terça-feira, 17 de março de 2015

Eu irei sempre buscar-te do lado do mar


Saio para um corredor imenso.
De um lado, num dos topos, uma janela rasgada para a montanha verde por ora coroada de bruma, e do outro, do meu lado esquerdo, uma outra janela e o mar.
Estou mais ou menos equidistante de uma e outra janela, e saindo agora do meu quarto desta noite apercebo-me de como a cama me ofereceu cabeceira na montanha e me posicionou o corpo de frente para o mar.
O mesmo mar que ontem ao serão sobrevoei prata por mérito da lua e despertou azul comigo nesta manhã, epílogo de sonhos por certos envoltos em bruma e repletos das histórias tecidas pelos mistérios que escondem as lagoas.
Os encantos guardados no refúgio da eterna Atlântida.
Saio definitivamente para o corredor...
E viro instintivamente para o lado do mar mas na consciência de puxar e trazer comigo as lembranças de todas as montanhas...
E dos sonhos, e da bruma...
O café não tarda a fumegar na caneca que tem desenhado o mergulho de um cachalote; como bolo lêvedo com manteiga, um iogurte de ananás... e à minha frente, e sempre, a coerência do mar.
Escrevo-te um poema que vou publicar para ti nesta manhã enquanto só o Atlântico parece querer matar as saudades do teu olhar; e trago comigo os sonhos que colhi dos teus beijos por entre a bruma de tantos dias.
Os Açores...
As montanhas como almofadas e os dias que são como os corredores…
Eu irei sempre buscar-te do lado do mar.

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