terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Joaquim Francisco... é tão só um pequeníssimo detalhe



O meu nome devo-o ao avô materno, Joaquim Miguel, e ao avô paterno, Francisco da Conceição.
O avô Chico era carpinteiro e fazia de propósito para mim, réguas de madeira com a escala certíssima ao milímetro, que eu usava orgulhosamente na escola.
Também me ofereceu um leitor de cassetes para celebrar o sucesso no exame da quarta classe e, juntamente com a avó levou-me a passear ao norte de Portugal numa viagem de oito dias. Foi na sua companhia que subi pela primeira vez à Serra da Estrela.
Conheceu a Florbela Espanca e o Bento de Jesus Caraça, contava-me histórias fantásticas nos serões que passávamos ao redor da braseira posta num estrado feito por ele, mas morreu em 1990 sem acreditar que o Homem tinha ido à lua.
- Os pantomineiros dos Americanos.
O avô Joaquim trabalhava no campo e oferecia-me todas as moedas que encontrava enquanto tratava a terra. Ainda hoje as guardo numa caixa de cortiça.
Ensinou-me a apanhar azeitona, a podar uma parreira, a plantar nabiças... e era um homem de fé e muito optimista que nunca desanimava, mesmo quando os melões que colhia tinham crescido até à fantástica dimensão de... uma maçã.
Quando ia a nossa casa levava sempre um saco com o melhor que o campo lhe dera nesse dia, e nunca nos deixava sair da sua casa sem igual presente.
Levava tão a peito as suas crenças, que confiando que uma canja de mocho abre o apetite a uma criança, caçou um exemplar da dita ave e escancarou-me o apetite até hoje; para lá de me ter oferecido esta culpa que trago tatuada na alma por ter consumido uma ave que me é tão simpática.
Com as aparas que o avô Francisco trazia da carpintaria, o lume acendia-se maravilhosamente; com o tubo de ferro por onde o avô Joaquim me ensinou a soprar, o lume de chão jamais se apagava.
É tudo uma questão de fogo, que também esse nome pode dar-se ao amor que nos constrói.
Joaquim Francisco...
É tão só um pequeníssimo detalhe.

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