domingo, 20 de junho de 2010

José Saramago (1922 – 2010)

Lisboa despediu-se hoje do único Homem que levou a literatura em língua Portuguesa à glória do Nobel.
Tal como em vida, também na morte, Saramago gerou polémica. Acontece sempre assim quando se transportam connosco convicções fortes e quando se defendem sem rodeios todas as causas em que acreditamos.
Para além da discussão em torno da presença ou não do Presidente da República nas cerimónias fúnebres, a polémica maior foi sem dúvida a criada pelas declarações da Santa Sé acerca da personalidade de Saramago. Em minha opinião é um ataque desmesurado e completamente fora de tempo.
Na hora da sua partida, prefiro pessoalmente concentra-me na genialidade do escritor que me prendeu à sua escrita e em muitas horas me ajudou a navegar nas ondas dos sonhos, fazendo-me simultaneamente pensar de forma crítica sobre o mundo onde vivemos e sobre a sociedade na qual somos agentes activos.
Jamais visitarei Mafra sem me recordar de Blimunda e sem sentir nos meus ombros, o peso daquela pedra gigante que tantos transportaram, jamais olharei para o Castelo de S. Jorge sem que recorde aquele revisor de provas que escreveu à sua maneira a história do cerco de Lisboa, jamais deixarei de imaginar a ibéria feita jangada a navegar oceano fora.Jamais esquecerei Saramago como um dos maiores escritores do meu tempo e jamais esquecerei o orgulho que senti quando no Outono de 1998, o meu amigo Juan Delgado me telefonou da sua Sevilha natal para me felicitar porque a minha língua finalmente tinha um Prémio Nobel.

1 comentário:

  1. A Igreja tem dessas coisas, muitas vezes... :(
    Mas gostaria de deixar aqui um apontamento diferente, uma opinião de um teólogo que tem feito ouvir a sua voz. O P. Tolentino Mendonça afirma que para um teólogo, "Saramago é um autor incómodo e fascinante”. O director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesaconsidera não haver nenhum outro escritor que tenha tomado a Bíblia de forma tão sistemática.
    O texto completo pode ser consultado em: http://www.snpcultura.org

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