Abraçar-me-ei a ti nos dias em que o tempo se enfeitar de Maio
Abraçar-me-ei a ti nos dias em que o tempo se enfeitar de Maio, tomaremos do campo uma suave e doce rebeldia, e os dois correremos depois por entre papoilas e giesta para chegarmos às cidades que ousámos sonhar, e onde tomaremos as ruas e as praças levando connosco apenas uma só arma: a liberdade. Dar-te-ei beijos como bandeiras erguidas sob o chão tingido pelas cinzas das amarras, detalhes de pó da história que os nossos passos cruzados elevarão e farão perde-se no céu, que jamais deixará a sua coerência em tons de azul. E por entre os gritos da nossa gente em festa, talvez se acenda uma clareira para que nos chegue o toque de uma guitarra entregue ao dedilhar dos Verdes Anos. Verde… o nosso tempo qualquer que ele seja, tingido da esperança e das vontades que colhemos e herdámos do campo nas manhãs de primavera. E dar-te-ei mais um beijo, chamaremos “amor” um ao outro ao mesmo tempo, chamaremos eterno a este querer, e seguiremos depois com a multidão até ao rio. Os nossos ...