quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tu, o teu amor e o quase nada que eu sou…

Há instantes que nos resgatam da mágoa, nos transportam para os sonhos e fazem surgir a melhor versão de nós mesmos por entre sorrisos francos e com raiz na alma.
Instantes que são fruto às vezes da aparência de tão pouco; que nunca nada é pouco quando nos torna assim felizes, e até o quase nada multiplicado com o amor resulta sempre no muito e no mais que perfeito.
E os bancos de jardim que amparam solidões tornam-se fontes de afecto e de pura paixão…
E as ruas, ao jeito da vida, ganham sempre um tom novo e doce quando o nosso olhar toca e beija o sorrir de quem carregamos na alma e nos pensamentos, mesmo que muito secretos.
Os mesmos caminhos e a mesma vida, polvilhados de amor e de açúcar como uma imensa e irresistível Bola de Berlim.
Esses instantes em que não travamos a vontade, chegam tantas vezes com a luz do fim da tarde, quando os nossos passos alinhados num paralelo desejo acompanham o ocaso por entre as palavras soltas e temperadas de uma indesmentível verdade.
Os passos… e as mãos que tantas vezes se procuram saciando-me a cada toque, mesmo que ao de leve, do mágico perfume da tua pele.
Gosto tanto de ti.
Muito obrigado por devolveres aos meus dias a bênção da melhor versão de mim.
Tu, o teu amor, e o quase nada que eu sou e que multiplicado por ti me faz perfeitos todos os caminhos.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Fraquezas musculares e outras da gente da pobre terra da má sina

Se existe algo de que nunca nos podem acusar é de falta de coerência, e a prestação da Selecção Nacional de Futebol no Campeonato do Mundo do Brasil, é afinal, apenas e só, um detalhe do país que já não põe bandeiras à janela, até porque muitas dessas janelas pertencem a casas entretanto entregues aos bancos por falta de liquidez dos proprietários que assim não conseguem pagar as suas prestações.
Na minha urbanização, a Remax e os seus colaboradores em pose de candidatos à Junta de Freguesia, ganham por goleada ao espírito nacionalista da bandeirinha que foi criado há uns anos pelo Brasileiro Scolari.
Assim, neste país de Estádios vazios e plantados no terrível silêncio de muitas dívidas, emerge sempre um problema de falta de músculo nas lideranças, e os jogadores a saírem do campo em maca têm claras semelhanças com as “saídas de comícios” de Seguro e Costa em KO’s conseguidos em dias alternados com base em “pontapés” dados mais ou menos à socapa. Nem precisam dos adversários para se magoarem, uma “corridinha” para a liderança e aí está alguém a cair para o lado.
Há também algo de Cavaco em Paulo Bento, na pose de zangado com o mundo, nas suas formas muito peculiares de falar de onde nunca se capta muito bem o que dizem, e sobretudo ao nível das suas escolhas polémicas. Seleccionar para um Campeonato do Mundo um Postiga com uma hérnia discal é como escolher Pedro Passos Coelho para Primeiro-Ministro. Sair do Mundial sem glória é quase como desmaiar num púlpito por entre assobios e gritos da populaça.
Escolher a Maria para Primeira-Dama e o Miguel Veloso para o Centro do Terreno também é algo muito parecido, pois entre o tom da tinta no cabelo e a falta de jeito, os destinos parecem coincidir inteiramente no desacerto e desadequação.
Um passe do Miguel Veloso e um prato de carapaus alimados preparados na marquise do Possolo… são quase a mesma coisa.
Depois, temos de olhar para o nível de outros intérpretes.
O João Pereira está para a lateral direita da defesa como o Paulo Portas para Vice Primeiro-Ministro: muita “sarrafada”, muitas penalidades… mas defender só a espaços; e quando nos damos conta já fomos goleados pela Alemanha.
O Éder é como o Secretário de Estado da Cultura, ninguém sabe quem o inventou e não há nenhum remate que acerte no alvo.
O próprio luso-brasileiro Pepe encarna em si muito de PSD, com as suas cabeçadas e pontapés nos diferentes adversários a serem muito parecidas com as sovas no Tribunal Constitucional.
Já o Raul Meireles e aquela profusão de tatuagens, mais parece um bordado de croché inventado pela Joana Vasconcelos sobre uma estátua do António Variações.
Embarcar num cacilheiro e ir embora não lhe faria mesmo nada mal.
O Rui Patrício também tem algo de Isabel Jonet e não se nega a distribuir uns franguinhos para alimentar a malta.
Até o Sócrates faz da RTP o seu “estágio” no Irão, e paira sobre o país ao estilo de Carlos Queirós, sempre a mandar palpites sobre um desacerto que ele próprio conhece por dentro.
Sempre nos podem dizer que temos o Cristiano Ronaldo que é indiscutivelmente, e eu concordo, o melhor jogador de futebol do mundo…
Sim. Mas nós também somos o melhor povo do mundo e estamos onde estamos, quase sempre condenados a fazer contas com o FMI ao jeito das operações matemáticas difíceis que envolvem os nossos grupos de apuramento.
Será sina? A inevitabilidade de um terrível e inevitável fado?
Talvez mais falta de jeito e ambição.
Eu vou continuar a torcer pelo país e pela selecção, com “Gana”. Mas não me parece que chegue a algum lado.

terça-feira, 24 de junho de 2014

São João e um brinde com limonada

A Tia Maria faria hoje 105 anos, e nos 86 em que andou pela Terra nunca se conformou com o seu segundo nome de Teodora, considerando que em homenagem ao santo do dia do seu nascimento, se deveria ter chamado Maria João.
Mas nunca se dando por vencida e não aceitando como último destino esta má escolha dos seus padrinhos, tratou sempre de comemorar o seu aniversário em festa de grande louvor ao “Baptista”, não faltando à missa na ermida existente no Carrascal, preparando sofisticadas flores de papel para ajudar a decorar a sua Rua de Santa Luzia, e também com a montagem de uns altares encimados pela imagem de barro pintado que ela tinha todo o ano sobre a cómoda do seu quarto, e que ainda hoje lhe guardamos em nossa casa; altares decorados com as flores dos melhores vasos do quintal.
E o quintal era um espaço não muito grande, sombrio e fresco, porque beneficiário da sombra de um velho limoeiro que jamais soube o que era não ter folhas, e que partilhava raízes com os coentros, a hortelã e a salsa, os “cheiros” existentes no canteiro arrumado à parede do lado esquerdo.
Ao fundo do quintal existia um telheiro onde no verão tomávamos banho com a ajuda de um balde / duche de metal cuja torneira funcionava através de uma corrente que se puxava sempre que desejássemos que a água caísse sobre a nossa cabeça.
Do incansável limoeiro se colhiam os frutos em Dia de São João para preparar um lanche de aniversário que para além do toque ácido da limonada, tinha também o aroma e o gosto de um daqueles bolos que se fazem em casa nas velhas formas que parecem já saber de cor todas as receitas.
Chamávamos a Angelina que era nossa amiga e tinha uma mercearia quase em frente da casa da tia, e sentávamo-nos todos à volta da mesa redonda que ficava muito próxima da janela do rés-do-chão que era o melhor contacto com a rua, e debaixo da qual estava o célebre altar de São João.
Por mais anos que passem e por mais dias de São João que a vida me ofereça, não chegará nunca a hora do lanche sem que eu sinta saudades destes momentos.
Da “Ti Bia” e desta casa guardo as memórias de muitos e bons anos, milhões de palavras, de gestos, de aromas e sabores, dos infinitos e profundos afectos que me moldaram o ser; e guardo em minha casa uma velha e colorida manta de lã que ainda hoje derrota por goleada, os sofisticados edredões do IKEA, nas noites em que é mesmo necessário aquecer.
Uma herança de lã para me confortar na hora de soltar em sonhos as muitas heranças da gente, da minha gente, e de um tempo magnífico e inesquecível.
Um dia, a Tia Maria resolveu deitar para o chão do fundo do quintal, a água que restava no alguidar depois de ter lavado e preparado o tomate para a sopa do almoço.
Não tardou a que por entre as frestas das lajes grosseiras e desordenadas que nos ofereciam chão, nascessem viçosos tomateiros de onde se colheram frutos para algumas outras sopas.
Por debaixo das lajes havia terra fértil.
Por debaixo do tempo de hoje há sempre a raiz do que somos alimentada pelo muito que nos deram e que vivemos.
Serei sempre grato.
E um beijo muito especial de parabéns para a Tia Maria, que esteja onde estiver não resistirá hoje a ir cumprimentar o São João e a brindar com ele… com limonada, claro. 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O céu que cabe todo no teu olhar

Há muito que ouço trovejar, e por isso não estranho a intensidade dos relâmpagos quando às escuras me aproximo da janela da Cozinha que me oferece vista desafogada até ao Tejo e ao seu irresistível encontro com o mar.
É um espectáculo único, este dos raios a tentarem contrariar a noite, iluminando assim intensamente o breu que é costumeiro palco exclusivo para o brilho das estrelas nas suas muito arrumadas e muito bem conhecidas constelações.
Um espectáculo ao jeito da melhor sessão de fogo-de-artifício em qualquer romaria, ou então do disparo do flash de uma hipotética câmara fotográfica gigante e com direito a Guiness Book of Records.
A noite de verão é denunciada aqui apenas pela temperatura, pois no demais tem tudo de inverno, e até a chuva que não tarda em cair com uma intensidade que faz tremer a vidraça.
O prédio já está em silêncio depois daquele “desafio” de gritos, golos e impropérios, patrocinados pela astenia dos jogadores da Selecção Nacional de Futebol, uma apatia crónica veiculada pelas operadoras de televisão que nos fazem chegar as notícias com a diferença de alguns segundos. A avaliar pelas manifestações sonoras, o meu vizinho de cima vê os golos antes de mim, mas eu levo vantagem sobre os vizinhos do apartamento ao lado do meu.
Hoje, nem no Campeonato do Mundo do Brasil, nem aqui no céu por cima da minha casa… esta não é definitivamente a noite que faça brilhar todas as estrelas.
Mas nunca será pelo facto de as não podermos ver, que as estrelas do céu deixarão de existir.
São muito mais vulneráveis, todas as nuvens que as escondem desta forma tão fugaz.
E o verão e as suas noites são como os golos gritados pelas gentes nos apartamentos do meu prédio; poderão tardar, mas chegarão sempre a tempo de podermos fazer uma grande festa… à luz das estrelas.
Agora, através da janela, vejo chover copiosamente enquanto tomo as minhas “pastilhas”, porque isto dos quarenta e muitos, arrasta sempre consigo o acelerar do risco cardiovascular. No prédio ao lado, alguém se entrega ao próprio “risco” e fuma com “ganas” à janela, promovendo uma estranha competição entre a ponta incandescente do seu cigarro em cada “passa”, com o impossível clarão dos relâmpagos.
E por falar em coração…
Tão parecidas que são as estrelas e o amor, em tudo e até no chorar; quando a saudade, assim como as nuvens, não nos deixam ver o céu.
O céu das estrelas que cabe todo no teu olhar.
Gosto tanto de ti.
Oxalá a chuva intensa sobre a vidraça não me acorde e interrompa o meu longo e permanente sonhar contigo.
Isso sim seria perder ou empatar.

domingo, 22 de junho de 2014

Sob o céu perfeito da primeira tarde de verão

O sol rompeu vigorosamente as nuvens, e Lisboa brilha assim sem pudor na primeira tarde de verão, fazendo emergir todos os tons garridos que lhe vestem o casario disposto em socalco pelas sete colinas que namoram irresistivelmente o Tejo.
Sinto um indescritível prazer na hora de “aportar”.
E uma cidade é muito mais do que apenas um espaço físico, é uma confluência de vontades.
Em Lisboa, hoje há balões coloridos no Príncipe Real que se elevam juntamente com o orgulho de quem não se verga perante as convenções e se assume inteiro em todas as suas diferenças.
A marcha do orgulho gay irá descer até ao Chiado que já “arde” de turistas de todas as nacionalidades e línguas, prova maior da universalidade da velha Olisipo.
Eu deixo o carro no Camões no parque por debaixo da estátua do poeta da “lusitanidade” e de um palco onde uma jovem banda afina uns acordes para começar um concerto rock, e não tarda, descerei a Rua do Carmo a ouvir as palavras de ordem que chegam do Rossio. Os professores apelam ao reconhecimento do seu trabalho e pedem dignidade na forma como são tratados pela tutela.
Já vou nos Restauradores quando os ouço cantar o Hino Nacional e o da CGTP em despique com alguém que afina as vozes no palco gigante onde mais tarde actuará o Tony Carreira.
Há uma horta semeada na Avenida.
A minha geração americanizou-se e, ao estilo do Epcot Center do Disneyworld de Orlando, na Florida, necessita do Continente para demonstrar aos seus filhos e netos, que as ervilhas não são umas bolinhas verdes que já nascem congeladas em sacos nas arcas frigoríficas dos hipermercados.
Há ovelhas no Tivoli, porcos junto à Armani, e na Prada… o diabo com essa verdadeira mistura explosiva das “galinhas” e do próprio Tony.
A inevitável Serenella grita como se não houvesse amanhã, uma “tia” confunde os frutos pequenos de uma macieira com tangerinas… e eu parto para o Bairro Alto onde me espera o jantar.
Ainda estão “viçosas” todas as marcas de Santo António nas vielas que “bebem” o som de uma outra banda que actua agora no Palco do Camões; e, por entre as bolinhas de alheira do meu jantar regado com um tinto Alentejano, não tardarei a sentir como as ruas do Bairro adoptaram e tornaram seus os pontapés dos jogadores do Gana que fizeram golos na baliza da velha Alemanha.
Vingança ou tão-só porque o verdadeiro diabo não veste Prada, mas veste uns casaquinhos a três quartos, todos coloridos e que lhe assentam como cuspo numa parede caiada.
Mais tarde deixarei Lisboa pela rota do Tejo e deixarei a cidade entregue a outros sons numa noite regada a vinho e cerveja.
Uma cidade é muito mais do que apenas um espaço físico, é uma confluência de vontades e a pátria onde cabem e são legítimos, todos os sonhos.
Por impulso do reconhecimento da diferença, da revolta, da reclamada dignidade… ou até da paixão alimentada pelas palavras de um cantor romântico que fala de amor.
Uma cidade…
Lisboa sob o céu perfeito da primeira tarde de verão. 

sábado, 21 de junho de 2014

O verão

Com um assinalável rigor astronómico, mas com alguma chuva, o verão chegou hoje pelas 11.51 horas.
Há muito o pressentia, pelo ar quente que nos empurra para a melancia fresca e para os gelados; pela colocação do gaspacho e do “salmorejo” como opções a ter em conta na elaboração do menu; pelos dias maiores a convidarem a uma cerveja por entre a conversa ao fim da tarde numa esplanada algures na costa e a olhar o Atlântico; e também pelo esforço titânico de uma colega bem próxima de mim, que há duas semanas só almoça umas bolachas especiais que diz serem um compacto de salmão e outros alimentos, ingerindo simultaneamente litros de uma substância a que chama drenante, determinada que está a objectivamente urinar a parte do corpo que julga estar a mais e que a impede de vestir o fato de banho que seleccionou num catálogo a partir da fotografia de uma manequim que tem algo menos de metade do seu volume corporal.
Hoje é o maior dia do ano, pelo tempo disponível de sol, e não pelo concerto do Tony Carreira nos Restauradores ao fim da tarde na “Horta do Continente”, momento pimba-afectivo-musical que ontem era objecto de uma animada conversa de vizinhas aqui pela pastelaria perto de casa, acertando a logística para que chegassem o mais perto do palco e do cantor romântico; situações apoiadas pelos seus maridos, por certo, por via da perspectiva de finalmente poderem assistir a um jogo do Mundial de Futebol sem estes verdadeiros apitos humanos a martelarem-lhes os ouvidos.
Ao jeito de “Os Fúria do Açúcar”, eu também gosto do verão… mas sem ter motivos para apreciar em particular este dia do solstício.
A minha avó materna, a avó Francisca, foi para mim a mestra ideal no privilégio de desfrutar todas as excelências do campo.
Era a avó que eu acompanhava aos ribeiros de água fresca para lavar a roupa que corava pelas estevas, roubando-lhes os aromas; era a avó que trazia para casa os cheiros que dentro de água num alguidar no poial dos cântaros, perfumavam a cozinha durante todo o ano; era a avó que tinha vasos infinitos de sardinheiras e cravos nas janelas, e que sempre nos sorria por entre as suas flores, quando acudia ao seu nome na janela do Rossio ou na janela da Rua do Poço.
E tudo isso por entre esse infinito amor das avós que tantas vezes tinha expressão em coisas tão simples quanto o nosso despertar pela manhã num dia de feira, tendo por perto um saco de torrão, uma camisa nova pronta a estrear ou então uma bola de serradura envolta numa prata colorida e suspensa de um elástico que com a ajuda do impulso das nossas mãos, a fazia saltar.
Mas num dia de solstício, a avó partiu ao fim da tarde, levada por certo pelo sol, seu cúmplice, que a recrutava assim como um adicional e perfeito feixe de luz por sobre os dias.
Faz hoje precisamente 33 anos.
Eu gosto do verão, e acho que gostarei sempre, apesar de sentir saudades do tempo de antes desse dia do meu solstício triste.
O verão é o sol…
Acreditar que ainda se vai a tempo de ser modelo, que o Tony Carreira vai olhar para nós enquanto “debita” uma letra romântica… ou beber uma cerveja ao fim da tarde, conversar na praia, libertar todas as memórias…
Tudo isso é a vida, no riso e na saudade, a ser preenchida de momentos únicos “debaixo” do sol.
Afinal, tudo isso cabe no verão.
Aproveitem-no e encham-no de sorrisos, palavras, abraços, beijos e momentos felizes; por tudo e porque assim se faz a melhor profilaxia para enfrentar os dias curtos e frios do inverno.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Ainda se escrevem cartas de amor…

Meu amor,

Num destes dias redesenharemos a lua no exíguo espaço de um abraço, e seguiremos pela noite na rota do seu brilho mais intenso, até aquele instante onde já não entram as palavras, e onde só os olhares conseguem ser fiéis e oferecer verdade a tamanho amor.
Aí, entregues os lábios a um longo beijo, e libertas as mãos do férreo peso das Histórias, entrelaçaremos mutuamente os nossos dedos, ao jeito da alma; marcando o ponto zero de um tempo que será o da nossa própria e única História.
Eterno: contigo, será o tempo cravejado de poesia.
E chegados assim juntos às manhãs de todos os dias, por entre o aroma do café e o conforto de um pão quente com cheiro a lenha de Alentejo, os dois olhando o mar para lá da vidraça que empalidece com o nosso respirar apaixonado; nós galgaremos horizontes como pássaros livres voando por sobre a racional escravidão dos limites.
Eu, tu e esse teu olhar irmão do céu que sabe incendiar-me a face do prazer dos mais rubros e intensos sorrisos.
Reencontro-me, no destino e na vontade, na esperança e na vida, quando te olho nos olhos… e tudo faz muito mais sentido.
Reencontro-me… às vezes tão-só numa memória e na saudade.
Meu amor, eu juro-te que num destes dias redesenharemos a lua…
Apenas porque necessitamos dela para nos alumiar nas noites do nosso caminho.
Afinal, a lua é tão-só um brevíssimo detalhe para alguém que como eu, amando-te assim, já é dono do universo inteiro.
Um beijo e esse amor infinito.
Teu,
Francisco