segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Nunca ninguém dirá que o amor é velho... ou que é velha a liberdade...



Eu sou da idade da espera que olha o mar desde esta janela, a minha preferida; tão velho na eternidade antes do teu beijo, tão breve e tão novo agora nos teus braços, heróis que tão bem sabem apagar o tempo e toda a mágoa.
Eu sou da idade do tanto que me falta e quero viver contigo, por entre aquilo que se vê e o tanto que é só nosso em doce segredo.
Nos teus braços sussurrando palavras como abrigo, rasgando o tempo, galgando as noites, o Outono, pulando para o Inverno... e sentindo sempre que aquilo que muito se deseja nunca envelhece.
Nunca ninguém dirá que o amor é velho... ou que é velha a liberdade.

domingo, 20 de dezembro de 2015

O tempo recorta instantes onde nós nos sentamos confortavelmente a conversar



O tempo recorta instantes onde nós nos sentamos confortavelmente a conversar.
E dizemos o tempo, pelo intenso sabor a destino, esquecendo-nos de que ornámos tantos dias com esta vontade.
Sentamo-nos sempre na plateia; que o palco mesmo quando transparente e permite espreitar o céu, é sempre para os actores entregues às deixas que os outros teceram para os enredos de comédia, drama, de non-sense e tantas vezes até de uma infeliz tragédia.
Na plateia somos nós, sem palmas mas por entre o doce aplauso da maior honestidade com a história, somos nós com as nossas palavras no enredo definido pelo uso e fruto da mais intensa liberdade, quando nos deixamos acontecer, por sermos tanto e quase tudo daquilo que queremos ser.
Na plateia…
Onde os beijos são sempre transparentes e com vista para nós, os dois sentados por entre um imenso céu.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Não adianta inventarem mais coisas acerca do Natal: ele é apenas Cristo que acontece



Não adianta inventarem mais coisas acerca do Natal: ele é apenas Cristo que acontece.
E nem adianta que as palavras dos humanos credos se revistam de ouro nos recantos sumptuosos dos templos ou nas vias imensas e caras das cidades; Cristo mora nas nossas mãos às vezes cansadas, e acontece quando elas se tornam as mãos de quem espera, e semeiam vida.
As mãos e os gestos tão insignificantes e simples como recortar palhaços para enfeitarem uma árvore de cartão.
Numa manhã de sol...
Que a tarde trará uma brisa suave para abençoar os passos da solidão onde o poeta repousa e colhe os seus versos.
Quando as árvores nos abrigam e nem damos pela ausência do céu; tal o tanto de infinito que mora na brisa do beijo que desejamos.
Cristo também mora na honestidade íntima dos afectos.
E entre os gestos e a poesia vai acontecendo o meu Natal.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Há notas que se acotovelam felizes à saída de um piano na expressão da mais inspirada e perfeita melodia



Sobre os escombros da mágoa que ruiu no calor das nossas horas, construí uma casa com varanda e vistas para o desejo, onde os sentidos, todos, se sentam à conversa com o destino, alinhando os seus planos com a vontade expressa nos mais ousados sonhos.
Nas noites de Dezembro, quando o luar intenso disfarça o frio, e as mantas são retalhos de palavras de amor sussurradas ao ouvido; há notas que se acotovelam felizes à saída de um piano na expressão da mais inspirada e perfeita melodia.
Brinda-se ao futuro com o vinho generoso que o sol de Julho adoçou, e por entre vivas e saúdes, jamais vacilará a certeza de que esta sorte tem asas; não para fugir mas para cruzar assim connosco o tempo.
Há rosas, bailes, canções, fado vadio, a voz dos poetas, repuxos de água...
E das janelas vizinhas acena feliz a gente que nos quer bem. Tantos nos conhecem por ali, dos anos todos em que por lá morámos na companhia da mágoa.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Quando as tuas e as minhas mãos se enfeitam umas às outras de liberdade…



Entre "todos os Homens têm o seu rio" e "as palavras que me dirás por entre o despertar das madrugadas" escrevi mais de trinta mil outras palavras numa história que num destes dias te irei oferecer como presente.
Sentado quase sempre no recanto mais discreto da sala, deixei que do silêncio dos muitos serões emergissem as memórias, e com elas o tanto de vida semeado pelos teus beijos nas tardes frias de Lisboa.
Quando as tuas e as minhas mãos se enfeitam umas às outras de liberdade.
Só na aparência o escritor é um solitário; no seu íntimo carrega mundos inteiros, gente, o mar, craveiros de flores, cidades... que às vezes desenha assim sobre um papel e na forma de arrumadas letras.
Com sentido e com a verdade que a arte sempre pressupõe...
E pelo amor que me vais ensinando beijo a beijo; que a cada um deles aportam navios e especiarias, detalhes inéditos do universo que se fazem meus.


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Nestes dias de açúcar…



Nestes dias de açúcar nascidos de namorar contigo, todas as nuvens sucumbem ao nosso alado querer, como o rasgar fácil de um muito frágil, velho e usado véu.
Há uma incansável poesia a calar as sombras, a revestir-nos todos os segundos…
E os beijos são mestres de instantes de um perfeito abrigo, a casa onde os sentidos se enfeitam de variantes de azul, na cumplicidade que confunde aquilo que é nosso e da Terra, com aquele sentir suave e doce onde tudo parece acontecer a nosso jeito, e que a fé nos diz só poder existir no céu.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

E às vezes é Dezembro!



Degustamos sonhos “amassados” pelas nossas próprias mãos sob a bênção de ancestrais receitas herdadas da nossa história; sonhos doces polvilhados de açúcar…
Colocamos luzes, desenhamos caminhos, contamos histórias, ousamos falar de esperança… sobre o musgo acumulado pelo tempo ao longo de tantos dias em que não vimos o sol…
Escrevemos listas para não esquecer ninguém dos que amamos. Todos têm de estar sempre presentes…
Perdemos o pudor e as reservas todas para à vontade falarmos de amor, mandarmos beijos, abraços… Até conseguimos dizer e escrever: “eu gosto muito de ti”…
Não poupamos nas palavras; as doces e as de revolta perante a injustiça da dor de alguém…
Não intrometemos a nossa sábia racionalidade entre as crianças e a magia e a poesia que se soltam delas…
Não nos rendemos às coisas banais que sustentam as desculpas para adiarmos por mais algum tempo aquele jantar, um encontro; às vezes só uma conversa à volta de um café…
E vamos seja onde for, fazemos quilómetros só para dar um beijo…
E telefonamos mesmo que só para dizer olá…
Acendemos as lareiras, bebemos mel, brindamos com o melhor Porto, comemos chocolates…
Ousamos falar de Cristo e assumimos que Ele nasceu…

E às vezes é Dezembro!