Uma manhã e tanta coisa entre mim e o sol
É sábado e eu saio de casa um pouco depois das nove da manhã. Numa mesa da esplanada da pastelaria minha vizinha está um homem sentado sozinho, e com uma garrafa de cerveja entre ele e o sol que brilha com intensidade desde o seu espreguiçar ali para os lados do Cristo-rei. Cruzamos os olhares e eu visto a minha assumida faceta rural quando lhe desejo um bom dia. Ele rompe também a regra do anonimato urbano de pessoas que fingem nem se ver, e retribui o cumprimento por entre dois goles da cerveja que em breve ajudará a apagar aquele tremor que oferece à garrafa um estranho movimento. Talvez a voz deste homem esteja mais perto do Céu do que a minha e o seu desejo para mim se concretize muito mais facilmente do que o bom dia que lhe desejei… Nesta manhã, há tanta coisa entre mim e o sol… muito mais do que apenas uma garrafa mini de cerveja. Não tardarei a ter comigo um caderno Moliskine de capas vermelhas e folhas imaculadas que esperam pelas palavras que relatam olhares, pas...