terça-feira, 14 de agosto de 2012

Santiago


O dia está escuro e de chuva, mas enquanto subimos a estrada ainda conseguimos vislumbrar a paisagem onde domina o verde, testemunhando que a Galiza prolonga o nosso Minho muito para norte e para lá da fronteira.
Santiago é o destino, e é a Praça do Obradoiro que buscamos depois de nos enlearmos na rede de granito feita de arcos e casas baixas, que sendo simples, nos preparam para que ao primeiro olhar possamos reconhecer grande e magnificente, a Catedral.
Há infinitas línguas e dialectos na festa das pessoas que sentem ter chegado onde as trouxe a fé.
Há turistas e gente sem fé.
Espero meia hora na fila para subir ao trono de São Tiago e quando após os meus pais, me abraço à imagem do Santo, faço-o com a convicção de o fazer ao “Pescador de Homens” nomeado por Cristo juntamente com o seu irmão, o discípulo dilecto São João.
A simplicidade dos dois pescadores contrasta com o ouro e as pedras em que toco, mas não deixo de sentir a fé dos que há muitos anos, pela grandeza, pela arte e imponência do granito, quiseram ao mundo expressar a alegria e a intensidade da sua fé.  
Desço do altar por uma escada estreita e devolvo-me à multidão.
Caminho, buscando a saída, e não posso deixar de agradecer o dom da minha fé renovado às vezes em coisas tão simples e tão pequenas.
Penso nas palavras de Cristo e de como o Século XXI as agradecerá, não expressas na magnificência do granito e do ouro, mas expressas pelo coração dos crentes, as catedrais vivas do nosso tempo, que vivendo os valores da paz, da igualdade, da justiça e da liberdade, contribuirão para revolucionar os dias que seguem tristes, vazios e de muito pouca coerência entre intenções e actos.
Peço inspiração e coragem, e sigo caminho.
Com fé.

3 comentários:

  1. Todos os meus dias são um adeus.
    Rui PEREIRA

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  2. Um abraço em Cristo amigo Quim e continuação de boas férias por essas terras de Galicia.
    Mena

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  3. Este seu post sobre Santiago, leva-me a uma proposta que lhe proporcionaria crónicas várias e enriquecimento místico, a acreditar no que me têm contado. A proposta é a seguinte: O meu amigo nunca pensou (se o não fez já) em fazer o "caminho de Santiago"? A propósito, existe um filme interessante sobre o tema. Acho que se chama "o caminho" ou "the way". Pense nisso, nas próximas férias.

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