domingo, 17 de outubro de 2010

Farmácias da Europa / Farmácia Monte


Ao entrar nas instalações dos Serviços Farmacêuticos do Hospital Garcia de Orta, em Almada, deparei-me com um interessante cartaz denominado “Pharmacies of Europe”, não datado, mas pelas informações que recolhi, com pelo menos 10 anos.
São apresentadas várias farmácias, num conjunto de imagens que ilustram a história da farmácia na Europa ao longo dos séculos, assim como a expressão do gosto e das diferentes culturas, evidenciada na diversidade de soluções arquitectónicas.
Juntamente com farmácias de por exemplo Basileia ou Munique, há uma farmácia Portuguesa, nada mais nem menos que a Farmácia Monte, de Vila Viçosa.
Com o meu orgulho de Calipolense, reforçado com o meu orgulho de farmacêutico, não resisti a tirar uma foto com o telemóvel e a publicar este texto no Pomar.
Afinal de entre tantas pérolas que a nossa terra encerra, esta é mais uma de valor inquestionável e inigualável, que a família de proprietários, os descendentes do fundador, têm sabido preservar, o que nos tempos que correm é facto digno de registo.
A foto não tem grande qualidade mas serve perfeitamente para bilhete de uma viagem ao passado, avivando as memórias de um local onde tantas vezes entrei e que sempre me deslumbrou pela magia dos frascos e dos nomes impossíveis de pronunciar dos bem alinhados e impecáveis rótulos, assim pelas estátuas de homens famosos na área da farmácia, os quais anos mais tarde, já nos bancos da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, conheci e aprendi a respeitar.
E porque as memórias também têm cheiros e sabores. A Farmácia Monte terá sempre para mim o cheiro dos sabonetes ACH Brito dispostos em enormes colunas de vidro, e o sabor do xarope antitússico preparado pelos proprietários segundo uma receita do Dr. Jardim, e que tantas vezes fui comprar avulso em frascos de vidro.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

13 de Outubro / O milagre do subSOLo

A ninguém ficou indiferente a situação ocorrida numa mina algures no Chile, que resultou num grupo de 33 operários mineiros soterrados a cerca de 700 metros de profundidade.
Desde o dia 6 de Agosto que temos acompanhado diariamente os esforços para conseguir chegar aos mineiros, a construção de um longo túnel que os permita resgatar em segurança.
E hoje ao longo do dia temos assistido, um a um, à libertação destes presos da má sorte e de um destino que os transportou para uma profissão dura, de alto risco e tantas vezes exercida em péssimas condições de segurança.
Quando escrevo este texto acabei de ver a saída do 23º mineiro.
À parte a exploração mediática e a já costumeira colagem política, o dia de hoje ficará assinalado nos anais da história como um dia do qual o mundo se deve e pode orgulhar.
Reuniram-se esforços, meios técnicos e humanos, inúmeras vontades, quebraram-se fronteiras e ideologias, para cumprir uma missão nobre: salvar vidas.
Coisa rara num mundo que geralmente se associa apenas e só para fazer a guerra.
Está de parabéns o Chile, está de parabéns a humanidade.

sábado, 9 de outubro de 2010

O Zé, o Pedro, o Paulo, o Xico e o Tio Jerónimo

O jornal Sol de ontem, tal como outros meios de comunicação, titula que os partidos e os respectivos lideres, dão por adquirido o chumbo do orçamento de estado para 2011 e preparam-se já para eleições.
Foi posta de lado toda e qualquer hipótese de diálogo, de negociação, e assume-se a ruptura que trará por certo o agravamento da nossa já muito débil situação financeira.
É a irresponsabilidade a ser levado ao limite.
A situação exigia a maturidade de partir do objectivo assumido como compromisso por todos, fazendo cedências de parte a parte. As pessoas, todos os Portugueses exigiam essa maturidade.
Mas olhando para os intérpretes desta “novela” de cariz rasca em que se tornou o país, já nada nos surpreende.
O terreiro da luta política tem o estilo e o conteúdo das guerrilhas e das eleições para a direcção de uma associação de estudantes de qualquer escola secundária, onde impera a maturidade própria da adolescência. Os actores são maus, sem talento, preocupados sobretudo com a imagem, bem ao estilo “Morangos com Açúcar”.
Ninguém se preocupa em construir algo de positivo, esta gente nunca construiu nada, apenas se especializou em destruir.
Toda a gente quer o poder mas ninguém quer governar e assumir as dores dessa mesma governação. Onde todos estão bem é em campanha eleitoral, nos cartazes coloridos, nas feiras a distribuir canetas e aventais, nos discursos inflamados, etc.
A fazer algo de construtivo? Não sabem nem querem. Não cresceram. Não passaram da adolescência.
Venham então eleições.
Se aumentamos o número de desempregados? Se há pessoas a quem faltam os bens essenciais? Se há um deficit no acesso aos cuidados de saúde? Isso não interessa mesmo nada.
Os problemas do país são graves e nós não temos gente capaz de os enfrentar.
Numa analogia futebolística, temos pela frente uma equipa de craques, temos de os vencer, e a equipa que temos para jogar e nos defender, é uma equipa de juniores que não tem pernas para estar à altura das responsabilidades do jogo, do campeonato.
Quem vai perder? É claro que seremos todos nós.
Quem vai ganhar as eleições? Eu já sei. É a abstenção.
E quando forem confrontados com estes resultados, não assobiem para o lado. Por favor entendam que as pessoas desistiram porque já não vos suportam, porque estão cansadas de poder escolher apenas entre o mau e o péssimo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Auto de Fé / Acto de Fé

Na passada terça-feira, num dos inúmeros programas existentes nas nossas televisões, que colocam um jornalista desportivo à conversa com 3 “ilustres” adeptos, cada um representando um dos designados três clubes grandes, o adepto do Futebol Clube do Porto abandonou o estúdio quando confrontado com os comentários do adepto do Benfica sobre as últimas escutas telefónicas envolvendo o presidente do clube do norte.
A justificação foi a recusa em participar num “auto de fé”.
Estranha atitude. Que incoerência e como é curta a memória.
Quem é que ao longo dos últimos anos tem sido o grande “inquisidor” no futebol nacional queimando em autos de fé, tudo e todos os que se atravessam no caminho de um percurso cheio de vitórias que não são por certo fruto apenas do mérito desportivo?
Quem é que ao longo dos tempos tem fomentado essa ridícula guerra norte sul, de querer ver Lisboa a arder, num país com unidade cultural, política e social, com diferenças é óbvio, mas com as fronteiras definidas há mais tempo de qualquer outra nação na Europa?
Quem tem sido o perseguidor crónico do Benfica, o inventor da incendiada expressão “campeonato dos túneis”?
Acho que as respostas são óbvias e coincidem na mesma pessoa, aquele que de inquisidor-mor se quer fazer passar agora por vítima.
E o que espanta, é que pessoas que até parecem demonstrar alguma honestidade intelectual se disponibilizem para fazer a sua defesa.
Que Acto de Fé!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Viva a República!

Comemoramos hoje o 100º aniversário da implantação da república em Portugal.
Embora respeitando as opiniões e as posições dos monárquicos, sou no meu intimo convictamente republicano e tenho por isso motivos para hoje celebrar esta data em que o regime republicano veio substituir uma monarquia que há muito se divorciara do país real e que com frenéticas mudanças de governo, demonstrava não ter já projectos ou soluções para o país.
Também não foi fácil o percurso da república mas com a monarquia em Portugal, não acredito sinceramente que estes últimos cem anos pudessem ter sido melhores.
Apesar de todos os pecados e defeitos do regime, sinto-me confortável por de cinco em cinco anos, ser chamado a manifestar a minha opinião relativamente à primeira figura do estado, e muito dificilmente poderia aceitar que essa liderança fosse entregue por herança a alguém, independentemente da minha vontade e da dos outros cidadãos do meu país.
Acredito pois na república e acredito que ela carrega os princípios que nos farão crescer como nação: liberdade, respeito pela pessoa humana e pelas diferenças, igualdade de oportunidades, etc.
Acredito firmemente que mais importante que a genealogia, é o mérito que deverá ser o principal critério na avaliação de alguém.
Mas há ainda muito a fazer para que este segundo século da república seja marcante e positivo para todos.
Assim haja vontade.
Viva a república!

sábado, 2 de outubro de 2010

José Sócrates – Nova colecção Outono / Inverno 2010

Na passada semana, veio o Senhor Primeiro-Ministro de Portugal, em disputa de audiências com um jogo do Benfica para a Liga dos Campeões da UEFA, dar uma conferência de imprensa em que apresentou um conjunto de medidas de austeridade, medidas muito fortes e penalizadoras para todos nós, digo eu.
Há cerca de um ano atrás, quando se preparava para ganhar as eleições, este mesmo senhor, transmitiu, em coro com a comunicação social que o venera e lhe faz eco, a ideia de que Portugal era o melhor sitio do mundo para se viver, tendo todos eles, o Sr. Sócrates e a comunicação social, ridicularizado a então líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, alcunhando-a de mensageira da desgraça, pelo facto de ela não prometer o paraíso aos eleitores, prometendo apenas rigor e verdade na gestão do país, que caminhava para uma situação financeira muito grave.
Em Portugal, falar verdade e ser verdadeiro não dá votos.
Continuamos a acreditar e a deixarmo-nos ir atrás do canto do cisne, continuando a assumir a definição de política como a arte de melhor mentir.
Ou então, tal como há tempos referiu o Ricardo Araújo Pereira e esta seja talvez a única justificação que me dá alguma esperança no povo que somos, esqueceram-se de avisar o povo que as regras quando há eleições são diferentes das regras das expulsões na casa do Big Brother.
Estou pessoalmente cansado do Sr. Sócrates e de tudo o que ele representa, num quadro de valores que está nos antípodas da honestidade.
Esta nova colecção em tons negros que nos reservou para o Outono / Inverno de 2010, só cimenta ainda mais a vontade de o ver desaparecer definitivamente da passerelle da política.
Porque não usar o Magalhães para em conjunto com a Tia Alçada fazer Uma aventura no Facebook e gerir uma quinta virtual? Talvez assim aprenda quanto nos custa a todos comprar um quilo de batatas.