quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Rilhafoles



Meus queridos amigos, convido-vos hoje a entrar comigo no “Politicário Nacional”. Apertem os cintos, coloquem os óculos para a visão tridimensional, abram o corpo e a alma à aventura, predisponham-se para a descoberta e… mergulhemos na análise das espécies habitantes do ecossistema muito próprio designado por Portugal.
Com independência da sua localização no espectro ideológico, o político português oscila o seu comportamento entre a afabilidade e a indiferença. É capaz de num dia ir ter connosco a um mercado para nos dar beijos, abraços, sacos, canetas e aventais, e no outro dia passar por nós sem nos conhecer, assumindo-nos em muitos casos como gente de potencial perigo, rodeando-se por isso de uma segurança extrema que impede qualquer contacto físico ou verbal entre nós.
Com uma auto-estima muito acima da média, estes seres afirmam com frequência que a sua ausência provocaria o caos e pode até acontecer que no momento em que decidam retirar-se, imponham que a sua substituição seja assegurada por mais do que uma pessoa, pois a soma dos cérebros pode ser que permita a aproximação à sua magna inteligência.
É também esta desenvolvidíssima auto-estima que faz com que cobrem fortunas pela sua actividade, sendo muito frequente que a mediania das suas posses na fase de pré-política se transforme numa importante fortuna após apenas alguns anos de intervenção pública.
Desprovidos de memória, será sempre uma perda de tempo, qualquer questão sobre afirmações ou actos seus no passado, período sobre o qual têm sempre uma desfocada visão. Pelo uso ou não das lentes da marca “Poder”, poderão ver o presente como óptimo ou péssimo, mas o enfoque é sempre num futuro que com eles será perfeito.
Independentemente do passado, do presente ou do futuro, o seu desenvolvido instinto de sobrevivência poderá sempre induzir o recurso ao desvirtuar da realidade.
Da análise da sua fisionomia é fácil de observar que têm a boca maior do que as mãos, e isso explica o facto de serem muito desenvolvidos no discurso, infinitamente mais do que na acção, necessitando por isso frequentemente, e sempre que se imponha acção, de se rodearem de um número muito elevado de colaboradores e fiéis seguidores.
Acasalam preferencialmente com elementos da mesma classe e reproduzem-se com eficácia, protegendo sempre as suas crias e assegurando-lhes futuro com recurso a armas como os Decretos-Lei, as Portarias ou os Despachos.
À semelhança dos seus antepassados do Vale do Côa, adoram perpetuar-se na pedra, não resistindo a gravar placas que colocam junto a rotundas, viadutos, auto-estradas, túneis, etc. Mas, ao contrário dos seus avós do Paleolítico, já não desenham Cabras Pirenaicas, limitando-se a escrever os seus nomes juntos com as siglas DR, ENG ou PROF, as quais, em algumas situações, mais do que noutras, fazem algum sentido.
Alerto-vos para o facto das descrições aqui deixadas poderem ser confundidas com sintomas de quadros psicóticos como a Esquizofrenia, a Doença Bipolar, os Transtornos obsessivos, o Delírio ou as Alucinações. Será pura coincidência pois caso contrário este Ecossistema seria um manicómio.
Ou será que…

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