segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Uma carta de amor

Meu amor,
Nem as estradas de sempre conseguem ser velhas quando como hoje me oferecem um caminho novo: vou ter contigo.
E a rota banal de tantos dias, traçada entre sobro e olivais, tem nesta tarde, e por ti, as virtudes do cumprir de um destino.
Tudo faz sentido.
Se na vida há sempre um primeiro amor, eu hoje sei que tu és o meu último e definitivo amor.
Cheguei.
Tudo o de antes ganhou estatuto de irrelevante e o depois deste amor não existe. Por ser tão grande e tão justo para com os meus maiores sonhos, este amor é a própria eternidade.
Todos os meus passos, toda a minha história, foram para chegar aqui a este abraço.
E se eu pudesse, mil anos viveria contigo.
Enquanto espero que chegues e me sento à sombra de uma árvore num banco no Camões, olho em volta para as casas e a luz do Chiado, palpo no peito esta certeza de que tu vens, e consigo sentir uma estranha saudade deste momento que é em tudo perfeito.
É a este momento que eu quero voltar sempre tal como Sophia o faz nas tardes junto ao mar.
E depois tu chegas, dás-me um abraço, caminhamos lado a lado em direcção ao rio, e o Tejo faz-se um lago em 180 graus de azul.
Enquanto toda a gente brinca com as margens, enquanto os cacilheiros cumprem a sua sina e ligam norte e sul, nós vamos tecendo a tarde de palavras, de beijos secretos soltos pelos nossos olhares enamorados.
E as minhas mãos que há milénios esperavam pelo toque assim perfeito das tuas…
Ao chegar o instante mágico do pôr-do-sol sabemos que já dissemos infinitas vezes a palavra amor, mas muito poucas vezes para a paz que sentimos neste entrelaçar das nossas duas almas que se desejam e que por isso se fazem uma só.
Meu amor…
Nunca as estradas serão velhas quando percorridas para chegar a ti; e as cartas de amor jamais serão banais, sendo eternas bebendo das palavras deste sentir que não tem fim.
Toda a noite sonhei contigo, toda a noite senti o teu cheiro, o calor do teu abraço, a vida toda que se solta dos teus beijos...
Sim, sou teu.
Serei sempre.
Sinto-o mais do que nunca nesta madrugada que é prefácio de uma vida inteira que espera as minhas palavras e os teus traços.
E por isso te escrevo e te mando um beijo.
Teu eternamente,
FC   

domingo, 17 de agosto de 2014

“Não chores…”

"Não chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade"
Dos idos de 1954, a minha mãe recorda-se de os meus avós lutarem pelo aumento de um escudo no valor pago para ceifar o trigo de sol a sol, valor que era há muitos anos de dezasseis escudos para as mulheres e de vinte para os homens.
Recorda-se de o meu avô recomendar prudência à minha avó, sempre mais rebelde e de verbo fácil, porque no Baixo Alentejo já tinham assassinado uma mulher que lutava pelo mesmo objectivo. Tinha sido um soldado da GNR com um disparo da sua arma.  
"Não chores pelos que te abandonaram e luta pelos que estão contigo"
Era solidão o que sentia pelos montes fora nas manhãs de inverno em que de joelhos nas margens dos ribeiros de água límpida mas gelada, o pão se ganhava lavando a roupa das clientes endinheiradas da terra.
As minhas avós falavam da solidão e do abandono pela sorte. Com elas vivia apenas a fé que desfiavam em perpétuas Ave-Marias rezadas à medida que os dedos cobriam a roupa do aroma do sabão azul e branco.
"Não chores pelo que perdeste, luta pelo que tens"
A liberdade chegou numa manhã de Abril de 1974, e um ano depois eu acompanhei os meus avós na primeira vez que foram votar. Estivemos horas numa fila nas instalações do Ciclo Preparatório.
Pelo sofrimento e pelo silêncio foram muitos os anos perdidos, mas agora o que interessava era o valor muito elevado do que se tinha: uma inédita liberdade.
As três frases magníficas que aqui cito neste texto são da autoria do Papa Francisco e foram recentemente utilizadas por Ricardo Salgado numa entrevista ao Diário Económico.
Os bancos mudam e passam a chamar-se “Novos”, e “Cristão Novos” também é designação que a História registou em compulsivas conversões em séculos passados, mas “Velhos Ricos” com estes “Novos” argumentos é coisa que definitivamente não se tolera à luz da memória, do bom senso e sobretudo do pudor.
As palavras do Papa que fazem todo o sentido para muita gente, para a grande maioria das pessoas minhas concidadãs e para a herança que recebemos dos nossos avós (e os meus de quem aqui falo são os meus verdadeiros heróis), dificilmente farão sentido para o “Último Banqueiro”, que por seu “mérito” e para desgraça dos contribuintes “malandros” que mais uma vez irão suportar o “experimentalismo financeiro com elevados lucros para os próprios”, se condenou a ele mesmo a esse estatuto de “Último”.
O Papa falou mais para nós do que para Ricardo Salgado, porque o sofrimento, a solidão e as perdas doem muito mais sem pão e em casas simples de pedra, do que nos salões do Palace do Estoril à volta de um lauto banquete.
A “pobreza” dos banqueiros é a “riqueza” que nós nunca conseguiremos alcançar. 

sábado, 16 de agosto de 2014

O príncipe que não sabia o que era a poesia

No seu castelo com janelas grandes rasgadas para a serra, parapeitos adornados de tulipas que nos dias de vento deixavam entrar o aroma fresco da maresia, porque o Atlântico não ficava longe; vivia um príncipe de olhar sereno e sorriso feliz.
O jardim era o seu mundo, e o seu confidente nas brincadeiras, nos sonhos e nas angústias, era um enorme pé de abacate que lhe dava abrigo, sombra e lhe retribuía em frutos verdes e gigantes, o afecto feito de tantos cuidados e carícias.
Às vezes nas tardes mais quentes, sentado junto à janela do primeiro andar, ou mesmo junto ao seu pé de abacate, o príncipe lia os livros guardados na biblioteca do castelo, apreciava a prosa que o fazia sonhar, mas ficava sempre triste quando tentava entender os poetas.
As palavras destes pareciam-lhe vagas e o príncipe ficava sempre triste por não poder e não saber entender a poesia.
Este sentir manteve-se sempre igual, até que numa tarde quente e risonha de primavera, estando ele entregue aos seus pensamentos à sombra do seu pé de abacate, o Deus que sempre cuida do coração dos Homens, lhe apareceu num pensamento e lhe deu as coordenadas de um caminho.
E disse-lhe:
- Vai e aprenderás o que é a poesia.
O príncipe que sempre vivera ali fechado no seu castelo, não hesitou, de pronto preparou a mochila com algumas poucas coisas de que necessitava, e fez-se à estrada seguindo as indicações deste Deus que não tem nome mas que todos conhecemos.
Subiu estrada fora, península arriba e foi dar a uma terra verde da cor dos seus abacates, uma terra onde corriam incansáveis rios e ribeiras, uma terra onde os Homens cantavam com fé ao som de gaitas e brindavam com o “vinho” que sabiam colher das macieiras.
Aí, o príncipe apaixonou-se na hora em que alguém chegou e lhe entrou de rompante por todos os sonhos.
E sem saber como, e sem que o Deus dos apaixonados lhe tivesse voltado a aparecer em pensamento, o príncipe regressou ao seu castelo, ao seu pé de abacate, às janelas para a serra que traziam o cheiro a maresia… e começou a ler e a entender finalmente todas as palavras dos poetas, até aquelas que pareciam indecifráveis.
Cumprira-se a profecia do Deus do amor em conversa tida numa tarde de primavera.
Afinal, a poesia é a linguagem das almas apaixonadas, e o príncipe enamorado e com o coração lá longe entre os bosques onde habitam deuses e sonhos, aprendeu por tudo e também pela saudade, os segredos desta “fala” que expressa os sentimentos, mesmo os mais profundos.
E o príncipe viveu feliz para sempre no seu castelo, com as suas plantas, o mar, os seus sonhos e claro, a poesia.
Álvaro José, muitos parabéns pelo teu aniversário.
Desculpa a brincadeira mas terias de figurar na galeria de textos dos meus amigos.
E nesta coisa dos poetas, eu nunca consegui perceber como é que tu não os entendias, tu que pela tua generosidade e amizade, és afinal uma pessoa ao jeito de um “verso” do melhor que tem a poesia.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A poesia que se solta de um pôr-do-sol (Férias – Dia 14)

Primeiro começamos a conseguir olhar o sol de frente, e daí a pouco ele desaparece mergulhando naquele exacto sítio lá ao longe onde o mar parece tocar o céu.
Sabemos que o pôr-do-sol é uma ilusão que a esfericidade da Terra nos oferece, e também estamos conscientes da relatividade de um momento que sendo para nós o anoitecer, para muitos será o inicio de uma nova manhã; mas deixamo-nos ir pela magia desta hora, que as ilusões são especiarias que nos dão sabor e gosto aos dias, e esmaga a poesia quem se faz escravo cego da razão.
Da mesa do nosso último jantar de férias vemos o pôr-do-sol no mar de São Pedro de Moel, beneficiando da generosidade de quem nos pôs a mesa, quadrada, e deixou devidamente livre o lugar que condenaria algum de nós a não o ver.
Vamos apreciando os tons do sol, do céu e do mar, falo da "hora dos mágicos cansaços" e dos abraços, de Florbela, e deixamo-nos levar pelas inevitáveis palavras.
Levamos duas semanas a conversar, e de Florbela passamos pelo amor, pelos namoros de há cinquenta anos (eu sou da mesma idade do amor dos meus pais), os bailes nas sociedades recreativas, a vergonha do primeiro beijo só após um ano de namoro...
E eu ouso pegar no i-phone e ler um dos meus poemas de amor.
Ali os três sentados, eu e os meus pais, sabemos que o amor assim tão perfeito não é compatível com disfarces, é a festa das almas abertas, é a arte dos recomeços; e tudo, mesmo até o pôr-do-sol, pode ser o inicio de um dia novo e bem melhor.
Por isso terminaram as férias mas seguem as palavras e este infindável amor que tem expressão em todos os momentos.
Já temos planos para o ano que vem e para estas duas semanas que sempre reservamos no calendário.
Nunca nos deixaremos morrer e nós sabemos que ter planos e ambições é tão fundamental quanto o respirar para quem se quer manter vivo.
Sabem que nestas férias e em todas as refeições brindei com o meu pai fazendo tilintar os copos dos tintos que se foram cruzando connosco, e ensinei-o que para dar sorte temos de nos olhar de frente no momento do brinde. Ele agora escancara-me sempre os olhos.
Assim e para terminar, brindo com todos vós na alegria de ter sentido os vossos olhares sobre estas partilhas:
- À vossa!
E viva a vida recheada de amor e poesia.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O mar é sempre azul (Férias – Dia 13)

Primeiro as badaladas das oito horas no relógio da capela da Casa da Ínsua, o fresco da manhã servido pelas janelas que miram ao pátio e à sombra dos plátanos centenários, e mais tarde um café acompanhado pela ousadia de uma fatia de Pão-de-Ló temperada por uma excelente compota de tomate que tem um inesquecível aroma de canela.
O dia hoje vai levar-nos até São Pedro de Moel, e o GPS alia-se a nós “empurrando-nos” para o cumprimento do destino maior do ser Português: o mar.
Em Portugal, por mais longe que estejamos do mar, estaremos sempre perto; e no contexto do universo, duzentos quilómetros são a largura perfeita para uma imensa praia.
E mesmo quando cruzamos as serras mais altas, templos e altares de imponente granito; quando nos entregamos aos caminhos bordejados de vinho ou pão; ou então quando nos sentamos na margem de um rio ou na soleira de uma porta de uma aldeia lá longe junto à fronteira; o mar sempre se pressente.
Carregamos no olhar uma genética de marinheiro; no choro, o triste tom da saudade que agita lenços e os faz voar como pombas no cais das partidas; e na alma, muito mais do que nas mãos ásperas e calejadas pelo tempo e pelas cordas que nos ligam ao sonho, temos o mundo inteiro que fazemos nosso em cada dia temperado de um incansável querer.
Por isso seguimos sentindo como inevitável esta estrada que passa o Dão e se alinha com o Mondego, tomando-lhe a rota até ao mar.
Figueira, Pedrogão, Vieira, São Pedro de Moel...
Chegámos.
Da janela hoje vê-se o mar, e os grilos, o toque breve dos sinos e a persistência da fonte que corre no pátio da Ínsua, hoje foram substituídos pelo som do vaivém das ondas que pinta a praia de um branco intenso de espuma.
E o horizonte vê-se azul lá ao longe num beijo imaginário entre o céu e o próprio mar.
Pelo caminho a mãe hoje tomou as rédeas da conversa e partilhou connosco as histórias tão cheias de alinhavos e pospontos desde o dia em que com treze anos levou de casa uma cadeira baixinha e se sentou ao redor de uma mestra que dispensava a fita métrica porque dizia ter centímetros no olhar, a mesma mestra que quando lhe pediam para baixar meio centímetro numa bainha, promovia a "emenda de cabide", pendurando a peça sem lhe tocar, mas satisfazendo a cliente...
Pelo caminho, o eco e o ressoar das palavras de amor: "gosto tanto que me ames assim"...
E um dia ganha-se às vezes entre memórias, riso e palavras de amor, quando seguimos estrada fora buscando o mar; nós, os instituídos marinheiros pela força de sonhar, os que nunca tememos fazer-nos ao sonho, de caravela, com uma caneta na mão, ou então com uma simples cadeira baixinha.
À noite, da minha janela, já não o vejo, apenas escuto o vaivém do mar. Mas depois de um dia com palavras de amor, quem é que se rende à escuridão?
"Gosto tanto que me ames assim..."
Mesmo de noite, ao luar, o mar e a vida seguem sendo azuis.
E eu... sou um eterno um marinheiro, muito mais pelo sim ao sonho nesta aventura preciosa de te amar, do que pela inevitável lusa genética que obviamente carrego no olhar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O amor é uma obsessão exclusiva dos poetas e dos loucos (Férias – Dia 12)

Adormeço embalado pela persistência da água que corre na fonte do pátio da quinta, e noite fora, quando acordo e me dou conta das badaladas suaves do relógio da capela, o ruído da água a correr lá está, sereno, rompendo o silêncio das noites no campo.
E não há melhor despertar do que aquele que nasce de uma noite assim.
Mas a manhã leva-nos à cidade, a Viseu, sem que saibamos que à Terça a manhã é de feira; e em Agosto, há uma imensidão de carros e gente a entupir rotundas e vielas, com as matrículas e a fala da gente, a indicar-nos que chegámos à "festa" onde se matam as saudades acumuladas por uma dolorosa eternidade vivida longe de casa.
E chamo-lhe festa porque é isso que leio no olhar da gente.
Compras, passeio, café, almoço... e a tarde traz-nos de volta à irresistível quinta para um longo e demorado passeio entre frutos e flores.
E entre palavras e memórias.
Numa varanda junto à casa grande há uma fonte de granito que mantém de fonte apenas a traça e a bica, mas que ao contrário daquela que me embalou noite fora, está vazia de água.
Nada corre.
Reparo então que no tanque desta fonte alguém pôs terra transformando-o num canteiro; e agora nascem flores.
Mas eu que paro por ali e me encosto, faço-o ao jeito de quem "abraça" uma fonte.
A essência está lá e mantém-se viva por cima da ausência de água.
Eu sei que não sou poeta e que nunca o serei, apesar desta persistência algo tonta de oferecer palavras aos sentires; mas mesmo assim, onde mais me vejo próximo dos verdadeiros poetas é nesta condição de conseguir ver as fontes como quem persiste a ver amores por entre o vazio e o silêncio.
Talvez porque o amor seja um exclusivo e privilégio sentir dos loucos e dos poetas, não existindo em mais nada, nem em mais ninguém.
Talvez.
Mas se assim for, que eu morra como vivo, na coerência irracional desta loucura.
E na tarde da Ínsua, ali sentado junto ao canteiro que eu insisto em chamar fonte, e ao jeito de quem namora:
Na eternidade de um imenso querer
As fontes são fiéis irmãs de amores
Até na sede, saudade por não te ver
Há raízes, terra… e nascem flores
Poeta?
Acho que apenas um louco que dorme embalado pelo benefício da água das fontes do campo.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Metamorfoses (Férias – Dia 11)

Imediatamente a seguir à noite da lua gigante que nos pôs a todos a olhar para o céu, a manhã trouxe o sol, e com ele uma nova face para a cidade que ainda ontem era um pranto de chuva.
Não somos de desistir e voltámos a subir a Santa Luzia, mas desta vez para apreciar devidamente o Lima e o Atlântico, os dois em perfeita sintonia com um céu intenso de azul.
Daí a pouco cruzámos o próprio rio Lima, e mais tarde o Douro sobre a Arrábida, olhando a foz à nossa direita.
Já não passámos o Vouga…
Saímos da A1 em Santa Maria da Feira e daí seguimos para Vale de Cambra, Arouca, e encetámos a subida à Serra da Freita.
Um pouco mais de mil metros de altitude, a subida por entre a vegetação que vai dando lugar ao granito, rei e senhor no topo da Serra devidamente adornado por uma vegetação rasteira em tons de amarelo; o encanto da paisagem, e a sensação de que há um paraíso por descobrir ali mesmo ao lado da rota de tantos dias.
Surpreende-me totalmente o caminho que se nos oferece em exclusivo, a estrada onde apenas o homem que guarda uma manada de pachorrentas vacas, nos acena algures quase a chegar a Manhouce, terra do canto com pronúncia do norte.
Depois… São Pedro do Sul, Viseu e a Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo.
É cedo e decido ir dar um passeio pelo jardim.
O sol incide lateralmente sobre a fachada que mira a sul, e eu sigo o trajecto das linhas desenhadas pelas camélias.
O chão seco de Agosto, as flores e as lembranças…
Os fins de tarde do campo são o paraíso para quem estando só se alimenta das mais doces memórias, aquelas que são capazes de matar as “solidões”.
E soltam-se as palavras à beira de um lago onde os cisnes coabitam com uns muito rurais e simpáticos patos que me fazem companhia.
Os dias são como a vida, são tecidos por nós no tear das mudanças e das opções que tomamos, e a esperança, muito mais do que o medo ou a incerteza, é o diesel de um motor que nos faz crescer e nos transporta para o tempo e para o espaço onde queremos estar, onde somos felizes.
Sabemos que há dias em que a neblina não nos deixa ver nada e outros em que o sol nos liberta o horizonte; há dias que parecem noites e noites que parecem dias porque beneficiam de luas gigantes; há dias em que tudo parece previsível mas que nos surpreendem quando seguimos por um novo caminho que está afinal tão próximo de onde circulamos mas que até aí se manteve inédito.
E descobrimos novas montanhas e renovamos os horizontes.
À noite voltámos a uma varanda para um serão de conversa. Desta vez não ouvi grilos, apenas escutei as rãs.
E acabava de escrever sobre metamorfoses quando leio que partiu o actor Robin Williams. Fez-me chorar em “O clube dos poetas mortos”, fez-me rir na “Gaiola das loucas”, fez-me sonhar com o seu Peter Pan…
A vida é como o cinema e pede-nos definitivamente que encaremos o dia com um sorriso esboçado pelos lábios, pelo querer ou então pelas palavras de um eterno:
- “Good morning Vietnam”