sábado, 10 de junho de 2017

Nós



Nós, os Portugueses, somos poetas que negociamos com as gaivotas, trocando frutos maduros por lições da arte de bem voar.
Sentados nas praias beijadas pela brisa salgada do fim da tarde, o nosso sonho projeta-se no oceano, como que abrindo as asas, e aquilo que de nós se vê nesse espelho imenso e azul, são corpos ao jeito de caravelas, cumprindo a vontade que se nos atou ao peito.
Quando as gaivotas se entregarem finalmente às ameixas que cumprem a nossa parte do acordo, e que as esperam no areal, nós já estaremos muito longe dali, provando que é herói quem se deixa acontecer, seguindo pelo amor e pela liberdade, mesmo sabendo que na distância, e sozinhos, o tempo é sinónimo de saudade.
Por muito querermos o céu, nós, os Portugueses, somos irmãos das gaivotas e de todos os pássaros do universo, e também somos poetas, por via da alma e do desejo. Nós jamais saberemos definir a fonteira entre um verso e um beijo.

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