terça-feira, 31 de março de 2015

A tua pele...


Os detalhes de um indecifrável paraíso sobrepõem-se ao perfume que ainda há pouco na Ribeira testámos na tua mão e que eu cheirei por entre pequenos beijos que denunciaram o irresistível namoro da minha pele com a tua pele.
Depois, subimos juntos a calçada até este abraço, rimo-nos como nunca… e gozámos do prazer de há tanto tempo sabermos calar os medos um ao outro.
Os nossos olhares andam agora livres e à solta, tal qual as nossas mãos; e os lábios trocam palavras de amor numa interminável desgarrada de desejo.
E tudo enquanto os braços nos prendem um ao outro e eu penso que não quero outra pele, apenas a tua pele.
Nós sabemos que o meu e o teu corpo gritavam por este instante, e foi a noite que caindo trouxe com ela esta festa de ser teu, o segredo que o melhor destino soube guardar.
E enquanto a minha mão se aparta ligeiramente do abraço e te afaga o pescoço no sítio e ao jeito de que tu gostas, eu sinto que mergulhei definitivamente no azul onde a alma se enfeita de paraíso, usufruo de todos os seus detalhes, bendigo a sorte…
E planeio jamais partir da tua pele.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Jamais conseguirei imaginar o espaço e o tempo com outra finalidade que não seja voar contigo


No Camões há um menino que corre feliz atrás dos pombos tentando em vão agarrá-los.
Não se importa nada quando os vê voar à sua frente, e bate palmas e grita perante esta expressão de liberdade das aves que sobem depois até pousarem algures na estátua do poeta.
Encostado à grade que espreita a Rua das Flores, eu sou outra criança a aplaudir a liberdade; mas não resisto, e pelas asas que o teu amor me oferece, voo eu como os pombos até ao ponto cimeiro, a torre onde a poesia se celebra e se sente no despudorado namoro com o sol do fim da tarde de Lisboa.
Voo… e celebro a liberdade quando depois da espera, o teu primeiro beijo me traz a pele e o aroma que são a minha casa, a torre onde mora a poesia.
Ficaria aqui eternamente abraçado a ti a enfeitar Lisboa de amor por entre o bater das asas dos pombos e das gaivotas, e o riso e as palmas de todos os meninos.
Mas a tarde incita-nos a voar juntos; e voamos depois os dois por sobre os telhados da cidade gozando da rebeldia de quem só da sua vontade tomou regras.
Só pousamos aqui e ali para que os olhares se namorem e os nossos corpos ensaiem um abraço informal que põe cor sobre o chão a preto e branco da cidade.
E continuamos a voar…
Jamais conseguirei imaginar o espaço e o tempo com outra finalidade que não seja voar contigo e celebrar a liberdade.

domingo, 29 de março de 2015

Vestimo-nos da poesia da paixão dos versos de todos os poetas…


Por inspiração e palavras dos mestres que escrevem a História em parágrafos eternos, um dia todos lerão que o amor perfeito é o nosso encontro algures na eterna cidade da inspiração de Ulisses, Lisboa.
E a História terá em letras doces de mel, os nossos dois nomes, por entre detalhes que falam de beijos e abraços nos fins de tarde junto ao Tejo.
Quando o horizonte arde em fogo para lá da ponte e do bugio, quando as águas correm ao seu encontro soluçando os fados que beberam do cais de Alfama, quando um homem inveja o rio e toca uma velha guitarra, e por entre o olhar da gente que veio até aqui para melhor entender Pessoa ou Ary…
Nós os dois na casa de um secreto amor dizemos um imenso sim à vontade e à verdade que tecem a nossa história, reinventando com ela tudo o que se sabe e se escreveu sobre o amor.
Nós os dois…
Mudamos assim todos os fados tristes que o rio leva com ele e vestimo-nos da poesia da paixão dos versos de todos os poetas.
E damos razão a Ulisses, a velha Olisipo nasceu para nós e para ser a pátria eterna do mais perfeito dos amores.  

sábado, 28 de março de 2015

A voar sobre Paris


O avião vai em silêncio.

Abanou um pouco ali atrás e ouviu-se o choro de um bebé que a mãe sossegou a beijos.

Sigo do lado direito e à janela, entretido a ver como mudam os tons do horizonte que se vão rendendo à noite: amarelo, laranja, vermelho, castanho...

E daqui a muito pouco inevitavelmente negro.

Do meu lado esquerdo tenho um senhor que faz palavras cruzadas em Alemão mas que já folheou um guia de Lisboa. Trocámos sorrisos quando os vizinhos da frente resolveram esmagar-nos para se recostarem e dormirem melhor.

Voo a 824 km/hora e a uma altitude de 10.668 metros.

Lá em baixo... Paris.

E acabei de te escrever um poema.

A sucessão de dias em que não te vejo vai desenhando em mim uma saudade de onde nascem sempre palavras de amor.

São palavras que te chamam e te trazem até aqui, porque escrever é fazer-te mais  presente.

São palavras que voam comigo por sobre todas as cidades do universo, para te trazerem e calarem a solidão.

O horizonte já está negro e apenas me vejo ao espelho quando espreito à janela.

Sou um homem feliz.

Esta semana houve alguém que me perguntou se um amor como o nosso pode existir.

Existe, claro.

Às vezes não damos por ele, entretidos que estamos com a paz que os dias nos oferecem, mas vemo-lo assim quando uma janela nos mostra que sorrimos.
E as dificuldades e as dores, gigantes como a Torre Eiffel, são afinal detalhes perdidos num pequeno lago de luz que se encontra dez quilómetros abaixo dos nossos pés.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Frankfurt e um passeio pelo frio do fim da tarde

Uma cidade "conquista-se" a passos e por isso, e apesar do pouco tempo de que disponho, saio do hotel ao fim da tarde, a pé e em ritmo acelerado.

Vou em direcção ao centro de Frankfurt e à "sombra" de um Euro iluminado algures no epicentro da finança do velho continente vejo duas camas improvisadas que atribuo a dois sem-abrigo, vejo um cão que se alivia junto a um dos pilares da Ópera, vejo o cartaz que anuncia "Liquidacion" e um outro cartaz relativo ao próximo espectáculo: "Murder in the Cathedral".

E tudo parece profético... 

Sigo por entre a gente e com a brisa fria a bater-me na face. 

Vou acelerado.

Depois o centro, uma praça, uma selfie, os turistas que comem salsichas como se não houvesse amanhã...

E há uma montra que me desperta a atenção pelo exotismo dos objectos. Entro e compro um galo super original que irá directamente para uma colecção especial.

Não há muita gente na loja e o empregado mete conversa permitindo concluir que um Turco e um Português conversam em Inglês numa cidade Alemã.

Peço-lhe um embrulho bonito, ele pergunta-me para quem é, eu respondo, sorrimos os dois de forma objectivamente cúmplice e acabamos a falar de liberdade.

Depois devolvo o corpo ao frio da rua, ainda paro para um café e faço o caminho inverso passando pelos sem abrigo que já estão nas suas respectivas camas e escutam um rádio de pilhas sintonizado numa estação em Alemão.

Não tardo a chegar ao hotel.

As cidades "conquistam-se" a passos e são células de tudo o que a vida é.

Frankfurt, Europa, liberdade, Euro, miséria liquidação, os dejectos sobre a cultura e os crimes nestas "catedrais" que nos vão matando a todos.

All das zu machen bis in unsere tage; que é como que diz, de tudo isto se compõem os nossos dias.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Os melhores dias da minha vida


O café fumega na caneca, a Bola de Berlim é pequena e tem recheio de morango; lá fora o nevoeiro cobriu o topo dos edifícios mais altos da cidade, e mesmo assim de janelas fechadas tudo indicia uma manhã fria.

Eu sou um ponto mínimo no contexto de um universo infinito, mas o que sinto por ti plantou em mim um universo secreto, perfeito e só meu.

Sorrio.

E vejo-te sorrir também no nosso último fim de tarde junto ao rio por entre a festa imensa do desejo.

O café fumega...

A Bola de Berlim insiste em falar-me de ti e o imenso mundo para lá de mim pouco importa em tudo e na sua dimensão.

E tão pouco importa o nevoeiro se o sol existe nesta esperança de em breve te dar um beijo.

No mundo que semeaste em mim há jardins perfeitos por onde cruzo o tempo contigo naquilo que a sibilina voz de um amigo um dia chamou os melhores dias da minha vida.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Se eu pudesse enchia-te o dia de flores...

Se eu pudesse enchia-te o dia de flores e plantava sardinheiras garridas nos parapeitos de todos os minutos por onde tu passas.

As flores como os beijos infinitos que guardo para ti e que nascem de um querer sonhado, o querer de uma longa espera mas que se fez real no dia em que um abraço irrompeu por um dia de primavera e me mudou o tempo.

Se eu pudesse...

Fazia de cada palavra nascida de mim, da poesia... um beijo e uma sardinheira garrida à esquina de todos os teus dias.

Porque te amo como nunca o saberei dizer com a lucidez de um beijo ou de uma flor.

terça-feira, 24 de março de 2015

Viagens ao redor de ti





Quem ama até no sopro do vento consegue ouvir as estrofes de uma cantiga; e deixa-se embalar pelo serão esperando que o sono chegue depressa enquanto escuta o repetido som que desce pela chaminé e traz o nome do ser por quem lhe bate o coração.

Todo o serão e toda a noite escutei o teu nome por entre aquele estar só que não tem nada de solidão, e nem me recordo do instante em que pousei o livro, apaguei a luz e me predispus a adormecer.

Sonhei contigo e em intervalos vi as horas no relógio da mesinha de cabeceira...

Ainda faltam quatro, ainda faltam três, ainda faltam duas, já só falta uma hora...

E acordei deste "Doce" "Bem bom"  pelas seis da manhã.

Lá fora seguia o vento...

A barba aparada, o duche, os comprimidos, o pequeno-almoço, a mala já feita...

Lisboa desperta e espreguiça-se languidamente enquanto passo para o aeroporto. O sol parece querer beijá-la.

O avião, "Almeida Garrett", "Viagens na minha terra" sempre ao redor de ti, mando-te uma mensagem, as asas que abanam, espreito o Tejo cá de cima e depois...

As nuvens que do chão vemos negras são alvas como algodão vistas assim do lado do céu.

E já não escuto o vento...

O teu nome...

Escuto-o agora nas saudades imensas de ti.

Para quem ama não há sítio onde não consiga ouvir as estrofes de uma cantiga...

E eu escuto o teu nome.

segunda-feira, 23 de março de 2015

O tempo


Ofereço-me um tempo tecido de abraços, a roda de vozes e olhares onde as palavras se soltam por entre sorrisos e a solidão se apaga às mãos do amor-perfeito baptizado com nome de amizade.
As palavras têm sempre um imenso sabor a mel e rimam com todos os aromas de flor que à nossa volta denunciam a paz que a alma sente.
A paz, a força, a coragem, a imensa fé que é a fogueira acesa que nos aquece e alumia tempo fora…
E todos juntos, assim, somos bem maiores e bem mais do que a simples soma de quantos somos.
Somos imbatíveis tomando o tempo, fazendo-o nosso e povoando-o do calor da festa deste amor que nos convocou e que nos une.
Somos imbatíveis tomando o tempo… e dando a todos os segundos do futuro, a cor dos sonhos maiores que trazemos em nós. 

Uma amiga pediu-me um texto sobre o tempo e eu escrevi-o à volta da amizade.
Um beijo, um abraço e um bom dia para todos.

domingo, 22 de março de 2015

Os filhos que mataram a herança da mãe madrugada


Por muito que as flores insistam em perfumar os campos, que as andorinhas regressem para povoar os beirais ou o sol se imponha ao rigor gelado do inverno, as primaveras nunca serão todas iguais.
Somos nós Homens os verdadeiros artífices da primavera, povoando as manhãs de Março… e de Abril, de Maio… com a esperança que sempre encerra em si a liberdade.
Por muito que se chame à liça o acaso e o destino, é o Homem que define e molda um tempo novo por onde o futuro se sente melhor.
No meu país há gente a esgravatar pão no lixo para trincar ao relento entre o ténue conforto de papelões; na minha cidade, a modernidade pedida ao traço de Calatrava, virou casa e dormitório formal com lotação esgotada para quem não tem outro abrigo; os velhos morrem como antes, os jovens partem também como antes…
Mas o cofre do Estado parece que está cheio… também como antes.
Porque definitivamente o Estado deixou de ser aquilo que é, o povo, para voltar a ser uma elite, por ora muito tosca e bacoca
Os “filhos da madrugada”, aqueles, os “Chicos” e espertos, enfiaram no dedo os “cachuchos” comprados à pressa e com os quais disfarçaram a sua incompetência e tomaram o poder, matando a herança da sua mãe, a liberdade.
Porque um povo sem pão, sem tecto e sem futuro será sempre um povo amordaçado.
Cigarras sem escrúpulos no seu canto eterno alimentado pela escravidão das formigas nos carreiros apontados como inevitáveis, estes “filhos da madrugada” até poderiam ser chamados de “filhos de uma senhora de moral duvidosa e que vende o corpo”, se nós não soubéssemos que vieram como nós do berço de uma madrugada de primavera e de liberdade.
Venderam os quinhões da herança, as relíquias do palacete que ficou como fachada portadora de janelas por onde nos acenam a nós, filhos da mesma mãe, a madrugada, e formigas cansadas do seu canto de cigarra e tanto de cisne.
Talvez haja ainda poucas prisões para tanta mediocridade que anda à solta; 44, outras capicuas e todos os números… Encerrem-nos bem longe de nós para que por sobre o seu choro sem escrúpulos, sem memória e mentiroso possamos acender cravos e devolver a Março… e a Abril… as manhãs doces de primavera.

sábado, 21 de março de 2015

A poesia é o perfume perfeito que se colhe de cada momento que vivemos intensamente pelo prazer de sermos nós


Corro solto pelo cais entre tanta gente, e a minha liberdade é escolher as pedras do meu caminho, desenhar o meu próprio chão.
Há um rio que corre junto a mim, ao mesmo tempo e na perseverante busca do mar; um rio que me entende e me oferece alento.
Há olhares que me beijam de entre a gente, são os amigos; aqueles que se acercam e voam comigo em tantos e tão bons pedaços da jornada.
Aqui e ali um abraço, muitas palavras doces.
E eu sigo sempre pela rota de mim, pelos sentidos, a fé, o desejo…
Não me faltam nunca os nossos beijos, mesmo aqueles breves que desenhamos algures num instante à esquina do luar.
E quando tu dizes por entre os beijos num sussurro ao ouvido, que me amas como eu te amo a ti, bendigo as pedras todas que escolhi pisar no chão que me trouxe até aqui.
E canto por entre a liberdade.
E bendigo as madrugadas todas que te acercam a mim no mais perfeito pensamento.
Corro solto pelo cais…
Vou colhendo e alinhando palavras sem ter medo da insensatez atirada violentamente como seixos aos loucos que ousam romper os protocolos.
Poeta?
Talvez…
Mas apenas porque vivo, porque corro solto pelo tempo e não me demito de ser eu.
A poesia é o perfume perfeito que se colhe de cada momento que vivemos intensamente pelo prazer de sermos nós.
Viva a vida.
Viva a poesia.

sexta-feira, 20 de março de 2015

E há flores e beijos perfeitos no fim de todos os invernos


Podem as sombras insistir em tapar-nos o sol beliscando a intensidade com que ele brilha sobre as nossas manhãs, que nós nunca desistiremos de seguir pelo tempo até chegarmos à primavera.
O inverno ressuscitou as ribeiras e semeou erva farta pelo campo, aqui e ali enfeitada por milhões de malmequeres em tapetes que de perto nos beijam o passo e ao longe nos prendem o olhar.
Há papoilas rubras destemidas e ousadas entre o trigo por ora verde; as espigas, o prenúncio do pão que em ondas baila com o vento por sob o canto das planícies.
Na cidade, as nuvens partem como que fazendo-se substituir no céu pelas andorinhas e deixam que o Tejo namore o sol e se vista de um fantástico azul, o tom em rima com o teu olhar que me sorri em cada passeio, em cada beijo que suplanta a ideia errada do último ter sido a imbatível excelência e perfeição.
Sim, cada um dos teus beijos bate sucessivamente o record universal dos beijos de amor.
A noite nunca será triste por ser o início de uma nova madrugada.
O inverno…
Nunca será um tempo triste porque da chuva nascem flores e porque dos beijos nascem outros na festa maior dos sentidos. O canto flor onde o pudor já morreu.
Hoje, viva a primavera.
E mesmo que as sombras eclipsem o sol durante a manhã sabemos que tal só acontecerá por um brevíssimo instante porque a primavera é afinal como a vida: e há flores e beijos perfeitos no fim de todos os invernos.
E gritos de papoilas.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Somos os mesmos dois de sempre…


Peço a Deus que não falhe a genética, e a mão que pouso agora sobre a tua fronte possa ter tomado benefício da pele com que tantas vezes tatuaste indelével afecto na minha pele.
E os meus beijos que tenham herdado dos teus o respirado toque de quem sabe dizer generosamente amor por entre a dispensa de todas as palavras.
E o meu olhar...
Estamos os dois em silêncio...
Hoje como em tantos outros dias que foram tecendo connosco uma história de amor.
Somos os mesmos dois de sempre, a mesma terra, a mesma vontade, o mesmo sonho...
Mas o relógio cumpriu a inevitável sina do tempo, temperou de cãs a minha face e pediu-me que te tomasse no colo da mesma forma que tu um dia me ensinaste por entre o meu choro e os meus medos.
Aqui estamos os mesmos dois de sempre, e quem toma quem ao colo é coisa que pouco importa e nunca importará entre nós.
Eu a amar-te aqui mais do que nunca... pai.
E só choro às vezes por entre a saudade de ser menino.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Deixo-me estar num instante que sonhei

Tomo e faço minha sem hesitações ao primeiro olhar, a terra verde que esconde em si o repouso do vulcão adormecido sob a paz da água das lagoas.
Chão de basalto, estrada de flores em prenúncio de primavera, o tecto céu rasgado pelo voo planado dos pássaros...

Subo ao ponto mais alto, o topo onde o mar me espreita no deleite de quem se abraça à prometida terra da espera de mil anos.

Deixo-me estar num instante que sonhei...

Entro na roda com as nuvens que aqui e ali escondem o sol, e colho das sombras o tom e a forma das histórias que um dia te irei contar nas tardes que Lisboa nos oferecer para namorar.

O fogo, as furnas, os vales e o universo escondido entre os mistérios de sete... infinitas cidades com a cor que o dia, as sombras e as árvores lhes oferecem.

Trouxe-te comigo.

Abraço-te...

Visto-me de eternidade na terra que já perdeu a conta aos mil anos que contém.

A ti e a ela, reconheci-os dos sonhos e tomei-os fazendo-os meus ao primeiro olhar.

E contigo...deixo-me estar por aqui num instante que sonhei.



terça-feira, 17 de março de 2015

Eu irei sempre buscar-te do lado do mar


Saio para um corredor imenso.
De um lado, num dos topos, uma janela rasgada para a montanha verde por ora coroada de bruma, e do outro, do meu lado esquerdo, uma outra janela e o mar.
Estou mais ou menos equidistante de uma e outra janela, e saindo agora do meu quarto desta noite apercebo-me de como a cama me ofereceu cabeceira na montanha e me posicionou o corpo de frente para o mar.
O mesmo mar que ontem ao serão sobrevoei prata por mérito da lua e despertou azul comigo nesta manhã, epílogo de sonhos por certos envoltos em bruma e repletos das histórias tecidas pelos mistérios que escondem as lagoas.
Os encantos guardados no refúgio da eterna Atlântida.
Saio definitivamente para o corredor...
E viro instintivamente para o lado do mar mas na consciência de puxar e trazer comigo as lembranças de todas as montanhas...
E dos sonhos, e da bruma...
O café não tarda a fumegar na caneca que tem desenhado o mergulho de um cachalote; como bolo lêvedo com manteiga, um iogurte de ananás... e à minha frente, e sempre, a coerência do mar.
Escrevo-te um poema que vou publicar para ti nesta manhã enquanto só o Atlântico parece querer matar as saudades do teu olhar; e trago comigo os sonhos que colhi dos teus beijos por entre a bruma de tantos dias.
Os Açores...
As montanhas como almofadas e os dias que são como os corredores…
Eu irei sempre buscar-te do lado do mar.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Os aromas todos…


Em Belém há um mosteiro com nós marinheiros esculpidos entre os santos da fachada, heróis do céu e do mar congregados na memória das caravelas que deram novos mundos ao mundo e que dobraram tormentas pelo império, por glória, açafrão e canela.
E mais acima, iluminada e a sobressair do casario da Ajuda, uma cúpula guarda a memória do Marquês e de uma cidade reconstruida por sobre os escombros do terramoto.
Tudo isto, nós conseguimos observar desde o jardim enfeitado a buxo recortado e a altos ciprestes, onde uma fonte nos entretém na ilusão da água ter cores, porque, formas… o vento agreste da noite e do Tejo destrói-as todas sem dó nem piedade.
Há pouco, quando tentávamos fazer uma foto, sentimos os salpicos da água nas nossas faces e devolvemo-nos a correr para o carro onde nos sentámos e onde as nossas mãos se colaram instintivamente.
Todo eu repouso por entre o desejo mais doce quando sinto a minha pele entrelaçada na tua pele, uma permuta incessante onde nenhum dos poros se demite de beijar o outro e de lhe contar segredos.
Tu belisca-me entre os dedos enquanto as palavras que a noite tece nos envolvem no futuro feito de tantos planos.
E o teu olhar que tem o tom do céu…
Sob esta noite, sob nós repousarão as memórias e tantos escombros; porque nascem impérios que calam adamastores e ressuscitam a glória dos sentidos.
Açafrão, canela…
Os aromas todos na rota do mais perfeito dos amores.

domingo, 15 de março de 2015

Meninas ao palco


Depois do Estádio da Luz e dos golos do Benfica ao Sporting de Braga, depois da bifana com mostarda ingerida à sombra da roulotte situado por debaixo do viaduto da Segunda Circular, ir ao Casino Lisboa para ver uma peça sobre o universo feminino na década dos quarenta e representada por três actrizes, faz com que a “roleta da sorte” nos coloque rodeados por “ondas” de descendentes da eterna Eva.
E por todos os lados numa sala completamente cheia…
Na fila de cima senta-se um grupo de tias, mas das ilegítimas porque são daquelas que falam alto para toda a gente ouvir, e a conversa é “supé intessante”:
- Mas você gosta dela?
- Agora sim mas antes fiquei aterrada, tá a ver? Pedi “pa” ela me escadear o cabelo e quando a vi cortar tanto… fiquei aterrada. Mas depois ficou bem. Não vê?
- Sim…
O sim foi dito num ar tão cínico que até eu me virei para trás e bisbilhotar o cabelo da outra.
Na fila da frente senta-se um grupo mas em dois tempos pois a líder da segunda metade e que enverga um colete de pêlo que parece ter sido herdado do avô da Heidi, confessa ter tido alguma dificuldade para estacionar.
Dão dois beijos e percebe-se que estas não vieram de Cascais pela A5 e devem ter vindo pela A8 e das faldas de Loures. Aliás, a forma como gesticulam e gritam e o tom de framboesa do Báton comprovam como o Carnaval de Torres é como o Natal e é quando uma mulher quiser.
Entretanto em cima…
- Não querida, eu não desisti da ideia do segundo furo na orelha mas já agora segui o seu conselho e faço só depois das férias da neve “po” causa do incómodo do capacete.
Ao meu lado senta-se entretanto um casal de homem e mulher em que ela tem um ar mais másculo do que ele. O primeiro comentário desta quando vê uma frisa de sapatos no palco à frente da cortina.
- Olha que estupidez.
Ah macho…
Em baixo continua o desfile de Carnaval e percebe-se pelas gargalhadas que a malta não quer perder a noite de alforria:
- Ficaram para lá a emborcar. Afoguem-se em vinho…
E pelos tons do cabelo vê-se que estes foram pintados à pressa com tintas genéricas.
Em cima…
- O pior é ao fim-de-semana por causa das unhas.
- Ah pois é…
- Sabe “couto” dia vi lá o Ricardinho a fazer a depilação?
- Ah sim?
- Fingiu que não me reconheceu.
Ao meu lado…
- Dá-me ideia que isto é estupidez de gajas.
- Querida, pode ser que não.
- Se for saímos a meio.
Em baixo continua a festa das “vaginas unidas jamais serão vencidas”…
- Eu deixei-lhes lá uma tachada de arroz de marisco… e com gambas descascadas.
- Depois do teatro ainda vamos às bifanas de Vendas Novas?
- E até a Mizé vai beber uma imperial.
- Ah, ah, ah…
As luzes começam a apagar-se e parece que vai começar o teatro.
Agora no palco.
E a “machona” do lado saiu a meio e levou com ela o Nelo… digo, o marido contrariado.    

sábado, 14 de março de 2015

Há tanto mundo em mim… e uma noite com o Cante nas margens do Tejo


Esperei por ti tomando a fé de um sobreiro que a planície tinge de sombra ao romper da aurora que chamamos bela, pelo tom de fogo que sempre oferece ao horizonte.
Tomei alento da água da fonte que corre na mesma toada de paixão de quem a procura para namorar, e oferece beijos nas mãos em concha que dispensam o velho cocho que alguém por ali deixou pendurado num prego já enferrujado pelo tempo.
Colhi a azeitona numa manhã de inverno por entre os ramos gelados do olival e fiz dela a luz da candeia com que te escrevi versos ao luar.
Senti o canto chão dos homens na tasca mal alumiada, rimas de amor a ressoarem entre as talhas já cheias do vinho novo, e a ressoarem em mim, que toda a vida sonhei contigo.
Trago em mim a rebeldia das papoilas numa seara madura embalada pelo vento, e o perfume do rosmaninho sinto-o na alma junto ao prazer perfeito de viver contigo.
Há tanto Alentejo em mim...
E hoje, aqui de braço dado contigo nas margens do Tejo que nos juntou, escutando as vozes minhas irmãs que cantam como eu, a toada que me oferece casa e abrigo; eu sinto meu amor que muito mais do que o Alentejo que comigo nasceu...
Há tanto mundo em mim por namorar contigo.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Os dias da gripe


Importante e forte, eu?
Se até um vírus tão comum me derrota desta forma…
Suei toda a noite por mérito dos anti-piréticos e anti-inflamatórios, não me reconheço no aroma do pijama e o despertar clama pela urgência de um banho.
Água morna, gel, uma lentidão confrangedora, o esfregar o corpo como se estivesse a passar a escova e sabão azul e branco todo o Terreiro do Paço, a toalha, o roupão...
Uma pausa para respirar fundo e tomar coragem entre cada pequeno gesto.
Doem-me os músculos da barriga pelo esforço de tanto tossir quando me dobro para calçar umas botas de lã.
Foram tricotadas pela minha avó Natividade, que partiu em 1998 mas deixou cá estas relíquias e este privilégio que eu poupo e que ofereço a mim próprio apenas nestes dias que não são nada fáceis.
Depois sento-me no sofá para descansar e ganhar coragem para ir preparar o pequeno-almoço.
Descansar de uma noite de sono e o vírus a deixar-me totalmente à mercê daquilo que as anedotas contam de nós, os Alentejanos.
Passaram dez minutos e aí estou eu a arrastar-me para a cozinha, mais pela necessidade de fazer lastro no estômago aos medicamentos do que por vontade de comer.
E retirar-me o apetite…
Leite, café, pão com queijo, biscoitos sem açúcar... e valha-me a generosidade das minhas queridas Mina e Natália que tantas laranjas me deram no fim‑de‑semana.
Depois mais sofá e e-mails.
O meu pai ligou e é curioso que acha sempre estranho quando digo estar doente pois é como se o convívio diário com os medicamentos activasse automaticamente em nós farmacêuticos, uma importante e decisiva profilaxia contra todos os males:
- “Atão mas tu tás doenti”
- “Nam pai. Tou brincando”.
Ligo a televisão, passo pelos canais todos e acabo na RTP Memória a ver um programa em que a Teresa Guilherme e o Manuel Luis Goucha (ainda de bigode) entrevistam o Eusébio.
Não resisto a este momento "prefácio de panteão" e muito menos à promoção de umas esfregonas "inteligentes” algures no intervalo.
Vá lá alguém saber como pode uma esfregona ser inteligente...
O meu estado é tal que fico cansado só de ver a esfregona a mexer em ritmo “Melga & Mike”.
Desligo a televisão, escrevo, leio mais e-mails, como mais biscoitos...
E sempre a respirar fundo no sofá entre cada actividade.
Aproxima-se o almoço e novo momento de cozinha no bailado frigorífico, microondas e mesa.
Mais repouso, televisão nem vê-la...
Tento ler mas dói-me a cabeça...
Tento escrever e parece que estou a escrever guiões para uma novela Mexicana...
Mais repouso.
Adormeço.
Não tarda nada e terei de ir preparar o jantar... antes de ir descansar.
E depois dormir, suar, banho...
E quem é que disse que os Alentejanos nunca se cansam do sofá?
Vou trabalhar! 

quinta-feira, 12 de março de 2015

E são tuas todas as palavras


As palavras descem desse espaço comum formado pela memória, os desejos e os sonhos, o espaço a que chamam céu; adoçam-se nas sensações tomadas dos beijos ao pôr-do-sol, afinam-se na caligrafia perfeita inspirada nos traços do teu rosto... e vêm depois repousar na folha branca pousada na mesa onde escrevo para ti.
Eu jamais serei dono destas palavras de amor que aqui escrevo.
Guardião das lembranças e das vontades nascidas de um amor profundo, eu sou apenas o homem que empresta as mãos e desenha as letras das palavras todas que são tuas. As palavras "colhidas" de um céu que semeaste em mim e se renova de azul a cada amanhecer.
Prosa, poesia… e a vida que sempre ousei sonhar.
Há um aparente silêncio sobre este princípio de tarde, e eu gosto do silêncio pelo poder de o povoar daquilo que me apraz à alma.
Trepo-o agora pelas "lianas" do pensamento, e busco-te...
Não tardarei então a descer com as palavras que escrevo e logo te lerei envoltas no ar que cruza as nossas faces aparadas e iguais.
Será por certo em Lisboa.
Uma carta de amor, o prefácio de um beijo que me dás discretamente no espaço docemente exíguo de um abraço...
E sorriremos os dois.
Ambos sabemos que são tuas todas as palavras de amor.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Sim, para me encontrar.


Há um fio estreito de luz a rasgar a escuridão do quarto, uma espécie de linha traçada a diagonal sobre um tecto amplo e sem candeeiros; o sol terá nascido ainda há pouco.
Por entre a ténue claridade que me oferece a manhã consigo vislumbrar umas paredes pintadas de um tom claro, uma porta aberta para um compartimento contíguo a este onde me encontro, e um cortinado em tons de castanho, que por não estar devidamente unido no centro da janela, é o responsável por esta traição à escuridão que me terá embalado no sono durante toda a noite.
Um instante... e desconheço este quarto em que me desperto e onde nenhum ruído vem em meu auxílio oferecendo-me generosas coordenadas.
Coloco-me de barriga para cima, afago a barba, solto um bocejo, espreguiço-me ligeiramente... e é o teu rosto a primeira imagem que me ocorre na consciência de estar acordado.
Sorrio.
Ah, é verdade...
Solta-se mais um bocejo.
Sou eu. Troquei hoje momentaneamente o Tejo pelo Douro e estou a despertar-me num quarto de hotel no Porto.
Espreguiço-me mais um pouco.
Salto da cama, abro a cortina e alargo a linha de luz até à extensão do quarto, reconheço que a porta entreaberta dá para a casa de banho e corro para lá a pedir a agradável sensação da água quente de um duche.
Sorrio novamente.
Sim, sou eu; estou no Porto mas antes de me orientar no tempo e no espaço precisei de pensar em ti.
Eu navego pelos dias e há tanto de bússola nesta forma intensa de te querer.
Bússola?
Sim, para me encontrar.

terça-feira, 10 de março de 2015

Tu chegaste para vestir de açúcar todos os meus versos


Gosto de passear contigo e te ter ao meu lado, os dois envoltos pelo mais completo dos abraços.
Depois…
Entre os dias que insisto em recortar para que tomem as formas do teu rosto, e os papagaios de papel tecidos pelo meu querer e que sobrevoam eficazmente mesmo a mais intensa saudade; eu posso afirmar sem quaisquer dúvidas que vivo contigo todas as horas.
E sinto-me completo…
Talvez porque o amor seja o calar da solidão até mesmo quando estamos sós, seja uma fonte inesgotável de doces palavras mesmo quando nos envolve o silêncio, e seja o sentir do palpitar inscrito num beijo mesmo quando os teus lábios estão fisicamente muito longe dos meus.
Morrem todos os impossíveis e o que vale a distância perante o metafísico poder de um amor assim?
Um amor…
Tu chegaste para vestir de açúcar todos os meus versos.
Muito obrigado pelo melhor ano que eu já vivi.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Os recantos que foram chão dos beijos de amor sobrepõem o teu nome à toponímia de todas as ruas e praças da cidade


A primavera trouxe com ela os indisfarçáveis dias de sol e fez despontar milhões de flores amarelas no campo em frente à minha casa; as flores que nesta sexta-feira se interpõem entre mim e o mar quando à janela sorvo um copo de chá com aromas de limão e colho da tarde um poema de amor.
Depois… cai a noite e brilha sobre ela o fulgor da lua cheia. Quando regresso à janela é em exclusivo para a “escandalosa” lua que dedico o olhar num doce prenúncio de sonhos intensos.
A manhã de sábado devolve-me o mar, as flores… e por entre uma imensa saudade faz-me “emaranhar” por Lisboa, oferecendo o passo aos terreiros e às ruas onde passeamos juntos e onde estão tatuadas as marcas todas da nossa história comum.
Os recantos que foram chão dos beijos de amor sobrepõem o teu nome à toponímia de todas as ruas e praças da cidade.
Sento-me junto ao Tejo e ponho palavras no poema de pensar em ti.
Uma Bica e um Pastel de Nata, um olá às “nossas” Bolas de Berlim, o cheiro de uma tarde de primavera…
Já vendem morangos maduros no rossio… e o regresso a casa num namoro com a lua que me olha de frente.
Há poemas de amor na noite do Festival da Canção, a Simone fala de lendas, búzios e poemas, e talvez por isso eu adormeça como envolto nos teus braços e na história mais feliz da minha História.
Manhã de domingo…
Um fumegante café de cevada numa caneca, as flores de cor amarela, o mar; e não tardo a cruzar o Tejo até à lezíria onde me esperam os amigos.
Já não é cedo mas paro no campo para admirar a nobreza de um sobreiro e respirar a primavera.
Faço uma foto.
E a tarde…
Cozido à Portuguesa, gargalhadas, histórias, cumplicidades, golos do Benfica, laranjas apanhadas no Pomar, selfies… e o regresso a casa cruzando a Ponte Vasco da Gama e espreitando a lua cheia.
Um homem feliz é aquele que sabe colher poemas de amor por entre a paixão mais bonita do universo, um homem que vive adornado pelo conforto dos afectos de tantos amigos, e um homem que não teme o frente-a-frente com a lua nesses instantes de verdade que a noite sempre oferece.
Um homem feliz… sou eu.
Amanhã será segunda-feira e o sono exigirá dose reforçada de café para compensar a hora tão madrugadora a que soará o despertador.
Saudades do fim-de-semana?
O mar, as flores amarelas, as lembranças e o luar são nossos em todos os dias, podemos ter menos tempo para os desfrutar desde a nossa janela, mas estarão sempre lá para nos oferecerem poemas de amor.
Basta querer e sempre se arranja tempo.

domingo, 8 de março de 2015

Mulheres de A a Z


AMIGAS – São muito amigas e generosas, e por isso, estou certo que não levarão a mal esta brincadeira. Porque sou homem, claro.
APARELHOS NOS DENTES – A profunda saudade da adolescência. “Ai se até o acne pudesse voltar?”
BALANÇA – Objecto sempre avariado e invariavelmente no sentido de aumentar o peso.
BIMBY – O complemento directo.
BOLA DE BERLIM COM CREME – “A mim até a água me engorda”.
CALÇADO – Cem pares de sapatos no armário diz-se em “mulherês”: “estou descalça”.
CLAUDIA SCHIFFER – Uma ordinária com as pernas tortas.
DIETA – Aquela sempre adiada segunda-feira.
DRENANTES – A esperança de urinar a parte do corpo que lhes sobra
ENXAQUECA – A maior cúmplice e a desculpa mais eficaz.
FOFOCA – “Eu odeio fofocas e boatos… Olha, não digas a ninguém mas parece que…”
GORDA – Espécie em vias de extinção. Só há fortes.
HIDROGINÁSTICA – A esperança para a tão aguardada reconciliação com o bikini.
INTEGRAL – O pão da fé em deixar de pedir o XL na Zara.
JÓIAS – Pequeníssimos detalhes capazes de comprar boas vontades.
KGs – Aquilo que as outras têm sempre a mais.
LÁGRIMAS – Tão fáceis e um trunfo tão grande.
LOURAS – Medida drástica anti envelhecimento.
MALAS – Labirintos para telemóveis de peso insustentável.
MARIDO – Aquele gajo desarrumado, que ressona, que tem pêlos nas orelhas… mas que tem o nome no cartão de crédito.
NUANCES – É inútil tentar distinguir de Madeixas.
OPINIÃO – “Cada um tem direito à sua desde que no final a minha prevaleça”.
PLÁSTICAS – O segredo para o desenhar de bocas e mamas geneticamente impossíveis.
QUÍMICA – A sua ausência é a melhor desculpa para não passar à componente FÍSICA.
ROSAS VERMELHAS – O passaporte dos maridos.
SOGRA – Será que os maridos não poderiam ser todos órfãos de mãe?
SOMBRAS DE GREY – O poder oculto das vaginas.
TONY CARREIRA – “Faz-me um filho”.
UNHAS – “United colors” ou o único assumir de “mão estendida” num Centro Comercial à mercê de uns secadores existentes no “corner”.
VESTIDOS – “Tenho os roupeiros completamente cheios e não sei o que vestir”.
VIZINHA – Quem? Aquela “badalhoca” que leva sempre a roupa amarrotada e cheira mal da boca.
WC – Atelier de retoques de pintura e zona própria para socialização.
XL – O tamanho odiado (em roupa, claro!).
YES – A resposta ideal dos maridos após uma reivindicação feita muitas vezes sob a forma de simples sugestão.
ZARA – “Porque qualquer trapinho me assenta bem”.
ZUMBA – Uma prece ao fim da tarde.
Em conclusão, vocês são realmente únicas e fantásticas.
Um beijo imenso para todas com esta esperança de que um dia terminará a comemoração do Dia Internacional da Mulher, por já não ser necessário e todos os dias serem nossos.

sábado, 7 de março de 2015

Os super poderes à solta nas margens de um rio grande e azul


A Inês é uma menina linda que tem uma alma e um olhar moreno de poeta que rimam sempre com os caracóis que lhe coroam a face e esvoaçam como andorinhas em cada impulso que ela lhes oferece no entusiasmo de uma corrida.
A Inês vive na margem esquerda de um rio grande, e do alto dos seus incríveis sete anos ambiciona ser uma fada...
Para mudar o mundo.
Na outra margem do mesmo rio vive o João, que chorou no dia em que lhe explicaram que jamais saberia contar até a um último número; porque atrás de um número chega sempre outro e outro até ao infinito.
E lá se foi o sonho de "agarrar" o universo que é bem maior do que ele imaginava.
A Inês aprendeu a ler, e no dia em que sentiu que nenhuma frase lhe seria estranha e indecifrável, aproximou-se da mãe para lhe dizer que agora sentia que tinha super poderes.
O João pediu ao tio que lhe escrevesse uma história em que ele seria um dos heróis, os outros seriam o irmão e o primo; e o argumento teria de ter magia e super poderes, porque uma história vulgar não teria qualquer interesse.
Há definitivamente magia à solta em ambos os lados do Tejo, aquele rio grande e azul que me oferece em Lisboa, o melhor poiso para namorar e colher dos dias a poesia.
A magia jamais terá idade, os sonhos não envelhecem; e eu, a minha amiga Inês e o meu sobrinho João, às vezes até poderemos "desesperar" por não sermos donos do universo, mas jamais desistiremos de fazer de cada história, de cada parágrafo; e eu de cada olhar com um beijo teu, o fermento que nos cria maiores, o sorriso perfeito nascido da vitória sobre a banalidade e o previsível.

sexta-feira, 6 de março de 2015

“Príncipes” imperfeitos na vitória dos cábulas


Quando em Portugal os príncipes eram perfeitos, navegávamos para conquistar o mundo e dar novos mundos ao mundo. Agora, em tempos de “príncipes” que se confessam imperfeitos, naufragamos, o mundo chama-nos lixo e os mundos todos que um dia lhe demos regressam a casa, mas para nos comprarem a preço de saldo.
A História muda sempre que os cábulas conseguem vencer os competentes, honestos e aplicados, mas muda sempre e invariavelmente para pior.
Por cá, os cábulas filhos do facilitismo, líderes confeccionados em balões de ensaio, há muito venceram, fazendo com que os “bons alunos” emigrassem para exílios com capa de mais ou menos excelência; e aqui no recreio onde brincamos aos países há caloteiros que assumem papéis de mestres do rigor e da exigência, há “filhos da mãe” que se assumem como donos da moral e até há policias que são ladrões.
Aonde?
No recreio, que é como quem diz no espezinhar de um chão tecido pelas nossas dores, a terra onde por sobre nós se erguem monumentos à mediocridade.
E nesta festa de brincar muda a História e todas as histórias, porque jamais será o lobo a comer o pato que fugiu do lago do jardim; isso eram fábulas de outros tempos, agora é o Pedro que come o pato… e os “patos” todos.
E os lobos?
Talvez uivem com os “patos”, de fome e de revolta nas filas do desemprego ou das Finanças e da Segurança Social onde nunca faltamos para cumprir com o nosso dever de personagens competentes desta história… e da História.
Sem moral, com os heróis a serem sepultados vivos nos panteões do ridículo promovidos pelos microfones colocados à porta das penitenciárias ou nos palcos dos festivais; sentimos a orfandade e pesa-nos o leme enquanto sentimos que o “mostrengo” avança.
Resta-nos pois evocar os tempos dos “Príncipes Perfeitos” e responder frontalmente à imbecilidade, sem medo e tal qual na inspiração de Pessoa:
Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!

quinta-feira, 5 de março de 2015

A lua e as suas sombras


Desperdiça demasiada vida quem se senta à espera que o sol lhe tempere de cor as árvores e as ervas do campo; se a lua oferece à noite sombras infinitas que ficam à mercê do tom que lhe queremos dar.
E das sombras “colhemos” tantas histórias.
Conheço quase de cor as curvas do caminho, os detalhes todos que ladeiam a estrada por onde sigo de Vila Viçosa a Lisboa sob o luar intenso dos primeiros dias de Março. Sei que ali à direita e antes de chegar a Montemor-o-Novo há um sobreiro adormecido e centenário, uma árvore semelhante a uma taça gigante tecida de troncos carregados de vida pela sua generosidade e pelos tantos anos que já atravessou.
Hoje vejo-a como uma sombra perfeita na verticalidade da sua morte que oferece berço a tantas vidas.
E o poeta, que pode não ser um escritor; que a poesia é sempre coisa que se sente e que se pode expressar por qualquer dos sentidos, fixa-lhe os contornos e leva-a consigo na lembrança durante muitos mais quilómetros.
A perseverança de uma árvore é semelhante à fé de quem vive um grande amor.
Hoje, eu que sou sombra porque despido de cor pela saudade de te não ver, sinto nos meus braços e em cada detalhe do meu ser, a vida toda que me dás semeada por cada palavra, cada beijo, cada abraço…
E embora veja turva pelas lágrimas, a minha história que passa agora pelo escuro da estrada como na sala apagada de luz de um cinema, eu sei que o que vejo é o que eu quero ver, e sou eu, irmão de uma árvore do Alentejo…
Eu jamais deixarei de te amar assim, mesmo depois do dia em que a vida me fizer morrer.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Eu sigo sempre como a caminhar para ti e olho tudo à volta como que a procurar-te…


A noite já acendeu o Cristo-Rei e transformou a ponte numa ponteada linha de luzes em tons de amarelo com o sul como destino.
O inverno está de partida, sente-se no ar sem o mínimo tom de frio; e hoje não corre o vento que costuma trazer-nos a bênção do Tejo até às faces e põe as Tágides a segredar-nos ao ouvido os detalhes todos que guardaram do seu namoro com o mar.
Cúmplice, mais do que nunca, a lua brilha cheia por sobre mim.
O meu caminho passa por Belém, sobe a Ajuda pela Calçada e ao lado da Memória, e é o retrovisor que me traz a ponte e o rio até ao olhar.
Eu sigo sempre como a caminhar para ti e olho tudo à volta como que a procurar-te…
E sei que tu estarás sempre por Lisboa.
A lua parece sorrir-me como que afagando-me o ombro por entre o desconforto da certeza de que partiste ainda há pouco.
Há muito pouco.
Sem ti eu sou muito menos de metade daquilo que sonhei.
Estou a deixar a Ajuda, vou entrar em Monsanto e numa curva vejo que a ponte se pôs à minha frente e trouxe com ela uma nesga generosa de uma das colinas da cidade.
Eu vejo-te finalmente e sorrio como a lua.
Tu és a minha Lisboa.
Toda a Lisboa.
E eu vejo-te sempre mesmo que às vezes e só por entre a saudade.

terça-feira, 3 de março de 2015

O meu país entre o pântano e a tanga


O Primeiro-ministro de Portugal que fez a última dobragem de século pediu a sua demissão em 16 de Dezembro de 2001 para evitar o “pântano político”.
Aquele que lhe sucedeu e que disse ter encontrado o país “de tanga”, suspendeu a sua missão de salvador da pátria no dia 17 de Julho de 2004 para poder abraçar o cargo de Presidente da Comissão Europeia e enriquecer dessa forma o que mais lhe interessava… o curriculum.
Sucede-lhe então um outro político que entre equívocos, trapalhadas e demissões; acaba por motivar uma há muito esperada dissolução da Assembleia da República.
Sobe novamente ao poder o partido do “pântano” e um novo politico com direito a dois mandatos, o segundo dos quais, interrompido a meio no momento em que é pedido um resgate financeiro às instituições internacionais.
Voltam os salvadores da “tanga” mas desta vez para porem tudo a usar a dita a pretexto do pagamento das dívidas.
Destes dois últimos primeiros-ministros, hoje dia 3 de Março de 2015, o primeiro está preso por suspeita de corrupção, e o segundo, actualmente no cargo, já assumiu que durante um determinado período de tempo (algures entre o pântano e a tanga) não fez os pagamentos à Segurança Social por lapso e desconhecimento.
Tudo bons “rapazes”…
No cumprimento da alternância parece ser a vez do regresso dos do pântano e para início de conversa e para que a nossa expectativa não suba muito alto, o homem com mais fortes possibilidades de assumir o cargo de Primeiro-ministro assumiu já que o país está bem melhor em 2015 do que em 2011.
Pois está…
Também é muito possível que este potencial Primeiro-ministro assuma o cargo poucos meses antes do homem do pântano (ou quiçá o fugitivo da tanga) ser eleito como Presidente da República gozando do privilégio da amnésia do eleitor; por cá o principal aliado dos agentes políticos.
E esta é a breve história do meu país no Século XXI, uma história de misérias, fragilidades, abandonos e demissões motivadas entre outras coisas por fugas aos impostos e falsas licenciaturas; muito mais do que de alternativas a sucederem-se democraticamente numa perspectiva de desenvolvimento; uma história tecida de equívocos, mediocridade, hipocrisia e incompetência com uma factura elevada entregue ao povo para pagamento com a dor da privação do pão e da liberdade.  
Conclusão: De um imbecil jamais nascerá um líder, e uma nação governada por imbecis viverá sempre de tanga e imersa no viscoso mar da incompetência… leia-se no pântano.