sábado, 28 de julho de 2012

O nacional "poucochinho"


Se há características que reconheço em nós portugueses, e com as quais pouco ou nada me identifico, elas são a falta de ambição e a resignação.
A primeira encarna em si um pessimismo crónico e doentio que jamais assume o sucesso como destino, muitas vezes não é pela falta de vontade, garra e querer, que até existem, mas é tão só para jamais nos termos de arriscar a explicar o insucesso quando antes manifestámos publicamente a vontade de vencer. É que não faltarão vozes que no coro trágico da moral lusitana, a gritar e a condenar: soberba.
Alinhados com este comportamento, não posso deixar de me manifestar chocado por em plenos Jogos Olímpicos, não haver um único atleta português que assuma que vai a Londres para ganhar uma medalha.
“Não prometo nada”, “é muito difícil”, “depois logo se vê”…
Esta mentalidade é a melhor semente para não colher nada. Estas frases são a vacina que previne a condenação do insucesso que é sempre colocado com maiores probabilidades de ocorrer do que o êxito.
Quem trabalhou afincadamente para vencer, tem de assumir ser favorito.
O José Mourinho é o melhor treinador do mundo porque contraria esta mentalidade do “poucochinho”. Afirma-se especial, reconhece que é o melhor e jamais alguém o ouvirá dizer que vai tentar ganhar um jogo. Ele afirma que o vai ganhar.
E a resignação anda de braço dado e está casada com esta falta de ambição.
Contentamo-nos com muito pouco e vivemos bem com este muito pouco, porque dos pobres é o reino dos Céus e porque assumir a vitória e reconhecer o seu prazer, aliás, reconhecer qualquer forma de prazer, é sinal de soberba e de um exibicionismo que um dia acabará, porque “Deus é grande e não dorme”.
Os atletas vêm de Londres com péssimos resultados, mas já tinham avisado e prevenido a malta, não os condenem. E quando afirmam que o importante foi estar lá?
Eu conheço formas mais simpáticas e baratas de ir a Londres.
E quando saímos do desporto e entramos pela política?
É igual:
- Roubar?
- Todos roubam. E apesar deste estar condenado pelos tribunais, voto nele porque até tem feito um bom trabalho.
Ou então:
- O político mentiu e afinal não é doutor?
- Então mas já sabemos que os políticos são mentirosos. É a sua arte. São todos iguais.
E é assim em todas as áreas e assim não vamos a lado nenhum que não seja a mediocridade reinante.
Só existe um caminho para inverter tudo isto: aprendermos a ser exigentes, reavivando o rigor no critério que separa o bem do mal, o sério do desonesto, o certo do errado.
Ser exigentes e ambiciosos, tendo o máximo orgulho em sê-los.
Com garra, com alegria, sem medo das consequências da nossa revolta e indignação, e com o máximo prazer. 

2 comentários:

  1. Compreendo perfeitamente a posição do meu amigo, mas quando estamos perante os holofotes da crítica e somos castigados por chegarmos em 4º lugar, bem, obrigam-se a ser mais cuidadosos. O português é muito 8 ou 80. Temos o caso dos treinadores dos grandes que arriscam dizer que vão ser campeões e sabem que campeão vai ser só um. E depois quem +e que os segura? Não sei qual é a melhor solução. O Mourinho, e porque já se falou dele, no 1º ano no Real Madrid, só ganhou a Taça, embora intimamente penssasse que ganhava o campeonato, como é natural. No fundo é tudo uma gestão das expectativas. Como nos budgets da Indústria Farmacêutica, não é? Um abraço.

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  2. Está na matriz genetica deste povo. Não consegues alterar um povinho que quer um trabalhinho onde faça pouquinho para ganhar um dinheirinho para um cafezinho. Ja agora vamos esperar para ver o que dá o relatorio das Fundações (algumas, diga-se), ainda vão dizer "...coitados fazem tanta falta...).
    Continuação de boas ferias e vai escrevendo à malta.
    Carlos Delgado

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