quarta-feira, 4 de março de 2015

Eu sigo sempre como a caminhar para ti e olho tudo à volta como que a procurar-te…


A noite já acendeu o Cristo-Rei e transformou a ponte numa ponteada linha de luzes em tons de amarelo com o sul como destino.
O inverno está de partida, sente-se no ar sem o mínimo tom de frio; e hoje não corre o vento que costuma trazer-nos a bênção do Tejo até às faces e põe as Tágides a segredar-nos ao ouvido os detalhes todos que guardaram do seu namoro com o mar.
Cúmplice, mais do que nunca, a lua brilha cheia por sobre mim.
O meu caminho passa por Belém, sobe a Ajuda pela Calçada e ao lado da Memória, e é o retrovisor que me traz a ponte e o rio até ao olhar.
Eu sigo sempre como a caminhar para ti e olho tudo à volta como que a procurar-te…
E sei que tu estarás sempre por Lisboa.
A lua parece sorrir-me como que afagando-me o ombro por entre o desconforto da certeza de que partiste ainda há pouco.
Há muito pouco.
Sem ti eu sou muito menos de metade daquilo que sonhei.
Estou a deixar a Ajuda, vou entrar em Monsanto e numa curva vejo que a ponte se pôs à minha frente e trouxe com ela uma nesga generosa de uma das colinas da cidade.
Eu vejo-te finalmente e sorrio como a lua.
Tu és a minha Lisboa.
Toda a Lisboa.
E eu vejo-te sempre mesmo que às vezes e só por entre a saudade.

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