domingo, 6 de maio de 2018

A minha mãe...


No tempo em que me levavas pela mão até à missa das seis da tarde em São Bartolomeu, aos domingos, depois de termos preparado, juntos, um pudim Mandarim para o jantar, eu chamava por ti, às vezes, a meio da noite, para que viesses ajeitar-me a cama, porque ela estava enxovalhada.
- Mãe!
Ainda hoje, nos dias e nas noites “amarrotadas”, eu continuo a chamar por ti, e da mesma forma: como quem reza.
Porquê?
Porque o teu abraço me veste o céu.
Continuamos a ir juntos à missa, mas agora sou eu quem te dá o braço, sentindo que, apesar de ter mais vinte e quatro centímetros de altura, jamais te acharei pequena. Pelo contrário, vejo-te gigante, e imagina tu, que, muitas vezes, quando caminhamos assim, penso que todo o melhor de mim são coisas que me deste. O demais, a pobreza onde essa excelência se dilui e às vezes se perde, são coisas que eu inventei.
Mãe, também não me lembro, se alguma vez te disse que tu és a minha casa, que és o amor que não se cala mas onde o silêncio diz tudo...
Diz, é um facto, mas nós também conversamos muito, e um certo dia, confessámos um ao outro que só gostamos de chorar quando estamos sozinhos. É verdade, mas eu sei que tu choras sempre que fechas a janela depois de me acenares um adeus, nos domingos à tarde, e tu também sabes que eu vejo sempre turvo esse fechar da janela, quando olho pelo retrovisor, porque de Vila Viçosa a Borba choro sempre de saudades.
Tuas, do pai, do mano Zé Artur, da minha casa, de mim pequeno, dos “lençóis” que ainda hoje me desamarrotas... Saudades do tanto de mim que fica sempre ao pé de ti.
Mãe, um imenso beijo e um domingo cheio de flores.

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