segunda-feira, 16 de junho de 2014

A verdadeira história do Tó Zé e da Fátinha

Nos tempos longos de viagem pelo deserto da Jordânia nas férias da semana passada, foi nascendo uma história cuja semelhança com quaisquer personagens reais, a existir, será pura coincidência.
O nosso grupo de quatro, habitando no T0 na traseira do autocarro, deu assim argumento a esta história que bem poderia resumir os quatrocentos e noventa episódios de uma telenovela da TVI.
Eu limitei-me a fazer as rimas.
Divirtam-se e não pensem mais em futebol.

Uma história de encantar
Que do amor não prescinde
O Tó Zé de Gondomar
E a Fátinha de Ermesinde

Estilo estranho beto rural
Sempre, sempre numa boa
Assim entre o "Pão sem sal"
E a "kitada" Ana Malhoa

Roupa três números abaixo
Para ficar apertadinha
Não se come nada do tacho
Só se ingere uma frutinha

E assim com grande astenia
São gente de poucas falas
Com muito pouca alegria
A arrastarem grandes malas

A Fátinha já mexeu na boca
Que aquilo tresanda a bótox
Os dentes alinham com a roupa
Nas aplicações de inox

A sua "cumbersa" é tão estranha
Que até parece irmã do par
Assuntos? Nada se apanha
O interesse é de vomitar

Mas já sabem como é
Felizes para sempre serão
Duas pedrinhas sempre em pé
Com menos tino que um limão

A insustentável “beleza” do ser

Ter o atraso de uma hora no voo que me levará do Aeroporto de Lisboa até Ponta Delgada, e partilhar a Sala de Embarque com uma "multidão" de Portugueses que vai de férias para Cancun, deixa-me na dúvida se estarei na fila do casting para as novas divas do Finalmente Club ou então no desfile das novas atracções para o Carnaval de Torres Vedras.
Cada modelo é pior do que o anterior, e ao meu lado está uma que terá um metro e meio, mas que jurou a ela própria que um dia teria a altura da Claudia Schiffer.
Com um vestido comprido colado ao corpo e uns sapatos que lhe exigiriam aulas de circo no Chapitô, a criatura desloca-se com a classe de uma pata choca e a desenvoltura de uma lesma.
Surreal.
Vendo esta performance das Portuguesas, as Brasileiras que não são de se ficar e vão em passo apressado para o seu voo numa porta mais à frente, começam instintivamente uma guerra ao estilo "Noite de Nomeações na Casa dos Segredos" com as pontuações a serem inversamente proporcional ao tamanho das saias.
E com direito a doping, leia-se bótox.
Tento abstrair-me e olho para os monitores de TV. A RTP está em directo do Marquês de Pombal e alterna cantores pimba em playback com pares de mulheres aos saltos por detrás deles, com apresentadores a repetirem números de oitocentos e qualquer coisa que dão Euros.
Ainda não entendi porque é que eu que sou farmacêutico e irei preso se for à televisão publicitar um produto para combater a diarreia, e está gente passa impunemente os dias a anunciar esta "treta" como sendo a solução milagrosa para os problemas financeiros de pobres e desempregados.
Numa estação pública.
Peço aos Céus que comece o embarque e me tire deste inferno, e não tardo a ser ouvido, desculpando até o pontapé na língua pátria dado pela criatura que na instalação sonora tenta separar os passageiros de Ponta Delgada daqueles que seguirão para Toronto, pondo ordem na porta "Córenta e dois".
Jorge Jesus, amigo, tu estás a fazer escola.
Mostro o Cartão do Cidadão e já na manga e em fila para o avião reparo numa criatura XXL a que o peso não conseguiu demover de usar um vestido sem costas onde se vislumbra uma tatuada Estrela de David a ser literalmente esmagada por duas, por certo "Palestinianas", dobras de banha que pendem de um e de outro lado do pescoço.
Junto ao seu companheiro e a falar alto apercebo-me que em cada cinco palavras, quatro são asneiras e das feias.
Tinha de ser...
O "Concurso de Beleza" Portugal - Brasil terminou e eu levo à minha frente a "Primeira-dama de Horror" que também será candidata a "Miss Fotofobia".
Bolas!
Pois… por falar em bolas; veio depois o Pepe, a Austeridade Merkeliana de resultados e…
Ele há dias...
Meninas Sónia, Margarida e Patrícia, mas que bem que se estava no deserto na Sexta-feira, dia 13, ainda que só a comer fruta. 

domingo, 15 de junho de 2014

O Chiado nunca falha…

Para quem chega a Lisboa depois de uma semana na Jordânia e carrega em si esse tão legítimo e luso sindroma de privação de uma Bica e um Pastel de Nata, nada melhor do que esquecer o cansaço da viagem, e, depois de ter devolvido a roupa pejada de sal do Mar Morto à neutralidade da água que passa pela Máquina de Lavar, ir até ao Chiado, cumprindo esse “divino” prazer tão queirosiano e terapêutico no que à cura das saudades diz respeito.
Assim fiz ontem pela tarde, e com dúvidas sobre se o calor do deserto tinha ficado apaixonado por mim e me tinha seguido até casa.
Entre turistas alucinados com a temperatura e a oportunidade de muitas compras, e enquanto eu imitava os passos do Carlos da Maia e do João da Ega, o Chiado permitiu cumprir mais uma vez esse prazer de nunca deixar de encontrar alguém conhecido e dar dois dedos de conversa.
Conhecemo-nos há mais de quarenta anos, fomos colegas de escola até ao 12º ano e eu não a via há cerca de duas décadas.
Eu a descer e ela a subir, cruzámo-nos algures entre o Loreto e a Brasileira, e eu reconhecia-a de imediato, num misto dos contornos do seu rosto e também do andar que ainda mantém igual ao de antes.
Cumprimentei-a usando o seu nome.
Ela olhou-me, teve não mais de dez segundos de hesitação em que terá por certo pensado:
“Mas quem será este barbudo que até conhece a minha graça?” …
E cumprimentámo-nos de seguida com alegria pelo nosso reencontro ao fim de tantos anos, não tendo sido difícil pegar na conversa pois fomos sabendo notícias um do outro pelos muitos amigos comuns.
Estivemos à conversa uns bons cinco minutos, e depois lá seguimos os nossos caminhos, tendo eu finalmente saciado na Brasileira, a minha enorme vontade de uma Bica.
Ali, olhando os turistas no seu delírio em manter para a posteridade uma infinita variedade de poses com o Pessoa sentado e “moldado” no bronze pelas mãos de Mestre Lagoa Henriques, temperei de memórias, muito mais do que de açúcar, o prazer do meu café.
São as pessoas, muito mais do que os lugares e qualquer outro detalhe, que fazem a nossa História, e por mais décadas que passem, quem se agarrou a nós pela cumplicidade de tantos e infinitos afectos, jamais partirá.
Sabe bem “envelhecer” descobrindo que somamos riqueza nas pessoas que as décadas de vida nos oferecem, uma riqueza infinita e perpétua como o incalculável e imenso prazer da amizade.
O Chiado nunca me falha e dá-me sempre muito mais do que apenas bom café.
E dou por mim a sorrir a assobiar enquanto desço a Rua Garrett.

sábado, 14 de junho de 2014

Deus, pedras, guerras e esperança

Jordânia.
O sol queima-nos os passos e o olhar sempre que nos fazemos ao caminho ladeados por uma terra árida e semeada apenas de infinitas pedras, uma terra onde até os espantalhos são feitos de muitas pedras sobrepostas umas nas outras num estranho equilibrio.
E cada pedra que pisamos, tem um nome e guarda um detalhe na longa História do Homem e da sua fé.
A fé que hoje brota dos homens ajoelhados na berma da estrada orando ao seu Deus; no adeus acenado das crianças que sorriem sempre quando passamos; e também nas casas sempre incompletas, expondo nos telhados, os alicerces para novos pisos que surgirão em épocas que se esperam de mais abundância.
Mas a fé esmorece na subalternização e na escravidão das mulheres que são obrigadas a esconder o seu rosto e a sua identidade, sendo sombras negras que deslizam por entre o machismo doentio e brutal destes homens armados num absurdo “Deus Juiz”.
Um Deus transformado convenientemente em móbil de uma guerra permanente designada “santa”, que em tempos de cruzadas fez nascer castelos no deserto e no cimo das altas montanhas, e que hoje nos faz cruzar um sem número de bases militares de aspecto duro e sofisticado.
Israel é logo ali e avistamo-lo no outro lado do Mar Morto, a Síria um pouco mais acima e o Iraque ali mesmo ao lado…
Mas o deserto também esconde o esplendor da paz de civilizações que foram o nosso berço, e Petra, a cidade talhada pelo Homem no esplendor das montanhas vermelhas, é sem dúvida uma das jóias maiores no tesouro que em si conserva a humanidade.
Não se deve morrer sem vir até aqui.
Em Petra, pedra na fala dos Gregos, as montanhas falam, fazendo eco das mãos dos Homens que a criaram.
E por entre a guerra florescem assim argumentos para ter fé e acreditar no futuro; nos eternos “recados” de Petra, mas também nas mãos do jovem beduíno que nos oferece um açucarado chá de menta na sua tenda montada no deserto, ou das mãos sujas do homem que nos oferece uma amora na sua banca de fruta no mercado de Amman, e que nós saboreamos de imediato porque sabe a manjar do paraíso.
À sombra do castelo que Saladino construiu para combater os cruzados e lhes roubar a água, matando-os à sede; um velho beduíno que se perdeu já na contagem dos anos, e indiferente a tudo o que passa, descansa deitado sobre as ervas daninhas enquanto fuma o seu cigarro.
No deserto e de uma forma geral, os dromedários não morrem pacientemente com o decorrer dos anos que os envelhecem; ao fim de pouco mais de quarenta anos de vida, ficam loucos e os Homens abatem-nos então forçosamente pelo perigo que representam.
Às vezes os Homens são como os dromedários nesta confluência entre loucura e morte, esquecendo-se que há um velho a quem faltará tempo para saborear o seu cigarro por entre os aromas da paz.
Um velho e muitos milhões de almas.
Ontem saímos de Amman deixando a cidade como uma lua tal que nos obrigava a olhar duas vezes para confirmarmos não ser o sol; este sol tão fantástico que hoje nos beijou logo que avistámos Lisboa.
Haja esperança.

sábado, 7 de junho de 2014

Aquele abraço com gosto a céu

Na Lisboa de 2014 talvez seja difícil de acreditar que algures pelo inicio dos anos setenta do século passado, e estando eu a passar alguns dias em casa dos meus tios, me levaram de metropolitano até à estação do Parque para que eu pudesse ver e experimentar umas escadas rolantes.
As escadas rolantes a terem estatuto de estrela equiparável à Feira Popular ou ao Jardim Zoológico.
Senti-me então um herói a voar para o céu enquanto “mergulhava” naquelas estruturas metálicas que pareciam não ter fim, sempre por entre o ruído dos adultos, que ao estilo de coro de tragédia Grega, descreviam ao detalhe todos os mitos urbanos, como aquele da mulher que ficou sem coro cabeludo e morreu porque deixou que os seus longuíssimos cabelos se enrolassem nas escadas.
E o perigo a aumentar ainda mais a minha adrenalina e a dar um toque radical ao meu “baptismo” de escadas rolantes.
Estavas junto a mim quando ontem me recordei desta história, os dois muito próximos da estação do Parque.
Na esquina agora por ali à minha frente, o semáforo substituiu o bailado e o estranho rodopiar sobre si mesmo do Polícia Sinaleiro no cimo do seu arredondado “palco” de madeira; e já morreu o grito do ardina que por ali aproveitava a pausa na marcha dos carros para vender os vespertinos “A Capital” e o “Diário de Lisboa”.
Iguais àqueles dias, somente os inevitáveis e enormes Jacarandás floridos em tom intenso lilás de primavera… e eu a sentir-me destemido a trepar para o céu.
Talvez porque o céu seja em si mesmo uma manta tecida de muito simples mas perfeitos instantes, e também porque os caminhos para o céu são esses mutáveis atalhos à mercê das nossas maiores vontades, mas sempre na fidelidade a um eterno e imutável desejo: o sonho de ser feliz.
E perfeito é este instante de ter-te aqui a temperar de mel, por palavras e olhares, a cidreira quente que nos aquece na esquina fria de uma primavera vulnerável à chuva…
Como perfeito e com gosto a céu, é o destino que nos fez cruzar as rotas de tantas histórias e tanta gente, aqui onde os Jacarandás são hoje o tecto para o maior e mais sentido dos abraços.
Gostava tanto que este abraço não morresse jamais e pudesse atravessar Lisboa, connosco, por todas as estações e pelo tempo todo…
Um abraço ao jeito do céu em nós e na nossa vontade: eterno!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O sol e a liberdade

O sol, persistente, conseguiu matar o smoggy, e brilha intenso sobre Oxford Street na hora em que paro para um café, ali algures por entre a multidão de fiéis do Big Ben, os rigorosos seguidores da pontualidade com marca Britânica que circulam agora atarefados entre o almoço e as compras nas lojas com nome e apelido, a sorrirem e em pelo gozo da liberdade que não permite distinguir etnias, credos e culturas.
Não tardará muito a que o mesmo sol me acompanhe, quando já para lá das nuvens, o avião da TAP baptizado com o nome de Antero de Quental voa até Lisboa.
E de Antero, um dos membros do quarteto dos nossos maiores sonetistas (Camões, Bocage, Antero e Florbela, ao ritmo de um por século) …
Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.
A memória do poeta, a liberdade… e a Normandia ali mesmo por debaixo dos meus pés na véspera da celebração dos setenta anos de um desembarque de tropas que devolveu a liberdade à velha Europa.
A História e os seus ciclos, o mundo e as guerras eternas que nos trouxeram de volta a este ponto que expressa a necessidade de um novo desembarque de liberdade numa terra que agoniza às mãos dos rácios da macroeconomia…
Um novo desembarque de liberdade ao jeito do sol que brilha ainda sobre Lisboa no exacto momento em que aterro paralelo ao Tejo, estrada azul de água louca de amor pelo mar; instantes antes de percorrer a cidade de carro até ao Camões, e não deixando de passar pelo Marquês e pela explosão lilás dos jacarandás em tempo de primavera tardia.
Tenho um jantar de aniversário e nem me deu tempo para antes passar em casa…
Mas já não brilha o sol quando entro no Bairro Alto pela Rua do Norte e “mergulho” na multidão que por entre o cheiro a manjerico, o festão colorido que une as fachadas da viela, e a cor das sardinheiras; busca o fado e a sardinha assada, agora com a assumida cumplicidade da lua em fase crescente.
Uma multidão como a de Oxford Street e que não tem etnias, credos e culturas, tão-só porque as tem todas.
E o meu dia…
De Oxford Street à Rua do Norte com a cumplicidade do sol e por entre os aromas doces da liberdade numa Europa que perde sentido e se descaracteriza sempre que a amputamos dessa mesma liberdade e a reduzimos à pobre condição de apenas um continente.
A Europa é definitivamente um encontro de gente no baile do sol e da liberdade… em Oxford Street ou na Rua do Norte.
Acabei a noite à conversa e a comer cerejas, com vista para as luzes da margem sul de um Tejo que saboreia a lua mas que sonha com o regresso do sol para voltar a brilhar de intenso azul.
O Tejo… como a Europa e como a gente.
E como eu nestes dias que transpiram o perfume da liberdade e me transportam para tão próximo dos sonhos de Antero.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

João Paulo

Era uma vez…
Poderia começar assim a história da nossa amizade a despontar no espaço forrado de muitas histórias da velha Livraria Escolar da D. Joana Ruivo, onde nos conhecemos.
Foi há mais de quatro décadas e numa altura em que acreditávamos poder copiar a heroicidade de “Os cinco”, e podermos descobrir tesouros algures nos subterrâneos que imaginávamos por debaixo das calçadas da nossa Vila Viçosa.
Não estávamos enganados quanto aos tesouros, e só a localização é diferente: eles existem, estão à superfície e têm expressão e vivem abraçados a todas as cumplicidades que nos fazem amigos.
Uma eterna amizade como as manchas de cereja que deixámos no nosso hotel de Edimburgo depois de os caroços nos terem caído da mão e de eu ter sugerido que limpássemos as nódoas com espuma de barbear; uma invenção de “McGyver Barreiros” que multiplicou por dez a área da mancha e que nos conduziu ao reposicionar estratégico das almofadas, não fosse a Escocesa que nos servia lentilhas ao pequeno-almoço, obrigar-nos a pagar-lhe um sofá novo e sem manchas.
Uma amizade carregada de boas memórias que soltamos tantas e tantas vezes, um pouco ao jeito da versão do “Terra a Terra Minha Gente” que organizaste para um dos teus aniversários, aí em meados dos anos setenta, em que tal como os concorrentes que no concurso da televisão davam a volta por um distrito e depois respondiam a perguntas sobre as terras que tinham visitado; nós demos a volta ao quarteirão entre a tua travessa e a Praça, e respondemos depois a questões sobre o que tínhamos visto.
Lembras-te? Eu fazia par com a Didi e fiquei em segundo lugar depois de responder à pergunta:
- Que letras estão escritas no marco da pedra à entrada da Rua de Santo António?
Estava lá a sigla “PUP” (Partido de Unidade Popular).
Outros tempos.
E as nossas muitas memórias acabam sempre por soltar-se nas conversas que não têm dia nem hora marcada, que até podem ter meses de intervalo, mas que às vezes duram horas; as conversas em que falamos de nós, dos projectos, da vida, das dores, das doenças reais e imaginárias, dos médicos, das cirurgias, dos nossos pais, das viagens, dos Óscares, dos Festivais da Canção, do Atletismo e das medalhas nos Jogos Olímpicos, da política, das novidades de Lisboa ou de Vila Viçosa, da necrologia, das alegrias, das festas e dos amores… sempre, mas mesmo sempre, por entre dezenas de boas gargalhadas.
Uma amizade em que podemos ser nós mesmos e que beneficia da não existência da reserva de quaisquer territórios tabu, tal qual as muitas cidades da Europa que visitámos juntos e em que nem um metro quadrado ficava por “bater”. Os pés sofriam e às vezes ficavam com bolhas, mas a alma e os olhos ficavam regalados.
Uma amizade para mim essencial e que tantas vezes foi GPS na hora das minhas grandes escolhas ou dos grandes momentos: quando entrei para a Faculdade explicaste-me tudo tão em detalhe que eu fiquei a conhecer a rede de autocarros da Carris e ao chegar à Reitoria até sabia qual a banca para adquirir o Selo Fiscal para a matricula; as ajudas perante as hesitações na altura de mudar de emprego ou de funções; os benefícios e os males de amor…
Uma amizade feita de um caminhar conjunto e feliz, um pouco como as nossas viagens para Vila Viçosa num tempo em que não existiam auto-estradas e tu gravavas cassetes para que pudéssemos ir escutando pelo caminho todas as canções da moda, sempre que a fita não resolvia enrolar-se no meu auto-rádio portátil com estilo de marmita.
Assim, era uma vez…
Dois amigos, dois românticos inveterados, dois sonhadores, dois teimosos com algumas muitas manias…
Eu e tu e uma amizade que é para mim um tesouro, que é parte integrante do todo essencial da minha existência; uma amizade sem a qual eu não seria eu e seria objectivamente bastante mais pobre e pior do que aquilo que sou.
E a vida é tão mais fácil quando nos oferece amigos como tu.
JP, muitos parabéns.