Tão tristes as tardes que sabem a saudade…
De
um intenso tom de negro e cinza, perseverantes, insistentes, as nuvens anulam o
sol no seu fulgor e brilho intensos, marca dos dias que esperávamos nos pudesse
trazer a primavera.
No
horizonte, que por ora nos matou o mar, há gaivotas sem rumo que esvoaçam e
árvores loucas esbracejando ao ritmo de uma brisa fria, grito e prece dos
tristes ramos, verde apelo ao vento que de abalada lhes ponha para bem longe, o
sabor feito desta mágoa que sempre carrega a tempestade.
Vazia,
a calçada marcada a alva e negra pedra, espera em vão o desenho e o compasso do
nosso paralelo e lento caminhar, nesses instantes em que as mãos num impulso se
entregam, dando gesto ao amor cantado pelo riso e pelo brilho da cumplicidade
dos olhares que são os nossos e que sem reservas se entrecruzam.
E
só o vento, os ramos e as gaivotas, rompem no ar o silêncio nascido da ausência
dessas palavras que em nossas bocas aguardam ansiosas pela chegada dos dias que
têm cheiro a verão.
Fazendo
voar para bem longe o pensamento, para lá onde só chega esse doce privilégio da
memória, colo à vidraça o meu olhar que nada vê, e logo, no vapor de um tão
breve suspiro, opaco torno o vidro que é meu cúmplice nas horas em que espreito
o mar.
A
infância há muito levou com ela o jeito e a arte de rabiscar num vidro que o
respirar tornou fosco…
E
a memória dá-me o teu riso e devolve-me o sol… o coração grita saudade… e a
tarde, triste, sucumbe à noite no monótono cumprir do ciclo do tempo.
lindo PARABÉNS
ResponderEliminarRUI PEREIRA