Pensando em ti
Num dos roupeiros da casa de Vila Viçosa está pendurado um casaco de criança num tom cinza escuro e um forro vermelho de uma “escandalosa” pele (artificial, claro). Tem um capuz recortado no seu topo a fazer um muito pronunciado “V”. Oferecido pelo meu tio Joaquim num Natal algures entre 1972 ou 1973, foi por certo ao longo de toda a minha vida, a peça de roupa que vesti que teve mais impacto e sucesso junto dos meus amigos pelo facto de me ter transformado numa autêntica versão porta-chaves de um Pai Natal, para além de que não havia frio algum que por ali entrasse nestas manhãs de inverno carregadas de geada. Vi-o novamente no passado fim-de-semana e achei-o estranhamente pequeno, minúsculo mesmo, quando confrontado com as memórias que tenho de não preencher totalmente o espaço das mangas, e de como ele, assim “enorme”, quase me impedia de colocar às costas a pasta da escola que também tinha cor vermelha e tinha um decalque do Pato Donald. Acontece sempre isto quando o tempo n...