sábado, 21 de janeiro de 2012

Guimarães 2012

Diz-se que Portugal nasceu em Guimarães, pois aí cresceu o sonho e daí partiu D. Afonso Henriques a conquistar e a “fazer” Portugal. Oito séculos de história numa unidade única e recordista na Europa e no mundo, dão legitimidade ao sonho do nosso Rei que mais do que Conquistador, foi o Rei Inventor de Portugal.
Património Português desde sempre, da Humanidade pela UNESCO desde há alguns anos, não espanta pois que após Lisboa em 1994 e o Porto em 2001, seja Guimarães a terceira cidade Portuguesa a merecer este título de Capital Europeia da Cultura. Guimarães 2012 é hoje oficialmente inaugurada.
Julgo que saberão que o país que no contexto da então CEE propôs a identificação em cada ano de cidades Europeias como Capitais Culturais, foi a Grécia, justificando a sua proposta como a necessidade de atrair as atenções sobre espaços urbanos que pelo seu património histórico, artístico e cultural, eram exemplos vivos da riqueza cultural da Europa.
A Grécia, pátria do pensamento moderno e da democracia, elemento legitimamente integrante do espaço Europeu e indispensável à sua identidade, a ser novamente farol como há tantos séculos no que há cultura e ao humanismo diz respeito.
Em 2012, quando falamos de Portugal e da Grécia no contexto da agora União Europeia, somos encarados pela generalidade dos cidadãos do universo com a mesma pouca atenção e respeito de um indivíduo que conta uma anedota.
E tudo porque a Europa “afogou” a sua identidade e unidade culturais, fazendo emergir apenas a componente económica e da finança. A Europa perdeu os líderes e é governada por um bando de tecnocratas, que para além do mais são péssimos e incompetentes.
Que Guimarães 2012 sirva para unir os Portugueses numa altura em que diariamente somos bombardeados com os “gazes” destrutivos da nossa auto-estima e em que somos apenas equiparados a lixo.
A nossa cultura e a nossa história conjunta são indestrutíveis e serão por certo o melhor e mais eficaz mote e catalisador para que ultrapassemos o momento difícil por que passamos.
Pela minha parte, tenho programado algumas visitas a Guimarães que tentarei agendar ao ritmo da programação bastante interessante que nos é oferecida.
Espectáculos e exposições à parte, não resistirei por certo a dar belos passeios pelo centro histórico da cidade, um dos mais bonitos do mundo, a parar para beber um café e ler um jornal num dos fantásticos cafés do Toural e juro-vos que me sentarei numa das esplanadas da Praça da Oliveira e pedirei uma imperial, perdão, um fino, e que brindarei a Guimarães, a Portugal, à Grécia e à Europa, para que ela volte a ser orgulhosamente o espaço da diversidade cultural e a mestra e inspiradora do valor maior: a liberdade.

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