segunda-feira, 9 de março de 2015

Os recantos que foram chão dos beijos de amor sobrepõem o teu nome à toponímia de todas as ruas e praças da cidade


A primavera trouxe com ela os indisfarçáveis dias de sol e fez despontar milhões de flores amarelas no campo em frente à minha casa; as flores que nesta sexta-feira se interpõem entre mim e o mar quando à janela sorvo um copo de chá com aromas de limão e colho da tarde um poema de amor.
Depois… cai a noite e brilha sobre ela o fulgor da lua cheia. Quando regresso à janela é em exclusivo para a “escandalosa” lua que dedico o olhar num doce prenúncio de sonhos intensos.
A manhã de sábado devolve-me o mar, as flores… e por entre uma imensa saudade faz-me “emaranhar” por Lisboa, oferecendo o passo aos terreiros e às ruas onde passeamos juntos e onde estão tatuadas as marcas todas da nossa história comum.
Os recantos que foram chão dos beijos de amor sobrepõem o teu nome à toponímia de todas as ruas e praças da cidade.
Sento-me junto ao Tejo e ponho palavras no poema de pensar em ti.
Uma Bica e um Pastel de Nata, um olá às “nossas” Bolas de Berlim, o cheiro de uma tarde de primavera…
Já vendem morangos maduros no rossio… e o regresso a casa num namoro com a lua que me olha de frente.
Há poemas de amor na noite do Festival da Canção, a Simone fala de lendas, búzios e poemas, e talvez por isso eu adormeça como envolto nos teus braços e na história mais feliz da minha História.
Manhã de domingo…
Um fumegante café de cevada numa caneca, as flores de cor amarela, o mar; e não tardo a cruzar o Tejo até à lezíria onde me esperam os amigos.
Já não é cedo mas paro no campo para admirar a nobreza de um sobreiro e respirar a primavera.
Faço uma foto.
E a tarde…
Cozido à Portuguesa, gargalhadas, histórias, cumplicidades, golos do Benfica, laranjas apanhadas no Pomar, selfies… e o regresso a casa cruzando a Ponte Vasco da Gama e espreitando a lua cheia.
Um homem feliz é aquele que sabe colher poemas de amor por entre a paixão mais bonita do universo, um homem que vive adornado pelo conforto dos afectos de tantos amigos, e um homem que não teme o frente-a-frente com a lua nesses instantes de verdade que a noite sempre oferece.
Um homem feliz… sou eu.
Amanhã será segunda-feira e o sono exigirá dose reforçada de café para compensar a hora tão madrugadora a que soará o despertador.
Saudades do fim-de-semana?
O mar, as flores amarelas, as lembranças e o luar são nossos em todos os dias, podemos ter menos tempo para os desfrutar desde a nossa janela, mas estarão sempre lá para nos oferecerem poemas de amor.
Basta querer e sempre se arranja tempo.

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