoitecer.
O anoitecer pai das memórias que dançam com os sonhos na varanda de um castelo, aqui bem dentro de mim, nestes dias em que não preciso de mais nada, nem do sol ou da primavera, para que se solte a poesia.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Eleições e consequências

No passado domingo houve eleições para o Parlamento Europeu e em Portugal estavam inscritos para votar 9.685.294 cidadãos.
Juntando os que não votaram (6.402.742) e os votos brancos (144.859) e nulos (100.483), poderemos dizer que apenas 33% dos eleitores (3.037.210) conseguiu encontrar uma alternativa para votar. Equivale a dizer que os que não votaram, ou que então votaram branco ou nulo, têm dois terços dos votos e têm poder para alterarem a Constituição da República Portuguesa se resolverem converter os seus votos em deputados na Assembleia da República.
Um parêntesis para dizer que respeito mais quem votou branco ou nulo do que quem não votou, pois estes últimos deixam em aberto a interpretação para a sua atitude. Não votaram porque estavam em viagem pelo estrangeiro, por exemplo, ou não votaram porque queriam mostrar o seu desagrado pela situação do país… e da Europa.
Em relação aos eleitores que seleccionaram um partido ou coligação poderemos dizer que são menos do que o total de habitantes dos Distritos de Lisboa (2.244.984) e Setúbal (849.842), que perfazem um total de 3.094.826; e que são menos do que os espectadores do jogo de futebol Suécia - Portugal em Outubro passado, a partida que apurou a nossa selecção para o Mundial do Brasil (3.290.000).  
O PS ganhou indiscutivelmente as eleições com 1.032.895 votos, o que corresponde efectivamente a 10,7% dos eleitores inscritos, menos de metade da população do Distrito de Lisboa e um número semelhante ao milhão de espectadores que esta época viu jogos no Estádio da Luz.
A Aliança Portugal ficou em segundo lugar com 909.588 votos, 9,4% dos eleitores inscritos, e um pouco acima da população do Distrito de Braga que é de 848.444.
Assim, os “partidos da Troika” conseguem 20,1% dos votos dos eleitores inscritos (1.942.483) que é bastante menos do que a população do Distrito de Lisboa e um pouco acima da População do Distrito do Porto (1.816.045).
O Bloco de Esquerda, o último dos partidos a eleger um deputado, teve 149.575 votos, ligeiramente superior ao número de votos brancos e ao número de espectadores no Estádio da Luz se somarmos as assistências dos jogos com o Futebol Clube do Porto, Sporting e Braga (147.237).
Dois outros vencedores foram a CDU com 416.033 votos, número que é inferior à população do Distrito de Coimbra (429.714); e o MPT que obteve 234.520 votos, que corresponde a metade da população do Distrito de Leiria (470.765).
É sobre estes números que hoje se discutem lideranças de partidos e se perspectiva o futuro do país, sem que qualquer político se questione sobre o porquê de tantos quererem ficar fora da decisão ou então não se quererem comprometer com qualquer das alternativas.
Esta atitude dos agentes políticos acontece essencialmente porque o poder é bem mais importante do que os cidadãos, e porque deste modo, os cidadãos já não têm nada de bom a esperar dos políticos.
Pelo contrário, hoje são os políticos que esperam dos cidadãos, o voto, tendo por base a falta de memória e o esquecimento promovido pelo tempo sobre as consequências dos seus maus governos, nesta rotatividade imbecil em que quem está no poder se defende, quem está na oposição promete o impossível, e em que as apregoadas mudanças são mais ao nível das umbilicais lideranças do que das atitudes.
O PS queria melhor resultado porque era grande a expectativa de que três anos tivessem sido suficientes para esquecer os seus governos dos PEC’s. A Aliança Portugal temia pior resultado porque no fundo acreditava na mesma coisa. Mas o PS não se ajudou e até convidou os fantasmas para voarem sobre a campanha.
E pelo meio sempre esta patética ideia de mudança e revolução num tempo em que os tanques já não são os dos heróis e foram substituídos pelos da lavagem da roupa suja.
Só se pode surpreender com estes resultados quem não assistiu ao vazio pimba da última campanha eleitoral, da mesma forma que só se pode surpreender pela eliminação de Portugal na Eurovisão, quem não tenha podido assistir à performance da pimba Suzy.
E Europa fora, para além deste desinteresse e da demissão dos cidadãos, emergem partidos radicais capazes de fazerem perigar o tecido social e comprometer os ideais de liberdade de um continente que agoniza às mãos de uma falsa União que se vislumbra cada vez mais como uma estratégia não bélica mas económica para consumar no século XXI as ambições nunca esquecidas de Napoleão, Hitler e Mussolini: os grandes aniquilarem os pequenos.
Nós estamos do lado dos pequenos mas a bater palmas na festa dos grandes.
Estamos a ver qual vai ser o resultado.
Haja alguém que ouça as pessoas naquilo que elas dizem e também nos seus silêncios.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O girassol

Quando usávamos bibe e calções, e brincávamos juntos em Vila Viçosa aproveitando a sombra das laranjeiras da Praça de República; jamais terá passado pela minha cabeça e pela do meu amigo Manuel, que um dia estaríamos sentados à mesma mesa na mais antiga Biblioteca Municipal de Lisboa, a contar uma história que nos tem a nós e às nossas histórias, como heróis.
Talvez a magia comece aí na surpresa que a vida sempre encerra, e termine depois na forma especial de olhar as coisas mais simples do universo, sentindo-as como privilégios únicos que nos fazem crescer.
Porque o amor se esconde sempre por detrás das coisas mais simples, quer falemos de bolachas; ou então falemos de beijos, de abraços ou até de simples olhares.
A sala da Biblioteca de São Lázaro tem uma forma única e as paredes forradas pelas palavras libertas de tantos livros intemporais, são idênticas e ao jeito da vida dos Homens nas formas perfeitas que o saber sempre lhe oferece.
As palavras que se soltaram desta história ao ritmo das trincas nas bolachas fabricadas pelo Rui, foram apenas uma infinitésima parte das muitas que habitam este local, e ressoaram especiais sobretudo pela presença de tantos amigos; de há muitos ou poucos anos, que o tempo não é condição essencial para reforçar os afectos.
E na amizade reside outra forma especial de magia.  
Sobre a mesa havia uma jarra com flores de entre as quais reluzia um girassol.
Há alguns anos, um amigo e colega pediu-me dicas para ir visitar o Alentejo num passeio de fim-de-semana com a mulher e os seus dois filhos.
Quando voltou estava encantado com o que vira, contou-me o entusiasmo da família e confidenciou-me que só uma coisa tinha falhado no fim-de-semana: os filhos reclamaram por não ter conseguido nunca passar por um campo de girassóis que nesse instante os olhasse directamente e de frente.
Na passada sexta-feira, um dia antes desta reunião de amigos na Biblioteca com o pretexto da história das bolachas, chegou-me a notícia da partida de um destes meninos, agora um homem já com mais de 20 anos, após um terrível e prolongado período de doença.
Achei curiosa a coincidência do girassol na jarra e recordei-me desta história, porque por mais alegres que sejam os nossos momentos, a dor dos amigos consegue sempre galgá-los e tornar-se presente em nós.
Não sei se este menino conseguiu antes chegar a ver os girassóis a sorrir-lhe enquanto passava… mas soube procurá-los e quere-los a olhar para si numa história, a sua, que foi curta mas intensa da magia que carrega o amor e a profusão de sonhos.
Um dia, tal como ele hoje, todos nós teremos todos os girassóis a olhar para nós, no céu, no instante de cada aurora.
Mas enquanto isso não acontece, não desperdicemos nunca, nem que só por um segundo, as histórias e a magia que preenche e faz maior, a nossa própria história.
Às vezes numa tarde de Lisboa, entre amigos e a deixar fluir os sonhos.
   


sexta-feira, 23 de maio de 2014

A magia

A minha amiga Marta, quem no contexto do meu grupo de amigos veio inaugurar a geração a seguir à minha; não se importará por certo que eu conte esta pequena história que se passou naquele tempo em que a víamos cheia de sono ao redor do nosso Trivial Pursuit, a mandávamos para a cama e ela respondia:
- Não vou porque eu não tenho sono, só os meus olhos é que têm.
Quando o pai, o meu amigo Zé Maria, lhe contava a história da Carochinha para ela adormecer, e cheio de sono tentava antecipar a chegada do João Ratão por entre o desfile de animais que passavam por debaixo da janela da afortunada carocha, logo ela inventava mais um e outro animal para que a história jamais tivesse um fim.
E passavam então jacarés, crocodilos, hipopótamos, gorilas, papagaios, rinocerontes…
Amanhã vou lançar o livro “As bolachas mágicas da avó Inácia”, sendo que a avó Inácia é a minha mãe, a promotora de uma aventura que envolve os meus sobrinhos João e Luís, por via das suas bolachas favoritas; umas muito especiais e doces que herdámos do livro de receitas da Tia Maria e que a minha mãe prepara dando-lhes as mais variadas formas.
Escrevi esta história por acreditar que por detrás de tudo o que temos na vida, mesmo as coisas mais simples, há uma magia especial que nos permite “voar” muito para lá do que existe, para a terra dos sonhos maiores; e é na nossa fé que habita a “varinha” que tudo permite temperar de magia
Para além disso, agradou-me fazer dos meus sobrinhos, o que já são indiscutivelmente para mim: uns heróis fantásticos; fazendo de Vila Viçosa, simultaneamente, aquilo que também é para mim e para todos os Calipolenses: um lugar de impossíveis prazeres.
Gostei de rebaptizar amigos com os nomes de “Manuel do Canto”, “Nélinha das Malas”, “Florbela das Laranjas” e “Zeca Pintora”…
Mas verdadeiramente, confesso, acho que escrevi esta história no contexto de um processo idêntico ao da Marta, e com o objectivo primeiro de nunca deixar apagar em mim esta doce ilusão que me acompanha.
Não quero que desapareça jamais esta magia, e quero prolongar a “história” para que ela nunca chegue ao fim.
Espero que gostem da história e desejo muito que a magia também seja eterna nas vossas vidas.
Até amanhã às 16.30 horas na Biblioteca de São Lázaro, em Lisboa.