domingo, 4 de novembro de 2012

Fábulas


Faço-me à estrada no meu carro de fabrico alemão depois de ter parado e atestado na latina petrolífera Repsol, da Área de Serviço de Estremoz, e de mais uma vez ter confirmado como no painel da bomba, aumenta velozmente essa diferença numérica entre litros e Euros.
No sentido Elvas – Lisboa, na tarde de sábado, tenho uma auto-estrada só para mim, o que me dá a sensação de que esta Parceria Público-Privada terá assentado mais em interesses privados do que públicos. O que também não me parece uma “Socrática” novidade.
Bem… uma auto-estrada só para mim, é força de expressão, pois chove tão copiosamente que no breu das seis da tarde, neste anoitecer antecipado, tenho por companhia dezenas de sapos que saltam à frente da viatura, o que dá um ar “Hitchckoquiano” ao meu passeio, observado também da berma da A6, ali algures entre Evoramonte e Évora, por um atento coelho em pose imponente, que me mira enquanto eu avanço pelo asfaltado tapete que rasga a minha planície.
Tapete, que diga-se de passagem, é um luxo muito caro, pois chegado ao Montijo e sem contar com a portagem da Ponte Vasco da Gama, são cerca de quinze, os Euros que me são descontados da conta bancária.
Passo o Tejo, faço-me à Segunda Circular, estaciono no Colombo, e em pouco mais de um quarto de hora, estou sentado na minha Catedral / Clínica, submetido a mais três doses de terapia anti-depressiva feita do gritar dos golos do Glorioso, com o alto patrocínio dos doutores Lima e Cardoso.
Mesmo sem La Fontaine, que linda fábula a da minha tarde de ontem no regresso a Lisboa.
Uma coisa porém vos garanto:
- Mesmo a ser observado atentamente por um Coelho, apesar de estar a pagar caras as Parcerias Público-Privadas, apesar de sentir que são os alemães que fabricam os motores que nos conduzem nesta incrível noite de breu… juro-vos que jamais engolirei os sapos que se me atravessem no caminho e que me impeçam de gritar VITÓRIA, no final.

2 comentários:

  1. Nem sempre os sapo de azar
    RUI Pereira

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  2. Hummm... Algures entre Evoramonte e Évora um coelho em pose imponente, só pode vir dessa distinta Vila da Azaruja.
    Abraço
    J.Silva

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