segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A fé e a essência das giestas

O calor palpa-se com o olhar à medida que o táxi avança pela cidade vindo do aeroporto.
Aterrei há pouco em Roma, é domingo, mas a multidão de turistas faz com que as ruas mantenham a azáfama de um dia de semana com a gente a acorrer aos seus deveres laborais.
O meu trabalho por aqui só começa no dia seguinte e por isso resolvo juntar-me à massa de gente que invade as ruas.
Passo pelo Quirinale e no museu em frente há uma fila interminável para ver as obras de Frida Khalo, a exposição encerra hoje e ninguém a quer perder.
Eu também não a perderia, mas a fila está impossível.
Desço a colina em direcção à Fontana di Trevi que está em obras e sem água. Nem olho e prefiro levar na lembrança o eterno beijo de Mastroianni a Anita Ekberg no meio da água da Dolce Vita, de Fellini.
Hoje não será definitivamente o meu dia.
Sigo para o Panteão e para além dos turistas há Meet marcado pela Internet. A Europa anda estranha e nem os heróis têm descanso. Tivesse eu excesso de auto-estima e acharia que centenas de adolescentes tinham gritado por me verem dobrar a esquina.
Preciso de um café e vou ao Santo Eustáquio.
Pelo menos ali a fila é suportável embora os grupos organizados de turistas abalroem tudo e até as chávenas com o melhor Cappuccino do mundo.
Fujo e sento-me depois numa esplanada na Piazza Navona, com um gelado, pois claro.
Estou um pouco cansado mas simultaneamente apetece-me andar e por isso decido caminhar para São Pedro. Vou devagar e só paro sobre o Tibre para fazer uma foto ao Castelo de Sant’ Ângelo. O reflexo da ponte sobre a água é irresistível.
Já é tarde, os grupos de turistas recolheram aos hotéis e nem sequer há fila para a segurança antes de entrar na Basílica de São Pedro.
Tenho o caminho quase só para mim, aprecio o tamanho das colunas que só assim ao pé parecem gigantescas e partilho a visão da Pietà com um pequeníssimo grupo que por ali se encontra.
Logo a seguir está o altar de São João Paulo II com o respectivo túmulo e resolvo sentar-me perdendo-me no tempo.
Do sofisticado ouro e do fausto de São Pedro, deixo-me voar até 32 anos atrás quando entre as giestas da primavera de Vila Viçosa me cruzei com o Papa.
Por mais brilhante que seja o ouro dos Homens, nunca será igual em nobreza ao ouro das giestas quando o sol se lhes entrega nos campos. Porque no ouro das giestas está Deus.
E a minha fé tem e terá sempre a marca da simplicidade das giestas, muito mais do que a opulenta exibição das virtudes materiais que os Homens insistem em colar ao divino.
Não me peçam jamais que me vista com uma opulenta capa do ouro de um qualquer humano política e socialmente correcto.
Um Homem com fé, sou eu ali na tarde de Roma sentado entre gente que não conheço, com as minhas verdades, os meus segredos, carregando a mochila com a minha História e todas as dores e inevitavelmente todas as esperanças.
Um irmão das giestas aqui bebendo o sol por detrás dos sorrisos de todos os que amo e que me foram passando pela lembrança.
Fico até a Basílica fechar e vou caminhando depois de volta ao hotel ao ritmo do entardecer, por entre a gente que mantém a azáfama, mas agora para procurar poiso para jantar.
E um Homem com fé sou eu a caminhar feliz com as minhas verdades e a minha essência.
A vida, La Dolce Vita, é no fundo como a Fontana di Trevi, porque por mais que lhe tentem tirar a água, ela terá sempre a essência do amor e de um beijo fantástico.
E um Homem com fé sou eu a caminhar feliz e a sorrir apesar das imensas saudades de um beijo.

domingo, 31 de agosto de 2014

As cidades eternas

A bordo de um avião da TAP baptizado de Eusébio vejo Lisboa ficar para trás enquanto escuto a algaraviada de um grupo de Italianos que revisitam as fotos num i-Pad que sacaram de uma mala onde há Pastéis de Belém comprados no aeroporto e imagens coloridas de Santo António para colar nas portas dos frigoríficos.
Por entre este histérico visionar das fotos, há uma criatura que de repente espreita pela janela e confunde o Shopping de Loures com uma enorme mesquita.
De aqui a um par de horas aterraremos em Roma com a certeza de que todas as cidades são eternas. Mesmo que não o sejam no mapa redesenhado pela História e vulnerável a tantas opções de ordem estratégica e política, são eternas em nós.
E não é só por causa das fotos, dos souvenirs mais ou menos criativos, ou até da lembrança do sabor de uns quaisquer pastéis; as cidades são eternas pelo que delas guardamos desses momentos em que foram o cenário perfeito para a realização da nossa felicidade, a sós ou especialmente acompanhados por quem amamos e a quem atribuímos o título de especial.
Por isso é que há cidades que amamos sem conseguir arranjar um detalhe arquitectónico, geográfico ou outro, que o possa explicar.
Ontem ao fim da tarde passeei sozinho por Lisboa. Deixei umas amigas no Terreiro do Paço e subi a Rua Augusta até ao Rossio para depois chegar ao Chiado.
Sem as lembranças de outras tardes, Lisboa seria apenas um desenho cuidado e perfeito de linhas de pedras vazias de vida. O solo bordado pelos tons do basalto.
A Lisboa eterna acompanhou-me a mim nas lembranças das palavras, dos olhares, das cumplicidades e até da paixão por aquelas Bolas de Berlim cujo creme parece ser uma derretida boca na expressão de um irresistível sorriso.
As lembranças que me assaltaram a cada esquina e a cada mais pequeno detalhe.
Por entre a saudade, claro.
Depois das divagações sobre as privilegiadas relações de Portugal com o Islão com base nas dimensões gigantescas de uma “mesquita” implantada ali no vale de Loures, as mulheres divertem-se agora a fazer fotos aos maridos que já dormem (ou fingem para não terem de as aturar e de lhes dar resposta).
A Italiana da frente "esmagou-me" como se faz ao fiambre numa sandes quando resolveu recostar o banco, e a gorda ao meu lado já cruzou a perna e já me deu um pontapé.
De aqui a nada aterraremos todos na sua cidade a que chamam eterna, comerão os Pastéis de Belém, porão o Santo António a brilhar nos frigoríficos entre a Torre Eiffel e a Estátua da Liberdade; mas nada disso será mais eterno do que tu em mim e nas saudades de Lisboa.
Nem a própria Roma.

sábado, 30 de agosto de 2014

As palavras por entre os silêncios

Há muito que o meu i-pad pessoal é “terreiro” preferido para as brincadeiras do João e do Luís quando me visitam, e por isso, e como tio extremoso, lá vou de vez em quando descarregando umas aplicações por sua indicação e segundo as suas vontades.
Assim, com o aparelho bem composto de icons que abrem jogos de monstros, pássaros, ursos e afins; já me habituei a que às vezes durante a noite, estas criaturas abandonadas e vítimas da minha falta de jeito, paciência e tempo para jogar, vão rompendo o silêncio com sons algures entre o chiar de um boneco, o toque de um despertador ou o repenicado canto de uma ave.
Vantagem: já estou imune a qualquer fantasma que resolva visitar-me, pois dormirei descansado julgando que se trata de uma mensagem enviada pelo i-pad.
Fui buscar este exemplo com algo de caricato apenas para demonstrar que o silêncio não existe, nem mesmo quando ele parece o destino inevitável para a noite de um homem que está sozinho.
Talvez porque estar sozinho não seja sinónimo de estar só, a ausência das palavras físicas de outrem são sempre substituídas pelas tantas outras que carregamos na inesgotável reserva da memória.
Os silêncios são oportunidades únicas para revisitarmos as nossas Histórias… e aquilo que parece um vazio é afinal uma festa de tantas palavras; da mesma forma que a escuridão de uma sala nos proporciona a melhor forma de ver um filme.
E tal como nos jogos do i-pad, a saudade faz despoletar sinais; e os fantasmas jamais conseguem sobreviver o tempo suficiente para nos pregarem um pequeno susto que seja, afinal estamos sempre acompanhados pelo melhor de nós.
Mas nem só de passado se “temperam” os silêncios…
À boleia do voo rebelde que nos oferece o pensamento, pelos silêncios vamos até onde e quem queremos, abraçando-nos ao ilimitado recurso da criatividade e da ambição no desenhar dos nossos maiores sonhos.
É sempre do aparente vazio de uma tela em branco que nasce uma obra de arte.
Assim…
Sempre que de noite eu te abraço
Entre os meus silêncios, vendo-te sorrir,
A esperança renasce de um novo traço:
Eu fiz o novo dia que vai surgir!

Tenham um excelente sábado e sorriam muito.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

“A nossa Merkel” é um genérico manhoso, de má qualidade e sem bioequivalência

Apesar de contribuir mensalmente para o “equilíbrio” das contas públicas com mais de metade do meu vencimento, entre Segurança Social e IRS, este fim-de-semana vou ter de fazer um esforço suplementar e retirar da minha conta mais alguns milhares de Euros que endossarei para o Ministério das Finanças por via bancária.
O sucesso desta operação de “assalto à mão desarmada” às minhas poupanças e às dos meus concidadãos é apresentado sob a forma de números, rácios e outros indicadores do âmbito da economia, estatísticas onde se realça a protecção da banca e do sistema financeiro per si.
Não interessa se recentemente tenho tentado ajudar um amigo que tem o pai no corredor de um hospital público há oito dias por ainda não lhe terem arranjado uma cama para o tratar com o mínimo de dignidade após o AVC que sofreu.
Desde que o PIB funcione…
Eu sei que me chamarão básico, iletrado e possivelmente populista por me socorrer deste tipo de argumentos, mas não consigo deixar de me sentir defraudado por me estarem a roubar o oxigénio enquanto o meu país morre de asfixia.
Porque são as pessoas que fazem um país, já o tenho repetido várias vezes.
Acho que nada acontece por acaso…
Há algumas semanas enquanto lia o jornal Expresso deparei-me com um daqueles artigos ao estilo de “Omo lava mais branco” em que a depuração da imagem da Ministra das Finanças assentava no título de “A nossa Merkel”, desde logo a pressupor que tal comparação é um elogio para qualquer pessoa.
A senhora loura que ontem me entrou pela sala pela porta dos telejornais a debitar números, era então apresentada como uma brilhante economista que nos anos oitenta tirou o curso por opção na Universidade Lusíada, numa altura em que as pessoas com posses evitavam o ambiente conturbado das universidades públicas.
Terá a jornalista confundido os anos oitenta com outros anos quaisquer pois entre 1984 e 1989 tirei a minha licenciatura na Universidade de Lisboa e nem uma greve ou conturbação ocorreu. Confusão talvez propositada e por conveniência porque nos anos oitenta só frequentava a Universidade Lusíada quem não tinha média para entrar numa outra qualquer de natureza pública. Era definitivamente uma escola de recurso para alunos com médias baixas no secundário onde a dita senhora acabou por se licenciar com uma média de 14, o que não é lá grande cartão-de-visita para quem depois ficou por lá a formar novos “crânios”.
A “nossa Merkel” é então um genérico manhoso e de má qualidade, sem bioequivalência relativamente à senhora que gere a Alemanha (e por inerência, a Europa).
Não será só culpa dos intérpretes pois o guião é em si mesmo muito mau, mas infelizmente para nós, a política está repleta destas pessoas menos capacitadas, com deficit de formação, que “compraram” os seus títulos em instituições de menor credibilidade e que foram fazendo curriculum por via de sucessivas nomeações.
E saberá Deus que vícios privados habitam por detrás das virtudes de tais curricula.
Expostas ao benefício da construção de uma imagem pública de excelência com o beneplácito da imprensa, são estas pessoas que “gerem” o país e que justificam em grande medida a asfixia da nossa história mais recente.
Sem a mínima noção de quem gerem as vidas e as dores de muita gente.
Digo-o eu e disse-o o insuspeito Prof. Adriano Moreira ainda esta semana na TVI24 quando afirmou que o governo está a esquecer valores e princípios.
Nada acontece por acaso…
Ontem ao escutar a ministra e estando na posse da carta das finanças com o código para fazer a minha transferência algures por este fim-de-semana, não pude deixar de me sentir da mesma forma de quando há alguns anos os “cábulas” me cobiçavam aquelas provas que me deram livre acesso a uma universidade pública que frequentei por entre a maior paz do universo.
Aqui pedem-me dinheiro num processo em que só a alma está imune à cobiça.
A alma que diz não e se revolta perante a mediocridade.  


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

E pimba… o regresso!

Há sempre algo que vem legitimar o título de tonta atribuído a esta estação do sol e das praias, e talvez tenha sido isso que senti justificar o facto de estar parado num semáforo de uma esquina de Lisboa e ter descoberto de repente que a loura que conduzia o super Mercedes que estava ao meu lado era a cantora Ágata.
Logo ali e em dia de regresso ao trabalho, a nossa fragilidade apela aos santinhos todos num pranto ao estilo de “Mãe querida, mãe querida…” e desliza para um secundaríssimo plano, o antecipado desconforto do regresso aos Mocassins depois de um mês de liberdade total para os pés em gozo de férias.
Já para não falar do aperto que as gravatas me oferecem ao pescoço habituado à brandura dos pólos…
Por entre o "perfume", que não de mulher, mas desse improvável dueto da Rainha do Pimba com um Quim Barreiros que não é o original; nada mais poderá constituir factor de risco para uma possível depressão pós-férias de verão.
Saberá no entanto Deus qual a causa para a imensidão do castigo que para mim constituiu tal visão demoníaca (e loura), como se de repente eu tivesse saltado para um videoclip do "saudoso" programa "Made in Portugal", para dentro de “A Casa dos Segredos” da Teresa Guilherme, para uma página central e poster da revista “Ana mais atrevida”, ou então para um daqueles programas da tarde em que os apresentadores me põem à mercê de Captopril debaixo da língua quando falam mil vezes por hora dos números de oitocentos e qualquer coisa e das enormíssimas vantagens de ligar e ganhar milhares e milhares de Euros.
Foi portanto com os pés devidamente aconchegados, com o pescoço aprumadinho num fantástico nó de duas voltas, e sem qualquer laivo de queixume que voltei a tomar a bica pelas sete horas da manhã na pastelaria do costume e a dar dois dedos de conversa enquanto folheio e leio as gordas do Record.
E as gordas, juro que não é piada para a Ágata.
Depois o trabalho, a alegria de rever os colegas e um dia fantástico, claro; se até a colega que faz a limpeza escutava por aqui e partilhou comigo o som do Waterloo dos Abba, da Eurovisão de 1974, um pouco antes das oito da manhã…
É que só podia correr bem...
Porque se o segredo e o melhor dos dias é o bom humor, nada de mau acontece se nos agarrarmos a ele com unhas e dentes dizendo a toda a hora que "podes ficar com o resto e dizer que eu não presto, mas não fiques com ele..."
Ele, o bom humor claro, que a outra coisa bem diferente se referia a Ágata nos seus “malditos amores”.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

As sedes, os silêncios e o imenso querer dos heróis

O silêncio será sempre a melhor oportunidade para atribuir valor à música e às palavras; a ausência, a melhor forma de fazer justiça ao inquestionável valor de um abraço; e a saudade pode constituir uma fantástica e definitiva oportunidade para sentirmos que sim, este é o nosso definitivo amor de onde nunca iremos partir.
Só valoriza muito a água quem sente ou já sentiu sede, o pão vale muito pouco para quem nunca sentiu fome, e a liberdade é um dom fundamental para todos, mas muito especialmente para aqueles que um dia sentiram a mordaça que lhes limitou o desfrutar da sua própria verdade.
Depois… a adversidade é para os fortes uma escola de virtudes e para os fracos um fabuloso pretexto para dar brilho à sua “aura” de coitadinhos e desgraçados abandonados pela sorte.
E às vezes, no fim das tardes quentes de verão, quando o sol tinge de vermelho o horizonte e nós lhe entregamos o olhar, enquanto à janela escutamos a voz brava de alguém que do outro lado da linha partilha connosco a ânsia de muito querer viver por entre um interregno em que a saúde se foi; nós aprendemos tudo isso enquanto a emoção nos tolhe as palavras e nos põe o pensamento e o coração em cambalhotas a cem à hora.
E sentimo-nos muito grandes e ricos embora estejamos a chorar.
Amanhã o sol nascerá por certo mas é necessário ir procurá-lo ao outro lado da vida, perdão, da casa.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O último dia de férias

Já está, cheguei ao meu último dia de férias.
Durante um pouco mais de três semanas tive tempo para passear no campo, na serra, nas cidades, nas ruas com muita gente, nos trilhos solitários e só meus, à beira mar, nas margens dos rios, dos lagos azuis, das ribeiras com aroma de hortelã e poejo…
Cantei, assobiei, comovi-me, chorei, ri muito, encantei-me com as palavras dos poetas e com as canções que fui escutando. Li e reli Eugénio de Andrade e definitivamente fiz minha (nossa) a fantástica Where dreams go to die, de John Grant.
Escrevi prosa, crónica, romance e poesia, à luz de um luar gigante ou de um sol mais ou menos envergonhado; a olhar o Douro, o Tâmega e o mar Atlântico; escrevi por entre o cheiro a flores, a campo, a maresia… mas sempre a pensar em ti.
Sorri muito sob o privilégio do afecto dos meus pais a quem dei o braço em inesquecíveis passeios, e também sob o efeito doce das palavras e das memórias que soubemos ir semeando pelos dias.
Bebi, brindei com vinho, cerveja e sangria, comi petiscos, gaspacho, sardinhas, bolas de Berlim…
Iniciei muitos dias a saborear o mar e simultaneamente o prazer de um bom café com gelo.
Li mensagens, comentei fotos, vídeos, partilhei piadas e até já gritei golos do Benfica.
Falei muito e saboreei todos os silêncios e o privilégio que ele nos oferece de podermos falar a toda a hora com aqueles a quem queremos muito.
Arrumei o escritório vasculhando memórias.
Abandonei o relógio para que não existisse hora para nada, existindo simultaneamente tempo para tudo.
Estive na praia, procurei conchas, falei com o mar nos instantes ali naquele terreno mágico onde as ondas se rendem à areia e ela nos desenha o caminhar.
Tomei banhos no mar e à excepção da chuva num domingo no Monte de Santa Luzia, não despejei sobre mim qualquer outra água fria. No mundo já se mete demasiada água, e para além disso, gosto mais de nomear os que amo por via do coração e do pensamento.
Namorei, umas vezes sob o olhar doce da pessoa por quem se me solta a poesia, outras, muitas mais, naquele abraço perpétuo que a memória sempre nos oferece fazendo com que a distância de quem amamos seja apenas um desprezível detalhe de natureza geográfica.
Mas já está… as férias acabam hoje.
Tenho no entanto de confessar que gostando muito do que faço no trabalho e das pessoas com quem o faço, já tenho saudades e me vai fazer muito bem o regresso.
Há mais de um mês que não tomo o café matinal com a minha querida colega Carla Antunes, e isto é uma violência.
No fundo, quer falemos de férias ou trabalho, o segredo é sempre o mesmo, é fazermos nossos todos os dias pondo-lhes a marca do que queremos, rodeados pelas pessoas de quem gostamos.
Venham de lá então os doces dias de trabalho.