quarta-feira, 18 de junho de 2014

A nossa terra

Tudo na vida é relativo, e por isso não estranhei que o motorista de táxi que me levou esta manhã do hotel em Ponta Delgada até ao aeroporto, ao saber que eu ia apanhar um avião para a Terceira e não para o continente, me tenha comentado:
- Então o senhor ainda vai até às ilhas.
Num processo em cadeia que vai no sentido do maior para o mais pequeno, o território onde se habita é assim uma espécie de “continente”, e os que se lhe seguem são as ilhas.
E para as ilhas ia também o jovem jogador de uma equipa de futebol da Madalena do Pico, que regressando a casa vindo de Boston, se encontra atrás de mim na fila para o controlo de segurança, a carpir as mágoas junto dos seus colegas, não se conformando com o regresso à terra “onde nada acontece e a noite é para dormir”.
Sentirá já saudades dos bares que frequentou na terra do Cheers, “aquele bar”.
Na ilha Terceira vive também a rapariga que me serve um café pela hora do almoço na pastelaria em frente à Sé, e que nem de propósito partilha com a sua colega de balcão e com uma cliente pelos vistos sua conhecida, o triste que é viver por aqui e encontrar todos os dias as mesmas caras.
As outras não concordam com ela e por isso ela vai extremando argumentos até dizer que ao ouvir falar em filas no IC19, até sente inveja porque isso é sinal de muita gente.
Haja gente com mau gosto.
Há então uma outra cliente que se mete na conversa e a tenta demover da vontade de ir para filas de trânsito, dizendo-lhe que vive na margem sul e de que já não suporta o trânsito na Ponte 25 de Abril.
Mas a rapariga segue pelas suas convicções.
É uma motorista de táxi que me traz de volta ao Aeroporto das Lajes vindo de Angra do Heroísmo. Metemos conversa e eu digo-lhe que a terra dela é fantástica.
Agradece e comenta:
- Não me vejo a viver em qualquer outro sítio. Este é o meu lugar. Já tive de reconstruir a minha casa após o terramoto de 1980 e voltaria a reconstruí-la mil vezes se tal fosse necessário.
E fala do sol e da forma como a luz vai alterando os tons de verde sobre a Serra do Cume.
Pego nos argumentos dos jovens com quem me cruzei pela manhã e questiono-a sobre a asfixia que se pode sentir a viver numa ilha pequena.
Sorri como que esperando a minha questão, previsível e com a qual tantas vezes se debate. Atira-me decidida:
- O meu marido foi o melhor homem que já viveu algum dia sobre a Terra. Partiu há quatro anos de morte súbita e deixou-me com este táxi e dois filhos que eu vou acabando de criar. Nunca importa o tamanho do sítio onde vivemos porque a nossa terra será sempre o local onde fomos ou somos felizes. O meu é aqui por entre as memórias de vinte anos e falando tantas vezes com o meu marido à medida que o sol me muda as cores de um caminho tão previsível e que faço tantas vezes.
É a minha vez de sorrir.
Pois é… o amor faz sempre a diferença, dá-nos pátria e às vezes até de uma ilha consegue fazer um continente.
Os outros dois “meninos” ainda não tiveram tempo de aprender a lição.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Os caçadores de piolhos

Um dos desportos mais em voga é a caça ao piolho, designação que eu atribuo aquele hábito tão lusitano e com raízes na inveja pura e dura, de conseguir descobrir algo menos positivo, um “piolho”, por entre uma amálgama infinita de excelentes atributos; dando então de seguida um desmesuradíssimo destaque a esse pequeníssimo detalhe que passa a ser o núcleo de qualquer apreciação.
Um exemplo:
- O Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo.
- Sim…mas já viste como a irmã é pirosa?
Outro:
- O Jorge Jesus foi campeão pelo Benfica.
- Sim filho… mas a mascar pastilha daquela maneira…
E ainda outro:
- A Ana Moura tem uma voz fantástica.
- Sim… mas aquele vestido semi-transparente do concerto do Coliseu…
Como se a forma de mascar pastilha ou a existência de uma irmã “pimba” fossem essenciais para ganhar jogos de futebol ou um vestido fosse fundamental para se afinar um fado.
Nesta caça, tal como em todas as outras, há também aqueles que regressam sem peças conseguidas, mas mesmo assim nunca se atrapalham e deixam algo no ar:
Um exemplo:
- A Julia Roberts é muito gira.
- Sim… mas tem ali qualquer coisa que eu não consigo explicar e que não me agrada.
Outro exemplo com algumas diferenças:
- O Mourinho é o melhor treinador de futebol do mundo.
- Sim… mas consta que para chegar onde chegou houve ali um não sei quê.  
E às vezes já não se fala sobre mais nada a não ser “o não sei o quê” destas criaturas.
Tal como eu já referi, esta prática da Caça ao Piolho tem raízes na inveja e também no assumir da postura de que na vida andamos todos a competir uns contra os outros; e elogiar alguém é então dar trunfos ao adversário.
E trunfos que podem ser decisivos.
Esta prática tem também alguns contornos de âmbito religioso e é muito treinada em sacristias e sucedâneos, pois na ânsia de chegar ao Céu rapidamente e até antes de morrer, qualquer beata gosta de se elevar ao estatuto de santidade, empurrando os outros para um nível um pouco mais abaixo atando aos outros os atributos mais negativos e cabeludos, ao jeito de pedras para que se afoguem rapidamente no mar.
Estou certo de que todos temos exemplos…
Ontem ao colocar no Facebook a foto que tirei em Petra ao lado de um velho Beduino que tocava um instrumento feito de pele de cabra e com uma crina de cavalo, houve logo alguém que comentou:
- A tua T-shirt ocidental é que não fica bem.
A minha T-shirt por acaso até era um pólo passou a ser o elemento mais importante da foto… e não precisam de ir ver quem fez o comentário porque eu já o apaguei.
Feito o meu diagnóstico deixem que vos diga que a malta anda a precisar da terapia do elogio e do positivo no sentido de acabar com esta prática infeliz e ridícula da Caça ao Piolho.
Tendo no entanto presente, e ressalvo, que aquilo que for seriamente negativo deve ser referido e combatido com veemência. Mas apenas o que valer a pena por ser importante.
É que se formos reler a História e já que falei de religião, repare-se que Jesus Cristo combateu seriamente os grandes pecados da humanidade; e nos outros detalhes era muito mais de dar e receber beijos do que de atirar pedras.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

A verdadeira história do Tó Zé e da Fátinha

Nos tempos longos de viagem pelo deserto da Jordânia nas férias da semana passada, foi nascendo uma história cuja semelhança com quaisquer personagens reais, a existir, será pura coincidência.
O nosso grupo de quatro, habitando no T0 na traseira do autocarro, deu assim argumento a esta história que bem poderia resumir os quatrocentos e noventa episódios de uma telenovela da TVI.
Eu limitei-me a fazer as rimas.
Divirtam-se e não pensem mais em futebol.

Uma história de encantar
Que do amor não prescinde
O Tó Zé de Gondomar
E a Fátinha de Ermesinde

Estilo estranho beto rural
Sempre, sempre numa boa
Assim entre o "Pão sem sal"
E a "kitada" Ana Malhoa

Roupa três números abaixo
Para ficar apertadinha
Não se come nada do tacho
Só se ingere uma frutinha

E assim com grande astenia
São gente de poucas falas
Com muito pouca alegria
A arrastarem grandes malas

A Fátinha já mexeu na boca
Que aquilo tresanda a bótox
Os dentes alinham com a roupa
Nas aplicações de inox

A sua "cumbersa" é tão estranha
Que até parece irmã do par
Assuntos? Nada se apanha
O interesse é de vomitar

Mas já sabem como é
Felizes para sempre serão
Duas pedrinhas sempre em pé
Com menos tino que um limão

A insustentável “beleza” do ser

Ter o atraso de uma hora no voo que me levará do Aeroporto de Lisboa até Ponta Delgada, e partilhar a Sala de Embarque com uma "multidão" de Portugueses que vai de férias para Cancun, deixa-me na dúvida se estarei na fila do casting para as novas divas do Finalmente Club ou então no desfile das novas atracções para o Carnaval de Torres Vedras.
Cada modelo é pior do que o anterior, e ao meu lado está uma que terá um metro e meio, mas que jurou a ela própria que um dia teria a altura da Claudia Schiffer.
Com um vestido comprido colado ao corpo e uns sapatos que lhe exigiriam aulas de circo no Chapitô, a criatura desloca-se com a classe de uma pata choca e a desenvoltura de uma lesma.
Surreal.
Vendo esta performance das Portuguesas, as Brasileiras que não são de se ficar e vão em passo apressado para o seu voo numa porta mais à frente, começam instintivamente uma guerra ao estilo "Noite de Nomeações na Casa dos Segredos" com as pontuações a serem inversamente proporcional ao tamanho das saias.
E com direito a doping, leia-se bótox.
Tento abstrair-me e olho para os monitores de TV. A RTP está em directo do Marquês de Pombal e alterna cantores pimba em playback com pares de mulheres aos saltos por detrás deles, com apresentadores a repetirem números de oitocentos e qualquer coisa que dão Euros.
Ainda não entendi porque é que eu que sou farmacêutico e irei preso se for à televisão publicitar um produto para combater a diarreia, e está gente passa impunemente os dias a anunciar esta "treta" como sendo a solução milagrosa para os problemas financeiros de pobres e desempregados.
Numa estação pública.
Peço aos Céus que comece o embarque e me tire deste inferno, e não tardo a ser ouvido, desculpando até o pontapé na língua pátria dado pela criatura que na instalação sonora tenta separar os passageiros de Ponta Delgada daqueles que seguirão para Toronto, pondo ordem na porta "Córenta e dois".
Jorge Jesus, amigo, tu estás a fazer escola.
Mostro o Cartão do Cidadão e já na manga e em fila para o avião reparo numa criatura XXL a que o peso não conseguiu demover de usar um vestido sem costas onde se vislumbra uma tatuada Estrela de David a ser literalmente esmagada por duas, por certo "Palestinianas", dobras de banha que pendem de um e de outro lado do pescoço.
Junto ao seu companheiro e a falar alto apercebo-me que em cada cinco palavras, quatro são asneiras e das feias.
Tinha de ser...
O "Concurso de Beleza" Portugal - Brasil terminou e eu levo à minha frente a "Primeira-dama de Horror" que também será candidata a "Miss Fotofobia".
Bolas!
Pois… por falar em bolas; veio depois o Pepe, a Austeridade Merkeliana de resultados e…
Ele há dias...
Meninas Sónia, Margarida e Patrícia, mas que bem que se estava no deserto na Sexta-feira, dia 13, ainda que só a comer fruta. 

domingo, 15 de junho de 2014

O Chiado nunca falha…

Para quem chega a Lisboa depois de uma semana na Jordânia e carrega em si esse tão legítimo e luso sindroma de privação de uma Bica e um Pastel de Nata, nada melhor do que esquecer o cansaço da viagem, e, depois de ter devolvido a roupa pejada de sal do Mar Morto à neutralidade da água que passa pela Máquina de Lavar, ir até ao Chiado, cumprindo esse “divino” prazer tão queirosiano e terapêutico no que à cura das saudades diz respeito.
Assim fiz ontem pela tarde, e com dúvidas sobre se o calor do deserto tinha ficado apaixonado por mim e me tinha seguido até casa.
Entre turistas alucinados com a temperatura e a oportunidade de muitas compras, e enquanto eu imitava os passos do Carlos da Maia e do João da Ega, o Chiado permitiu cumprir mais uma vez esse prazer de nunca deixar de encontrar alguém conhecido e dar dois dedos de conversa.
Conhecemo-nos há mais de quarenta anos, fomos colegas de escola até ao 12º ano e eu não a via há cerca de duas décadas.
Eu a descer e ela a subir, cruzámo-nos algures entre o Loreto e a Brasileira, e eu reconhecia-a de imediato, num misto dos contornos do seu rosto e também do andar que ainda mantém igual ao de antes.
Cumprimentei-a usando o seu nome.
Ela olhou-me, teve não mais de dez segundos de hesitação em que terá por certo pensado:
“Mas quem será este barbudo que até conhece a minha graça?” …
E cumprimentámo-nos de seguida com alegria pelo nosso reencontro ao fim de tantos anos, não tendo sido difícil pegar na conversa pois fomos sabendo notícias um do outro pelos muitos amigos comuns.
Estivemos à conversa uns bons cinco minutos, e depois lá seguimos os nossos caminhos, tendo eu finalmente saciado na Brasileira, a minha enorme vontade de uma Bica.
Ali, olhando os turistas no seu delírio em manter para a posteridade uma infinita variedade de poses com o Pessoa sentado e “moldado” no bronze pelas mãos de Mestre Lagoa Henriques, temperei de memórias, muito mais do que de açúcar, o prazer do meu café.
São as pessoas, muito mais do que os lugares e qualquer outro detalhe, que fazem a nossa História, e por mais décadas que passem, quem se agarrou a nós pela cumplicidade de tantos e infinitos afectos, jamais partirá.
Sabe bem “envelhecer” descobrindo que somamos riqueza nas pessoas que as décadas de vida nos oferecem, uma riqueza infinita e perpétua como o incalculável e imenso prazer da amizade.
O Chiado nunca me falha e dá-me sempre muito mais do que apenas bom café.
E dou por mim a sorrir a assobiar enquanto desço a Rua Garrett.

sábado, 14 de junho de 2014

Deus, pedras, guerras e esperança

Jordânia.
O sol queima-nos os passos e o olhar sempre que nos fazemos ao caminho ladeados por uma terra árida e semeada apenas de infinitas pedras, uma terra onde até os espantalhos são feitos de muitas pedras sobrepostas umas nas outras num estranho equilibrio.
E cada pedra que pisamos, tem um nome e guarda um detalhe na longa História do Homem e da sua fé.
A fé que hoje brota dos homens ajoelhados na berma da estrada orando ao seu Deus; no adeus acenado das crianças que sorriem sempre quando passamos; e também nas casas sempre incompletas, expondo nos telhados, os alicerces para novos pisos que surgirão em épocas que se esperam de mais abundância.
Mas a fé esmorece na subalternização e na escravidão das mulheres que são obrigadas a esconder o seu rosto e a sua identidade, sendo sombras negras que deslizam por entre o machismo doentio e brutal destes homens armados num absurdo “Deus Juiz”.
Um Deus transformado convenientemente em móbil de uma guerra permanente designada “santa”, que em tempos de cruzadas fez nascer castelos no deserto e no cimo das altas montanhas, e que hoje nos faz cruzar um sem número de bases militares de aspecto duro e sofisticado.
Israel é logo ali e avistamo-lo no outro lado do Mar Morto, a Síria um pouco mais acima e o Iraque ali mesmo ao lado…
Mas o deserto também esconde o esplendor da paz de civilizações que foram o nosso berço, e Petra, a cidade talhada pelo Homem no esplendor das montanhas vermelhas, é sem dúvida uma das jóias maiores no tesouro que em si conserva a humanidade.
Não se deve morrer sem vir até aqui.
Em Petra, pedra na fala dos Gregos, as montanhas falam, fazendo eco das mãos dos Homens que a criaram.
E por entre a guerra florescem assim argumentos para ter fé e acreditar no futuro; nos eternos “recados” de Petra, mas também nas mãos do jovem beduíno que nos oferece um açucarado chá de menta na sua tenda montada no deserto, ou das mãos sujas do homem que nos oferece uma amora na sua banca de fruta no mercado de Amman, e que nós saboreamos de imediato porque sabe a manjar do paraíso.
À sombra do castelo que Saladino construiu para combater os cruzados e lhes roubar a água, matando-os à sede; um velho beduíno que se perdeu já na contagem dos anos, e indiferente a tudo o que passa, descansa deitado sobre as ervas daninhas enquanto fuma o seu cigarro.
No deserto e de uma forma geral, os dromedários não morrem pacientemente com o decorrer dos anos que os envelhecem; ao fim de pouco mais de quarenta anos de vida, ficam loucos e os Homens abatem-nos então forçosamente pelo perigo que representam.
Às vezes os Homens são como os dromedários nesta confluência entre loucura e morte, esquecendo-se que há um velho a quem faltará tempo para saborear o seu cigarro por entre os aromas da paz.
Um velho e muitos milhões de almas.
Ontem saímos de Amman deixando a cidade como uma lua tal que nos obrigava a olhar duas vezes para confirmarmos não ser o sol; este sol tão fantástico que hoje nos beijou logo que avistámos Lisboa.
Haja esperança.

sábado, 7 de junho de 2014

Aquele abraço com gosto a céu

Na Lisboa de 2014 talvez seja difícil de acreditar que algures pelo inicio dos anos setenta do século passado, e estando eu a passar alguns dias em casa dos meus tios, me levaram de metropolitano até à estação do Parque para que eu pudesse ver e experimentar umas escadas rolantes.
As escadas rolantes a terem estatuto de estrela equiparável à Feira Popular ou ao Jardim Zoológico.
Senti-me então um herói a voar para o céu enquanto “mergulhava” naquelas estruturas metálicas que pareciam não ter fim, sempre por entre o ruído dos adultos, que ao estilo de coro de tragédia Grega, descreviam ao detalhe todos os mitos urbanos, como aquele da mulher que ficou sem coro cabeludo e morreu porque deixou que os seus longuíssimos cabelos se enrolassem nas escadas.
E o perigo a aumentar ainda mais a minha adrenalina e a dar um toque radical ao meu “baptismo” de escadas rolantes.
Estavas junto a mim quando ontem me recordei desta história, os dois muito próximos da estação do Parque.
Na esquina agora por ali à minha frente, o semáforo substituiu o bailado e o estranho rodopiar sobre si mesmo do Polícia Sinaleiro no cimo do seu arredondado “palco” de madeira; e já morreu o grito do ardina que por ali aproveitava a pausa na marcha dos carros para vender os vespertinos “A Capital” e o “Diário de Lisboa”.
Iguais àqueles dias, somente os inevitáveis e enormes Jacarandás floridos em tom intenso lilás de primavera… e eu a sentir-me destemido a trepar para o céu.
Talvez porque o céu seja em si mesmo uma manta tecida de muito simples mas perfeitos instantes, e também porque os caminhos para o céu são esses mutáveis atalhos à mercê das nossas maiores vontades, mas sempre na fidelidade a um eterno e imutável desejo: o sonho de ser feliz.
E perfeito é este instante de ter-te aqui a temperar de mel, por palavras e olhares, a cidreira quente que nos aquece na esquina fria de uma primavera vulnerável à chuva…
Como perfeito e com gosto a céu, é o destino que nos fez cruzar as rotas de tantas histórias e tanta gente, aqui onde os Jacarandás são hoje o tecto para o maior e mais sentido dos abraços.
Gostava tanto que este abraço não morresse jamais e pudesse atravessar Lisboa, connosco, por todas as estações e pelo tempo todo…
Um abraço ao jeito do céu em nós e na nossa vontade: eterno!