sexta-feira, 1 de maio de 2015

Abraçar-me-ei a ti nos dias em que o tempo se enfeitar de Maio


Abraçar-me-ei a ti nos dias em que o tempo se enfeitar de Maio, tomaremos do campo uma suave e doce rebeldia, e os dois correremos depois por entre papoilas e giesta para chegarmos às cidades que ousámos sonhar, e onde tomaremos as ruas e as praças levando connosco apenas uma só arma: a liberdade.
Dar-te-ei beijos como bandeiras erguidas sob o chão tingido pelas cinzas das amarras, detalhes de pó da história que os nossos passos cruzados elevarão e farão perde-se no céu, que jamais deixará a sua coerência em tons de azul.
E por entre os gritos da nossa gente em festa, talvez se acenda uma clareira para que nos chegue o toque de uma guitarra entregue ao dedilhar dos Verdes Anos.
Verde… o nosso tempo qualquer que ele seja, tingido da esperança e das vontades que colhemos e herdámos do campo nas manhãs de primavera.
E dar-te-ei mais um beijo, chamaremos “amor” um ao outro ao mesmo tempo, chamaremos eterno a este querer, e seguiremos depois com a multidão até ao rio.
Os nossos passos, a gente, os gritos, a festa, os beijos, a minha mão na tua mão tecida perfeita pela mestria que acariciou as vinhas e todas as flores …
Sabes que a tua pele tem para mim o toque perfeito das manhãs de Maio?
Sim, a tua pele…
A minha liberdade.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Os poetas não compram flores


Não deixo nunca que os sonhos se apaguem na inevitabilidade do tempo; com eles vou moldando o mundo, e às vezes tomo notas desenhando e construindo “os meus mundos”, detalhes de brincar que um dia, mais cedo ou mais tarde, transportarei para a dimensão real que têm os dias.
Desenho a face de uma cidade colorida banhada por um rio, o Tejo; e encho-a de árvores, de ruas com chão desenhado a preto e branco, um castelo, paredes vestidas de todas as cores… e gente; uma cidade onde só pelo olhar se intui a banda sonora tecida a toque de guitarra e voz apaixonada de um fado.
Lisboa, a cidade onde cada detalhe me conta uma história.
O rio cruza-se desde o Terreiro do Paço em direcção ao comboio que ruma a sul e sueste…
E na outra face e em tom de férias desenho as planícies que conduzem à foz de um outro rio, o Guadiana; que os rios são apenas distintos pormenores geográficos para o canto e o passo da mesma água.
Aqui dispenso a ponte, tenho o barco que me levará sempre com a mão entrelaçada à mão da minha avó até às ruas de um falar diferente onde há caramelos e chocolate.
Voltamos ao fim da tarde; o mesmo barco, as mesmas mãos… e ainda e sempre as mesmas águas.
À noite acendem-se luzes, candeeiros nas ruas de Lisboa, no Sotavento, luzeiros pela planície fora…
Na minha maqueta de brincar, nos meus Legos…como as estrelas que me sorriem em todas as noites e que imitam a persistente vontade expressa em todos os meus sonhos: nunca se apagam.
“Sempre fui habituado a ser forte, a ser capaz de tudo, e não me vou abaixo”.

Ricardo, um abraço.
Os poetas não compram flores, tecem-nas com palavras e oferecem-nas assim, às vezes nos dias menos simpáticos que a vida tem.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

As lembranças de Lear e a busca incessante das palavras certas


Trouxe da tarde uma foto que tirámos junto ao rio, e escrevo olhando-a fixamente à luz das lembranças, buscando arduamente as palavras que melhor desenhem a verdade sobre o sentir a que ela reporta.
Às vezes faço uma pausa e fecho os olhos para regressar ao recanto perfeito que arquitectaste em mim.
Sento-me e descanso um pouco por lá.
Depois regresso à foto e à folha branca.
Que bom seria se os dicionários de todas as línguas do universo tomassem das musas o encanto e pudessem ajudar-me…
Escrevo, leio e releio, volto a escrever… mas nada se assemelha ao tudo perfeito que os nossos olhos há pouco tão bem disseram um ao outro.
A imbatível poesia dos olhares na nudez despojada de quaisquer pudores.
Alguém plantou um sofá no cais da estação para que nós nos pudéssemos sentar a partilhar a nossa história. Passámos tantas vezes por aqui e nunca pensámos que um dia o tempo nos faria juntar; o Castelo iluminado ao fundo, o D. Maria no sossego de uma noite sem teatro.
"Assim que nós nascemos, choramos por nos vermos neste imenso palco de loucos."
Acodem-me à memória estas palavras do Rei Lear que um dia ouvi por aqui.
E sigo perdendo-me no número de vezes em que senti o impulso de te tomar e acariciar a mão, ou então no número de instantes em que o brilho dos nossos olhos esteve quase prestes a explodir…
Mas a noite reservou para nós um beijo.
Sinto-o em mim e é ele o recanto, o palco a que regresso enquanto busco as palavras certas.
Louco?
Só se assim se chamar o instante perfeito desenhado por todos os sentidos.
Um beijo…
E subo a Avenida da Liberdade a chorar e com a sensação de que hoje renasci.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Perspectivas … e o muito que não se vê


Quem assumir que o mar é da cor da água que a onda lhe faz rebentar aos pés algures numa praia, jamais pensará pelo tom alvo da espuma que ele é azul; e quem olhar para uma rosa cingindo-se ao pé verde cravejado de espinhos, viverá para sempre na ignorância do esplendor que a flor oferece a quem a vê e “respira”.
Quem olhar para mim todos os dias ao fim da tarde no regresso a casa: mochila às costas, algum ou outro saco de compras, papéis, um assobio a enfeitar os lábios…
Assumirá por certo que o homem de barba grisalha que vive no sexto andar, que em dias de jogo sai de casa com a camisola do Benfica devidamente vestida, que escuta a Anne Marie David na canção que venceu a Eurovisão em 1973, e que tem um vaso de coentros à janela; é um solitário com tiques de alguma excentricidade.
O teu amor é a festa entrelaçada em todos os segundos que a vida me oferece, e eu sou muito mais… sou precisamente o oposto da solidão que alguém possa vislumbrar nos meus dias.
Esta noite eram precisamente zero horas e sete minutos quando tocou uma mensagem tua, li-a na cama onde estava só entretido a ler algumas crónicas do livro “Pesca à linha” do Alçada Baptista.
Li-a e juro-te que adormeci a pensar que não trocava a minha por qualquer outra vida.
E li-a por entre o perfume de todas as rosas e a certeza de que o mar é azul.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Este compromisso que atravessa todas as idades


De repente, apercebo-me, passaram 25 anos sobre o dia em que acabei o curso de Farmácia: 27 de Abril de 1990.
Com os muros a caírem na Europa, com Lisboa a ganhar uma cor diferente, e a poesia e a liberdade a ousarem enfeitar as noites do Bairro Alto que nos oferecia as ruas e as “tascas” para podermos pôr palavras nos sonhos e partilhá-los em voz alta; lembro-me bem dos meus 23 anos e dos regressos a casa a pé desde o cimo da Rua Rodrigo da Fonseca e da Farmácia Ronil onde estagiei, até ao Príncipe Real onde morava.
Eu e os meus pensamentos numa Lisboa que já era irremediavelmente a minha casa; e um privilégio.
Acho que nunca planeei nada de muito concreto por entre o desejo de ser feliz, independente e fiel ao compromisso de nunca me trair a mim próprio nos desejos, nas minhas mais férreas vontades. Custasse o que custasse.
E passaram 25 anos…
Quase não dei conta; penso-o quando desfruto hoje da vista desde a janela da sala de minha casa, vejo o mar e sinto o conforto de uma caneca de café que ainda há pouco pingou na máquina e perfumou todo o espaço que me envolve.
Escrevo como habitualmente ao pequeno-almoço que é a altura do dia de que mais gosto.
E acho que continuo igual no desejo de ser fiel a mim, mas hoje infinitamente mais feliz.
Amar-te é ter-te entrelaçado permanentemente em todos os pensamentos num privilégio que apaga qualquer detalhe de solidão.
Amar-te foi e será sempre a confluência dos meus desejos.
Lembras-te do primeiro passeio que demos por Lisboa quando a Feira do Livro enfeitava o Parque e os jacarandás davam cor lilás ao tecto sobre os nossos passos inebriados pela magia de se encontrarem?
Desde então que penso que era contigo que eu sonhava por entre a vontade e o compromisso de ser feliz e ser eu.
Impossível era planear-te assim tão concreto na perfeição de um amor infinito que me completa. 

domingo, 26 de abril de 2015

O sol e as palavras que teço para ti


Voltei hoje a sentar-me no recanto de onde te escrevo ao jeito de quem namora, a mesa onde teço palavras e lhes peço que cresçam e voem para que te abracem.
Na sexta-feira trouxe um cravo vermelho de uma tertúlia sobre a liberdade, e ontem no campo escolhi duas rosas, também vermelhas, que mais tarde juntei ao cravo numa jarra que está agora à minha frente.
As flores olham-me enquanto te escrevo…
E entre elas e eu, o homem que procura e escolhe as palavras; entre a liberdade, a paixão e o meu pensamento que te resgata da distância, há uma sintonia perpétua e perfeita.
Eu amo-te com o vigor rubro de uma rosa e o teu amor é a expressão suprema da minha liberdade.
A paixão conta bem mais para a vida do que o sangue que em mim pulsa e corre…
E é repousado nos teus ombros que me encontro, e é nos teus beijos que nada de mim sobra ou falta. Sou eu completo e de verdade, sou eu pleno e coerente, sou eu a respirar o aroma doce da minha liberdade.
Toda a noite choveu copiosamente contra as vidraças, mas o dia parece querer revestir-se de sol. Já o vi aqui timidamente a beijar as flores à minha frente.
Eu amo-te com o vigor rubro de uma rosa…
E escolho cuidadosamente as letras, teço as palavras e deixo-as depois aqui para que o sol as beije e as possa ler com cuidado.
O sol alimenta-se das flores, e também de nós, para assim poder falar de amor a toda a gente.

sábado, 25 de abril de 2015

O post número 1.000 / "E vão buscar-me para ir para casa"


Em 1987 tu já estavas em Lisboa a terminar a faculdade e eu ainda andava por Vila Viçosa a tentar seguir-te os passos. Como era costume nas férias do Natal, eu e a mãe já tínhamos feito o presépio e encomendado as prendas que era difícil arranjar no Alentejo. Eu queria um disco de vinil de um grupo que agora não recordo. Apesar de ter 16 anos, mantinha(o) a curiosidade das crianças de verificar se o meu desejo estava em vias de ser realizado e a existência, no cimo de um guarda-fato, de um volume com as medidas de um LP era bom sinal…
Mas surpresa das surpresas, no momento em que me entregaste a prenda, o LP foi facilmente dobrado pelas tuas mãos e eu devo ter feito a maior cara de espanto: lá dentro estava o cartão de sócio do nosso Benfica e umas quadras que ainda hoje guardo onde falavas daquilo que são realmente os nossos desejos.
Já sabes que não sei fazer quadras, nem limitar textos a 75 palavras, mas quero que saibas que eu, os pais, e toda a família te apoiamos naquilo que são os teus desejos.

José Artur Barreiros


O dia de ramos,
Já tenho o loureiro, o alecrim e umas pontas de oliveira, é dia de ir à casa grande pedir as flores para enfeitar os ramos.
O percurso para a casa grande fazia-se através dos campos, num caminho de terra batida ladeado por franjas de ervas daninhas, à sua volta os terrenos eram canteiros arrumados por retalhos de sementeiras feitas e nabais floridos à espera de serem lavrados.
Estava uma tarde amena, o céu era um mar calmo, o calor do sol fazia com que odor da terra se misturasse com o cheiro das flores e o que se ouvia era o zunir das abelhas. Assim se fez o caminho para a casa grande.
As cameleiras formavam uma das alas dos jardins, as flores já se encontravam cortadas em pequenos pés, jaziam em montes por cima das camélias caídas e murchas que atapetavam o chão.
Enchemos o cesto, agradecemos e partimos. No regresso, a meio do caminho, a Clara a tirou do cesto uma camélia e deu-a ao João a cheirar, este respondeu - As camélias não tem cheiro, mas estas até tem! – Cheiram a esta tarde! Cheiram a este campo!

Ângelo Rodrigues



El valor de los números
El tiempo en ciclos de cinco
años en los estudios en los destinos
en las ciudades amadas apropiadas
como pertenencias del corazón
en sus múltiplos
en la cuenta de los días que faltaban para la vuelta
sobrevolando con la memoria alerta invencible al sueño
en el círculo descrito por los paseos del domingo
en la celebraciones cómplices
el valor de los números vencedores.

Iniciando la noche del 23 de abril de 2015, con Londres al frente.

Juan Blas Delgado



Pediste que escrevesse umas linhas para o teu blog 1000. Que tarefa tão complicada para quem, como eu, não encontra quaisquer dons pessoais, muito menos os da escrita!
Levantei-me hoje cedo, olhei para o espelho e repeti (como tu me ensinaste)
“Tu és bem capaz!”
Sentei-me à secretária e tentei aproveitar as doses de energia positiva que tentara infiltrar mas…
Nada, absolutamente nada de jeito saía!
Comecei em jeito de poesia, pensava ter dose de inspiração suficiente… risquei!
Passei à prosa, invocando a nossa doce infância tão cheia e rica, mas comparei as tuas memórias e …rasguei!
Bem, de hoje não passa, em prole da nossa velha amizade…
Obrigada, porque quando estou contigo, sinto que posso ser sempre espontânea que tu estás lá com um olhar cúmplice! E brotam as gargalhadas soltas…
Bem hajas Quim.

Zinha Duarte

Desde que me conheço que me lembro do Quim.  Brincamos  juntos, partilhamos aventuras, descobrimos Lisboa juntos ,  fizemos imensas viagens e atravessamos continentes juntos.
Falamos e rimos sempre muito de nós, dos outros e do que nos ia acontecendo.
Hoje já não falamos tantas vezes, mas sempre que sinto a falta do meu amigo ou das suas palavras vou ao Pomar para (re)ler os seus textos / poemas e voltar a soltar uma boa gargalhada, sorrir simplesmente ou emocionar-me até sentir as lágrimas nos olhos.
Obrigado Joaquim por este esplêndido laranjal e que o mesmo continue a florescer por muitas estações, de modo a que sempre que nós lá formos colher uma laranja ela nos traga alegria, verdade, emoções e afectos.

João Alves da Silva


Somos o Outro…
Outro, que sempre será um LUGAR e uma oportunidade de melhorar a nossa relação com o mundo e connosco mesmos, pois é o eco de um vale profundo e simultaneamente um abismo ou um multidimensional e magnífico espelho, que nos ajuda a evitar o desalinho, onde, por excelência, se situa o reduto da aprendizagem, fruto da observação, da tentativa e do erro, sem os quais, a Vida perderia todo o seu sentido.

Ezequiel Coelho


O Pomar das Laranjeiras apresenta-nos o Amor vestido de amizade, de liberdade, de humor, ou até mascarado de laranja podre. E como poderia ser de outra maneira pois se é Ele o alicerce e o fio condutor da vida do autor?
Posts deliciosos que nos ensinam que o Amor é uma busca que nos põe em busca do Bem.

“Todos os dias quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra amor…”
Clarice Lispector
Mina e Natália Sousa


Para comemorar o milésimo post do blog e respondendo ao desafio proposto, aqui deixo um pequeno copo de sumo espremido das laranjas colhidas daquele que é também o “nosso” pomar, desejando que o autor e nosso amigo Joaquim Barreiros, continue a arar as terras que alimentam as laranjeiras e a presentear-nos diariamente com os seus actuais, interessantes, divertidos e, quando necessário, diria …  “acutilantes” textos.
Parabéns, até ao post 2000.

Álvaro Coelho


Amizade sincera e profunda, aquela que nos une.
Momentos únicos são aqueles em que estivemos, estamos e estaremos juntos, nos quais partilhámos, partilhamos e partilharemos as nossas vidas.
Intensidade, a forma como consegues transmitir o dom da vida, da alegria, da palavra que dá que pensar, que faz rir, chorar e recordar.
Grandiosidade é aquele dom que transborda do teu coração.
O elo que consegues ser, pois juntas os amigos que mesmo estando perto muitas vezes estão distantes.

Bem hajas pelo dom da AMIZADE que existe entre nós desde “os banhos de luz”.

Manuel Almas


Os afectos calam as distâncias, e os amigos, sempre presentes, são os “ingredientes” fundamentais para que disfrutemos dos dias em que somos felizes.
O sal, as especiarias, os aromas e os sabores…
Brindamos com gargalhadas, com cumplicidades, com o calor bom de estar próximo, e a vida é um banquete rico e inesquecível; horas e minutos inscritos no cardápio dos nossos desejos e dos nossos sonhos.
Às vezes, tudo isto envolto no gosto doce das melhores laranjas, como as que colhemos aqui neste Pomar.

Rui Pereira


O primeiro texto do Pomar
Sem grande inspiração, mas com o tempo a avançar como um cavalo, sento-me à frente do computador à espera que só esse facto me forneça o que necessito: o mote para o desafio de contribuir par ao post número mil deste blog.
Dou por mim a pensar em como tudo começou, quando numa conversa o seu autor me disse que iria iniciar um blog e que, mais tarde, enviaria o link. Resolvi, então, ir ver o primeiro post. Retirei dele as seguintes palavras/expressões: “Existir”, “Vila Viçosa”, “laços com os amigos”. Para mim, elas definem o que tem sido o Pomar, porque definem também o seu autor e a sua saudável relação com a vida. Quase diariamente nos presenteia com um texto que nos pode fazer rir ou chorar, mas que, essencialmente, nos faz reflectir sobre o quotidiano, em coisas tão simples e, por outro lado, tão complexas. Há dias em que parece transmitir aquilo que acabámos de pensar, mas que não somos capazes de dizer assim!
Ficamos à espera dos próximos mil!

Manuela e Zé Maria Barreiros


Olá,
Eu sou o João Barreiros e tenho 9 anos. Estou no 4º ano e gosto de fazer origamis. A minha escola é na Estrela (João de Deus) e estou a escrever esta história no dia antes de uma visita de estudo aos dias da música no CCB e ao Mosteiro dos Jerónimos, inaugurado por D. Manuel I.
O meu dia é assim:
Vou para a escola;
Trabalho;
Recreio;
Trabalho;
Almoço;
Recreio;
Trabalho;
Recreio;
E vão buscar-me para ir para casa.

João Barreiros