quarta-feira, 4 de julho de 2012

Portugal ou buscando o mar


O sol está a pique, e a planície arde no seu esplendor ocre, pincelado aqui e ali pela nobreza dos sobreiros que recortam o horizonte, impondo o seu verde neste namoro perfeito e imperturbável entre a terra alentejana e o mais intenso azul do céu.
A estrada, recta infinita e persistente, é nossa cúmplice e transporta-nos, na ânsia e no clamor pelo Tejo que sabemos sempre, estar certo mais além abaixo na encosta, quando terminarem as giestas e as estevas.
Chegamos por fim, e repousamos o olhar, entregando a alma à paz do lento correr das águas.
Cruzamos o rio e subimos.
Subimos nós e connosco sobe a Terra, que em braços de granito erguidos aos Céus, se faz Serra e se impõe, perfeita montanha, oásis doce e rubro de sabor cereja.
A Gardunha é o degrau que nos dá alento e nos inspira a pular à Estrela, mágico, supremo e divino altar.
Avança a tarde, e passando a Guarda, deixo-me ir buscando intensamente o sol, cruzando louco os caminhos traçados pela bravura lusitana de Viriato, sabendo que o ocaso me revelará a Ria, o mar de Aveiro, paraíso da fertilidade em verde moliço.
Finalmente o mar…

1 comentário:

  1. No sopé da belíssima e grandiosa Serra da Gardunha, o Fundão encontrou as condições ideais para o cultivo da cereja
    verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão
    Rui Pereira

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