sábado, 17 de fevereiro de 2018

O meu sono...


A minha história, trago-a presa à pele na memória dos amores, trago-a no rosto e no penteado, onde as algas e as rosas se prenderam, emergindo comigo na ressaca dos instantes em que fui até ao mais profundo de mim mesmo.
O meu sono, sempre que ocorre, é apenas aparência sobre o desassossego de agarrar e dar cor aos sonhos, porque os meus olhos fechados à claridade, não repousam, mas olham fixamente a inquietação que mora dentro do meu peito, tentando tomar-lhe a força e a vontade.
O mundo move-se por via da alma da gente que se inquieta, tal qual a música mais inspirada nasce da morte do silêncio às mãos do ruído moldado pelo desassossego do artista.
O certo e o errado respondem apenas à consciência, indiferentes às regras fúteis da moral vazia “eructada” por terceiros.
Em tempo de Quaresma apela-se à esmola, e sobressaem tantos que se enrolaram nas riquezas do universo, mas se esqueceram de juntar os mais elementares pedaços de si.
Transaciona-se o bem parecer sobre os véus ondulantes dos fantasmas.
A minha história foi mestra de tantas cores tatuadas na epiderme, e o meu sono... É vazio deixado à superfície pelos instantes em que falo comigo, como quem se procura, se acerta e acerta o passo na busca de novas cores.

 

(Agradeço a aguarela à minha amiga Maria José Bispo)

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