segunda-feira, 16 de março de 2015

Os aromas todos…


Em Belém há um mosteiro com nós marinheiros esculpidos entre os santos da fachada, heróis do céu e do mar congregados na memória das caravelas que deram novos mundos ao mundo e que dobraram tormentas pelo império, por glória, açafrão e canela.
E mais acima, iluminada e a sobressair do casario da Ajuda, uma cúpula guarda a memória do Marquês e de uma cidade reconstruida por sobre os escombros do terramoto.
Tudo isto, nós conseguimos observar desde o jardim enfeitado a buxo recortado e a altos ciprestes, onde uma fonte nos entretém na ilusão da água ter cores, porque, formas… o vento agreste da noite e do Tejo destrói-as todas sem dó nem piedade.
Há pouco, quando tentávamos fazer uma foto, sentimos os salpicos da água nas nossas faces e devolvemo-nos a correr para o carro onde nos sentámos e onde as nossas mãos se colaram instintivamente.
Todo eu repouso por entre o desejo mais doce quando sinto a minha pele entrelaçada na tua pele, uma permuta incessante onde nenhum dos poros se demite de beijar o outro e de lhe contar segredos.
Tu belisca-me entre os dedos enquanto as palavras que a noite tece nos envolvem no futuro feito de tantos planos.
E o teu olhar que tem o tom do céu…
Sob esta noite, sob nós repousarão as memórias e tantos escombros; porque nascem impérios que calam adamastores e ressuscitam a glória dos sentidos.
Açafrão, canela…
Os aromas todos na rota do mais perfeito dos amores.

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