terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Diamonds are forever

Ia já no final o verão de 2003 quando fui informado de que iria ter uma colega nova a trabalhar directamente comigo. Vinha de uma outra empresa e a primeira actividade que teríamos juntos, imediatamente pós-férias de verão, era uma reunião de alguns dias em Barcelona.
Sem tempo ou oportunidade para nos conhecermos antes, falámos ao telefone, combinámos um ponto de encontro no aeroporto de Lisboa, descrevemo-nos e assim nos descobrimos no meio da enorme massa de gente que por essa altura sempre se movimenta na “apertada” Portela.
Fizemos o check-in juntos, viajámos lado a lado e aposto que quem nos visse desde o primeiro segundo, acharia que nos conhecíamos do tempo da instrução primária.
Com base na maior cumplicidade, aproveitámos os dias intensos de trabalho na Cidade dos Prodígios, como chamou a Barcelona, Eduardo Mendonza, no seu magnífico livro, para de forma prodigiosa fazermos enraizar uma sólida amizade. Daquelas amizades fantásticas e raras que nascem sem se saber bem de onde mas que carregam o selo: “Para a Vida”.
E de onde nascem as cumplicidades?
Ambos somos alentejanos, adoramos comer e beber bem, adoramos viajar, não passamos sem as nossas famílias, falamos pelos cotovelos, não conseguimos estar um minuto juntos sem dar uma valente gargalhada, somos viciados no non-sense, assumimos que o que mais nos dá prazer… é o prazer, adoramos retirar os filtros e provar o picante do política e socialmente incorrecto, somos viciados em viver intensamente…
E depois há a confiança infinita que é marca de uma amizade verdadeira e que me leva a contar-lhe coisas que garanto-vos nunca contei nem contarei a mais ninguém.
Alguns anos após nos termos conhecido e de termos trabalhado juntos, ela saiu da empresa e eu continuei, mas não passamos sem um contacto regular, habitualmente em volta da mesa, naqueles que marcamos no Outlook como “Almoços da Palheta”.
Pela zona de Oeiras, assentámos arraiais durante anos no restaurante “Pecados Ibéricos”, por certo pelo facto da nossa amizade ser verdadeiramente ibérica, por partilharmos uma noção muito própria de pecado e depois, e sobretudo, porque nos agradavam os ovos mexidos com farinheira, os pimentos de padron, os calamares, os chocos fritos, etc.
Hoje foi dia de almoço da palheta e descobrimos que os “Pecados Ibéricos” fecharam e deram lugar a um outro restaurante de conceito um pouco diferente, a que chamaram Boca.
Também não está mal para nós, porque entre comer, beber e falar, os nossos almoços são mesmo de Boca.
E depois, as iguarias não estavam nada mal, passo a publicidade ao restaurante.
Chegado a casa não resisti a partilhar convosco esta alegria do almoço com a Tiffany (assim a baptizou há uns anos um amigo comum) que na continuação da Bica Cheia de ontem, me manteve numa autêntica prova de degustação da amizade, que é o que de melhor existe para prevenir depressões e enfartes do miocárdio.
Quanto à Tiffany e porque sei que ela de vez em quando também passa por aqui, devo dizer-lhe que para além de ser das mulheres mais bonitas e elegantes do mundo, de estar no Top 5 das minhas amigas mais inteligentes (esgatanhem-se todas mas eu não digo nem morto quem são as outras quatro), ela é sobretudo uma amiga ultra super mega hiper especial, que jamais dispensarei, porque a nossa amizade nasceu para ser eterna como os diamantes, da Tiffany & Co ou não, e está tatuada para sempre no canto mais certo e seguro dos meus afectos.

5 comentários:

  1. Há de facto amisades assim. São raras mas existem. É bonito sentir a história e as gargalhadas que dão enquanto se lê. Consigo imaginar toda essa ultra super mega hiper e especial amizade. Tenho a sorte de contar com uma amiga assim. Tenho a sorte de Amar a minha melhor amiga.

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  2. ...que bom foi conhecer o pomar das larangeiras e lembrar um amigo muito especial! Gostei muito e este texto fez-me lembrar uns cafézinhos da má lingua tomados no "bas-fond" há muitos anos atrás.

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  3. Amei passar por aqui...
    Ja o fiz inumeras vezes...e se assim me permitires fa lo hei mais...
    Realmente ha amigos assim...presentes do Ceu e puros diamantes...beijinho.

    zezinha...

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  4. Querido Amigo
    Não fazia ideia que o nosso almoço tinha dado neste texto carregado de carinho profundo e calor risonho. Também és tudo aquilo para mim e muito mais. És uma das minhas pessoas favoritas. Pertences ao curto grupo de pessoas com quem se pode ir à tasca mais imunda - pior que o carapau palace - e também ao restaurante mais in de Paris.
    Não consigo expressar todo o meu carinho por ti e o que senti ao ler as tuas palavras. Fizeram-me corar, chorar e, claro, dar uma boa gargalhada!
    (Qualquer dia tens que esclarecer as pessoas quanto ao "bonita e elegante..." Não vão elas pensar que é mesmo assim :) )
    Muitos beijinhos e abraços
    Tiffany

    T

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  5. Como compreendo esse sentimento profundo que é a AMIZADE no seu verdadeiro sentido. Tu és um daqueles AMIGOS sempre disposto a ouvir,a falar, a chamar à atenção, a aconselhar... Bem hajas pela nossa AMIZADE que dura desde os bancos dos "banhos de luz".
    Manuel

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