domingo, 11 de julho de 2010

Para sempre, ROSA!

Todos nós crescemos beneficiando da inspiração de “ídolos” que podem ser oriundos da área do desporto, da música, do cinema, etc.
No campo muitas vezes apenas dos sonhos, são as pessoas que nos dão asas.
A única pessoa de quem eu posso dizer verdadeiramente que sou fã, é sem dúvida a Rosa Mota.
Num tempo em que Portugal apenas competia para estar presente, foi a pessoa que ensinou à minha geração, que é possível estar presente e ser o melhor, vencer.
Jamais esquecerei as tardes e as madrugadas em que acompanhei esta mulher franzina e cheia de garra, a deixar adversárias para trás e a galgar quilómetros só para ter o prazer de ver subir no lugar mais alto do pódio, a bandeira de Portugal.
Recordo-me de uma maratona em 1987 em Roma, nos campeonatos do mundo, em que a Rosa deu uma volta solitária pela Cidade Eterna e após cortar a meta, cansou-se de esperar pela adversária que chegou para a prata.
E aquela madrugada em Seul em que a Rosa fez quilómetros e quilómetros com uma alemã e uma australiana como sombras, para perto da meta acelerar e provar que era a melhor.
Inesquecível.
Tenho a certeza de que a Rosa não ganhou milhões, o que a movia realmente era vencer por Portugal. Ainda continua a ser nas vitórias e não nos ordenados, que se definem os campeões.
A Rosa reclamava antes das provas, pedindo sempre melhores condições para trabalhar. Nunca reclamava depois para justificar derrotas.
Desconheço a família da Rosa, os contornos da sua vida privada. Isso não interessa mesmo nada para este “campeonato”.
A Rosa era simples e genuína, e nessa simplicidade assentou sempre a sua grandeza. Sem querer ser, era maior do que todas.
Mas, mudam-se os tempos e mudam-se as vontades, já dizia Camões.
Os ídolos agora são outros e bem diferentes e eu temo muito que as novas gerações construam os seus sonhos tendo por base a insensatez e a vergonha de heróis feitos à pressa, movidos apenas a dinheiro e julgados reis não pela sua genialidade mas pela força de dinheiro que tudo compra, até filhos.
Para sempre, Rosa!

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