quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Eu, tu e todas as noites



Mudo a História, a poesia, contrario as letras das “velhas” canções e não te peço à noite; sou eu quem incansável te oferece a todas as noites por onde eu passo e aonde eu vivo.
É mais veloz e fiel o pensamento do que qualquer gesto, e por isso tu estás na lembrança, mais do que “ali à mão”, vestindo os segundos todos dessa paz que não se explica nunca com inteira justiça em relação ao tanto que se sente.
Um amor inacessível às palavras e a outros humanos e mundanos detalhes… e nós a cruzarmos abraçados o tempo todo, os dias e as noites, oferecendo a luz que se solta da autenticidade da festa de sermos nós e do despudorado usufruto da mais doce liberdade.
Eu oferecendo-te a todas as noites como quem acende a lua e os luzeiros todos que o céu tem…
Numa nova poesia.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Uma definitiva história



Há um transversal sentido que te faz cruzar comigo todos os segundos
Este amor revestiu de ti cada mais ínfimo recanto do pensamento e da memória

O ranger de uma velha nora insiste em contar o tempo
Enquanto toma da Terra a seiva que mata a sede aos frutos doces do pomar

Segundo a segundo
A água
O pensamento

E nós entretidos a viver uma nova e definitiva história

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Há dias que nascem para que nós cumpramos a festa que devemos à vida…


Há dias que nascem para que nós cumpramos a festa que devemos à vida…
Um chão de mármore resgatado da terra onde brincámos e depois devidamente polido para ser o espelho informal dos círculos de amigos em circunferências de palavras e riso, das rodas dos meninos de mãos dadas a cantar…
Olhares cravejados por carvão no papel ou então moldados de açúcar, os cliques, as fotografias, a pose, a arte e a poesia que têm marca de eternidade…
O ouro dos instantes, das alianças, dos presentes, do tempo que nos passa pelos dedos e permanece…
A fé que cruza a História e nela fica definitivamente tatuada; duas violas, rosas vermelhas e brancas, as vozes, as canções com letras de anónimos poetas, um órgão que dá o tom, os salmos e as palmas…
Um piano rasgando a tarde, um menino que brinca com a paz de um anjo sentado, um brinde que borbulha quando o sorriso disfarça as rugas e o muito que ainda queremos viver nos apaga a idade…
Os beijos e os abraços que não cessam.
Há dias que nascem para que nós cumpramos a festa que devemos à vida, sábados de Setembro em que a muita vida de cinquenta anos se palpa na mais doce memória gravada num muito breve instante.

domingo, 13 de setembro de 2015

Os poetas às vezes choram enquanto rezam


Senhora da Conceição, Inspiradora e Mãe de todos os Homens
Por ti damos graças a Deus…
Louvamos-te pelo calor do manto que nos estendeste nas noites frias, o colo e o xaile das tias e das avós que nunca falhavam ao serão.
Damos-te graças pelo sentido de coragem, ambição e ousadia com que impulsionaste os nossos passos, os mesmos passos que às vezes no silêncio da noite rasgaram descalços as calçadas para chegarem até aqui na maior intimidade de um louvor.
Damos-te graças por seres o conforto na saudade dos que partiram quando nos ajoelhamos sob o teu olhar e disfarçamos as lágrimas dos nossos com as palavras e o sentido das Avé Marias.
Louvamos-te pelo pão amassado, o aconchego do trigo, as flores de Maio e o tempo todo, o crepitar da lenha no inverno, o doce calor do verão… pelo silêncio da planície onde o Céu ressoa, pelos gritos e os punhos serrados que destroem muros e oferecem novos e definitivos rumos.
Senhora da Conceição, castelo e refúgio, muralha, torre guardiã da nossa fé, olivo e luz das candeias que nos guiam e que de paz nos enchem a alma e os dias…
Louvamos-te pelo amor dos nossos pais, raiz profunda e fértil de tudo aquilo que somos, dos Homens que nos fizemos.
Senhora da Conceição, Senhora do canto solto dos Homens e da liberdade, Senhora da poesia e da vida, Senhora Mestra da coragem do sim que à vida oferece verdade…
Bendizemos-te pelos abraços doces dos amigos, pelas suas palavras que nunca falham, o seu conforto, essa casa de afecto que as almas tecem para nos tornarmos maiores.
Senhora da Conceição, Inspiradora, nossa Mãe, caminho de entre nós e o Céu…
Por ti damos graças a Deus. 

sábado, 12 de setembro de 2015

Um SIM de ouro


O ouro, eu sinto-o em mim muito mais do que na contagem do tempo, que eu sou o detalhe de um sonho vosso e bonito concretizado e tecido a beijos e carícias.
Beijos… partículas de um infindável amor inacessível às palavras, mesmo até às mais perfeitas que nascem das cascatas de verdade que brotam na alma dos poetas…
No embalo doce dos vossos braços tom de berço, tomei da vida o impulso e a liberdade, e voei por sobre o mundo nas asas de ser eu...
No silêncio dos vossos passos descalços que correm a apagar-me os medos no frio das noites, ganhei a Terra e a coragem…
Quis ser grande, continuo a sonhar ser maior… uma ave que veste a ousadia da cor de todas as rosas com que me desenharam o melhor caminho.
E tudo começou com um sim numa tarde de Setembro.
Passam hoje precisamente 50 anos…
Mas o tempo pouco importa se nos unem muito mais de mil anos de amor. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

PAI


Sou muito pequeno para a cadeira de barbeiro cujo assento vais virando à medida que os clientes vão entrando e saindo; e por isso, antes que eu me sente, colocas um monte de jornais velhos devidamente atados que me oferecem a altura de um homem.
Depois, sinto-me bem com o pano branco que cheira a Sabão Clarim e que me envolve aparando as ondas do cabelo castanho que vais cortando aos poucos.
Escuto o ruído da tesoura afiada junto aos ouvidos e sinto o teu respirar como se estes minutos fossem partículas de um imenso beijo.
Pai, o tempo passou desde esse tempo em que me cortavas o cabelo na barbearia do padrinho João Ramos, à Rua de Cambaia; e eu cresci...
Foste tu que continuaste sempre a pôr palavras, não de jornais mas de vida, para eu chegar à altura que tenho hoje, a dimensão feliz de um homem tecido pela liberdade.
És tu que não desistes de me envolver com o amor de um beijo que nunca deixamos que termine.
E os cabelos já não são castanhos e já se tingiram do cinza do tom dos teus… sou eu a caminhar pelo tempo e a querer ser igual a ti.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Eu também vi o debate entre Passos e Costa…


Eu também vi o debate entre Passos e Costa…
Ontem um pouco depois das oito da noite sentei-me em frente ao televisor, jantar num tabuleiro, e a expectativa da “conversa” entre os dois candidatos, um dos quais será o próximo-primeiro ministro do meu país.
Cidadão da chamada classe média e com uma taxa de IRS que me “rouba” mais de metade do salário anual, eu fui legitimamente em busca de pistas para o futuro e para poder fazer uma escolha consciente nas eleições do próximo dia 4 de Outubro.
O que vi…
As três estações de televisão em sintonia como nos sábados e domingos à tarde e inevitavelmente para um espectáculo pimba; com uma desvantagem destes apresentadores relativamente aos que gritam em cima dos palcos de Carrazeda de Ansiães ou Vila Pouca, é que estes raramente acertaram e olharam para a câmara certa.
O conteúdo… gráficos, números acrobatas, acusações, mistificações, passado, Sócrates, “foi você”, o fado da desgraçadinha, os “maridos” enganados, as traições, o “ping-pong” dos milhões… e outros adereços num show demasiado “Kitsch” em que o “ligue” relativamente aos números de valor acrescentado foi substituído pelo “vote”… nos números de circo, claro.
Vote e pode ser que lhe saia por exemplo uma restituição da sobretaxa de IRS, não sabemos quando, não prometemos como… pois… se… depende… claro. É tudo sempre uma questão de sorte.
Sobre aquilo que me interessa não ouvi nada, não senti nem um posponto de confiança; e entre a desonestidade de Passos a dizer que o país está melhor e a desonestidade de Costa que responsabiliza a oposição pela chamada da Troika em 2011, eu para ser honesto tenho de dizer que detestei os dois.
O próximo primeiro-ministro do meu país vai ser um “artista” formado na “Operação Triunfo” das juventudes partidárias, uma “estrela” que sabe pedir água gelada e temperatura fresca para o ambiente, que é reconhecido nas Áreas de Serviço das auto-estradas a fazer o playback dos beijinhos, mas que na hora de fazer algo por Portugal consegue os zero pontos da Célia Lawson na Eurovisão de 1997.
Porque o importante é apenas participar, porque o importante é ser primeiro-ministro e levar para o “palco” e dar emprego a um coro de boys que já começaram a “afinar” pelas redes sociais.
Vencer o debate?
O Professor Rebelo de Sousa ainda consegue selecionar o Costa porque a vitória do PS lhe interessa mais à candidatura presidencial, mas eu para escolher um ou outro teria de fazer uma ridícula selecção entre a Rebeca ou o Quim Barreiros, e recuso-me a tal figura.
Pode ser que um dia eu vote num deles…
Mas como sou vingativo sempre digo que não sei quando, nem como… se… talvez… pois… depende.
E que hoje regressem os “Beirais” que sempre são melhores para a minha digestão.