sexta-feira, 15 de maio de 2015

Amo-te sob a unanimidade da vida


Quando convoco as palavras para dizer o que sinto por ti, e inevitavelmente que te amo, sinto que a minha vida toda se reúne ao redor desse instante.
Nem um só milímetro cúbico se alheia, e o desejo que o meu olhar denuncia é a fala informal de uma inédita unanimidade de mim; eu completo, um homem novo encontrado por si mesmo nos meandros deste perder-se de amor.
E jamais entenderei o exacto porquê desta expressão “perder-se” aplicada aqui, se aquilo que se perde pouco importa perante o tudo que se ganha.
A vida recentra-se no essencial, e apenas morreram as mágoas que deitadas à terra e regadas pelas lágrimas de sorrir, apodrecem como sementes incansáveis de um dia novo.
Tacteei o mundo em busca da tua pele e nem sequer foi tempo perdido, o rol de anos que passaram: eu encontrei-te, e o resto, o próprio tempo, eu já esqueci.
Hoje cheguei cedo a casa, a tarde está clara e o mar faz-se próximo ao meu olhar quando espreito pela janela.
Fiz uma limonada, temperei-a de gelo e hortelã, e encostei-me depois a uma das ombreiras da janela, degustando-a e não vendo nada mais do que apenas o mar entre mim e o horizonte.
Pouso o copo por momentos e anoto no caderno:
“Amo-te sob a unanimidade da vida”
Depois bebo mais um pouco e espreito novamente pela janela.
Há quilómetros de verde e casas até ao azul, mas eu só quero ver o mar.
Eu amo-te…
O demais pouco importa.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A noite que te trouxe


Há noites destas, de acordar com o vento, e ficar assim desperto no assumido gozo do prazer da manta colorida, temperando a hora de tudo aquilo que mais quero.

O pensamento nunca falha na hora de cumprir os desejos desta vontade, e breve te faz chegar aqui para "conversares" comigo.

Lá fora segue o breu... e o vento como que num esforço para que a sua voz acorde definitivamente a madrugada.

Peço-lhe que sossegue; tu já estás comigo...

Os dias são o que são, e as noites por serem mães de sonhos, são no seu silêncio e no escuro, tudo aquilo que queríamos que fossem os dias.

Eu agora sinto até o teu abraço, e ao ouvido vou dizendo tudo aquilo que às vezes te escrevo e que só nós e o Tejo que nos escuta, guardamos como segredo.

Consigo sentir os teus beijos, são diferentes de tantos esboços onde os ensaiei enquanto te procurava.

E sigo pelas palavras...

O vento já amainou e não tarda a amanhecer, eu adormeço contigo.

Já vamos ter muito pouco tempo para dormir, o dia não tarda, a hora de me levantar...

E mesmo que o dia não seja tão fiel a mim quanto foi esta noite, não me importo; sempre colho dele o céu que me lembra o teu olhar.

E sonharei acordado em ilhas de silêncio que abrirei na cidade.


quarta-feira, 13 de maio de 2015

O amor e… às vezes parece ser suficiente que alguém dê o mote


Às vezes parece ser suficiente que alguém dê o mote…
No mais puro jeito de confidência, ontem e no espaço de não mais de duas horas chegaram até mim duas histórias de amor.
Na primeira, um breve e inesperado cruzar de olhares algures na Europa durante um jantar de aniversário em Fevereiro foi o primeiro instante de uma história intensa que por estes dias de Maio transborda de flores no prenúncio de vidas que inevitavelmente se irão entrelaçar para poderem partilhar todos os dias do futuro.
Na segunda, um encontro há quatro anos a motivar uma paixão que trouxe até hoje o nada naquilo que se vê e o tudo encerrado no peito; aquele ser que dói tanto, quando o coração transborda de amor e as mãos permanecem inexplicavelmente vazias daquelas outras que realmente importam; quatro anos e tantas vidas em que elas em vão foram sendo procuradas...
E eu e tu e aquela poesia a que ofereci as palavras escritas e ditas na tarde de sábado no Chiado.
O mote.
Duas histórias, dois detalhes para um mesmo amor; que este, qualquer que seja o enquadramento e os protagonistas, nada mais pode ser para lá do perfumado e desejado destino, a praça virada ao mar, temperada de sardinheiras e cheia de sol… para onde a vida se dirige por regra da vontade.
A praça, a casa de onde nunca iremos querer sair.
É assim o amor no mote dado pela poesia e sem que jamais importe o tempo; porque breve ou longo é algo desprezível quando se é eterno na vida de alguém.
Como tu és eterno em mim.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Os pássaros e os Homens que gostam de voar


Um Homem resignado é um pássaro automutilado no poder de voo das suas asas, e um pássaro que entrega facilmente o seu quinhão de céu a todas as outras indistintas aves.
Então, prostrado e triste numa gaiola ou nas pedras duras do caminho, apenas verá do céu alguma qualquer pequena nesga de azul que as asas alheias em voo lhe quiserem deixar por dó e caridade.
E um pássaro assim, sem céu, é um pássaro morto na sua raiz, na sua essência, mesmo que ainda possa continuar a respirar… e até por muito tempo.
Pelo contrário, um Homem ousado é um pássaro que dá vida às asas e que chama a si, o céu, buscando-o sem reservas e sem temer sequer os perigos que espreitam por detrás dos arbustos na pontaria certeira de um qualquer “caçador”.
Poderá chegar o dia em que possa ficar ferido, quiçá morrer, mas nunca foi por si e por falta de ambição que o céu deixou de lhe sorrir e deixou de ser seu.
E já tem muito de nosso, tudo aquilo a que aspiramos e pelo qual lutamos, mesmo que jamais consigamos ter dele posse total e efectiva; para além de que a esperança que vive colada aos sonhos já nos faz sorrir.
É o irresistível açúcar da vontade.
Um pássaro que se faz ao céu fá-lo pois ao jeito de um Homem que dispensa as gaiolas, as grades, e que cumpre o destino que a alma lhe impõe em pleno e despudorado gozo da sua liberdade…
Um Homem que faz suas, todas as fontes; um Homem que não nega jamais um beijo aos seus amores, da mesma forma que um pássaro em voo, jamais se recusa pousar e entregar uma carícia à mais bonita das árvores do campo…
Um Homem que sonha e que assume assim a ousadia que a nada se rende; nem sequer à perspectiva desse tão desconfortável epíteto de louco, oferecido gratuitamente e de forma voluntária pela multidão gigante dos mestres e escravos da sensatez, “papagaios” mais ou menos coloridos e instalados em poleiros dourados entregues à monótona “cassete” de tantas frases feitas.
Um Homem…
Sou eu e sou tudo isso pelo impulso de voar para ti, para os teus braços…
Definitivamente, o meu céu.
E voar sem sentir medo.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Há uma paz imensa que se solta desta inquieta vontade de chegar…


Há uma paz imensa que se solta desta inquieta vontade de chegar…
Contradição do amor; tal qual este tanto gostar de mim mesmo que cresce à medida que descubro que te amo assim tão infinitamente, e penso em ti muito mais do que o faço em relação a tudo aquilo que existe em mim… ou ao redor de mim.
E a pressa de chegar…
Rogo às ruas que me encurtem a distância, ao tempo que me empurre pela tarde e à vontade que me vista asas e eu possa voar para ti.
Como um pássaro destemido.
Por entre a paz.
Eu sei que me espera aquele abraço, quando os nossos olhares já contaram os segredos todos no breve calor de cinco segundos e quando a história e os detalhes da pressa de chegar já se apagaram algures nos corredores do gélido panteão da memória.
Não me falta nada.
Sou eu finalmente.
A vida mima-me como se cada dia fosse um doce pedaço de Torrão de Alicante retirado de uma caixa de madeira comprada por aí.
Caminhamos os dois lado a lado pelas curvas e contracurvas de uma conversa que jamais terá fim.
As palavras nascem de nós e falam de amor.
Eu olho-te discretamente enquanto caminhamos e pela tua perfeição descubro-me o homem mais feliz do universo.
Contradição do amor.
Sou eu finalmente.
Por entre a paz.

domingo, 10 de maio de 2015

A poesia da festa de sermos NÓS


“Lisboa faz diferença”.
Assim comentava Carlos da Maia a João da Ega enquanto desciam ambos o Chiado numa brilhante descrição de Eça em “Os Maias”.
Faz diferença, mesmo, quando numa tarde de primavera e vestida de forma irresistível por um sol intenso, uma cor de tons infinitos e muita gente, eu e o Ângelo descemos o Chiado para uma festa de amigos.
A rua que tem nome de Garrett, que desce do Camões e passa pelo Chiado e por Pessoa na Brasileira, recebeu-nos aos dois com um “Nós” debaixo do braço, livro de palavras e imagens de duas vidas, duas expressões diferentes mas uma mesma e definitiva poesia.
A poesia da terra que pisámos e se fez berço e leito de crescer.
A poesia de romper com os dias inevitáveis que nos ofereciam e ousarmos sonhar ir muito mais além.
A poesia da festa de sermos nós.
A poesia que espalha flores pela vida em todos os dias e nestes momentos especiais em que nos cruzamos à esquina das mais fortes e saborosas cumplicidades.
A cumplicidade das muitas horas doces que foram a raiz deste livro.
A cumplicidade que criou esta tarde em que nos perdemos os dois nos sorrisos e nos abraços dos amigos.
“Lisboa faz a diferença”
E os amigos fizeram a diferença em Lisboa numa tarde que nasceu para ser eterna em nós.
Jamais a esquecerei.
Uma tarde doce e… “chique a valer”, para não fugirmos de “Os Maias”.

sábado, 9 de maio de 2015

Há dias que sonhámos muito

Há dias que sonhámos muito, amanheceres que são o cais da chegada de muitos passos, os dias para onde empurrámos o tempo por força da nossa mais imperiosa vontade.

Hoje acordo com a sensação de que conheço muito bem a brisa, a cor e todos os detalhes desta manhã. 

Tenho sobre a minha mesa um livro com palavras e imagens, "Nós" tecido nas horas em que Lisboa foi a casa de um afecto que juntou letras e instantes no privilégio de ter o Ângelo comigo.

A vida e a poesia que a celebra e que se solta por tantas e diferentes janelas.

Hoje iremos ao Chiado ter com os amigos para partilharmos a festa deste encontro, a mesma rua onde tantas palavras se soltaram... e de onde colhemos infinitas imagens.

E eu conheço bem esta manhã porque fomos nós que a inventámos.

Há dias bons... 

Até logo.