quinta-feira, 12 de março de 2015

E são tuas todas as palavras


As palavras descem desse espaço comum formado pela memória, os desejos e os sonhos, o espaço a que chamam céu; adoçam-se nas sensações tomadas dos beijos ao pôr-do-sol, afinam-se na caligrafia perfeita inspirada nos traços do teu rosto... e vêm depois repousar na folha branca pousada na mesa onde escrevo para ti.
Eu jamais serei dono destas palavras de amor que aqui escrevo.
Guardião das lembranças e das vontades nascidas de um amor profundo, eu sou apenas o homem que empresta as mãos e desenha as letras das palavras todas que são tuas. As palavras "colhidas" de um céu que semeaste em mim e se renova de azul a cada amanhecer.
Prosa, poesia… e a vida que sempre ousei sonhar.
Há um aparente silêncio sobre este princípio de tarde, e eu gosto do silêncio pelo poder de o povoar daquilo que me apraz à alma.
Trepo-o agora pelas "lianas" do pensamento, e busco-te...
Não tardarei então a descer com as palavras que escrevo e logo te lerei envoltas no ar que cruza as nossas faces aparadas e iguais.
Será por certo em Lisboa.
Uma carta de amor, o prefácio de um beijo que me dás discretamente no espaço docemente exíguo de um abraço...
E sorriremos os dois.
Ambos sabemos que são tuas todas as palavras de amor.

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