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O estado do Estado Social

Motivados pela proposta de revisão constitucional do Partido Social Democrata, em minha opinião inoportuna porque muito longe das prioridades do país no momento presente, temos assistido às mais variadas intervenções de profissionais da política, na defesa do Estado Social em geral, e do Serviço Nacional de Saúde em particular. Defendem que o estado é que deve garantir os cuidados básicos de saúde à generalidade da população. Estou totalmente de acordo com esta posição, não podendo porém rejeitar a ideia de haver pessoas que pretendam, tendo meios para isso, socorrer-se de sistemas privados que assegurem esses mesmos cuidados. Aliás mais do que concordar, exijo que o estado cuide de forma eficaz da saúde da generalidade dos cidadãos, assentando esta exigência na legitimidade de quem paga os seus impostos, de quem colabora com uma elevada percentagem do seu salário, para a manutenção e melhoria do Estado Social. É pois com perplexidade que mais uma vez assisto à manifestação da mais pur...

Festas dos Capuchos / Vila Viçosa

Numa tradição que se repete a cada ano no segundo fim-de-semana de Setembro, estamos a viver as Festas dos Capuchos em Vila Viçosa. O largo fronteiro ao antigo convento dos frades franciscanos, um pouco afastado do centro urbano da vila, transforma-se numa sala de visitas para onde todos convergimos, Calipolenses ou não, para podermos conviver num verdadeiro espírito de família. Eu, tal como muitos dos que amando esta terra, o fazemos à distância, multiplicando este amor pelo peso da infinita saudade, não falto nunca a esta chamada à “reunião de família”. Aqui, sob a protecção da Senhora da Piedade, do Senhor dos Aflitos, de S. Luís e S. Tiago (sim, porque em Vila Viçosa cada largo tem sempre três igrejas), encontramos os amigos que não se esquecem nunca mas que se vêem de ano a ano, e contamos, partilhamos, as incidências e os acontecimentos de mais uma etapa de vida que, de Setembro a Setembro, acabámos de cumprir. Falamos das nossas vidas, e projectamos e partilhamos o futuro. Aqui,...

Portugal a arder

A cena repete-se todos os anos. Do programa de férias, faz parte esta preocupação com o país que arde, com as pessoas cuja vida se encontra em risco, com a floresta que desaparece, com os bens pessoais e bens públicos que são devastados, etc. Passam os anos, sucedem-se os governos, as câmaras municipais, e nada, mesmo nada, muda. Recordo-me do ano de 2003. Durante o mês de Agosto, Portugal ardeu de uma forma brutal, era então primeiro-ministro o actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. As consequências dos incêndios foram tremendas. Passaram 7 anos. Os protagonistas de hoje são a oposição da altura mas os argumentos são os mesmos. Em Portugal é sempre assim. Mudam os intérpretes mas a canção é sempre a mesma. E para mal dos nossos pecados, a canção de sempre é um triste fado. Porque não se obriga os proprietários dos terrenos, a começar pelo estado e pelas suas instituições, a limpar as matas e os terrenos à sua responsabilidade? Porque não se penaliza seriamente quem pra...

A memória dos heróis

Com o objectivo de acompanhar uma colega no momento do funeral de um seu familiar, desloquei-me hoje ao cemitério do Alto de S. João, em Lisboa. Mais propriamente ao talhão dos combatentes, um espaço próprio onde repousam os restos mortais daqueles que em alturas diferentes da nossa história, combateram pelos ideais da pátria lusitana. Fiquei chocado com o estado de degradação e de total abandono deste espaço, numa dimensão que não tenho dúvidas em classificar como sendo de manifesta falta de respeito. Há ervas daninhas por todo o lado, as placas metálicas enferrujadas, lixo acumulado, terra arrastada pelas chuvas e acumulada em todo o espaço, etc. Não interessa se as guerras que os tornaram heróis foram mais ou menos aceitáveis e compreendidas, o que importa é que no seu tempo, estes homens levaram ao limite o seu amor à pátria Portugal. Não interessa se estas pessoas têm ou não têm família. É ao estado que compete tratar dos seus heróis. O estado que é generoso a oferecer subsídios d...

Ilha do Pico

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No mar, a terra se fez ao alto, P’ra dizer a toda a gente, Por um Pico, rei de basalto: “Está aqui Portugal presente”. Francisco Caeiro Horta / Faial, 13 de Julho de 2010

Para sempre, ROSA!

Todos nós crescemos beneficiando da inspiração de “ídolos” que podem ser oriundos da área do desporto, da música, do cinema, etc. No campo muitas vezes apenas dos sonhos, são as pessoas que nos dão asas. A única pessoa de quem eu posso dizer verdadeiramente que sou fã, é sem dúvida a Rosa Mota. Num tempo em que Portugal apenas competia para estar presente, foi a pessoa que ensinou à minha geração, que é possível estar presente e ser o melhor, vencer. Jamais esquecerei as tardes e as madrugadas em que acompanhei esta mulher franzina e cheia de garra, a deixar adversárias para trás e a galgar quilómetros só para ter o prazer de ver subir no lugar mais alto do pódio, a bandeira de Portugal. Recordo-me de uma maratona em 1987 em Roma, nos campeonatos do mundo, em que a Rosa deu uma volta solitária pela Cidade Eterna e após cortar a meta, cansou-se de esperar pela adversária que chegou para a prata. E aquela madrugada em Seul em que a Rosa fez quilómetros e quilómetros com uma alemã e uma a...

A Casa dos Marcos RARÍSSIMOS

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Por razões de ordem profissional, há já algum tempo que conheci e tenho vindo a interagir com a associação de doentes “Raríssimas”. Nesta associação confluem pessoas que carregam consigo as chamadas “Doenças Raras”, assim designadas por atingirem um número muito reduzido de pessoas em todo o mundo. São muitas e diversas estas doenças. O coração que bombeia vida nesta associação é a Dra. Paula Brito e Costa, mãe de uma criança com uma doença rara, o Marco, que tendo partido há já algum tempo deixou vivo na mãe o seu maior sonho: a construção de uma escola onde ele pudesse viver com os outros meninos raros como ele. No passado dia 1 de Julho tive o privilégio de estar presente na Moita, na cerimónia de lançamento da primeira pedra deste sonho, designado legitimamente “A Casa dos Marcos”, um edifício que dentro de algum tempo albergará o sonho de mais de 100 Marcos raros, num projecto que confirma que quando confluem as vontades de público e privados, o mundo avança mesmo. No rebuliço med...