segunda-feira, 16 de julho de 2012

Às avessas


Uma pessoa que me é muito próxima, começou recentemente a fazer um curso sobre empreendorismo num instituto do estado, tendo recebido, no meio dos maiores disparates veiculados pela formadora e que são expressão da sua total incompetência, o conselho para nunca arriscar um negócio pois o momento é economicamente muito complicado.
Apesar da incompetência, não parece faltar trabalho a esta senhora, ao contrário do que acontece com um elevado número de professores, competentes e com provas dadas, e conheço bem alguns deles, que estão a vislumbrar o desemprego no seu futuro.
Para quê tanto investimento em estudo e dedicação?
Tivessem passeado o charme pelas estruturas juvenis de algum partido, tivessem aderido a uma loja maçónica, pedissem as equivalências de modo a obterem a licenciatura com a frequência de 10% das cadeiras, e muito possivelmente não só não estariam no desemprego como teriam muitas hipóteses de conseguirem ser ministros e atingirem em poucos anos uma choruda reforma.
A necessitar de reforma estará também o Presidente do Comité Olímpico de Portugal pois ao referir-se às hipóteses de sucesso dos nossos atletas nos Jogos Olímpicos de Londres, afirmou ser muito difícil que consigamos ganhar alguma medalha. Bela expressão de confiança nos atletas, e já agora, que inédito método para motivar as hostes.
Motivação?
Imbatível deve estar a dos corruptos mais poderosos pois a impunidade é coisa que ninguém lhes tira nesta reinvenção do decálogo e mais concretamente na componente do não roubar.
O bem e o mal?
Já não existem. Foram enterrados na mesma tumba da honestidade e dos valores em geral.
E nesta República do Avesso, até a lucidez chega da fonte mais improvável: o presidente do governo regional da Madeira. Irónico, sugeriu a sua legitimidade para pedir equivalências para quatro licenciaturas, tudo por conta dos anos que leva de desempenho de actividade política.
Um país ao contrário ou um eterno carnaval onde nunca mais se vislumbra a quarta-feira.
Na minha Vila Viçosa quando alguém saía à rua com a roupa ao contrário, dizia-se que era sinal de presente ou então de uma visita inesperada. Visitas e presentes, são tudo o que não nos tem faltado, em troikas, memorandos e pacotes de austeridade.
Definitivamente, por todos os motivos, acho que é melhor “perdermos” algum tempo em frente ao espelho e tomarmos a iniciativa de compor a fatiota. 

2 comentários:

  1. Amigo Quim, só tenho uma "palavra" para este mundo as avessas , cambada de "Pantomineiros" que acabaram e insistem ainda em acabar mais e mais com tudo......

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  2. O pais fez o pino e por lá ficou.
    Hoje arte e engenho para nos voltamos equilibrar.
    A paciência é que já vai faltando.
    RUI PEREIRA

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