quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O estado do Estado Social

Motivados pela proposta de revisão constitucional do Partido Social Democrata, em minha opinião inoportuna porque muito longe das prioridades do país no momento presente, temos assistido às mais variadas intervenções de profissionais da política, na defesa do Estado Social em geral, e do Serviço Nacional de Saúde em particular.
Defendem que o estado é que deve garantir os cuidados básicos de saúde à generalidade da população.
Estou totalmente de acordo com esta posição, não podendo porém rejeitar a ideia de haver pessoas que pretendam, tendo meios para isso, socorrer-se de sistemas privados que assegurem esses mesmos cuidados.
Aliás mais do que concordar, exijo que o estado cuide de forma eficaz da saúde da generalidade dos cidadãos, assentando esta exigência na legitimidade de quem paga os seus impostos, de quem colabora com uma elevada percentagem do seu salário, para a manutenção e melhoria do Estado Social.
É pois com perplexidade que mais uma vez assisto à manifestação da mais pura hipocrisia que caracteriza os nossos políticos, assistindo a uma revolução no sistema de comparticipação de medicamentos, a qual obriga a que os mais desfavorecidos ou os portadores de doenças crónicas graves, tenham de suportar uma elevada percentagem dos seus tratamentos.
Afinal, os defensores do estado social são os seus assassinos.
Sem escrúpulos, para tapar a incompetência e todos os erros de má gestão, escolhe-se mais uma vez a via mais fácil, e que é solicitar ao cidadão que abra ainda mais os cordões de uma bolsa que já está vazia.
As regras assumidas no inicio do ano aquando da feitura do orçamento, são assim alteradas a meio do jogo, por incompetência dos jogadores.
Se me permitem a comparação seria o mesmo que parar um jogo de futebol 15 minutos antes do seu final para por exemplo montar balizas mais largas e permitir aos avançados que marquem golos.
No meio de tudo isto, só me assiste uma questão: até onde poderá chegar a falta de vergonha?

domingo, 12 de setembro de 2010

Festas dos Capuchos / Vila Viçosa

Numa tradição que se repete a cada ano no segundo fim-de-semana de Setembro, estamos a viver as Festas dos Capuchos em Vila Viçosa.
O largo fronteiro ao antigo convento dos frades franciscanos, um pouco afastado do centro urbano da vila, transforma-se numa sala de visitas para onde todos convergimos, Calipolenses ou não, para podermos conviver num verdadeiro espírito de família.
Eu, tal como muitos dos que amando esta terra, o fazemos à distância, multiplicando este amor pelo peso da infinita saudade, não falto nunca a esta chamada à “reunião de família”.
Aqui, sob a protecção da Senhora da Piedade, do Senhor dos Aflitos, de S. Luís e S. Tiago (sim, porque em Vila Viçosa cada largo tem sempre três igrejas), encontramos os amigos que não se esquecem nunca mas que se vêem de ano a ano, e contamos, partilhamos, as incidências e os acontecimentos de mais uma etapa de vida que, de Setembro a Setembro, acabámos de cumprir.
Falamos das nossas vidas, e projectamos e partilhamos o futuro.
Aqui, temos também o privilégio de reencontrar com a ajuda da memória que nunca se desvanece, todos aqueles que nos anos passados viveram connosco as festas da nossa história, e que hoje só conseguem estar aqui pela força com que exactamente se impõem à nossa memória.
As tômbolas, o lago da pesca ao pato, a praça de touros, o coreto e as fantásticas bandas filarmónicas, o fogo de artificio, a barraca das farturas, a fonte, o local antes destinado aos bailes, etc., são espaços que nos transportam sempre para os inesquecíveis momentos que aqui vivemos antes, nestes dias que insistimos sempre em tornar especiais.
Fico imensamente feliz por ver que esta tradição das Festas dos Capuchos está mais viva do que nunca, e que são as novas gerações que reforçam essa vontade de não as apagar do calendário dos nossos afectos.
Sob o patrocínio da autarquia, o programa das festas foi sendo actualizado, para que pudesse ir de encontro aos gostos de todos os que fazemos o momento presente. Congratulo-me com esse esforço que reconheço está a ser plenamente conseguido.
E no futuro voltarei sempre aqui onde sou feliz.
Em cada ano que passar, guardarei sempre na memória os ecos do último morteiro, numa lembrança que me fará pedir ao tempo que acelere até estes dias em que passamos para lá do castelo, guiados pela grandeza do arraial que traduz em luz a alegria que nos transborda na alma.