segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Preciosíssimos construtores de fé


Há precisamente 45 anos, no dia 6 de Agosto de 1966, a ponte 25 de Abril, então Ponte Salazar, era inaugurada, e eu, com apenas um mês e um dia de existência, era baptizado na Igreja de S. Bartolomeu em Vila Viçosa.
Por vontade expressa dos meus pais, nesse domingo dizem que muito quente de Agosto, eu nasci para a fé católica e fiz a “ponte” para a comunidade dos crentes.
Hoje, dia 6 de Agosto de 2011 estou acompanhado pelos meus pais, em Roma, o lugar maior e centro do catolicismo, e assinalo este dia com alegria e já adulto, renovo e reforço os votos de fé que os meus pais então por mim fizeram.
No nosso passeio de hoje, quando íamos da Praça de Espanha em direcção à Fontana de Trevi, mesmo quase a chegar a esse lugar mítico abençoado para sempre pelo romance de Mastroiani e Ekberg, numa pequena igreja, vejo-me com os meus pais ante o túmulo de S. Gaspar del Búfalo, Santo e fundador dos Missionários do Preciosíssimo Sangue, desde há muito os responsáveis pela minha paróquia de sempre em Vila Viçosa, a de S. Bartolomeu.
O padre que me baptizou há 45 anos era Missionário do Preciosíssimo Sangue.
Mas o meu pensamento neste momento de confluência do lugar presente com a memória passada foi para dois Missionários e meus Párocos, duas pessoas de excepção que tiveram uma influência muito grande no crescimento dessa fé nascida nesse dia em que entre Lisboa e Almada deixou de haver apenas Tejo: o Padre José Luís Francisco e o Padre Armando Tavares.
Do Padre José Luís guardarei para sempre a imagem de um Guerreiro da Fé, a coerência, o rigor e a elevada exigência que se impunha e recomendava a todos de que não há “semi-fés”, quando ela existe, tem de ser completa e tem de ter expressão em todos os momentos e opções da nossa vida.
Em tempos quentes, politicamente falando, recordarei sempre as suas homilias de coragem, num tempo em que em Vila Viçosa, muitos dos cristãos que hoje vestem capas de confrarias, eram MRPP’s e praguejavam contra os Cristãos e contra Jesus Cristo.
Os heróis são sempre os coerentes que mesmo em condições adversas nunca desistem dos seus ideais e o Padre José Luís foi claramente um herói e uma referência para a minha fé.
O Padre Armando apareceu depois e numa fase em que eu e os meus amigos, na adolescência e na juventude, mais necessitávamos de alguém que nos ajudasse a alinhar a nossa vida, a nossa fé, com o tempo que vivíamos.
O inicio dos anos 80 foram de mudança na música com a explosão do Rock Português, na forma de rir, com o aparecimento do Herman José, na forma de vestir e falar, com a televisão a cores e as telenovelas e séries de televisão mais ousadas, e nós neste turbilhão de mudança, necessitávamos de alguém que fosse bússola e nos dissesse que a fé cabe em tudo o que fazemos e queremos ser e ter, porque a fé somos afinal nós próprios e Deus.
Formámos com o Padre Armando um grupo a que chamámos Sementes de Esperança e nas noites de quarta-feira, roubávamos o serão ao descanso e à televisão para nos encontrarmos e discutirmos todos os assuntos, polémicos, desconfortáveis, mas para nós importantes, muitos dos quais nem coragem tínhamos para discutir em casa com os nossos pais.
O Padre Armando foi um indutor de maturidade para a nossa fé no momento em que crescíamos como Homens.
Hoje, aqui junto ao túmulo do fundador da congregação que abraçaram, lembrei-me deles, até porque as notícias sobre a saúde de ambos não são as melhores.
Agradeci a sua presença na minha vida e rezei por eles e pelo seu futuro, estando certo que os Homens quando são grandes não necessitam de ver para saber apontar caminhos, nem necessitam de pernas vigorosas para nos ajudar a caminhar até à felicidade.

1 comentário:

  1. Na fé, a coerência é essencial! Podemos dizer coisas muito bonitas e profundas, fazer homílias maravilhosas, mas se o que vemos não corresponder ao que dizemos, ninguém nos levará a sério. Os padres Zé Luís Francisco e Armando Tavares são exemplo de coerência! Até na vivência do seu sofrimento o estão a ser! Isso não se diz! Vive-se! E nós vemos e podemos (devemos) tomá-los como exemplo!

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