segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Eu jamais quererei morrer

As calçadas da Mouraria, pátria mãe de todos os fados, souberam esperar mil anos, por nós, pelos nossos passos e pelo canto tom de flor que sempre se solta do teu olhar.
A noite a cair sobre a viela, e a alma a acender-se lentamente ao ritmo do velho candeeiro que lá do alto já perdeu o conto às lágrimas da gente na Rua do Capelão.
E por entre este choro que transpira e ressoa das paredes cúmplices de tantos sofreres de amor, por entre a poesia que nos beija entrelaçada na brisa do fim da tarde, por entre a liberdade, fiel irmã e companheira de Lisboa, os teus braços foram o cais do melhor destino, e o nosso abraço foi aquilo que será sempre: o cumprir do meu melhor fado.
Aqui mudámos o tempo e o ciclo vazio de duas tristes histórias.
Agora, há muitos mais mil anos que esperam por nós, a eternidade e esta festa que matou solidões e encheu de amor e palavras de verdade, as tardes de Lisboa e os mais recônditos recantos da mais escondida e estreita viela.
Há tantas calçadas atapetadas de fados que esperam pelos nossos passos cúmplices de eternos enamorados.
A eternidade…
Há tanta vida que se solta dos beijos que tu me dás.
Tu és a minha vida, e assim, eu jamais quererei morrer.

Há exactamente 26 anos o Chiado ardia num dia de verão em que chorámos por Lisboa.
O tempo devolveu-nos o Chiado a tempo de nos sorrir nas tardes perfeitas que Lisboa nos oferece para namorar.
Pelo sonho da Mouraria deixo aqui um beijo à cidade mais bonita do universo.

domingo, 24 de agosto de 2014

“Arranjem-nos a água…”

Deixo o mar e cruzo o Alentejo com o sol a pique pela hora do meio-dia.
A imperial solidão dos montes, a espera dos sobreiros, o tom de ouro do feno que preserva em si a eterna genética rubra das papoilas, o olhar perdido pelo horizonte que parece não ter fim, enquanto a alma relembra a sede das árvores de Florbela, e o corpo, mais do que tudo, pede uma gota de água fresca “colhida” algures numa fonte, daquelas do campo que são guardiãs de histórias de amor.
Naquela casa que se avista quase a chegar à aldeia da Messejana, ali muito próximo de Aljustrel, pararia eu agora se pudesse para a frescura de um Gaspacho em festa de orégãos, daqueles que o Tio Filipe preparava sempre que vinha do campo e que nós repetíamos voltando a atestar a malga por duas e três vezes.
Só nós Alentejanos e por entre este calor, reconhecemos que esta sopa é uma necessidade e um prazer supremo nestes dias quentes de verão.
Mas hoje sigo e fico-me pela vontade.
Mais à frente e por entre os olivais, consigo vislumbrar a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, ou Nossa Senhora de Entre as Vinhas, um templo barroco e imponente que as gentes regressadas do Brasil importaram para aqui matando saudades da “colónia” que lhes ofereceu prosperidade.
No meio do campo e de quase nada se podem fazer jóias assim.
Assalta-me depois à memória a história da Praia da Messejana, esta aldeia aqui bem no interior da planície.
Por alturas da primeira república, algures pelo ano de 1920, ganhou protagonismo um homem desta região chamado Brito Camacho. Os seus conterrâneos reconhecendo o seu poder de influência, estabeleceram uma longa lista de solicitações com melhoramentos para a freguesia, que lhe entregaram numa sua visita a casa.
Depois de os escutar atentamente e depois daquele extenso rol de pedidos, Brito Camacho usou do humor à boa maneira Alentejana e perguntou-lhes se não queriam também uma praia. Os interlocutores não se deram por vencidos e responderam:
- Arranje lá a água que a areia arranjamos nós.
Pelo Alentejo nunca necessitámos passar procuração para alguém nos inventar as anedotas.
Hoje e nesta tarde de sol intenso, eu prossigo o meu caminho e não tardo a chegar ao rio que é quase sempre o nosso destino, e que nos oferece esse doce privilégio de Lisboa: o Tejo.
Reencontro o mar na vista da minha janela e deixo-me ir pelo que resta de tarde, com os sabores do Alentejo a fervilharem num Sericá que partilharei à noite com um grupo de amigos por entre palavras e afectos num jantar que será a coroa num longo dia de viagem com os pensamentos e as lembranças.
Passa pouco da uma da manhã quando regresso a casa e se cruza à minha frente o voo de uma coruja.
Diz-se pela minha terra que estas aves, habitantes das torres das igrejas e de lugares inóspitos das cidades e dos campos, carregam em si o mau agoiro e um sinistro prenúncio de desgraça; mas um homem que vai aqui feliz e com o coração já confortado pelas palavras de um beijo de amor, pode lá pensar em maus agoiros…
Sigo e aposto que adormeço a sorrir por entre o cansaço.
Os dias felizes são como as praias, e nem sequer precisamos que nos arranjem a água, somos nós que preparamos tudo: água, areia, sol…
Às vezes com muito pouco mas com muita força.
Da mesma forma que de um dia com uma viajem terrível numa auto-estrada com milhares de carros e gente, se consegue às vezes escrever uma história como esta.
Um bom domingo para todos.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A Coreia do Norte e a sacristia

Quando me sento perante o desafio de uma página em branco tento sempre ser fiel na transposição daquilo que sinto para as palavras que escrevo; e o resultado, uns parágrafos de mim, ficam soltos e à mercê das opiniões e do sentir de quem lê.
Faço isto numa crónica, num poema e até no âmbito da ficção, num romance ou num conto, espaço onde as personagens carregam sempre algo de nós, nem que seja às vezes apenas um breve e discreto “julgamento” implícito.
Gosto tanto da expressão de desacordo quanto da concordância total de alguém que me leia, porque acredito que deste confronto de ideias se constrói a verdadeira riqueza da humanidade.
E a liberdade para podermos ser nós nestes diálogos é um bem de primeira necessidade, como pão.
Foi noticiado recentemente que a prelatura da Opus Dei mantém um Index de livros proibidos nos quais se incluem 79 obras de autores Portugueses, com Eça e Saramago à cabeça; sendo que para mim o primeiro é o maior escritor Português de todos os tempos, e Saramago, juntamente com Cardoso Pires, os meus favoritos de entre os contemporâneos.
Acho esta situação vergonhosa no sentido em que sendo eu crente e Católico, vejo criar na Igreja um enclave que junta o pior do mundo; um corredor ao estilo da Coreia do Norte dominado pelos “Kim Jon-un’s de Sacristia”, espaço obscuro dominado pelo radicalismo que cobre com “Burkas” muito opacas o intelecto dos crentes seus “irmãos”.
Quem proíbe desvaloriza sempre a inteligência dos demais, não lhes reconhecendo a capacidade de fazerem o seu próprio julgamento sobre aquilo que se lhes depara, quer seja em livro, numa peça de teatro, na pintura ou em qualquer outra expressão artística.
E o desvalorizar da inteligência dos “irmãos” é “cuspir” sobre o próprio Deus que os criou à Sua imagem.
Por outro lado, quem proíbe passa a si próprio um certificado de mediocridade, na medida em que se assume com capacidade para ser um chefe que comanda um “rebanho” de gente que pensa toda da mesma forma, mas proclama a sua incapacidade para ser “líder” de um grupo de pessoas que pensam e discutem ideias com base naquilo que verdadeiramente pensam e ambicionam.
E não evoquem o Espírito Santo para reclamar maior clarividência e legitimar estas atitudes imbecis.
A História não se apaga, e proibir “O Memorial do Convento” privando as pessoas do “facto” de Baltasar e Blimunda se terem conhecido no Rossio durante um Auto-de-Fé, não limpa infelizmente a nódoa de que um dia, e em nome da mesma fé, as pessoas foram queimadas vivas por ordem da Inquisição.
Em nome do obscurantismo e da uniformidade do pensamento que vê os Homens de fé como inactivos e acéfalos seres dentro de redomas de vidro, em vez de nos verem como somos, gente do mundo que pensa e vive a fé e que a confessa muito mais por obras e convicções do que pelas ladainhas aprendidas de cor no contexto da redoma.
Ao longo da minha existência aprendi tanto com gente crente como com ateus, porque gente igual na riqueza de valores e no afecto que me dedicaram. Ter fugido daqueles que à partida pensavam e agiam de forma diferente de mim, seria desde logo amputar muito daquilo que hoje sou.
Quantas vezes o contraditório foi raiz para as minhas maiores convicções.
Quem nos ama e é grande ensina-nos sempre a pensar, quem é medíocre e não nos tem em grande conta impõe-nos regras na hora de agir.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A remexer na areia

Deitado na praia olhando para cima e beneficiando da visão de 180 graus de céu, vou mexendo e remexendo a areia ao ritmo dos pensamentos.
O meu sobrinho João, de férias em Vila Viçosa, fez-me chegar um fax com os personagens que ele quer ver na próxima história que eu escrever para ele e para o Luís. O primo Afonso tem de constar num enredo que terá de falar de monstros.
E enquanto remexo a areia vou pensando como irei eu colar os meus agora três super heróis a uma história de monstros com nomes que ele já inventou, e que... valha-me Deus.
Quando tratamos o amor por tu, por vezes tomamos o benefício de ser confidentes dos amigos que sofrem ou cantam amores.
Tenho uma amiga tão apaixonada, que por estes dias de férias e estando afastada da sua paixão, sonhou duas noites seguidas que a mesma nunca iria chegar ao que deseja: partilhar todas as luas com o seu amor.
Mandou mensagem e aqui vou eu alimentando de fé, a morte deste "monstro" chamado medo que lhe vai poluindo o sonho.
Aqui estou remexer na areia tentando pôr monstros numa história enquanto os sacudo de uma outra história bem mais real.
Libertando a areia das minhas carícias, de vez em quando levanto a mão e olho-a atentamente reparando que está diferente; os anos salpicaram-na de pêlos brancos.
Mas mesmo assim diferente, não hesito em colocá-la em frente ao sol fazendo sombra e pensando como antes: tenho uma mão capaz de agarrar toda a imensidão do sol.
Depois sorrio não conseguindo deixar de pensar que, para além do sol, nesta mão também cabe o universo inteiro quando toco na tua mão e dou sentido à espera tecida pelos anos que semearam os pêlos brancos.
E regresso à areia, palpando-a e encontrando pequenas conchas.
Afinal isto dos monstros é uma coisa fácil de lidar...
Primeiro porque somos sempre nós a colocá-los nas nossas histórias, e segundo porque quem consegue agarrar o sol e tomar o universo na sua mão no momento em que as peles se enleiam para falar de amor, também domina qualquer monstro.
Sei-o há muito.
Troco mensagens com a minha amiga até conseguir palpar-lhe o sorriso.
A história do João fica mais ou menos alinhavada...
E assim se faz a tarde de quem estando só nunca sente a solidão.
E do mexe e remexe da mão na areia trouxe uma concha, a mais pequena e a mais perfeita.
Guardei-a para ti como presente, afinal foste tu que me mataste os monstros, que prolongaste a magia da infância até aqui onde as mãos estão mais velhas, ofereces-me o universo com as tuas mãos e apareceste assim como esta concha, inesperado e perfeito enquanto eu mexia e remexia as horas de todos os meus dias.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

“Lindas, cheirosas e fantásticas”

Se são inteiramente gratuitos, a chuva e o nevoeiro em Agosto no alto do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo; o acesso ao sol e ao mar supostamente quente do sul tem um elevadíssimo preço pago directamente por transferência bancária a partir da nossa conta corrente de tolerância e paciência.
E a factura, sem direito a desconto no IRS, e ao jeito de portagem, começa logo a pagar-se nas Áreas de Serviço da A2, antecâmara do pior que nos espera por aqui.
Escolhi um hotel numa zona não muito mediática e em que o acesso à praia até pressupõe uma viagem de barco, pensando desta forma evitar os malefícios do turismo de massas, mas foi em vão.
As “pseudo-tias” genéricas de imitação barata que gritam nas filas dos centros comerciais aos fins-de-semana nos dias livres em que não têm de ir à repartição vieram todas para aqui comigo.
Vestiram-se de rendas brancas e pretas por onde se espreitam os fatos de banho da La Redoute a tentar em vão esconder a celulite que não morreu com os drenantes que beberam durante a primavera, enfeitaram as cabeças das filhas com fitas de seda fazendo-as parecer embrulhos de presente da “Teresa Alecrim”, entregaram os i-pads aos Afonsos, aos Bernardos e aos Santiagos, vestiram os maridos de Lacoste mas com os crocodilos afogados nas asneiras que constantemente lhes saem da boca por entre a imagem de tio beto marinheiro entregue ao inevitável destino de ti Manel dos matraquilhos... e vieram todas atrás de mim.
Todos juntos, gritam no restaurante como se quisessem ser ouvidos em Casablanca, entornam a comida por todos os sítios, empurram-se uns aos outros, dizem asneiras, coçam a genitália na fila dos grelhados; mas sempre tudo a bem da descontracção das férias para partilharem de aqui a dias na repartição.
Por entre as rendas e as cores impossíveis dos cabelos pintados no cabeleireiro SanJam do Shoping mais perto de casa, elas "mascaram-se" de tudo, e comparado com isto, o Carnaval de Torres Vedras é uma produção de ópera do São Carlos.
Ontem ao jantar tive à minha frente uma criatura tão prateada que o vestido dela a esvoaçar entre as mesas pejadas de gente era uma versão em tecido daquelas frases estúpidas que as pessoas põem no Facebook só para chamarem à atenção: “engoli uma mosca”, “estou grávida” ou “acabei de fazer amor com um jacaré”.
Não fosse eu um proprietário de lentes anti-reflexo, e ainda tinha engolido o garfo.
Nas praias competem em cor com as sombrinhas, em cheiro com a Moqueca de camarão, e em ruído com a sirene do Cabo de São Vicente.
Até as gaivotas se têm mantido à distância.
A mesma distância que eu gostaria de ter tido de um grupo no toldo ao lado que entre Francês e Português se divertiram toda a tarde a rebolar na areia, aos gritos, quase me impedindo de escutar a “oração de sapiência” da criatura que no toldo do outro lado, explicava os benefícios do seu creme Ambre Solaire que era simultaneamente protector e bronzeador.
Estando por aqui sozinho, calmo e calado, tento passar despercebido nas refeições e também no areal onde recostado à sombra me entrego à leitura de Ovídio e de "A arte de amar"; mas sem sucesso.
Ontem o filho de uma "tia" aproximou-se a perguntar se eu queria comprar pulseiras de elásticos.
Rosnei-lhe um não muito feroz e hoje estou a pensar levar um letreiro para pôr no toldo ao jeito de "Cuidado com o cão".
À noite, sentado numa esplanada a beber uma Água Tónica, fui agredido no pescoço por um dos “embrulhos da Teresa Alecrim” que usava a base da cobertura como ensaio para a dança de varão que um dia possivelmente ainda irá praticar profissionalmente.
A mãe nem desviou os olhos do i-phone e o pai é que ainda disse a medo:
- Princesa não incomode o senhor.
Princesa…
Enfim, corro o risco de ser o Alien de serviço mas pouco me importo com esse estatuto enquanto tiver uma nesga de mar só para mim, um quarto com jardim e com flores que perfumam a noite, e essa infalível terapia da Bola de Berlim, ainda que devidamente compensada por um reforço da dose de Metformina.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

As flores cúmplices do luar

No jardim em frente ao meu quarto há um canteiro enorme com flores cúmplices do luar que só libertam o seu cheiro depois do sol se esconder para lá do horizonte.
Um perfume intenso e inesperado que me abraça na noite enquanto caminho escutando o canto de cigarras, sentindo ao longe a perseverança do afecto das ondas enrolando-se na praia.
Quem disse que não há encantos guardados nos momentos em que o sol não brilha?
O segredo será talvez o "acender" de todos os sentidos e não amputarmos a hora do benefício de qualquer um deles.
O sol voltará sempre, já o sabemos, tenha a noite a aparência de longa ou curta, tenha ou não o luar a companhia de doces aromas de flores... mas a espera da madrugada nunca é um tempo morto e é em si mesma um tempo de "prazeres" únicos a não rejeitar.
A vida não é intermitente e nunca é ou será cativa do brilho do sol que nos faz os dias.
A madrugada devolveu-me o azul do mar de que eu desfruto enquanto caminho só pela areia sentindo aqui e ali o beijo fresco de uma onda mais ousada e distendida.
Este azul tem a cor do sorrir de alguém.
Gosto do cheiro da maresia, deste odor salgado de algas e de tudo o grande que o mar guarda em si.
Mas o perfume das flores guardo-o apenas da noite.
E o teu sorriso?
Também está guardado nas noites, em mim e nos meus sonhos, muito mais do que aqui ao sol no azul do mar.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Uma carta de amor

Meu amor,
Nem as estradas de sempre conseguem ser velhas quando como hoje me oferecem um caminho novo: vou ter contigo.
E a rota banal de tantos dias, traçada entre sobro e olivais, tem nesta tarde, e por ti, as virtudes do cumprir de um destino.
Tudo faz sentido.
Se na vida há sempre um primeiro amor, eu hoje sei que tu és o meu último e definitivo amor.
Cheguei.
Tudo o de antes ganhou estatuto de irrelevante e o depois deste amor não existe. Por ser tão grande e tão justo para com os meus maiores sonhos, este amor é a própria eternidade.
Todos os meus passos, toda a minha história, foram para chegar aqui a este abraço.
E se eu pudesse, mil anos viveria contigo.
Enquanto espero que chegues e me sento à sombra de uma árvore num banco no Camões, olho em volta para as casas e a luz do Chiado, palpo no peito esta certeza de que tu vens, e consigo sentir uma estranha saudade deste momento que é em tudo perfeito.
É a este momento que eu quero voltar sempre tal como Sophia o faz nas tardes junto ao mar.
E depois tu chegas, dás-me um abraço, caminhamos lado a lado em direcção ao rio, e o Tejo faz-se um lago em 180 graus de azul.
Enquanto toda a gente brinca com as margens, enquanto os cacilheiros cumprem a sua sina e ligam norte e sul, nós vamos tecendo a tarde de palavras, de beijos secretos soltos pelos nossos olhares enamorados.
E as minhas mãos que há milénios esperavam pelo toque assim perfeito das tuas…
Ao chegar o instante mágico do pôr-do-sol sabemos que já dissemos infinitas vezes a palavra amor, mas muito poucas vezes para a paz que sentimos neste entrelaçar das nossas duas almas que se desejam e que por isso se fazem uma só.
Meu amor…
Nunca as estradas serão velhas quando percorridas para chegar a ti; e as cartas de amor jamais serão banais, sendo eternas bebendo das palavras deste sentir que não tem fim.
Toda a noite sonhei contigo, toda a noite senti o teu cheiro, o calor do teu abraço, a vida toda que se solta dos teus beijos...
Sim, sou teu.
Serei sempre.
Sinto-o mais do que nunca nesta madrugada que é prefácio de uma vida inteira que espera as minhas palavras e os teus traços.
E por isso te escrevo e te mando um beijo.
Teu eternamente,
FC