sábado, 7 de março de 2015

Os super poderes à solta nas margens de um rio grande e azul


A Inês é uma menina linda que tem uma alma e um olhar moreno de poeta que rimam sempre com os caracóis que lhe coroam a face e esvoaçam como andorinhas em cada impulso que ela lhes oferece no entusiasmo de uma corrida.
A Inês vive na margem esquerda de um rio grande, e do alto dos seus incríveis sete anos ambiciona ser uma fada...
Para mudar o mundo.
Na outra margem do mesmo rio vive o João, que chorou no dia em que lhe explicaram que jamais saberia contar até a um último número; porque atrás de um número chega sempre outro e outro até ao infinito.
E lá se foi o sonho de "agarrar" o universo que é bem maior do que ele imaginava.
A Inês aprendeu a ler, e no dia em que sentiu que nenhuma frase lhe seria estranha e indecifrável, aproximou-se da mãe para lhe dizer que agora sentia que tinha super poderes.
O João pediu ao tio que lhe escrevesse uma história em que ele seria um dos heróis, os outros seriam o irmão e o primo; e o argumento teria de ter magia e super poderes, porque uma história vulgar não teria qualquer interesse.
Há definitivamente magia à solta em ambos os lados do Tejo, aquele rio grande e azul que me oferece em Lisboa, o melhor poiso para namorar e colher dos dias a poesia.
A magia jamais terá idade, os sonhos não envelhecem; e eu, a minha amiga Inês e o meu sobrinho João, às vezes até poderemos "desesperar" por não sermos donos do universo, mas jamais desistiremos de fazer de cada história, de cada parágrafo; e eu de cada olhar com um beijo teu, o fermento que nos cria maiores, o sorriso perfeito nascido da vitória sobre a banalidade e o previsível.

sexta-feira, 6 de março de 2015

“Príncipes” imperfeitos na vitória dos cábulas


Quando em Portugal os príncipes eram perfeitos, navegávamos para conquistar o mundo e dar novos mundos ao mundo. Agora, em tempos de “príncipes” que se confessam imperfeitos, naufragamos, o mundo chama-nos lixo e os mundos todos que um dia lhe demos regressam a casa, mas para nos comprarem a preço de saldo.
A História muda sempre que os cábulas conseguem vencer os competentes, honestos e aplicados, mas muda sempre e invariavelmente para pior.
Por cá, os cábulas filhos do facilitismo, líderes confeccionados em balões de ensaio, há muito venceram, fazendo com que os “bons alunos” emigrassem para exílios com capa de mais ou menos excelência; e aqui no recreio onde brincamos aos países há caloteiros que assumem papéis de mestres do rigor e da exigência, há “filhos da mãe” que se assumem como donos da moral e até há policias que são ladrões.
Aonde?
No recreio, que é como quem diz no espezinhar de um chão tecido pelas nossas dores, a terra onde por sobre nós se erguem monumentos à mediocridade.
E nesta festa de brincar muda a História e todas as histórias, porque jamais será o lobo a comer o pato que fugiu do lago do jardim; isso eram fábulas de outros tempos, agora é o Pedro que come o pato… e os “patos” todos.
E os lobos?
Talvez uivem com os “patos”, de fome e de revolta nas filas do desemprego ou das Finanças e da Segurança Social onde nunca faltamos para cumprir com o nosso dever de personagens competentes desta história… e da História.
Sem moral, com os heróis a serem sepultados vivos nos panteões do ridículo promovidos pelos microfones colocados à porta das penitenciárias ou nos palcos dos festivais; sentimos a orfandade e pesa-nos o leme enquanto sentimos que o “mostrengo” avança.
Resta-nos pois evocar os tempos dos “Príncipes Perfeitos” e responder frontalmente à imbecilidade, sem medo e tal qual na inspiração de Pessoa:
Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!

quinta-feira, 5 de março de 2015

A lua e as suas sombras


Desperdiça demasiada vida quem se senta à espera que o sol lhe tempere de cor as árvores e as ervas do campo; se a lua oferece à noite sombras infinitas que ficam à mercê do tom que lhe queremos dar.
E das sombras “colhemos” tantas histórias.
Conheço quase de cor as curvas do caminho, os detalhes todos que ladeiam a estrada por onde sigo de Vila Viçosa a Lisboa sob o luar intenso dos primeiros dias de Março. Sei que ali à direita e antes de chegar a Montemor-o-Novo há um sobreiro adormecido e centenário, uma árvore semelhante a uma taça gigante tecida de troncos carregados de vida pela sua generosidade e pelos tantos anos que já atravessou.
Hoje vejo-a como uma sombra perfeita na verticalidade da sua morte que oferece berço a tantas vidas.
E o poeta, que pode não ser um escritor; que a poesia é sempre coisa que se sente e que se pode expressar por qualquer dos sentidos, fixa-lhe os contornos e leva-a consigo na lembrança durante muitos mais quilómetros.
A perseverança de uma árvore é semelhante à fé de quem vive um grande amor.
Hoje, eu que sou sombra porque despido de cor pela saudade de te não ver, sinto nos meus braços e em cada detalhe do meu ser, a vida toda que me dás semeada por cada palavra, cada beijo, cada abraço…
E embora veja turva pelas lágrimas, a minha história que passa agora pelo escuro da estrada como na sala apagada de luz de um cinema, eu sei que o que vejo é o que eu quero ver, e sou eu, irmão de uma árvore do Alentejo…
Eu jamais deixarei de te amar assim, mesmo depois do dia em que a vida me fizer morrer.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Eu sigo sempre como a caminhar para ti e olho tudo à volta como que a procurar-te…


A noite já acendeu o Cristo-Rei e transformou a ponte numa ponteada linha de luzes em tons de amarelo com o sul como destino.
O inverno está de partida, sente-se no ar sem o mínimo tom de frio; e hoje não corre o vento que costuma trazer-nos a bênção do Tejo até às faces e põe as Tágides a segredar-nos ao ouvido os detalhes todos que guardaram do seu namoro com o mar.
Cúmplice, mais do que nunca, a lua brilha cheia por sobre mim.
O meu caminho passa por Belém, sobe a Ajuda pela Calçada e ao lado da Memória, e é o retrovisor que me traz a ponte e o rio até ao olhar.
Eu sigo sempre como a caminhar para ti e olho tudo à volta como que a procurar-te…
E sei que tu estarás sempre por Lisboa.
A lua parece sorrir-me como que afagando-me o ombro por entre o desconforto da certeza de que partiste ainda há pouco.
Há muito pouco.
Sem ti eu sou muito menos de metade daquilo que sonhei.
Estou a deixar a Ajuda, vou entrar em Monsanto e numa curva vejo que a ponte se pôs à minha frente e trouxe com ela uma nesga generosa de uma das colinas da cidade.
Eu vejo-te finalmente e sorrio como a lua.
Tu és a minha Lisboa.
Toda a Lisboa.
E eu vejo-te sempre mesmo que às vezes e só por entre a saudade.

terça-feira, 3 de março de 2015

O meu país entre o pântano e a tanga


O Primeiro-ministro de Portugal que fez a última dobragem de século pediu a sua demissão em 16 de Dezembro de 2001 para evitar o “pântano político”.
Aquele que lhe sucedeu e que disse ter encontrado o país “de tanga”, suspendeu a sua missão de salvador da pátria no dia 17 de Julho de 2004 para poder abraçar o cargo de Presidente da Comissão Europeia e enriquecer dessa forma o que mais lhe interessava… o curriculum.
Sucede-lhe então um outro político que entre equívocos, trapalhadas e demissões; acaba por motivar uma há muito esperada dissolução da Assembleia da República.
Sobe novamente ao poder o partido do “pântano” e um novo politico com direito a dois mandatos, o segundo dos quais, interrompido a meio no momento em que é pedido um resgate financeiro às instituições internacionais.
Voltam os salvadores da “tanga” mas desta vez para porem tudo a usar a dita a pretexto do pagamento das dívidas.
Destes dois últimos primeiros-ministros, hoje dia 3 de Março de 2015, o primeiro está preso por suspeita de corrupção, e o segundo, actualmente no cargo, já assumiu que durante um determinado período de tempo (algures entre o pântano e a tanga) não fez os pagamentos à Segurança Social por lapso e desconhecimento.
Tudo bons “rapazes”…
No cumprimento da alternância parece ser a vez do regresso dos do pântano e para início de conversa e para que a nossa expectativa não suba muito alto, o homem com mais fortes possibilidades de assumir o cargo de Primeiro-ministro assumiu já que o país está bem melhor em 2015 do que em 2011.
Pois está…
Também é muito possível que este potencial Primeiro-ministro assuma o cargo poucos meses antes do homem do pântano (ou quiçá o fugitivo da tanga) ser eleito como Presidente da República gozando do privilégio da amnésia do eleitor; por cá o principal aliado dos agentes políticos.
E esta é a breve história do meu país no Século XXI, uma história de misérias, fragilidades, abandonos e demissões motivadas entre outras coisas por fugas aos impostos e falsas licenciaturas; muito mais do que de alternativas a sucederem-se democraticamente numa perspectiva de desenvolvimento; uma história tecida de equívocos, mediocridade, hipocrisia e incompetência com uma factura elevada entregue ao povo para pagamento com a dor da privação do pão e da liberdade.  
Conclusão: De um imbecil jamais nascerá um líder, e uma nação governada por imbecis viverá sempre de tanga e imersa no viscoso mar da incompetência… leia-se no pântano. 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Eu, tu e Lisboa… um caso de eternidade


Desço um suave mas estirado degrau até ao rio, e faço desse instante o cais onde ascendo ao lugar que a minha vontade há muito desenhou para mim.
Tu estás ao meu lado; hoje aqui como no desenho rebelde de todos os sonhos, mesmo os mais ousados.
E hoje sei como te chamas, e vejo-te, toco-te, abraço-te… como quem quer sofregamente certificar-se que a perfeição existe e passeia comigo num domingo à tarde, e quando estou acordado.
Percorri o mundo e o tempo todo a procurar-te, revolveria novamente o universo inteiro se a sorte me devolvesse aos domingos de solidão passados junto ao Tejo; quando o degrau de hoje era tão-só um banco para eu descansar, e onde o rio bebia das minhas mágoas, provando do sal, um pouco antes de chegar até à sua inevitável condição de mar.
Agora…
Sinto-te tão perto que até o teu respirar me beija... e estou contigo na pátria que sonhei e de onde sou.
A minha vontade tomou as pedras irmãs e sem idade da cidade capital.
Eu, tu e Lisboa… um caso de eternidade.

domingo, 1 de março de 2015

O instante em que o mundo mudou


No dia em que te conheci
Algures em Março
O mundo mudou de repente

Eu…
Feliz como nunca
O mais feliz de entre toda a gente
E tudo por conta de um abraço

Nesse instante…

A Vénus de Milo bateu as palmas
A Gioconda não controlou uma gargalhada
E até o sol nasceu na Ronda da Noite por entre uma perfeita alvorada

O norte trocou com o sul
O equador virou meridiano de uma qualquer longitude
E até o céu por momentos deixou de ser azul

As ondas bateram ao contrário
O mar mudou a sua atitude
Subiu rios acima
E apaixonou-se irremediavelmente pelas neves da montanha

A hipocrisia morreu
A verdade superou as portas opacas de um armário

Os tristes vestiram sorrisos de uma festa tamanha
Daquelas onde o pranto vira canto
A solidão…
O calor de um coração
E a apatia se esbate e morre aos pés da fantasia

No dia em que te conheci…

Reparei depois do abraço
Que o mundo estava exactamente igual

Só eu tinha mudado

Algures em Março

Como nunca antes…

A querer-te
Por entre uma paixão imortal