terça-feira, 22 de julho de 2014

Xtremerotation

Cumprindo um fado recorrente entre os nossos, um velho amigo foi recentemente dispensado pela empresa onde trabalhava e não perdeu tempo a criar a sua própria empresa, que isto de estar parado é um pouco como deixar-se morrer.
Pesquisando sobre os procedimentos a seguir para concretizar com êxito este objectivo, deparou-se desde logo com um alerta relativamente ao nome a escolher para a empresa pois qualquer proposta teria de submeter-se a uma avaliação rigorosa que poderia bem acabar numa reprovação.
No entanto, para facilitar todo este processo, o Estado fornece uma lista de nomes credíveis que garantem aprovação imediata.
Os nomes estão no sítio da internet com o endereço www.empresanahora.pt/ENH/sections/PT_lista-de-firmas, e a expectativa legítima é a de encontrar nomes imaculados.
Começamos obviamente pela letra A e as três primeiras sugestões (Abstratigracioso, Abstratimasgistral e Acontecódromo) já nos deixam desconfiados que algo não estará lá muito bem.
Mas damos o benefício da dúvida e seguimos para o B, encontrando aí os brilhantes nomes de Bonusadrenaline, Brilhacornucópia e Believignition, e começamos a olhar para o lado pensando que há uma câmara oculta que nos colocará algures na TV num programa de apanhados.
Seguimos a medo passando por Calculconstellation, Carismapetecível, Decadalegre, Defaultintense, Emblematisphere, Embracevanguard, Equação Vedeta, Excentricaláxia, Fascinantefólio, Favoritiprediteto, Gabarintencanto, Gengibreláxia, Horizoncourtesy, Identifikódromo, Inseparavelândia, Junglequation, Kontrastenómico, Latitudelégua, Listinteressante, Magnetikintuiton, Merecidensaio, Número Gabarito, Orbitnómada, Palistrideal, Pódiovioleta, Rabiscobastidor, Trampolimláxia…
E quando chegamos ao fim e nos deparamos com Xtremerotation, garanto-vos que já achamos que a Ana Malhoa e o José Castelo Branco são gente normalíssima e simples detalhes de um país de excêntricos e loucos.
Eu bem sei que uma pessoa que perde o emprego até tem que se distrair, mas há vias um pouco mais simpáticas do que esta para o fazer.
Uma dúvida que me assiste é relativa a quem terá criado esta lista. Terá sido alguém de mal com a vida? Alguma criatura com excesso de flatulência a ditar isto para uma assistente surda?
Fica a dúvida.
Mas se o Estado pagou a algum cérebro para “vomitar” isto, como é certo que pagou, valha-nos Deus.
Um benefício: pelo menos ficamos a saber porque é que o Carnaval não é feriado nacional. Carnaval é quando um Homem quiser.
Certo?   

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O meu caminho

Como se já não bastassem o ser domingo e a hora tão excessivamente matinal do meu voo para o Funchal, e ainda tive de suportar ao meu lado dois ilustres representantes daquela elite empresarial lusa que monta imbecis em BMWs, almas que substituíram a potência cultural pela dos automóveis, e mesmo a outra, a da virilidade, deve andar de rastos, pois em vez de terem os orgasmos nos legítimos ou ilegítimos leitos, têm-nos aqui nos bancos do avião, usando para isso o órgão com maior capacidade de distensão dos seus corpos bem trabalhados no ginásio: a garganta.
Tivesse eu uma caderneta para coleccionar disparates e ela ontem tinha ficado preenchida.
Dói-me a cabeça, preciso de um café e, depois de tanta presunção, venha de lá a água benta porque é domingo e eu ainda não fui à missa.
A Sé do Funchal está pejada de turistas que quando se apercebem que vai começar a missa, fogem de tal forma que parece que alguém lhes pediu que fizessem o pino.
Resta à minha frente uma “lady”, chamemos-lhe Estrelícia que deve ter-se levantado à mesma hora em que eu fui para o aeroporto, porque só assim consegue estar ali com tantos ganchos, pregadores e outras estruturas prateadas agarradas ao cabelo armado.
Juro que a minha árvore de Natal tem menos apetrechos e é bem mais discreta.
Não demora muito a que chegue o marido e se junte a ela, por certo depois de ter ido estacionar a viatura da “princesa”; e não é que o raio da mulher não faz outra coisa se não olhar para o homem com desdém, como se estivesse a ser vítima de dismenorreia mental, abanando a cabeça de tal forma que o brilho de tanto apetrecho metálico quase me dá a sensação a mim que estou por detrás, que tomei qualquer coisa ilícita e estou a ver a “lucy in the sky with dimonds”.
Traço-lhe a sina: esta “gaja” não tarda nada e será trocada por uma brasileira dengosa que faça cafuné a este homem.
E depois queixam-se.
Abstraio-me porque vai começar a missa.
Parábolas, o grão de mostarda, o trigo e o joio… e a homilia com o padre a falar de Gaza e a dizer que com tanta guerra somos tentados a pedir a Deus que deite ali uma bomba e destrua toda aquela terra.
Somos?
Ou será ele?
Eu ainda acredito que a melhor forma de curar um golpe num dedo não é amputar a mão.
Será que com tanta manipulação genética o homem se baralhou e já não sabe o que é o trigo e o joio.
Parece-me que hoje isto não está bom nem na presunção nem na água benta…
A missa acaba não sem antes existir o abraço da paz em que o marido se vira para trás e me aperta a mão e a Menina Estrelícia permanece a olhar para o altar, muito possivelmente a pensar que é estrela.
Ai Estrelícia que quando tu te deres conta já a Brasileira te deu cabo do penteado…
Saio da Sé e procuro um restaurante para jantar algures nas ruelas estreitas da baixa do Funchal, quando começo a escutar um Brasileiro a falar de parábolas com a ajuda de uma megafonia que não tem lá grande qualidade.
Olho à volta e vejo que é o culto da Igreja Evangélica que decorre no primeiro andar de um edifício.
A avaliar pelo sotaque do pastor, tenho a certeza de que o marido da Estrelícia ainda acaba a ouvir as parábolas lá em cima.  
Encontro entretanto o restaurante conhecido que procurava, o recomendável “Calhau”, e sento-me ouvindo na aparelhagem a voz de Sinatra no inconfundível “My way”:
“To say the things he truly feels and not the words of one who kneels.
The record shows I took the blows and did it my way!”
Corre uma brisa e finalmente as palavras parecem fazer algum sentido.
Olha que isto de encontrar o meu caminho por entre um domingo…

domingo, 20 de julho de 2014

Paixões, cumplicidades e canteiros de flores

Nós os loucos, os poetas, os amantes da liberdade, os que não tememos os abraços, e os irracionais que idolatramos a nossa verdade e fazemos dela o centro da vida, a própria razão; tarde ou cedo nos encontramos algures numa esquina do tempo para partilhar sentimentos, muito mais do que palavras, para falarmos daquilo que nos move: a paixão.
Às vezes à volta de um chá no cimo de uma velha escada de madeira que parece ter bebido todo o eco da poesia de Pessoa; outras vezes por entre o sol a pino que beija a charneca e oferece perfis mágicos e majestade às árvores do caminho…
E ainda e também por sob o luar…
Afinal, nós os loucos, sabemos falar com a lua, e sabemos que por mais longe que se encontrem os donos dos olhares que amamos, todos estamos sempre a olhar para ela por entre o escuro da noite; e a lua é como a vida, denominador comum de olhares e vontades dos eternos amantes.
E a lua é nossa irmã quando por entre o medo e a saudade, nos abraça e nos toma pela mão, entregando-nos livres ao sol que tinge as árvores de magia e que faz brilhar intensas as rosas e as dálias nos canteiros por onde, entre a primavera e o verão, “espreguiçam” o seu viço.
Ontem ao chegar a casa ao fim do serão, subiu comigo uma gravata linda num padrão de xadrez de entre verde e azul, que irei estrear em alguma futura ocasião especial.
E por mais voltas que o mundo dê, e mais ou menos nódoas que lhe manchem o padrão, aquele pedaço de tecido será sempre o sinal de um cúmplice entrecruzar de histórias e cumplicidades, de uma partilha perfeita de afectos carregada do verde de uma intensa e eterna esperança; e do azul, que pelas nossas paixões a vida sempre acaba por nos dar o céu.
Meninas, criaturas doces e perfeitas, eu juro que adormeci com a certeza de que os vossos dias desembocarão num canteiro de flores das mais viçosas do universo, nos tons todos e perfeitos que trazem as flores quando nascem de uma paixão assim tão grande.
Só aí pode desembocar a vida de quem manda beijos pela lua.
Digo-vos eu com toda a legitimidade de quem depois de arrumar a gravata no cabide do armário, foi até à janela e mandou pela lua um beijo de amor e saudade a quem estando longe vive cada vez mais dentro de mim.

sábado, 19 de julho de 2014

PEDRO MIGUEL

No álbum mais antigo das relíquias fotográficas que guardo aqui em casa há uma foto de nós os dois na Corredoura, no passeio em frente à loja do teu pai e ao café do Sr. Cândido, o “Café Regional”, em que seguramos a tampa de uma caixa de lençóis com a reprodução de um retrato da Maria Antonieta, a austríaca, filha da Imperatriz Maria Teresa, que se fez Rainha de França por matrimónio com Luís XVI, e que antes de perder a cabeça se encarregou de demonstrar que não perdia grande coisa, pois quem diz ao povo para comer brioches no caso de não ter pão…
Mas estamos muito bem na foto que data do verão de 1975, aquele famoso e quente do “parto da liberdade”, sobretudo porque aquele território ali representado foi a nossa corte, o espaço onde fomos imperadores e dominámos o tempo com cumplicidades e gargalhadas que jamais deixarão de render uns valentes sorrisos sempre que espreitarem à janela mais exposta da nossa memória.
E às vezes também perdemos a cabeça, mas também isso era próprio da idade.
Na livraria da D. Joana, para além de lermos a “Tele Semana” atrás do balcão em pose de locutor como se estivéssemos em directo na RTP, dos muitos livros que podíamos ler, “bebíamos” a magia que nos inspirava para depois irmos para o “celeiro” e para a travessa fazer os nossos clubes de aventuras e as nossas muito próprias edições do “Festival da Canção” e de “A Visita da Cornélia”.
E aí, desde imitar a Simone a cantar “A Desfolhada” com uma letra numa mistura de palavras entre a versão original do Ary dos Santos, e as nossas próprias palavras; imitar a D. Dada de “A Gabriela” que achava sempre estar um pouco mais cheiinha; ou até fazer uns telefonemas anónimos em nome de uma tal “Claudete” que tinha o hábito de os fazer em “O Astro”, digamos que valia quase tudo para nos podermos rir com gosto. E tu eras o mestre, mesmo sendo o mais novo do grupo.
Riamo-nos na missa de São Bartolomeu quando acolitávamos o padre e nos entravam aqueles “ataques” inexplicáveis só porque alguém gritava um “ámen” um pouco acima do tom e muito fora do tempo correcto, quando jogávamos às cartas, ao “Cames”, e tu não conseguias encontrar um sinal mais discreto do que caíres da cadeira, quando vendíamos calendários das missões anunciando-nos às campainhas como vindos das “Missões Franciscanas”, não dizendo sequer uma só palavra quando nos abriam a porta pois o riso era incontrolável…
Já não nos rimos tanto quando acabámos trancados na tua dispensa ou quando tu tentaste voar da varanda até à cozinha rasgando o tecto numa operação que qualquer 007 não desdenharia poder realizar nas telas da sétima arte.
E tantas outras histórias haveria para contar, episódios que contamos e recontamos, e que ainda hoje nos fazem rir sempre que nos sentamos à mesa do café para “actualizar os ficheiros” relativos aos nossos dias, que continuam afortunadamente repletos de cumplicidades e de afectos, dando uma sequência de amizade que muito me orgulha, a esse tempo em que crescemos juntos e em que fomos imperadores envoltos pelo fausto privilégio da maior alegria.
Porque podem sempre ter passado muitos meses e até anos, mas quando nos sentamos frente-a-frente, tantas vezes na nossa Vila Viçosa, sabemos sempre por onde retomar a conversa, e nunca nos faltam assuntos.
É assim que sempre acontece com os amigos e por isso tu não poderias faltar por aqui nesta galeria de “notáveis” que eu celebro durante 2014.
Pedro, um fortíssimo abraço de parabéns.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A jangada e as más ondas

Num país que tem um “Cemitério dos Prazeres”, um “Palácio da Pena”, que festeja a “Festa das Cruzes” e as “Festas da Agonia”; não será talvez novidade e motivo de revolta, que os “Passos” do Parlamento (e do governo) sejam “Perdidos”, esbarrando sistematicamente em “Portas” fechadas ou que não levam a nenhum lugar “Seguro”.
Um país de políticos virados para o poder e entretidos na luta pelo dito, sempre de “Costas” voltadas para o povo a quem não dão “Cavaco”, ou melhor, dão, mas é como se não dessem nada de bom.
E antes não dessem nada.
Um país onde a banca, “Branca” só teve uma dona há muitos anos, e mesmo essa porque os pais e os padrinhos resolveram chamá-la assim na hora do registo; tudo o mais é negro de procedimentos e de consequências para os bolsos dos contribuintes.
Um país que vai perdendo a fé, onde até o “Espírito Santo” anulou o Cristiano Ronaldo (ao jeito do Bastian Schweinsteiger), assassinou a D. Inércia, e avançou sem medo para o precipício.
Um país onde os católicos mais puristas, xenófobos, homofobos, e com mais tempo de antena, gritam “justiça” do alto dos seus carros de alta cilindrada e dos seus múltiplos ordenados, opondo-se ao respeito básico pelos cidadãos e… ao aumento de um ordenado mínimo que já é “excessivamente” mínimo, no exercício de uma estranha caridade.
Um país que alinha a música popular com as finanças, e… “Pimba”, há sempre um imposto que pode aumentar um pouco porque o povo pode ser tonto, mas tem bolsos de elástico e tem vocação de “aguenta, aguenta”.
É forçosamente um país em que os Negócios Estrangeiros estão instalados perpetuamente num “Palácio das Necessidades”, sendo estas satisfeitas periodicamente e de forma bem cara após a mão estendida a uma qualquer Troika.
É forçosamente um país onde o maior reconhecimento internacional vem da genética tristeza ensaiada e cantada em tom de fado… e do turístico sol que ainda consegue brilhar por cima do nosso desespero.
É forçosamente um país onde a filosófica ambição do “só sei que nada sei” foi transferida para outros “Sócrates” mais resignados ao marketing do “porreiro, pá”.
É forçosamente um país desesperado e agarrado a uma esperança que vai assumindo cada vez mais os ares de uma muito rudimentar jangada em risco de afundar.
Resta-nos resistir nadando com força porque o nosso querer nunca se dissolverá na imbecilidade das ondas que nos empurram. 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Tu, a minha casa

Lisboa é pátria mãe de amores, e isso sente-se na frescura da brisa que prolonga o céu e nos abraça, na calçada que nos desenha a rota, e no Tejo cúmplice que ao fundo “pisca os olhos” azuis da sua água que vive em perpétuo namoro com o sol do fim da tarde.
Os nossos passos lentos e polvilhados de palavras, cedem por vezes o momento para um tímido abraço, irresistível e manifesta despudorada inveja da pele perante a paz que nasce da entrega que os nossos olhares fazem um ao outro.
E sinto então o teu calor que me conforta, que me oferece alento e faz com que eu sinta mais do que nunca que cheguei à minha casa.
No banco à sombra do jardim, alcova de segredos, muito mais do que alívio dos cansaços, soltam-se livres os desejos quando entrecruzamos histórias, vontades, e as nossas mãos se tocam para que eu comprove que é sempre seda, o que sinto por entre o namoro dos nossos dedos que se querem da mesma forma serena como o todo de nós se quer e se deseja.
E os teus olhos que brilham sempre mais do que o Tejo e rompem as sombras densas de todas as árvores, fazem-me voar por sobre este momento como um pássaro entregue à mais doce liberdade.
Vive-se bem melhor quando os dias nos oferecem um momento assim.
Não quero partir jamais e quero que os nossos beijos sejam eternos.
E se um dia nos faltar Lisboa…
Beberei o Tejo do teu olhar, colherei a brisa do detalhe de um abraço, e viverei feliz amando-te para além de qualquer tempo e de qualquer espaço.
Amando-te a ti, o meu amor sereno, a minha cidade... a minha casa. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Tudo vale a pena…

O prazer das palavras escritas, as minhas e aquelas outras que alguém escreveu para mim e para a humanidade toda, faz com que em muitos serões, a minha relação com a NOS se reduza ao estatuto de bancária com contributo mensal, com a televisão a permanecer desligada.
Nessas noites, para além da música, apenas o vento, que em São Marcos e nos meses de verão, sopra forte e com uma “mostrenga” potência de temível adamastor, são eleitos como companhia sonora.
O silêncio é sempre uma mentira e uma ilusão, pois sabemos que o pensamento “grita” em nós a cada instante; e isto não acontece só porque às vezes o vento até consegue ganhar até à música no semear de palavras que germinam e fazem desabrochar memórias.
Todas as memórias…
Ontem fiz um intervalo nas palavras escritas para terminar o Lego que os Ricardos me ofereceram no aniversário.
Eles não sabem, mas eu esperei precisamente 45 anos até voltar a receber novamente um Lego como presente, depois de no dia dos meus 3 anos ter sido brindado com um carro pela Tia Carlota, que ouviu então uma boa reprimenda da Avó Dade por ter ousado oferecer ao “menino” uma viatura assim “esmigalhada” em dezenas de peças aparentemente sem graça nenhuma.
Depois de ter visto o carro montado, e depois também, a casa, a estátua, as pontes… e tudo o que essas peças e a imaginação permitiram, penso que a avó terá mudado de ideias relativamente à utilidade do presente.
Os Legos são cúmplices da vida, dão-nos ou buscamos as peças, e arquitectamos e damos-lhes a forma que quisermos.
E quem um dia conseguiu fazer carrinhos a partir de pedras ou microfones a partir de paus de uma oliveira, não tem dificuldade em montar um “Big Ben” a partir de pedras soltas, pequenas e todas aparentemente iguais.
Cansado do vento do verão de São Marcos e com o Lego já montado, quase sem saber porquê, e talvez com algum toque revivalista, a música solta-me “A vaca de fogo” dos Madredeus.
Já não consigo precisar quem algures pelo final do curso e nos corredores da Faculdade, um dia me disse:
- Tens de ouvir. A rapariga tem um penteado estranho mas uma voz fantástica a brotar de uma sonoridade única onde o acordeão vai dando o ritmo.
Eu ouvi, e agora, muito mais do que aos dias da Madredeus, associo esta música aos dias em que as muitas e variadas “peças” à solta pediam a arquitectura de algo que desse corpo aos sonhos e vontades acumuladas ao longo deste crescimento em paralelo com a liberdade, a minha irmã sete anos mais nova do que eu.
Um privilégio, esta liberdade.
O silêncio, as músicas e até o vento, às vezes soltam memórias, e nós que somos de muito pensar, não conseguimos deixar de fazer balanços, acabando sempre por deixar escapar um desabafo por entre uma ou outra lágrima:
- Bolas… foi difícil mas valeu a pena.
Tudo vale a pena… quando não nos traímos nas opções que fazemos na hora de juntar as peças.
Mesmo que nos chamem loucos ou até, às vezes, doentes.