A tarde de Maio
A primavera sente-se muito para lá da perfeição de cores que nos encantam e prendem o olhar, à medida que os nossos passos avançam pela vereda muito estreita, caminho desenhado pelo calcar insistente da perseverança do Homem, trajecto de terra aqui e ali invadido pela erva ainda fresca que brotou de um inverno generoso de chuva. Sigo pelo campo sem rota Sou dono de mil caminhos Por entre a vida que aqui brota Entre estevas, poejo e pinhos Mais à frente, o rosmaninho impõe a sua cor arroxeada, que brilha intensa por entre o quase monopólio de verde, e o momento impõe que o acariciemos, bebendo então as mãos daquele odor único de uma alfazema brava que me recordará sempre o cheiro da fé espalhada pelas ruas da minha terra em dias de passeio de Nosso Senhor. E aqui parados junto ao tronco de uma árvore sem idade, sentimos e lemos o norte na muito natural e micológica bússola semeada pela brisa fresca. Quem me dera ter-te aqui E ir contigo mão-na-mão Embora tudo me fale ...