sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Construímos um tecto sobre o Outono...



Construímos um tecto sobre o Outono, pintámo-lo de palavras doces, e adornámo-lo depois com detalhes raros que fomos guardando no baú secreto do que vale a pena.
Pendurámos luzes para alumiar os dias e também as noites, abraçando de sol as árvores despidas das folhas cansadas e vulneráveis ao vento.
Construímos um tecto...
Sobre os dias e sobre todas as estações.
Um tecto que arquitectámos em tons de azul para que nem um só detalhe traísse a essência que tem o Céu.
Eu e tu.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Que importa o que não se vê, se o universo está todo naquilo que se sente?



Há manhãs que calam o horizonte e que nos empurram para dentro de nós.
O mar escondido e triste por detrás da neblina, deixa livres as velas para que naveguemos pelo azul que a alma carrega consigo no amor que a perfuma tão intensamente.
Deixamos para trás Alcácer Quibir e as areias onde o sangue repousa inerte entre a espada e os despojos do gibão.
"O desejado"....
Cumprirá as falas do "profeta" de Trancoso e chegará até nós desmanchando a espera onde estamos recostados há tanto tempo; numa manhã tom de cinza como esta.
A navegar, descubro-te depois em mim na alma e numa ilha vestida de azul, tu e todo o tempo que moldas perfeito...
"O desejado".
Que importa o que não se vê, se o universo está todo naquilo que se sente?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Neste beijo para onde trouxemos a vida toda


Já trocámos o medo pela ousadia, a dúvida pelas palavras certas e tão nossas, e o cinzento tom fatal de um quase inevitável destino pela rota desenhada pelos nossos pés entregues ao caminho…
Colocámos gambiarras acesas nas janelas das casas onde o corpo nos pediu pernoita, candeeiros de luz e alecrim pendurados nos ramos das árvores cujos frutos nos ofereceram pão e abrigo…
Cantámos as velhas canções, a playlist das festas de garagem, mas sem pensarmos que um beijo de amor é coisa de poetas, aquilo que se escreve sem nunca acontecer; lemos Camilo com a certeza de que o destino onde os sentidos nos levam nunca será a perdição, é o amor completo… e quanto muito será a perfeição.
Já não choramos senão apenas porque o olhar não contém sem respirar, a alegria tanta que a alma liberta no instante de uma carícia. E acabamos sempre por chorar naquele sossego de não soluçar.
Já não adormecemos com pressa como que a puxar o futuro, porque tudo acontece agora…
Neste beijo para onde trouxemos a vida toda.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

PORTUGAL Sempre!



Jamais te deixaremos adormecer na morbidez de quem se rende à noite, e por ti rasgaremos praças no extremo nobre de todas as terras, construiremos cidades onde pulsará intenso o luar, o céu como nós na festa da mais legítima liberdade.
E dar-te-emos a dimensão imensa da alma que não se cansa, a incessante voz de quem sabe que o sonho só começa em Guimarães, porque Sagres, só um pouco mais ao sul, é uma caravela e o mar é uma estrada para o universo inteiro.
Porque não há impossíveis.
Porque Portugal somos nós, é a nossa alma mais do que aquilo que os mapas todos revelam.
E na pacatez das terras louras de onde emerge o pão, haverá sempre um rei, D. João de Bragança, que do alto da sua… da nossa fé, trepará pelo Alentejo, pela campina, para gritar junto ao Tejo na festa de Lisboa enquanto ainda nasce Dezembro:
- Viva Portugal restaurado.


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Céu não é aquilo que se espreita…


Gosto muito destas manhãs que vestem o céu do tom dos morangos maduros.
Manhãs frias de um tempo que já se despoja generosamente de Novembro para que amanhã seja Natal.
Advento...
Dizem os Homens que acreditam que vai nascer um Menino que tem tudo de Deus, e para que Ele não estranhe é preciso preparar o mundo com o mais possível de Céu.
Na festa desta espera enfeitaram as ruas com tectos coloridos, como se as estrelas tivessem descido até aqui, e à porta das casas libertaram o som da música sofisticada que se pensa ser o canto dos anjos nas esquinas do paraíso.
Ilusão…
O Céu não é o que se espreita, às vezes vermelho da cor de fruta madura, é aquilo que se sente, e até Deus que foi Menino há mais de dois mil anos, já não é preciso voltar a nascer porque já vive por cá, desde sempre, no coração de toda a gente.

domingo, 29 de novembro de 2015

Ao amor, gostamos de dar a forma de anjos que cuidam de nós enquanto desenhamos os dias



O amor maior do universo é este ser perfeito inacessível às palavras que o teu olhar denuncia tomando da alma segredos e intensidade.
Somos cúmplices tal qual Maio e as flores, o sol e a madrugada...
E eu sento-me menino no abrigo que a tua serenidade oferece sentindo que cada instante é um beijo enfeitado com aromas do campo e com a destemida bravura das papoilas rasgando o horizonte.
É desta casa que peço ao tempo que jamais desista de nós e se revista de eternidade para que eu nasça e renasça tantas vezes, todos os dias, e tome de ti a essência que me faz ser eu.
Ao amor, gostamos de dar a forma de anjos que cuidam de nós enquanto desenhamos os dias.
E o amor não se canta, beija-se…
Como nós quando rodopiamos e brincamos a dançar pela casa no abraço que é uma espiral de infinito.
Tu és definitivamente o lado melhor de mim.
Mãe, parabéns pelo 73º aniversário

sábado, 28 de novembro de 2015

Rasgámos o previsível com uma avenida a que legitimamente chamamos de liberdade



Rasgámos o previsível com uma avenida a que legitimamente chamamos de liberdade.
Pintámos cada segundo com as cores que a alma nos pediu, como casas alinhadas ornando o chão a que oferecemos os nossos passos.
E por nos amarmos tanto, construímos um banco de madeira que colocámos à sombra de todas as estações.
Até poderemos estar momentaneamente longe...
Mas sabemos que este lugar onde nos sentamos sempre num abraço que não cessa e por onde eu vagueio à procura das palavras certas, é a nossa casa.
E um dia saberei dizer o quanto gosto de ti.