quinta-feira, 7 de julho de 2016

Um Homem completo é aquele que não esconde nem o mínimo detalhe dos seus beijos



Às vezes a bruma sucumbe ao sol intenso do meio-dia e deixa-nos entretidos num jardim cravejado de hortênsias, tílias gigantes, buxo recortado e vistas generosas com um intenso sabor a mar.
Depois, eu aproveito a linha desenhada pelo tempo e sento-me comodamente à entrada de uma década nova. Respiro fundo, ao jeito de quem repousa, e sinto que o ar traz com ele os sentidos que emergem à luz e fazem coro comigo enfrentando a sorte:
- Eu serei tudo aquilo que cabe no meu sonho.
Há palavras que dançam ao redor de mim como aves de rapina de todas as cores, beijos e abraços montados na sela sobre as sílabas mais fortes, o canto dos versos na métrica ousada que me pertence unicamente a mim.
Há o amor que flui como cascata irrequieta mas constante sobre os minutos que alimentam o viço das avencas que brilham no mais recôndito do ser.
- Um Homem completo é aquele que não esconde nem o mínimo detalhe dos seus beijos. E pelo contrário, um Homem que condena às sombras quaisquer partes de si é uma criatura triste e amputada.  
Na véspera de cumprir 50 anos recebi a notícia do falecimento da Sofia, minha colega de Faculdade, após uma luta de 13 anos contra o cancro da mama.
Às vezes é o sol que sucumbe…
E só o sonho permanece intacto e eterno sob as tílias de mil anos para que com ele enfeitemos o tempo.
Como as hortênsias e sem nunca termos pressa…

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