sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Há notas que se acotovelam felizes à saída de um piano na expressão da mais inspirada e perfeita melodia



Sobre os escombros da mágoa que ruiu no calor das nossas horas, construí uma casa com varanda e vistas para o desejo, onde os sentidos, todos, se sentam à conversa com o destino, alinhando os seus planos com a vontade expressa nos mais ousados sonhos.
Nas noites de Dezembro, quando o luar intenso disfarça o frio, e as mantas são retalhos de palavras de amor sussurradas ao ouvido; há notas que se acotovelam felizes à saída de um piano na expressão da mais inspirada e perfeita melodia.
Brinda-se ao futuro com o vinho generoso que o sol de Julho adoçou, e por entre vivas e saúdes, jamais vacilará a certeza de que esta sorte tem asas; não para fugir mas para cruzar assim connosco o tempo.
Há rosas, bailes, canções, fado vadio, a voz dos poetas, repuxos de água...
E das janelas vizinhas acena feliz a gente que nos quer bem. Tantos nos conhecem por ali, dos anos todos em que por lá morámos na companhia da mágoa.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Quando as tuas e as minhas mãos se enfeitam umas às outras de liberdade…



Entre "todos os Homens têm o seu rio" e "as palavras que me dirás por entre o despertar das madrugadas" escrevi mais de trinta mil outras palavras numa história que num destes dias te irei oferecer como presente.
Sentado quase sempre no recanto mais discreto da sala, deixei que do silêncio dos muitos serões emergissem as memórias, e com elas o tanto de vida semeado pelos teus beijos nas tardes frias de Lisboa.
Quando as tuas e as minhas mãos se enfeitam umas às outras de liberdade.
Só na aparência o escritor é um solitário; no seu íntimo carrega mundos inteiros, gente, o mar, craveiros de flores, cidades... que às vezes desenha assim sobre um papel e na forma de arrumadas letras.
Com sentido e com a verdade que a arte sempre pressupõe...
E pelo amor que me vais ensinando beijo a beijo; que a cada um deles aportam navios e especiarias, detalhes inéditos do universo que se fazem meus.


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Nestes dias de açúcar…



Nestes dias de açúcar nascidos de namorar contigo, todas as nuvens sucumbem ao nosso alado querer, como o rasgar fácil de um muito frágil, velho e usado véu.
Há uma incansável poesia a calar as sombras, a revestir-nos todos os segundos…
E os beijos são mestres de instantes de um perfeito abrigo, a casa onde os sentidos se enfeitam de variantes de azul, na cumplicidade que confunde aquilo que é nosso e da Terra, com aquele sentir suave e doce onde tudo parece acontecer a nosso jeito, e que a fé nos diz só poder existir no céu.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

E às vezes é Dezembro!



Degustamos sonhos “amassados” pelas nossas próprias mãos sob a bênção de ancestrais receitas herdadas da nossa história; sonhos doces polvilhados de açúcar…
Colocamos luzes, desenhamos caminhos, contamos histórias, ousamos falar de esperança… sobre o musgo acumulado pelo tempo ao longo de tantos dias em que não vimos o sol…
Escrevemos listas para não esquecer ninguém dos que amamos. Todos têm de estar sempre presentes…
Perdemos o pudor e as reservas todas para à vontade falarmos de amor, mandarmos beijos, abraços… Até conseguimos dizer e escrever: “eu gosto muito de ti”…
Não poupamos nas palavras; as doces e as de revolta perante a injustiça da dor de alguém…
Não intrometemos a nossa sábia racionalidade entre as crianças e a magia e a poesia que se soltam delas…
Não nos rendemos às coisas banais que sustentam as desculpas para adiarmos por mais algum tempo aquele jantar, um encontro; às vezes só uma conversa à volta de um café…
E vamos seja onde for, fazemos quilómetros só para dar um beijo…
E telefonamos mesmo que só para dizer olá…
Acendemos as lareiras, bebemos mel, brindamos com o melhor Porto, comemos chocolates…
Ousamos falar de Cristo e assumimos que Ele nasceu…

E às vezes é Dezembro!
  

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Um Homem grande é do tamanho dos seus sonhos



Com a festa que me ofereces aos sentidos pintei de cores garridas todos os barcos que guardo em mim por entre este infinito impulso de navegar.
Colho astrolábios dos teus abraços, um tudo de firmamento, e remo pelo mar fora na bênção de Neptuno; sabendo que os dias nunca serão de naufragar, mas tecidos daquele chão que só o querer sabe que existe.
Os dias que nos fazem heróis pela única métrica que conta: um Homem grande é do tamanho dos seus sonhos.
De todas as cores.
Os meus desejos.
E vou tomando os horizontes pela força dos instantes que vestem os teus beijos.

domingo, 13 de dezembro de 2015

As palavras são de quem as lê, tanto ou mais quanto de quem as escreve...



As palavras são de quem as lê, tanto ou mais quanto de quem as escreve. E muito grato se sente o escritor ou o poeta quando se senta à conversa com um amigo algures na fonte onde correm os seus versos.
Amigos de alguns amigos que temos em comum, eu e o Carlos nunca nos tínhamos visto pessoalmente, apesar de quase todas as manhãs trocarmos gostos e comentários sobre as laranjas que vão nascendo no espaço virtual do meu Pomar.
Conhecemo-nos ontem no seu restaurante em Aveiro. Eu levei palavras escritas, ele desenhou a poesia que o paladar sabe ler e acabámos os dois a conversar muito e a fazer uma foto junto à parede onde moram imagens de Pessoa e Saramago.
Contou-me também o Carlos que junto a uma das paredes exteriores do edifício existia uma fonte que os Aveirenses baptizaram dos amores; e que há alguns anos, a autarquia resolveu mudar o fontanário para um sítio onde não corre água, porque essa continua a jorrar intensamente do sítio original.
As fontes inesgotáveis que ninguém consegue apagar, ou, poeta e leitor, eu e o Carlos, cada um com o seu amor na torrente das palavras que jamais se apagam nas nossas madrugadas.
No sítio onde queremos, muito mais do que em qualquer outro onde nos queiram pôr.
Os dias são especiais quando nos fazem sentir vivos por ainda nos conseguirem surpreender.

sábado, 12 de dezembro de 2015

O amor é o doce e perfeito sossego que se colhe de dentro de uma alma alegremente desassossegada



O trovador jamais resiste à madrugada, e no seu despertar que abraça o dos dias em berço de sol nascente, eleva o pensamento para quem ama e espreguiça-se depois em versos que não têm fim.
Quem o vê assim em explosão de festa, dirá que o amor lhe enfeitou os modos e o sorriso, que estendeu longas e garridas colchas desde o seu olhar, a mais indiscreta das janelas, aquela por onde a alma nunca resiste a debruçar-se e a espreitar.
E quando o dia depois corre veloz, porque sempre voa o tempo para quem está feliz; entre o pensamento e o assobio instala-se uma doce e infinita cumplicidade por onde também às vezes se soltam palavras, mas daquelas em rima e tecidas ao jeito de cantar.
Diz-se que o amor é o doce e perfeito sossego que se colhe de dentro de uma alma desassossegada. Alegremente desassossegada.
Digo eu que sim, é verdade. E provo-o pelo ritmo a que as palavras fluem do pensamento onde tu moras, todo o dia e a começar nos instantes em que comigo se espreguiça a madrugada.