quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Há dias que são tão cómodos e perfeitos...


Há dias que são tão cómodos e perfeitos, que não resistimos a transformá-los num sofá onde depois nos sentamos tranquilamente.

Podemos puxar para junto de nós, para nos alumiar, aquele pedaço de lua que nos abraçou num beijo; e na memória, como quem desenha letras no chão de terra de uma rua, vamos aos poucos organizando os versos, mas sem que os ajustemos de forma rígida a uma métrica qualquer.

Por isso, se pensaram ver-me algures por aí, investiguem primeiro, escutem com atenção tudo aquilo que eu disser, não esteja o meu corpo a vaguear por um sonâmbulo instante, "adormecido" que estou, e a sonhar, recostado nesses dias a que podem chamar tudo, mas que são afinal a poesia.

E até podem ver-me sozinho e de mãos vazias, mas acreditem que apenas na ilusão de um fantasma errando por aí; os dias onde me sento têm dois lugares e as minhas mãos tomam o mundo enquanto passeiam por ti.

Por isso, digam o que disserem de mim, vejam-me aqui, ali, seja onde for...

Eu estarei sempre abraçado a ti, comodamente ajeitados aos nossos dias doces, meu amor.

 

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