sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Portugal 2012


Brava é a gesta de argutos artistas,
Doutores instantâneos e mestres de ilusões
Capados de honra, medonhos alquimistas,
Sorvedouros do erário público, Fundações.

Públicas, as virtudes que de Estado dão pose,
Privadas, as artes de negociatas estranhas,
Parcerias criadas, que a ambição sempre cose,
E nas contas privadas operam façanhas.

Campeões de rotundas, portagens e asfalto,
De Olímpicas manigâncias, mundiais recordistas,
Ganhadores de medalhas sem ter de ir mais alto,
Bastando esperar Junho e mimar “os artistas”.

Mata-se a justiça e cozinha-se nova lei,
Destrói-se qualquer prova: escuta ou impressa,
Porque a corrupção nesta República é rei,
E a salvaguarda das posses, o que mais interessa.

E assim, os governados sucumbem pela dor,
E quem governa, diz sempre não estar mal,
Nesta terra que somos e a que devotamos amor,
O orgulho e a nossa luta. Para sempre, Portugal.

1 comentário:

  1. Como diz o proverbio ,em terra de cegos quem tem olho é REI
    Rui Pereira

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