segunda-feira, 28 de julho de 2014

Se fosse assim tão fácil…

Há caminhos que só têm a utilidade de nos indicar por onde não queremos ir, destinos que só servem para reforçar os outros onde queremos estar; e pessoas que nada mais têm para nos oferecer, para lá do reconhecimento e do reforço do afecto por aquelas outras que realmente amamos e nos amam a nós, comprovadamente.
E eu disse sempre “querer” e não “dever”, porque a nossa própria vontade, muito mais do que a “moral” das devoções e as regras bacocas e impostas; é a melhor bússola neste percurso pelos dias, em que tudo, o positivo e o menos positivo, tem sempre algo para nos dizer e ensinar.
Com mais ou menos trauma sobretudo naquilo que ao menos positivo diga respeito, no processo longo e difícil do sindroma das dores de viver; e sabendo também que às vezes não há profilaxia que nos valha, e que não adianta a troca de experiências e o GPS da voz dos demais para que tiremos conclusões, sendo obrigatório que sejamos nós a “sujar” as mãos, “colocando-as directamente na massa”.
Valha-nos então sempre a marcha atrás e a inversão de marcha, que em segurança são procedimentos como quaisquer outros, mesmo que à nossa volta alguém possa buzinar ou até chamar-nos nomes feios. Com essas vozes do coro da desgraça damo-nos nós bem, e nunca nos esqueçamos que por culpa delas já um velho e um rapaz acabaram a transportar um burro às costas.  
Mas… marcha atrás e inversão de marcha sempre a sorrir.
Sorrir é essencial na vida, é a pimenta e o sal que dão gosto e aroma aos dias; e sorrir é definitivamente a melhor forma de irritar quem não gosta de nós.
Agora é a vossa vez de perguntarem o porquê deste meu discurso, e aposto até que já pensavam:
- Que mal fizeram a este rapaz para ele estar com esta conversa? Deve ter sido coisa feia…
Pois ninguém fez nada em particular.
Ontem na missa das 18.30 nos Mártires, em Lisboa, o padre falava de tesouros e pérolas encontradas ao longo da vida, e referia o aniversário do sacristão dizendo que ele tinha de aproveitar bem os anos que lhe restam, colhendo frutos de todos os ensinamentos que a vida já lhe oferecera, e sendo feliz.
No mesmo banco que eu e sentada ao meu lado, uma senhora com idade a rondar os oitenta, e que eu nunca tinha visto antes, confidenciou-me então baixinho em tom de segredo:
- Se fosse assim tão fácil… há tanta coisa má.
Respondi apenas com um sorriso porque não era altura para estar a falar com a senhora ali durante a homilia.
Respondo-lhe hoje por aqui. Tenho quase a certeza de que ela não terá acesso à resposta mas pouco importa, fica dada.
Porém não consigo terminar sem antes fazer uma ressalva…
Entre mim e a minha interlocutora há pelo menos trinta anos de diferença, e eu reservo-me o direito de também poder um dia dizer o mesmo que ela após viver tudo aquilo que o futuro, grande ou pequeno, me reserva.
O futuro é sempre pródigo em volatilizar e anular certezas.
Mas se na altura me sair um desabafo do tipo:
- Se fosse assim tão fácil…
Que eu o possa fazer do jeito que ela o fez, a sorrir muito.

domingo, 27 de julho de 2014

O sangue e as dores de uma geração

Por “mérito” da Diabetes Tipo 2 e pela necessidade de controlar a Glicemia, a Hemoglobina Glicada, o Coleresterol e afins; e depois de andar durante vinte e quatro horas a urinar para um frasco, ontem foi dia de ir fazer recolha de sangue.
Pela manhã e em jejum.
Depois de todos os procedimentos logísticos, vi-me sentado na cadeira do martírio vampiresco tendo à minha frente um jovem de bata branca devidamente vestida e com a voz e as mãos trémulas.
Percebi-lhe o nervosismo, e por isso, e também porque a melhor perspectiva do mundo não é definitivamente a de umas mãos trémulas a avançarem com uma seringa em riste que nos “furar” umas das veias do braço esquerdo que já está devidamente esticado, resolvo atacar com uma das áreas em que me sinto mais à vontade: a conversa.
E pergunto:
- Então já trabalha há muito nesta área?
A pergunta não resultou muito porque claramente o rapaz percebeu que eu tinha lido o seu nervosismo, e responde sentindo a necessidade de se justificar:
- Acabei o curso de Técnico de Análises Clínicas e fiz de imediato um estágio, depois tive de parar dois anos e agora consegui novo estágio e estou aqui há duas semanas. E sabe… perdemos um pouco a mão para o trabalho.
E reforça:
- Gosto muito desta área, por isso insisto em ficar por aqui.
Então já de garrote, de veia picada e com o sangue a jorrar de um tubo para dois grande frascos, eu lá vou animando o meu interlocutor que se vê respirar melhor a cada segundo e à medida que vê o trabalho a chegar ao fim e sente como eu, a sua “vítima” desta manhã, até estou feliz.
- Não está a sentir-se mal?
- Nem pensar. Estou óptimo. Siga que está a ir muito bem.
Não fixei o nome deste rapaz que até o tinha gravado numa placa presa à bata, mas pouco importa, ele é um dos muitos da geração a seguir à minha que por culpa da precariedade vai adiando os seus sonhos num país onde os cidadãos só interessam na perspectiva de contribuintes, e contam muito pouco por entre a administração feita pelos políticos que só têm visão se por acaso a comprarem à quinta-feira na banca dos jornais.
Um país onde a agonia das pessoas conta muito pouco perante a prioritária saúde dos impolutos banqueiros protegidos por uma justiça que é um mero folclore de retórica.
As mãos trémulas de uma geração que envia milhares de curricula para receber outros tantos milhares de nãos.
E eu entendo bem o amargo sentir das suas agonias porque muito bem me recordo da alegria de ter acabado uma licenciatura a 27 de Abril e ter começado a trabalhar no do dia 2 de Maio do mesmo ano, ganhando então há 24 anos e em escudos, o mesmo que este rapaz ganha hoje na “esmola” de um estágio profissional pelo qual esperou dois anos.
Entretanto o sangue acabou de escorrer para os tubos, eu já carrego num algodão impregnado de álcool e em breve, o técnico colará ao meu braço um penso rápido que me protegerá durante algum tempo.
Levanto-me, estendo-lhe a mão e tenho a noção clara de que minto com todos os dentes que carrego na boca quando lhe confidencio com claro intuito energizante e indutor de confiança:
- Vá em frente, em tantos anos a tirarem-me sangue ninguém o fez tão bem quanto o acabou de fazer.
Ele sorriu e tenho esperança que tenha tremido um pouco menos ao tirar sangue à senhora que se sentou a seguir a mim na dita cadeira do martírio.
É que com as mãos a tremer assim, a picada dói muito mais. Eu que o diga.

sábado, 26 de julho de 2014

Essa sementeira de afectos de onde colhemos a felicidade

A avó Natividade tricotava botas de dormir com uma perícia tal, que ao serão já conseguia continuar o seu trabalho, mesmo quando o sono a obrigava a fechar os olhos. Ainda guardo umas na gaveta das meias, e usa-as sempre nas noites frias, nunca deixando de me lembrar que era eu que muitas vezes lhe segurava as meadas da lã para que ela fosse fazendo o novelo. Nessa altura, a avó contava-me histórias e rimas que tinha aprendido em criança.
Crente, benzia-se sempre antes de algum trabalho doméstico mais importante, como amassar os bolos fintos na Páscoa ou mexer as carnes da matança que permaneciam nos alguidares de barro. Dos bolos fintos saía sempre o meu folar em forma de lagarto e com dois ovos cozidos, e da matança uns mini chouriços com que nós brincávamos antes de os comermos entre as duas partes de um papo-seco à hora do lanche.
Com oitenta e seis anos ainda me confidenciava que aquilo que lhe provocava mais saudades era levantar-se cedo nos dias de inverno para ir apanhar azeitona.
A avó Francisca gostava mais de ceifar do que de apanhar azeitona.
Com a mesma fé da avó Natividade, conseguiram as duas colocar-me o mais próximo da santidade, pagando-lhes promessas vestido de Santo António e São Francisco nas procissões de Nossa Senhora da Conceição. Íamos buscar os fatos a casa da saudosa D. Lígia Cravo, e só as auréolas de metal pareciam querer fazer justiça à minha genética não santidade, não encaixando nunca na minha avantajada cabeça.
A avó Francisca gostava de me levar com ela para o campo nos dias em que ia lavar aos ribeiros da Fonte Cebola, e aí, às vezes os dois sozinhos partilhando a merenda por entre o cheiro a esteva, ia contando as histórias da sua vida tão feita de generosidade; a mesma que a fazia bater-nos à porta e acordar-nos quando em dias de feira não dispensava as madrugadas para nos comprar uma camisa nova, um saco de torrão ou uma bola de serradura envolta em prata e agarrada a um elástico que a fazia subir e descer consoante o impulso das nossas mãos.
A melhor compota que já comi era a Uvada feita pela avó, com uvas frescas, mel, nozes e amêndoas.
O avô Joaquim também nos batia muitas vezes à porta, mas muito mais ao fim da tarde quando ia levar-nos para o jantar, tudo o que de melhor tinha encontrado na horta durante esse dia. Às vezes e enquanto cavava a terra, encontrava moedas antigas que guardava no bolso e me oferecia mais tarde para eu colocar na minha colecção.
Com o avô Joaquim aprendi a apanhar azeitona e a semear e colher todos os bons frutos e aromas do campo. Eu gostava particularmente quando ele me levava até à “Casa da Burra”, a arrecadação onde guardava todos os apetrechos, e quando me apresentava um a um, todos os instrumentos e segredos que lhe permitiam cultivar a terra.
O avô Francisco era carpinteiro e por isso acariciava a madeira dos móveis como se fosse gente, fazia réguas de madeira muito certinhas para levarmos para a escola, contava-me como era a Florbela Espanca, com quem ele se cruzara muitas vezes em pequeno, e todos os anos pelo meu aniversário me oferecia uma nota de vinte escudos com o Santo António, que me permitia comprar tantas coisas que hoje ninguém acredita se nos fixarmos no valor de dez cêntimos.
O avô Francisco gostava de me trazer a passear a Lisboa e de passar comigo a ponte e admirar o monumento de Cristo - Rei, sempre que apanhávamos o autocarro na Avenida de Ceuta para irmos a Almada visitar a prima Naíca, que fumava muito e aproveitava os maços vazios para fazer bases para colocar debaixo das panelas.
Hoje é dia de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus, e é por isso Dia dos Avós.
Eu deixei-me ir pela memória dos meus com a certeza de que ninguém é feliz por acaso, e de que eu sou feliz porque alguém com amor e infinita generosidade semeou em mim essa mesma felicidade.
Um beijo especial de aqui para as estrelas onde agora vivem todos os quatro que o fizeram de uma forma inesquecível. 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Quadras ao jeito do campo

No passado dia 13 tive o privilégio de participar em Coruche numa tertúlia poética cujo tema era “Entre a charneca e a lezíria”.
Fiz então algumas quadras que entre uma coisa e outra são definitivamente ao jeito do campo. Partilho-as:

De urze bem perfumada
Saiu a charneca a cantar
Tão feliz, apaixonada
Para a lezíria conquistar

Já Coruche estava à vista
E o Sorraia por perto
Quando rogou que na conquista
Tudo fosse bater certo

E no Castelo, a Senhora
Que os campos conhece bem
Disse-lhe que em frente fora
Com a coragem que convém

Chegado então o momento
A Charneca respirou fundo
Bebeu do amor o alento
E a maior paixão do mundo

Lezíria meu amor primeiro
Meu jardim à beira d'água
Aceita-me assim trigueiro
Apaga as minhas dores, a mágoa

Lezíria do Tejo rainha
Verde infinito, amor, verdade
Eu quero que sejas minha
Desde aqui à eternidade

Ai Charneca há quantos anos
Que eu te esperava aqui
De entre os campos lusitanos
Eu só te quero mesmo a ti

E a Lezíria e a Charneca
Casaram sob o céu azul
Que adiar o sonho, hipoteca
O amor, a perfeição do sul.

E como hoje é Sexta-feira e véspera de um fim-de-semana, aqui vai só para vocês:

Hoje é dia de São Tiago
Discípulo de Compostela
Não bebam a vida de um trago
Com amor e fé… desfrutem dela.

Um grande abraço


quinta-feira, 24 de julho de 2014

O sonho de uma manhã de verão

Há um campo imenso em tons de verde e rasgado por flores, que encaminha inevitavelmente os nossos olhos para o mar que ao longe toca o céu num degradé por entre mil tons de azul.
O sol nasceu não há muito tempo, e o navio imponente que passa a ritmo constante cumprindo o seu destino, tomou desta hora um inédito tom de ouro que brilha intensa e incansavelmente.
Eu vejo o ouro a cruzar e por sobre o azul.
Escuta-se o vento que sopra forte; e o velho pinheiro e a mancha ali à direita de um pequeno canavial que toca o leito quase apagado da ribeira, já se renderam e parecem querer voar aproveitando este impulso do ar que corre veloz dando-nos a sensação de fresco por entre a manhã de verão.
Há uma casa que já foi branca, o que resta da torre sineira da pequena capela de uma quinta que alguém um dia sonhou com vista para o Atlântico, e que é agora uma sombra de cal com buracos de onde nascem e crescem silvas… e amoras.
Passa gente, a pé ou em carros, cumprindo com perícia o labirinto das horas neste ciclo irredutível do tempo; mas és só tu, o meu amor de rosto sereno e perfeito, quem eu vejo encostado à paragem de autocarro a quem estes dias de estio e férias ofereceram uma inédita solidão.
Eu voo por sobre esta manhã e por este sonho que não tem palavras.
Nos sonhos os gestos e os olhares falam muito mais do que aquilo que os lábios possam dizer.
Eu voo por sobre este sonho que talvez nunca venha a ter nome.
Nos sonhos, pouco importa o nome, e o importante mesmo é saber como não acordar.
De repente eu estaciono na paragem, tu abres a porta e entras enquanto eu ouço mais do que nunca, o vento; dás-me então um beijo e seguimos os dois em direcção ao mar.
Os dois felizes, a sorrirmos e sem nunca nos deixarmos acordar.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

As mãos mártires de “Anne Frank” também são assassinas e capazes de matar crianças

Tem nome de imperador romano e uma propensão para falar que aliada à minha, nos coloca em diálogo logo desde a porta do hotel onde me foi buscar no seu táxi, para me levar até ao aeroporto da Madeira.
Naquela sequência que irmana as conversas com as cerejas, começámos por falar de teatro, depois Raul Solnado, a guerra e acabámos a falar do 25 de Abril de 1974.
Actualmente com 62 anos, o meu companheiro de viagem que tem a quarta classe mas que fala fluentemente quatro línguas por via dos anos em que trabalhou nos cruzeiros internacionais, fala-me desse dia de Abril na primeira pessoa, relatando como o serviço militar obrigatório no Regimento de Transmissões, na Graça, o tinha colocado a preservar “limpo” o corredor antes aberto pelas tropas de Salgueiro Maia ali pelas bandas do Terreiro do Paço.
Não resisto a perguntar-lhe:
- E teve a sensação de estar a mudar a História?
A resposta não tarda na forma de uma outra pergunta:
- E a História mudou mesmo?
E sente-se na obrigação de relatar como vai dura a vida pela ilha, a forma como os seus irmãos sobrevivem à agonia de não ter emprego na construção civil e de como cultivam a terra para conseguir umas batatas “biológicas” que vendem por fora do circuito comercial legal, para que o lucro não se vá todo com os impostos.
- Eu ajudo-os vindo à frente deles pelas estradas durante a madrugada para me certificar de que a polícia não anda por aí.
Continua:
- Sabemos que o que fazemos não está correcto mas se não for assim não há dinheiro para as necessidades mais básicas. Por força das circunstâncias somos contrabandistas dentro do nosso próprio território.
E a História, que muda sempre nos instantes em que chega a liberdade, parece agora quase igual à de antes por via do “pão” e do esgravatar que o momento impõe.
A fome mata e ressuscita regimes políticos, e a imbecilidade reinante no regime de agora apresenta o perigo de legitimar o muito mau, o péssimo de antes.
Quando tudo parece tão igual…
Eu falo-lhe então exactamente da liberdade e até do modo como os dois podemos falar sem medo sobre tudo e também sobre as nossas próprias dores, mas duvido que os benefícios por mim apresentados, o tenham convencido no momento em que chegámos ao aeroporto e nos despedimos desejando-nos mutuamente, muita sorte.
Não tarda e estou sentado na sala do restaurante do Aeroporto a beber uma Brisa de Maracujá com o olhar a alternar entre o azul do Atlântico e o negro, o muito negro dos dias de Gaza.
A História repete-se comprovando que o Homem nunca aprende nada com o muito mau do passado, em qualquer parte do mundo, tal como em Portugal.
Ou talvez seja genética esta miséria que nos deixa tristes quando percebemos que a esperança morre ou se apaga para que o ciclo passe sempre pela guerra, “legitimada” tantas vezes por esse estúpido estatuto de divindade, de santa.
A dor que nos entristece quando descobrimos que as mãos mártires de “Anne Frank” também são capazes de assassinar e matar crianças de uma forma brutal e cruel.
E a vítima faz-se carrasco no triste ciclo de uma História que tem ares de inevitável, mas que eu quero sempre acreditar que não o é.
Valha-nos a liberdade e a paz… e já agora, que não nos falte o pão.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Xtremerotation

Cumprindo um fado recorrente entre os nossos, um velho amigo foi recentemente dispensado pela empresa onde trabalhava e não perdeu tempo a criar a sua própria empresa, que isto de estar parado é um pouco como deixar-se morrer.
Pesquisando sobre os procedimentos a seguir para concretizar com êxito este objectivo, deparou-se desde logo com um alerta relativamente ao nome a escolher para a empresa pois qualquer proposta teria de submeter-se a uma avaliação rigorosa que poderia bem acabar numa reprovação.
No entanto, para facilitar todo este processo, o Estado fornece uma lista de nomes credíveis que garantem aprovação imediata.
Os nomes estão no sítio da internet com o endereço www.empresanahora.pt/ENH/sections/PT_lista-de-firmas, e a expectativa legítima é a de encontrar nomes imaculados.
Começamos obviamente pela letra A e as três primeiras sugestões (Abstratigracioso, Abstratimasgistral e Acontecódromo) já nos deixam desconfiados que algo não estará lá muito bem.
Mas damos o benefício da dúvida e seguimos para o B, encontrando aí os brilhantes nomes de Bonusadrenaline, Brilhacornucópia e Believignition, e começamos a olhar para o lado pensando que há uma câmara oculta que nos colocará algures na TV num programa de apanhados.
Seguimos a medo passando por Calculconstellation, Carismapetecível, Decadalegre, Defaultintense, Emblematisphere, Embracevanguard, Equação Vedeta, Excentricaláxia, Fascinantefólio, Favoritiprediteto, Gabarintencanto, Gengibreláxia, Horizoncourtesy, Identifikódromo, Inseparavelândia, Junglequation, Kontrastenómico, Latitudelégua, Listinteressante, Magnetikintuiton, Merecidensaio, Número Gabarito, Orbitnómada, Palistrideal, Pódiovioleta, Rabiscobastidor, Trampolimláxia…
E quando chegamos ao fim e nos deparamos com Xtremerotation, garanto-vos que já achamos que a Ana Malhoa e o José Castelo Branco são gente normalíssima e simples detalhes de um país de excêntricos e loucos.
Eu bem sei que uma pessoa que perde o emprego até tem que se distrair, mas há vias um pouco mais simpáticas do que esta para o fazer.
Uma dúvida que me assiste é relativa a quem terá criado esta lista. Terá sido alguém de mal com a vida? Alguma criatura com excesso de flatulência a ditar isto para uma assistente surda?
Fica a dúvida.
Mas se o Estado pagou a algum cérebro para “vomitar” isto, como é certo que pagou, valha-nos Deus.
Um benefício: pelo menos ficamos a saber porque é que o Carnaval não é feriado nacional. Carnaval é quando um Homem quiser.
Certo?